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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

JÁ ESTÁ A VENDA...



O Livro “Sila do Cangaço... ao estrelado” da escritora/pesquisadora Elane Marques. A obra custa apenas R$ 40,00 com frete incluso para qualquer localidade do país.

Para aquisição entrem em contato diretamente com a autora através do e-mail 
marqueselane2@bol.com.br

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ALMOÇO OFERECIDO NO HOTEL CATETE AO DITADOR GETÚLIO VARGAS E COMITIVA - SÃO GONÇALO - SOUSA - PB - 16 DE OUTUBRO DE 1940


Almoço oferecido no Hotel Catete ao Ditador Getúlio Vargas e comitiva - São Gonçalo - Sousa - PB - 16 de outubro de 1940. 

Na fotografia, à direita de Vargas, encontrava-se Rafael Fernandes Gurjão.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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NOVO LIVRO NA PRAÇA "O PATRIARCA: CRISPIM PEREIRA DE ARAÚJO, IOIÔ MAROTO".


O livro "O Patriarca: Crispim Pereira de Araújo, Ioiô Maroto" de Venício Feitosa Neves será lançado em no próximo dia 4 de setembro as 20h durante o Encontro da Família Pereira em Serra Talhada.

A obra traz um conteúdo bem fundamentado de Genealogia da família Pereira do Pajeú e parte da família Feitosa dos Inhamuns.

Mas vem também, recheado de informações de Cangaço, Coronelismo, História local dos municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, São Francisco, Bom Nome, entre outros) e a tão badalada rixa entre Pereira e Carvalho, no vale do Pajeú.


O livro tem 710 páginas. 
Você já pode adquirir este lançamento com o Professor Pereira ao preço de R$ 85,00 (com frete incluso) Contato: franpelima@bol.com.br 
fplima1956@gmail.com

http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/2016/08/novo-livro-na-praca_31.html

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ITÁLIA E TERRA SANTA


05/12/16 08:29:33: Benedito: Muro das Lamentações em Jerusalém (29-11-2016).


05/12/16 08:29:33: Benedito: Arco de Constantino em Roma ( ao lado do Coliseu ), que serviu de modelo para o Arco do Triunfo de Paris.


05/12/16 08:29:33: Benedito: Uma das seis talhas (vasos) ainda existente na Terra Santa, onde Jesus operou seu primeiro milagre, transformando água em vinho, em uma festa de casamento.


05/12/16 08:29:33: Benedito: Fontana de Trevi em Roma (22-11-2016).


05/12/16 08:29:33: Benedito: São Jorge, Padroeiro de Belém ( Terra Santa ), Palestina, existente na Igreja da Natividade.

Enviado pelo professor e escritor Benedito Vasconcelos Mendes

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C O M U N I C A D O!

Por Benedito Vasconcelos Mendes

AMANHÃ, DIA 6 DE DEZEMBRO 2016, NÃO ESQUEÇA! VISITA NO MUSEU DO SERTÃO DE MOSSORÓ A PARTIR DA 7:00 HORAS DA MANHÃ ATÉ ÀS 18:00 HORAS.

A próxima visita ao Museu do Sertão será no dia 6 de dezembro de 2016, (terça-feira ), de 7 às 18 horas.  Esta visita será no dia da ida ao Museu do Sertão dos participantes do II SEMINÁRIO  INTERNACIONAL  ENCONTRO DAS AMÉRICAS.

Enviado pelo professor, escritor, fundador/diretor e proprietário do Museu do Sertão de Mossoró.

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DOM PEDRO II


Em 1860, quando visitou a nova capital dos sergipanos, Aracaju, ao passar pela Alfândega, D. Pedro II observou que o relógio de parede da repartição estava uma hora adiantado.


Não só não gostou como passou um carão no inspetor, que, de medo, por pouco não se obrou nas calças . Zózimo Lima, na crônica abaixo, nos fala desta única visita do Imperador a Aracaju, e deste bizarro episódio. 

A VISITA DO IMPERADOR
Poe Zózimo Lima

Depois que desceu na Ponte, de 220 palmos de comprimento e 61 de largura, sendo uma parte de alvenaria, de 65 palmos, e outra de madeira, de 135, D. Pedro II e a Imperatriz, naquele distante 11 de janeiro de 1860, acompanhados de seu séquito rumaram para Palácio, escoltados pelo presidente da província, Dr. Manuel da Cunha Galvão, todo mesuras e salamaleques.

Em 11 de janeiro de 1860 Aracaju tornava-se, com apenas 5 anos de sua fundação, a capital simbólica do Império do Brasil. Nesta data iniciava-se a visita de Suas Majestades Imperiais, D. Pedro II e Esposa, Thereza Christina. Foram dias de grande movimentação e importância, e que marcaram de forma indelével a vida na nascente capital sergipana, deixando lembranças que jamais se apagarão.
Convido a todos para embarcarem conosco nesta viagem de volta no tempo para acompanhar os passos de Sua Majestade pelas terras aracajuanas. Clique aqui e boa viagem! Obrigado pela visita! - http://reino-de-clio.blogspot.com.br/2013/10/d-pedro-ii-em-aracaju.html

A nova capital, dentro de mangues e lagoas, onde apareciam cajueiros nos pontos mais altos, com apenas cinco anos de existência, por isso que o palácio era um casarão de aspecto sombrio, sendo necessário fazer-se uma puxada com galeria e mais dois quartos para hospedar alguns áulicos da comitiva que não era pequena, inclusive oficiais de Marinha.

