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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A LENDÁRIA FAZENDA ABÓBORAS PARTE 2

Por Rostand Medeiros
Rostand Medeiros ao lado de Ivanildo Silveira, João de Sousa, Lívio Ferraz, Kiko Monteiro e Paulo Gastão; no Cariri Cangaço em Crato

Outros Episódios do Ciclo do Cangaço na Fazenda Abóbora...

Pelos muitos autores que se debruçaram sobre o tema cangaço e pelos relatos da região está mais que provado a franca convivência entre os membros da família Diniz e os cangaceiros no seu verdadeiro feudo na Abóbora. Mas no meio desta história, onde estava o aparato de segurança do estado? Segundo informações colhidas pelo autor deste artigo, que esteve na região em várias ocasiões, a polícia frequentava a Fazenda Abóbora, mas o poder dos Diniz era tal, que os homens da lei tinham que avisar com antecedência que iriam lá.

Daí, no caso de cangaceiros estarem acoitados na grande gleba, estes eram informados por Marçal, Marcolino ou alguém de confiança, e seguiam tranquilamente para coitos nas Serras Comprida, da Pintada, ou da Bernarda, ou nas propriedades denominadas Xiquexique, Pau Branco, Areias do pelo Sinal e outras. Essa verdadeira promiscuidade praticamente só vai ter um fim diante da extrema repercussão do ataque dos cangaceiros a cidade de Sousa, na Paraíba. Ocorrido na noite de 27 de julho de 1924, o fato logo ganha destaque nas páginas de vários jornais e assusta as autoridades nas capitais da Paraíba e de Pernambuco. Em pouco tempo os líderes sertanejos são instados a negarem a proteção dada aos bandos de cangaceiros. [8]

 
Theophanes Ferraz Torres

Tanto assim que três dias após o assalto a Sousa, ao meio dia, uma força volante sob o comando do major Theophanes Ferraz Torres, trava um combate contra um grupo de cangaceiros comandados por Sabino, que foge sem dar prosseguimento à luta. Certamente Sabino tentava chegar ao seu conhecido “lar” e teve esta desagradável surpresa. [9] Ao longo do mês de agosto de 1924 vários combates serão travados na região. Tiroteios nos lugares Areias do Pelo Sinal, Serra do Pau Ferrado, Tataíra e outros vão marcar a história de luta contra os cangaceiros. Não havia propriedade que não pudesse ser adentrada e varejada pela polícia. Mas não seria o fim da presença de cangaceiros no local.

"Diário de Pernambuco", 4 de agosto de 1926

Em uma pequena nota existente na página quatro do jornal “Diário de Pernambuco”, edição de quarta feira, 4 de agosto de 1926,  encontramos a informação que por volta das três horas da tarde do dia 30 de julho, na área da Fazenda Abóbora, foram mortos pela polícia pernambucana e paisanos, depois de demorado tiroteio, os cangaceiros Juriti e Vicente da Penha. Juriti era erroneamente apontado pelo jornal como sendo o comandante de um ataque ocorrido no dia 7 daquele mesmo mês, a uma casa comercial em Triunfo. No caso o comandante da ação foi Sabino.

O “Coito” do Coronel José Pereira... 

Com o declínio da ação de cangaceiros na região de Triunfo, discretamente a Fazenda Abóbora deixa de ser local de combates, mas não deixaria de servir como um ótimo esconderijo. Em 1930, eclodiu um grave conflito armado na vizinha Paraíba, mais precisamente no município de Princesa. Entre as origens deste sério problema, estavam as divergências entre o governador eleito da Paraíba em 1927, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, e os coronéis monopolizadores da economia e política do interior do estado.

João Pessoa discordava da forma como este grupo político, que o elegera, conduzia a política paraibana. Entre estes poderosos era valorizado o grande latifúndio de terras do interior, possuidores de grandes riquezas baseadas no cultivo de algodão e na pecuária. Estes fazendeiros, como vimos no exemplo de Marçal Diniz, atuavam através de uma estrutura política arcaica, que se valia entre outras coisas do mandonismo, da utilização de grupos de jagunços armados, da conivência com cangaceiros e outras ações as quais o novo governo não concordava.

Um dos pontos mais fortes da discórdia era cobrança de taxas de exportação do algodão. Os ditos coronéis paraibanos exportavam a produção desta malvácia pelo porto do Recife, causando perdas tributárias para o estado da Paraíba. O governador estabelece diversos postos de fiscalização nas fronteiras do Estado. Por esse motivo os coronéis do interior passaram a apelidar João Pessoa de “João Cancela”.

José Pereira

O fazendeiro e líder político José Pereira Lima, mais conhecido como “Coronel Zé Pereira”, da cidade de Princesa, era o mais poderoso entre todas as lideranças do latifúndio na sua região. Para muitos ele é descrito como verdadeiro imperador do oeste da Paraíba, na área da fronteira com o estado de Pernambuco. Zé Pereira contava com o apoio dos governadores de Pernambuco e do Rio Grande do Norte, respectivamente Estácio de Albuquerque Coimbra e Juvenal Lamartine de Faria. Diante do impasse com o governador João Pessoa, Pereira declarou Princesa “Território Livre”, separando-o do estado da Paraíba, tornando-o absolutamente autônomo.