Depois do protocolar beija-mão, com uma pequena saudação pronunciada pelo Dr. Guilherme Rabelo, foram distribuídos alguns copos de cajuada. O Imperador estava expansivo e mostrou desejo de conhecer a biblioteca palaciana. Torceu a cara quando viu que a maioria dos livros era de Paulo de Kock, jocoso escritor francês na época muito divulgado.

À noite, depois de devorar com apetite as curimãs de São Cristóvão, houve quadrilhas em que se exibiram alguns oficiais de Marinha, o Comandante da Polícia, Voltaire Carapeba e alguns comendadores barbados com as respectivas esposas de saia balão, papelotes nos cabelos e muita fita no corpinho atacado por constringentes barbatanas dos espartilhos.

Cansado, enfadado, depois de dar ordens aos comandantes do “Rio Apa”, “Pirajá” e “Itajaí”, que dormiriam a bordo, recolheu, com a Imperatriz, aos aposentos, envolvidos numa onda de carapanãs que furavam os mosquiteiros. 

Na manhã do dia 12, às 6 horas, já de pé, recebeu a impertinente visita do vice-cônsul português Horácio Urpia, no que era sucedido pelo vice-cônsul da França e Uruguai José Narboni, negociante de quinquilharias, ambos de fardão.

Depois do café com bolo, requeijão, ovos, banana frita e macaxeira, foi visitar as principais repartições públicas da nova capital.

Ao chegar à Alfândega, em casa de aluguel, mal alojada, consultou o relógio, que marcava 10 horas, e conferiu com o seu que estava em 9. Observou ao Inspetor daquela irregularidade. O Inspetor informou que a despeito daquela adiantada hora os funcionários cumpriam o período de serviço. O Imperador não gostou da explicação. Passou-lhe um carão em regra.

Aquele funcionário, acremente censurado, ao sair o Imperador, sem tomar qualquer purgante, minutos depois, fazia força, se espremia e gastava folhas de papel e capucos de milho para se limpar.

Outros episódios cômicos durante a estada do Imperador nesta província irei contar aos meus leitores, sem me afastar da verdade contida no noticiário da época.

Gazeta de Sergipe – 03/10/68

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DOCUMENTÁRIO O ÚLTIMO DIA DE LAMPIÃO (1975) - REDE GLOBO

https://www.youtube.com/watch?v=odeIANL68Dg&t=10s

Um dos melhores documentários já produzidos sobre os momentos finais da vida de Lampião, Maria Bonita e parte de seu bando. Fato ocorrido no dia 28 de julho de 1938 na Grota do Angico (Fazenda Angico) na época pertencente ao município sergipano de Porto da Folha, atualmente pertencente ao município de Poço Redondo/SE.

Direção: Maurice Capovilla
Narração: Sérgio Chapellin
Geraldo Antônio de Souza Júnior

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O HOMEM QUE FUSTIGOU OS CAVALOS ADORMECIDOS EM SONO DE SÉCULOS

Por Fernando Ferreira (*)

Rio de Janeiro, 23 de setembro de 1977

“Jornal do Sertão”, “Casa de farinha”, “Viva Cariri”, “Segunda feira”, “Casa grande e senzala” são alguns dos títulos da importante carreira do cineasta Geraldo Sarno, como documentarista do Nordeste brasileiro. É forte a corrente que o considera inexcedível nesse campo, onde faz arte e ciência com uma absoluta honestidade e uma tranqüilidade clarividência. Seus são alguns dos mais belos e mais límpidos documentários que se fazem atualmente no mundo. Essas qualidades não se antegorizaram com seu primeiro longa-metragem de ficção – “O sítio do pica pau amarelo” – onde fez um Lobato parecido com os filmes de Geraldo Sarno e por isto muita gente torceu o nariz.

Coronel Delmiro Gouveia

Depois de realizar um admirável trabalho de documentação de terreiros de candomblé, na Bahia (o filme “Iaô”, premiado no último festival de Brasília), Geraldo ocupou todo o tempo dos últimos meses num longa-metragem sobre a vida de Delmiro Gouveia, o homem que primeiro fustigou os cavalos adormecidos, em sono de séculos, da cachoeira de Paulo Afonso, na expressão de Graciliano Ramos. De origem modesta, Delmiro Gouveia, que nasceu em 1863, foi um inovador audacioso no comércio do Recife e, posteriormente, quando obrigado por perseguição política a refugiar-se no interior de Alagoas, um empresário e industrial que enxergava muito adiante do seu tempo. Extraiu energia das águas do São Francisco: montou uma fábrica de linhas e de tecidos; construiu moderníssima vila operária, buscando mão de obra entre os camponeses do Sertão; organizou, com energia inflexível, um modelo de sociedade de trabalho; abriu estradas; dotou de luz a cidade de Pedra (hoje Delmiro Gouveia, em Alagoas), que encontrara paupérrima, em 1903, antes que Recife se despedisse dos lampiões de gás; enfrentou com altivez e intransigência os concorrentes estrangeiros do seu negócio. E sonhou com muito mais, até que o mataram, em 1917, sem que até hoje o crime tenha sido convincentemente esclarecido.

O cineasta que mais documentou o Sertão do Nordeste brasileiro, muito naturalmente desejou contar a história de Delmiro Gouveia. E o encontro de quem tanto recolheu a imagem do desenvolvimento com alguém que terá pretendido, quem sabe, supera-lo com indômita disposição. Geraldo Sarno ultima nestes dias, seu longa-metragem de ficção “Delmiro Gouveia”. Um dos filmes brasileiros do qual mais se deve esperar pelo que contém de talento, de verdade e emoção muito nossa. Geraldo e Rubens de Falco, diretor e ator, falam do filme que fizeram juntos.

Geraldo Sarno: atiraram no homem para matar a fábrica. Não se sabe quem foi.

FF - Geraldo, como se explica que haja uma tão grande desinformação sobre a figura histórica de Delmiro Gouveia?

GS - Existe um autor, um dos vários biógrafos de Delmiro, que chega a contar que, em torno da figura do Delmiro, exista uma “conspiração do silêncio”. Ele usa exatamente esta expressão. Dizer que existe alguma coisa de orquestrado neste sentido, é difícil de afirmar. Mas não deixa de ser estranho que uma figura da importância que ele tem, seja tão desconhecida no País. Eu mesmo tive o meu primeiro contato com a figura do Delmiro quando me encontrava no Nordeste, fazendo documentários, com o Affonso Beato e o Thomas Farkas, e que cheguei a primeira vez em Paulo Afonso, a cachoeira, e lá vi a usininha pendurado no penhasco do outro lado de Alagoas. E informando-me do que se tratava, soube que tinha sido a primeira usina feita em Paulo Afonso, no início do século, por um cara que tinha sido assassinado, que tinha uma fábrica de linhas de costurar. E foi assim, por acaso, que descobri a existência desse personagem.

FF - O seu filme procurou situar o personagem central desde os seus primórdios ou quando se iniciou comerciante de peles, ou foi direto para a cidade de Pedra, nas Alagoas, onde a obra dele teve a expressão nacional que se conhece?

GS - Não procurei fazer um filme biográfico-histórico no sentido tradicional. O filme é uma visão de cineasta da vida de Delmir Gouveia e aborda a história do personagem a partir de um determinado momento de sua vida no Recife, e daí na sua ida para o Sertão. De toda a formação do grande comerciante que ele já era, no Recife, a gente tem apenas uma referência através de umas duas cenas, que são as inaugurações do Derby, o famoso mercado por ele mandado construir e que logo foi incendiado no final do século, no Recife. Este incêndio inicia, aliás o filme, que já pega Delmiro, digamos assim, no “tope”, já na sua fase de oposição à oligarquia do açúcar, sob o comando de Rosa e Silva, então Vice-Presidente da República. É que essa oligarquia contraditava os seus interesses de empresário modernizador, de introdutor de um mercado novo, de uma relação de venda ao consumidor muito mais barata do que permitiam os métodos daquelas estruturas tradicionais. Assim, ele se chocou com o Governador, Prefeito e Vice-Presidente, e mais ainda quando da aventura amorosa que teve com a enteada do Governador, pela qual largou a família e tudo que tinha de estrutura comercial, raptou essa moça e foi se esconder perto da cidade de Pedra, junto a um coronel local, Ulysses Luna. E é aí que ele começa uma nova vida, e desenvolve uma atividade que no torna muito significativo como figura da nossa História.

FF - Essa nova vida pela qual ele opta, e que se tornou o ponto central do seu filme, é um corte ou uma reformulação em relação ao passado até que então vivera?

GS - De uma certa maneira, é um corte. Delmiro foi um desses personagens com uma capacidade marcante de apagar o passado e se renovar. Ele saiu de várias falências, de várias derrotas comerciais, soube, de fato, recomeçar a vida pessoal em vários momentos. O que ele nunca abandonou, o que tornou possível toda aquela experiência de industrialização, no Sertão, foi exatamente o comércio de couro que ele não abandonou. Ao contrário, pois o Sertão é que fornecia, aos comerciantes do litoral, do Recife, e de Maceió, a matéria-prima de peles e couros, já que os caprinos têm sua maior concentração naqueles espaços. Indo para Pedra, foi-lhe possível montar, em pleno miolo da região produtora de peles e couros, uma estrutura comercial, de compra, e também artesanal, de preparo e melhoria. Através de uma pequena estrada-de-ferro e, em seguida, do transporte fluvial pelo São Francisco, o produto chegava, então, até Maceió, onde seguia para o exterior. Desta forma, ele não apenas reformulou a sua estrutura de compra a exportação de peles, como o fez numa escala e num nível muito maior do que fazia no litoral.

FF - Em sua opinião, seria possível qualificar-se o Delmiro Gouveia como um precursor; um visionário ou um emancipador?
GS - Precursor..., sem dúvida; visionário, eu creio que também...

FF - E o que lhe terá faltado para poder ser apontado como um exemplo de amancipador?