A reação do governo estadual foi pesada e uma verdadeira guerra começou. Princesa se tornou uma fortaleza inexpugnável, resistindo palmo a palmo ao assédio das milícias leais ao governador João Pessoa. O exército particular do Coronel José Pereira era estimado em mais de 1.800 combatentes, onde diversos lutadores eram egressos das hostes do cangaço e muitos eram desertores da própria polícia paraibana.

Combatentes da Guerra de Princesa-Fonte - http:rotamogiana.blogspot.com

A força do governador João Pessoa possuia cerca de 890 homens, organizados em colunas volantes. Essas colunas eram chefiadas pelo coronel comandante da Polícia Militar da Paraíba, Elísio Sobreira, pelo Delegado Geral do Estado, o Dr. Severino Procópio e José Américo de Almeida (Secretário de Interior e Justiça). Marçal Florentino Diniz e Marcolino, ligados por parentesco com José Pereira, se juntam a luta na região. Houve muitos episódios sangrentos na conhecida Guerra ou Sedição de Princesa.

João Pessoa assassinado. Estopim da Revolução de 30

Após a morte do governador João Pessoa, ocorrida em Recife, houve a consequente eclosão da Revolução de 30 e o conflito em Princesa acabou. Durante os quatro meses e vinte e oito dias que durou sua resistência, Princesa não foi conquistada pela polícia paraibana. Após a eclosão da Revolução, as tropas do Exército Brasileiro, de forma tranquila, ocuparam a cidade.Para muitos pesquisadores José Pereira Lima organizou de tal maneira a defesa dos seus domínios, que provocou baixas estrondosas à força pública paraibana.Diante da derrota, José Pereira e muitos dos que lutaram com ele fugiram da região. A família Diniz se retraiu diante do novo sistema governamental imposto e a fortuna de Marçal e Marcolino ficou seriamente comprometida.

O tempo dos caudilhos do sertão estava chegando ao fim, pelo menos naquele formato utilizado por Marçal Diniz e José Pereira. José Pereira deixa Princesa no dia 5 de outubro de 1930 e fica escondido em propriedades de pessoas amigas, em diversas localidades existentes em outros estados. Segundo o Sr. Antônio Antas, depois de percorrer vários locais, segundo lhe informou o próprio Marcolino Diniz, José Pereira passou muito tempo escondido na Fazenda Abóbora, até que em 1934 o novo regime lhe concedeu anistia e ele decidiu permanecer em território pernambucano.

Antônio Antas, conviveu quando jovem com Marcolino Diniz, seu parente. Um grande amigo e memória viva da história de sua região

Mas segundo o Sr. Antônio Antas, a situação na Fazenda Abóbora não foi fácil. Um ano depois da anistia, por ordens de Agamenon Magalhães, então Interventor Federal em Pernambuco, a polícia estadual cerca a Fazenda Abóbora. José Pereira escapa, volta a Princesa e recebe garantias dos líderes estaduais paraibanos.

Rostand Medeiros, pesquisador e escritor
Fonte: tokdehistoria.com

[8] Sobre o ataque a Sousa ver o livro “Vingança, Não”, de Francisco Pereira Nóbrega.
[9] Sobre este combate ver “Pernambuco no tempo do Cangaço – Theophanes Ferraz Torres, um bravo militar (2 volumes)”, de Geraldo Ferraz de Sá Torres Filho, págs. 379 e 380.

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2014/12/a-lendaria-fazenda-aboboras-parte-2-por.html

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NATAL - O QUE O CANGAÇO TEM A VER COM O ANO NOVO

Por José Bezerra Lima Irmão

Amigo Zé Mendes:

Natal? Papai Noel?

Cuidado: estão de olho no seu bolso...

A palavra “Natal”, da qual se derivam “natalício”, “nativo”, já representou a data – 25 de Dezembro – em que se convencionou comemorar o nascimento de um personagem chamado Jesus, o Messias.
Mas a ganância de uns e a parvoíce de outros desvirtuaram o sentido do Natal. Fazem a festa, mas se esquecem do aniversariante.

Agora só se ouve falar em “Papai Noel” e em “Amigo Secreto”, invenções do comércio. De olho no 13º salário do trabalhador, os shoppings apressam os tolos, exortando: “Antecipe o seu Natal” – ou seja, passe pra cá o seu dinheirinho...

Um mês antes do Natal, o setor de varejo deflagra uma campanha importada, a Black Friday (nada melhor para pegar os néscios deslumbrados do que uma expressão em inglês). No rastro desta, sucedem-se as chamadas Black Nights. E assim, “de black em clack”, o 13º do trabalhador “leva a breca”.