GS - O fato de que sua carreira foi interrompida no momento em que ele se organizava, no momento em que seu visionarismo conseguia se solidificar em coisas concretas, como a usina, a cidade que fez, a fábrica, a transformação de camponeses em operários qualificados. Quando tudo isso atingia seu pleno desenvolvimento, seu significado maior, ocorre o seu assassinato. O projeto pára o qual ele partiu, inicialmente, se revelou muito maior quando se apresentou a possibilidade de associação com capitais americanos para um plano integrado de investimentos na industrialização, no pastoreio e na agricultura. Seria qualquer coisa de muito audaciosa, que importava até mesmo na utilização da energia elétrica de Paulo Afonso até o recife. E foi na intenção desse grande projeto que ele partiu pára a obtenção das permissões estaduais e federais que se faziam necessárias. No governo de Pernambuco não estava mais seus inimigos, da linha de Rosa e Silva, mas ainda assim sua proposta pareceu suspeita. Talvez ele pagasse, aí, pela atividade de comerciante arrojado, de atitudes modernas que incluiriam até um certo aventureirismo. Frente a uma cera ética tradicional da época, a figura pioneira de Delmiro, no Recife, sempre despertara muitas reservas e daí, talvez, a desconfiança do novo governador, General Dantas Ribeiro, que julgou pressentir qualquer coisa de “velhacaria”, na proposta que lhe encaminhava o antigo comerciante de peles do Recife. A mim me parece, em última analise, que Delmiro é o exemplo de como as classes empresariais, ou seja, a burguesia, em nosso País, poderiam ter formulado um projeto nacional independente, já que ele acabou partindo sozinho para a sua luta.

FF - ...Bem, se não pode, então, ser o exemplo de emancipador de que falei acima, o seu filme, no entanto, é um filme sobre a nossa emancipação, política, social, econômica, não é isso?

GS - Ah, sem dúvida. Isto aí não há duvida. Foi algo que assumi com a maior consciência. Com o já disse antes, acho que ele é uma proposta de superação do desenvolvimento, com nosso próprios recursos e a mobilização da população do local, o que é certamente um dado muito importante.

FF - O filme certamente se detém muito sobre a transformação de Pedra em Delmiro Gouveia. O governo que ele estabeleceu sobre aquela cidadezinha teria sido, de fato, como se disse, uma demonstração de despotismo pessoal?

GS - Parece que sim. Da mesma maneira que era o comportamento corrente naquele universo de coronéis. Era, entretanto, um despotismo muito diferente do autoritarismo dos coronéis vizinhos, pois que visava a uma nova forma social de vida no Sertão. Tratava-se de uma visão integrada da realidade. Ao mesmo tempo que ele criava uma fábrica, uma usina, também fazia surgir uma vila operária onde impunha hábitos de comportamento social, de higiene, de igualitarismo. E reconhecido o fato de que ele não permitia a exploração do operário, no plano, por exemplo, da compra de bens de primeira necessidade. Ela mantinha um armazém abarrotado de farinha, de charque. Então, quando os comerciantes apareciam na feira semanal de Pedra, tentando impor um preço acima do que ele achava justo, o razoável, ele abria o seu mercado para criar a concorrência e baixar os preços. Ele não permitia, por exemplo que a feira, na idadezinha, vendesse coisa alguma antes que se hasteasse uma bandeira na fábrica, sinal de que o último operário já tinha recebido o seu salário. Significava, então, que o operário podia concorrer na compra dos produtos igual que outros habitantes. Tinha, pois, um tipo de preocupação que era, no mínimo, estranho para a sua época, o seu meio e aquela região. Como ele viajou pelo exterior, com o objetivo mesmo de adquirir equipamentos e atualizar-se, ele estava ao par do moderno em matéria de industrialização. Em pleno isolamento do Sertão, ao conseguir formar operários-técnicos, Delmiro evidentemente tinha que oferecer-lhes condições de fixarem-se lá e os benefícios sociais que lá implantou terão tido certamente este objetivo.

Das biografias e depoimentos a seu respeito, não se recolhe uma formulação teórica der Delmiro como de um novo capitalismo. Ele era visto como um empreendedor, um empresário moderno, um coronel-empresário moderno, progressista seria o termo mais correto para isto, mas no seu sentido prático, não no ideológico, no teórico. Ele era o homem que sabia ver as coisas e realizá-las; era o homem de ação mais que de pensamento.

FF - Como você planejou a narrativa cinematográfica dessa história verídica, de modo a propor uma reflexão capaz der trazer um esclarecimento para o expectador?

GS - Nós articulamos, o Orlando Sena e eu, que trabalhamos juntos, no argumento e no roteiro, um filme em quatro episódios. Na verdade, três episódios, e um epílogo. Quem comanda e narra o primeiro é a moça que foi com ele para o Sertão, interpretada pela Sura Bernichewski; a segunda é comandada pelo Jofre Soares, como o Coronel Ulisses Luna, quem libertou o Delmiro de uma prisão no Sertão, na qual foi parar por uma vingança do Governador, seu inimigo; o terceiro episódio é comandado por um seu sócio, uma síntese dos sócios, assessores e advogados com quem Delmiro lidou. Interpretado pro Nildo Parente, Lionello Iona, esse sócio, é, ao mesmo tempo, um contraponto, um alter-ego do Delmiro e será ele quem vai realizar a oposição final a Delmiro, quando lhe é feita a proposta de associação e compra pelos ingleses. É o Iona quem simboliza essa posição de associação e quem vê a destruição próxima. E tem o epílogo, que vem após a morte de Delmiro, que é a história da fabrica pós a morte dele. Esta parte é conduzida por um operário, ex-camponês e que é feito pelo Zé Dumont e se chama, no filme, Zé Pó. Como no caso do Iona, não houve a intenção de repetir o verdadeiro Zé Pó, que também existiu.

FF - Geraldo, quem matou Delmiro Gouveia?

GS - Olha, é difícil você afirmar. Há várias versões: a dos biógrafos, as correntes na região... Poderia lhe narrar a que me foi contada no clube operário, na Vila de Pedra, por um velho operário, hoje morto, e que conheceu Delmiro quando criança – chamava-se ele Pedro Campina e contou-me a sua história chorando, ali no meio de quase cinqüenta operários. São muitas as versões. Talvez a mais aceita seja a de que teria sido um coronel inimigo de Delmiro, com quem ele tinha tido questões de terras, um coronel chamado Zé Rodrigues, que o teria mandado matar com o acobertamento de algumas figuras, uma, sobretudo, chamado Capitão Firmino, que morava na Vila de Pedra. Inclusive foram presos três homens, que foram maltratados e que confessaram. Hoje apenas um deles vive e nega esse assassinato. É difícil dizer quem mandou matar. O filme, aliás, não se detém nesse lado policial. Na verdade, o filme responde é à pergunta de a quem aproveitou a morte de Delmiro Gouveia. Para mim não há duvida: atiraram no Delmiro para matar a fábrica.

Rubens de Falco: sou um ator empostado. Gosto de personagens que viveram no passado.


FF - Rubens, gostaria que você situasse a sua compreensão do personagem do Delmiro Gouveia.

RF - Bem, tentando reconstituir um pouco como as coisas se passara: evidentemente, foi-me apresentado um roteiro, por sinal muito bem elaborado, no qual a figura de Delmiro Gouveia aparecia não como um herói, mas como o resultado de várias visões sobre a sua personalidade: a da menina com quem ele fugiu; a do coronel que o introduziu no Sertão; a do sócio que o acompanhou durante a vida inteira; a do operário que foi a resultante de tudo o que ele fez. Embora, no tema, o filme nada tenha ver com o filme japonês “Rashomon”, a proposta narrativa tem com ele alguma semelhança; bem, a partir desse roteiro, eu comecei a estudar mais detidamente o personagem, do qual, no entanto, existem relativamente poucas informações, em biografias um pouco romanceadas, algumas das quais me foram dadas, para leitura, pelo Geraldo Sarno. Li, mastiguei aquilo tudo e daí começamos um trabalho que, a partir de um fato histórico recente, chegasse a uma ficção que se situasse o mais perto possível de quem foi Delmiro Gouveia. Dentro desse quadro de várias versões, a personagem mesma de Delmiro Gouveia surge como uma espécie de catalisador do quadro histórico apreciado e analisado.

FF - Resultou, sem dúvida, um trabalho muito fascinante...

RF - Claro. Mas o mais importante para mim, como ator, foi tomar conhecimento deste homem do qual conhecia apenas o que me informara um pequeno documentário sobre ele. E, de repente, alguém me diz: “Você vai ser o Delmiro Gouveia”. Foi uma sorte, especialmente para mim, termos ido fazer locação lá mesmo onde Delmiro Gouveia levantou a sua obra, o que nos envolveu, equipe e elenco, de uma maneira total. Usei, então, um sistema de que a gente se vale muito no teatro, onde sempre se tem ensaio de mesa. Lia e relia o roteiro, voltava a passagens que me haviam escapado e fui me integrando dentro do espírito deste homem, que tinha o seu lado déspota, de coronel do interior, talvez como um meio para realizar os fins pretendidos. Não sei se ele tinha consciência exata do que iria fazer; uma coisa, porém, é certa – ele tinha consciência do que estava fazendo no momento, que era a preocupação de dar um valor social àquela gente do sertão, como parte da obra que ambicionava. Para isto, precisou muitas vezes ser um homem duro.

FF - Então, na sua visão, admirar Delmiro é possível ou se deve mesmo fazê-lo?

RF - Eu acho que só se deve admirar. Acho que o mundo, a vida, as pessoas, pos objetos, obedecem sempre a ciclos. Quem sabe se, nos 70 anos que se passaram – aliás 60 – quem sabe, então, não estamos atravessando, neste momento, algo parecido à época de Delmiro, já que tanto nos preocupamos, cada vez mais, com o que se pode fazer com esta terra nossa. E é justamente aí que reside a oportunidade do filme, o seu momento exato, de fazer ressurgir este homem que representa uma vontade nacionalista.

FF - Pode-se concluir, então, que este personagem tem um significado especial em sua carreira de ator?

RF - Olha, eu comecei a fazer teatro muito cedo, minha carreira já vai completar 26 anos. Fui formado na rigidez do TBC e na dos Jograis, de São Paulo. Nestes 26 anos, devo ter feito algumas coisas boas: a primeira foi ter optado por fazer algo que gosto de fazer; a segunda foi ter feito parte dos Jograis, de São Paulo; das peças de teatro que fiz, muita coisa foi boa, muita coisa não – eu gostei muito de um trabalho com o Glauce Rocha, que foi a peça “O exercício” – e, em cinema, fiz muita porcaria. Considero, entretanto, que um filme que fiz foi bom, o “Tempo de violência”, do Hugo Huznet, talvez um filme que tenha chegado cedo demais – seria um filme para os dias de hoje. Represando esses 26 anos, acho que eles valeram a pena se me foi dada a oportunidade de fazer algo que não diria definitivo, pois nada é definitivo, mas algo que, como ator, pelos menos no cinema, em coloca numa posição mais séria, mais preocupante, mais participante. Depois de “Delmiro Gouveia”. De fato, tenho que pensar muito sobre o que vou fazer em cinema e sobre o que eu, realmente, quero fazer.

FF - Os personagens da época são constantes na sua carreira, não é verdade?

RF - Bem, eu costumo dizer que sou um ator empostado. Por isso, sei que me dou bem com os personagens que viveram no passado, conheço os meus recursos e tive uma formação teatral muito sobre peças ditas “de época”. O passado, em “Delmiro Gouveia”, foi recriado com muito talento, com a diferença de arte entregue ao Anísio Medeiros, que é um dos melhores da sua especialidade. Mas, sei lá, acho que a gente conseguiu essa colocação sem muito se preocupar em assumir um comportamento de “filme de época”. Também o processo de envelhecimento do Delmiro não apelou para a maquilagem pesada, apenas a gente foi procurando dar uma expressão mais corporal, na postura física, na maneira de andar ou de articular, que, no caso, expressariam m ais o interior do personagem. O resultado tão satisfatório desse processo somente foi possível porque todos, no elenco, setiamo-nos num trabalho conjunto, muito na base do papo, muito na base da crítica sadia. Acho que isto só se tornou possível – e tinha que ser assim, era ler o roteiro e ver – pelo comando tranqüilo e muito aberto do Geraldo Sarno, sempre pronto a ouvir e discutir, sempre muito educado, mas muito seguro das suas intenções. Considero um privilégio, nesta altura da minha carreira, ter trabalhado com este moço cineasta. Acho que o “Delmiro Gouveia” vai fazer época, sem trocadilho; e penso que influenciará até mesmo outros cineastas pelo que contém de novo, de oportuno, apreciando livremente, abertamente a realidade da história do homem brasileiro. Foi um bonito tempo de trabalho.

(*) Jornalista

http://memo-delmirogouveia.blogspot.com.br/2008_11_16_archive.html

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UMA ENCICLOPÉDIA AMBULANTE SOBRE LAMPIÃO E O CANGAÇO

Por Jadson Oliveira - Colunas
Legenda da foto: José Bezerra Lima Irmão, autor do livro ‘Lampião, a Raposa das Caatingas’ 
(Foto: Jadson Oliveira)

“Para se saber quem foi Lampião, é preciso situá-lo no contexto social de seu tempo e no espaço geográfico em que ele viveu. Só assim é possível compreender e julgar esse personagem que terminou sendo o símbolo de uma época no sertão nordestino”.

De Salvador-Bahia – Parece inevitável. Uma discussão sobre o Rei do Cangaço e o cangaceirismo desemboca na interrogação recorrente: o “capitão” Virgulino Ferreira, o Lampião, que aterrorizou o Nordeste brasileiro durante 17 anos, na primeira metade do século passado, foi bandido ou herói?

Isso aconteceu mais uma vez no último dia 26, na Faculdade de Arquitetura da UFBa, em Salvador, onde intelectuais baianos debateram o tema a partir da avaliação do livro ‘Lampião – a Raposa das Caatingas’.


O autor, José Bezerra Lima Irmão, foi taxativo: “Nem bandido nem herói, foi um cangaceiro”. Advertiu que a pergunta é a mais tola que se possa fazer e é simplória qualquer resposta dada às pressas.

“Para se saber quem foi Lampião, é preciso situá-lo no contexto social de seu tempo e no espaço geográfico em que ele viveu. Só assim, situando-o nas dimensões dos espaços físico e temporal, é possível compreender e julgar esse personagem que terminou sendo o símbolo de uma época no sertão nordestino”.

Escritores José Bezerra Lima Irmão e João de Sousa Lima

Este trechinho copiei da parte inicial do livro, um camalhaço (no bom sentido) de 736 páginas de letras miúdas. E dá o tom do conteúdo da exposição de José Bezerra para as pouco mais de 20 pessoas que foram ao encontro (uma pena tão pouca gente!).

Talvez não fosse necessário frisar que o autor deu uma mostra do seu conhecimento enciclopédico sobre o assunto, adjacências e contexto – Guerra de Canudos e outros levantes populares, coronelismo, violência, injustiças sociais, religiosidade, falta de instrução, vinganças familiares, luta “braba” pela terra e pela sobrevivência, ausência do Estado, mandos e desmandos dos coronéis, dos jagunços, da polícia e, óbvio, dos cangaceiros.

O talentoso Pedro Motta Popoff com o livro "O Raposa das Caatingas"

Sobre tudo isso, José Bezerra mostrou que sabe tudo, pode-se dizer sem medo do exagero. Tanto que o reconhecido escritor baiano, Oleone Coelho Fontes (autor, dentre outros livros, de ‘Lampião na Bahia’, já na décima edição), não hesitou em declarar que Bezerra esgotou o tema.
A estrutura social da época explica o fenômeno.

Oleone, aliás, tem uma opinião bastante diferente da de Bezerra. Proclama com toda eloquência que Lampião foi um bandido, simplesmente assim, um bandido sanguinário. Invoca a favor de sua posição as inúmeras testemunhas ou contemporâneos dos fatos que entrevistou para escrever seu livro.

Presente ao encontro, Antonio Olavo, cineasta/documentarista baiano, mostrou-se afinado com grande parte da visão apresentada por Bezerra. Disse que respeita vozes diversas, mas discorda de enfoques como o de Oleone, frisando o fenômeno da reação dos cangaceiros frente a uma situação política, econômica e social marcada pela injustiça e violência.

Escritor Oleone Fontes

O cenário natural de tal situação era a tirania capitaneada pelos coronéis e chefes políticos, que tinham a seu serviço jagunços e policiais, além de autoridades como delegados, juízes e padres.

Já os organizadores do debate, o professor Edmilson Carvalho e Jorge Oliver, velhos militantes do campo das esquerdas, defenderam a necessidade e a relevância do aprofundamento de tal discussão, levando em conta principalmente que as verdadeiras causas do cangaceirismo residem na estrutura social e política da sociedade de então.

O autor e o escritor Dr. Antonio Amaury Correia de Araújo

Bem, é preciso dizer que José Bezerra, um sergipano que vive em Salvador, é auditor da Receita estadual, com 70 anos, ainda não aposentado. Passou 11 anos atolado nas pesquisas, usando finais de semana, feriados, férias, licenças (preciso lhe perguntar como sua família aguentou, ou não aguentou?), com mais de 30 viagens pelos sete estados nordestinos por onde andou Lampião obrando suas controvertidas e famosas proezas.

PS: Edmilson Carvalho comentou que se trata duma obra “monumental”, que começou a ler as mais de 700 páginas, formato grande e letras miúdas, e só sossegou quando acabou. Eu já cheguei à página 85 e está até me atrapalhando, pois tenho outros afazeres e, infelizmente, não posso ficar o tempo todo na leitura. Um conselho: compre o livro. Em Salvador, pode ser encontrado na Saraiva (Salvador Shopping). Em Cajazeiras no Estado da Paraíba você irá encontrar esta obra com Francisco Pereira Lima o professor Pereira através deste e-mail: franpelima@bol.com.br, ou entre em contato com o autor por e-mail: josebezerra@terra.com.br


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APONTAMENTOS BIOGRÁFICOS SOBRE O DR. FRANCISCO FREIRE DE ANDARDE


ANDRADE, Francisco Freire de
*  const. 1934; dep. fed.  PI 1935-1937.

Francisco Freire de Andrade nasceu em Teresina no dia 21 de setembro de 1888, filho de Vitalino Freire de Andrade e de Luísa Frei­re de Andrade. Seu pai era operário.
            
Estudou em sua cidade natal, no Colégio São Luís e no Liceu Piauiense. Em 1906 ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, formando-se em 1911, após defender a tese Do valor do sanatório na cura da tuberculose.

No início da sua carreira profissional dirigiu o serviço de combate à epidemia de varíola na vila baiana de Periperi.  Ainda como mé­dico, integrou as tropas do Exército que combateram na Bahia, em 1926, a Coluna Prestes.
            
Após a Revolução de 1930, de volta a seu estado, participou em janeiro de 1933 da fun­dação do Partido Nacional Socialista do Piauí, que visava congregar as forças políticas que haviam apoiado a revolução e instituir-se num partido de âmbito nacional. Integrou a co­missão central do partido e nas eleições de maio de 1933 elegeu-se suplente de deputado pelo Piauí à Assembléia Nacional Constituin­te. Empossado em janeiro de 1934, participou dos trabalhos constituintes e, com a promul­gação da nova Carta (16/7/1934), teve o man­dato estendido até 1935. Reeleito em 1934, permaneceu na Câmara e em novembro de 1935 participou, com Domingos Velasco, João Café Filho e outros, da formação do Grupo Parlamentar Pró-Liberdades Populares. Esse bloco parlamentar, também chamado Frente Parlamentar Pró-Liberdades Populares, constituiu-se para defender as liberdades cons­titucionais - que seus promotores julgavam ameaçadas pelo governo de Getúlio Vargas - ­e combater o movimento integralista, então em ascensão. Após a prisão de alguns dos seus mais importantes integrantes, o grupo esva­ziou-se, a partir de março de 1936.
            
Em novembro de 1937, com a implantação do Estado Novo e a dissolução dos órgãos legislativos do país, seu mandato foi interrom­pido.
            
Foi diretor do Asilo de Alienados, médico legista da polícia, diretor da Saúde Pública, médico da Santa Casa de Misericórdia, professor de matemática da Escola Normal do Piauí e do Liceu Piauiense e presidente do Conse­lho Municipal de Teresina.
            
Foi casado com Áurea Burlamaqui Freire de Andrade.

FONTES: ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais (1); Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; Câm. dep. seus componen­tes; Diário do Congresso Nacional; GODI­NHO, V. Constituintes; SILVA, H. 1935.


Francisco Freire de Andrade, neto de Francisca Freire de Andrade, meio-sobrinho de Menandro José da Cruz. Fotografia datada de 1912, enviada à família em Pombal/PB. 

OBS.: Menandro José da Cruz era filho de Francisca Freire de Andrade e Jerônimo Ribeiro Rosado, português de Águeda que se radicou em Pombal/PB.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero Araújo Cardoso.

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LAMPIÃO - DISCÓRDIA DE "VALENTES" (ZORRA TOTAL)


Publicado em 4 de dezembro de 2016
Cena do programa humorístico "Zorra Total" da Rede Globo de Televisão.

Os Cabras quase se mataram... de elogios.

Quadro: LAMPIÃO - O REI DO "CAGAÇO"
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MULHER DE 109 ANOS DIZ TER VISTO PADRE CÍCERO E BANDO DE LAMPIÃO, NO CE

Por Diana Vasconcelos Do G1 CE - Publicado em 20/09/2012
Aos 109 anos, Dona Amélia tem problemas de vista, mas se mantém lúcida.
(Foto: Família/Arquivo Pessoal)

Viúva duas vezes, mulher teve oito filhos. Dois deles morreram.

A aposentada Amélia Nunes dos Santos moradora da cidade de Mauriti, a 493 de Fortaleza, segundo ela, neste mais de um século de vida presenciou eventos históricos, como as missas celebradas pelo padre Cícero Romão Batista, os confrontos na cidade de Juazeiro, em 1914, e até passagens do cangaceiro Lampião e seu bando pelo sertão cearense.


Nascida em 20 de setembro de 1903, no Sítio Oitis na zona rural da cidade de Milagres, a “Dona Amélia”, como gosta de ser chamada, conta que se mudou para o distrito de Arapuá com pouco mais 10 anos, localidade próxima a Juazeiro do Norte. A partir de então passou a frequentar as missas de padre Cícero e os grupos de orações no turno da tarde.

 Segundo este site Dona Angélica a única irmã do Padre Cícero 
 http://portaldocangaco.blogspot.com.br

Disse Dona Amélia “-Eu o conheci indo para a missa dele, me ajoelhei aos pés dele e ele benzeu minha cabeça. Eu ia toda tarde para a reza dele. Ele era [um homem] miudinho, não era um 'homão', não. Era branquinho”, conta Dona Amélia. 

No mesmo período, o pai da aposentada foi chamado para combater na Sedição de Juazeiro, confronto de 1914 entre as oligarquias cearenses e o governo federal, no sertão do Cariri.

Continua ela: “- Meu pai voltou bem, mas porque foi ajudar padre Cícero”, diz a devota sobre o retorno do pai. 

Após a revolta, padre Cícero sofreu retaliações políticas. Ele foi excomungado pela Igreja Católica no fim da década de 1920, mas manteve a influência na região. 


Aos 23 anos, Dona Amélia afirma ter visto ainda a passagem do cangaceiro Lampião e seu bando por Irapuã. “O povo ficou com medo, eles (bando) saíram levando os cavalos e os animais do povo”, afirma.

Devota de padre Cícero, Dona Amélia deve renovar votos em cerimônia religiosa neste aniversário (Foto: Família/Arquivo Pessoal)

Lúcida aos 109 anos, a aposentada lembra com tristeza da perda de três irmãos. “Hoje só tenho uma irmã viva. Senti demais a morte dos meus irmãos. Viver de mais tem coisas ruins”, destaca. 

Dona Amélia perdeu também os dois maridos, primeiro o agricultor Antônio Nunes e depois o irmão dele, Jacó Nunes. “Casei com o mais velho, ele adoeceu e morreu. Depois casei com o mais novo”, conta com risadas.

Dona Amélia teve oito filhos, dois já morreram. “Vivos tenho três mulheres e três homens”, explica e completa dando risadas, “agora, os netos, eu não conto mais não minha filha. Parei de contar”. 

Apesar das perdas, Dona Amélia diz estar muito feliz com o aniversário e a festa que a família está preparando para ela. “Estou feliz porque eu estou bem, graças a Deus. E estou mais feliz porque minha família está toda aqui, é bom”, afirmou.

Segundo a filha, Nininha Teixeira,  a aposentada tem 33 netos, 68 bisnetos e 10 tataranetos, todos participarão da festa de aniversário no fim da tarde. Além deles, parte dos moradores do Distrito da Palestina, em Mauriti, também devem participar. De acordo com a filha, o aniversário causa uma certa comoção na cidade pela aposentada ser muito conhecida.

ADENDO - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

PESQUISANDO AINDA SOBRE DONA AMÉLIA ENCONTREI A SEGUINTE NOTA: 

Mauriti-CE: Morre aos 112 anos a 2ª. mulher mais velha do Cariri, Dona Amélia. - Publicado em 20 DE DEZEMBRO DE 2015


Aos 112 anos de idade, faleceu Dona Amélia, como gostava de ser chamada, tradicionalmente seus familiares se reuniam em sua residência para um jantar em comemoração a data tão especial, agora o encontro é de pesar, pois a família está de luto. Com seu primeiro esposo, Antônio Nunes, teve cinco filhos: José, Maria, Nininha, Demar e Teixeira. Ficando viúva, casou-se um ano depois com seu cunhado Jacó Nunes e teve mais uma filha chamada Benisa. Hoje são 33 netos, 70 bisnetos e 12 tataranetos. 

Dona Amélia Nunes dos Santos era de descendência de indígena e preserva costumes e tradições culturais como uso de ervas medicinais, religiosidade e a culinária.

A comunicação sobre o seu falecimento foi feita por um dos netos de Dona Amélia. 

"É com grande pesar que comunico aos amigos e familiares o falecimento de minha Avó Amélia! Viveu seus 112 anos de vida ente nós mas agora, contempla a face do criador. Comunico ainda que o seu corpo está sendo velado na rua São José próximo ao CRAS em Palestina, Wagner Juca Teixeira neto de dona Amélia.

Sites:

http://g1.globo.com/ceara/noticia/2012/09/mulher-de-109-anos-diz-ter-visto-padre-cicero-e-bando-de-lampiao-no-ce.html
http://cncariri.com.br/mauriti-ce-morre-aos-112-anos-a-2a-mulher-mais-velha-do-cariri-dona-amelia/

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