Durante o ano, tem o Dia das Mães, o Dia dos Pais, e por aí vai, tem dia pra tudo, e só se ouve compre isso, dê aquilo de presente...

Para demonstrar afeto ou gratidão não é preciso dar presente no exato dia determinado pela mídia, como se fosse uma obrigação, um fardo.

Se você quer mesmo presentear alguém, ofereça-lhe algo que venha engrandecer a pessoa a ser presenteada, dê-lhe algo que a faça lembrar-se de você toda vez que olhar o objeto recebido. E saiba que, ao dar um presente, você, mesmo de forma inconsciente, deixa transparecer o que pensa da pessoa a quem está presenteando: denota se você a considera uma pessoa frívola um uma pessoa inteligente.

O melhor presente continua sendo um bom livro: Machado de Assis (Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas...); Jorge Amado (Gabriela Cravo e Canela, Mar Morto, Tenda dos Milagres, Tocaia Grande...); João Ubaldo Ribeiro (Viva o Povo Brasileiro, Sargento Getúlio...); Jô Soares (O Homem que Matou Getúlio Vargas, O Xangô de Baker Street...); Domingos Pascoal (Experimente mudar, A Mudança Começa em Você - autoajuda); Oleone Coelho Fontes (Um Jagunço em Paris, Memórias de um Proxeneta, Elza...); Antônio Francisco de Jesus (Os Tabaréus do Sítio Saracura, Tambores da Terra Vermelha...).


Não estou falando essas coisas para aconselhar ninguém, mas porque também estou vendendo o meu peixe... Sou autor de Lampião – a Raposa das Caatingas. Seu pai, sua mãe, seu tio, sua tia, seu amor, seu amigo (inclusive seu "amigo secreto"), enfim, qualquer pessoa que tenha algum vínculo com a cultura e a história do sertão nordestino certamente adorará receber neste Natal uma obra que, mais do que a simples história do rei do cangaço, vem sendo considerada pelos estudiosos do tema como sendo uma síntese da história do Nordeste na virada do século XIX até a metade do século XX. A história do Nordeste resume-se a esses três personagens: Lampião, Padre Cícero e Antônio Conselheiro.

Lampião – a Raposa das Caatingas é um livro concebido e realizado com seriedade, deixando de lado as lendas, mitos e invencionices sobre a figura do legendário guerrilheiro do Pajeú. Além da farta bibliografia sobre o cangaço, baseei-me nos jornais da época, entrevistei dezenas de personagens ligadas aos fatos.

O livro contém fotos e dezenas de mapas, indicando os lugares onde os fatos ocorreram. Indica até as coordenadas geográficas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.

Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço. Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.

A leitura desse livro, espero eu, fará com que o Natal da pessoa presenteada se prolongue por mais tempo, durante o Ano Novo, já que a obra tem exatamente 736 páginas.

Feliz Natal! Boas Festas! E que em 2015 e nos anos vindouros se mantenha sempre acesa a chama do interesse pela história e pela cultura do nosso querido Nordeste. A melhor forma de demonstrarmos amor à nossa terra é estudando a sua geografia e a sua história.

Um fraternal abraço.
José Bezerra
josebezerra@terra.com.br
Vendas presenciais: Livraria Saraiva; Livraria Escariz (Aracaju)


Ou ainda:

josebezerra@terra.com.br
(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799
Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345
E-mail:
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Feliz Natal e Próspero Ano Novo!

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A PRAÇA LAMPIÃO, EM POÇO REDONDO-SE ( Série grandes artigos ) O CANGAÇO NAS BATALHAS DA MEMÓRIA

Por: Antônio Fernando de Araújo Sá

Nas viagens realizadas nos sertões do Nordeste brasileiro e da consulta a uma série de jornais e livros, percebemos, em cada Estado ou cidade, nas quais se registrou a passagem do bando de Lampião, uma certa preocupação em demarcar na geografia do cangaço a especificidade de sua participação no fenômeno social do cangaço. Isto ficou evidente nas atividades comemorativas - seminários, projeção de filmes, apresentação de peças de teatro e festas – alusivas ao centenário de nascimento de Lampião (1997-1998), que se realizaram em várias cidades nordestinas como Juazeiro do Norte, no Ceará, Triunfo e Serra Talhada, em Pernambuco, Paulo Afonso, na Bahia, e Poço Redondo, em Sergipe.

Estes eventos comemorativos em torno da figura de Lampião possibilitam-nos pensar num campo de pesquisas ainda inexplorado pelos historiadores do cangaço: a compreensão do funcionamento do imaginário social e de seus mecanismos de apropriação dos acontecimentos históricos.

A propósito, este pequeno texto visa discutir, através de entrevistas realizadas nos povoados e municípios da região de Poço Redondo, como os confrontos simbólicos entre os diferentes sujeitos históricos resultaram em diferentes memórias em torno do cangaço, demarcando-o como elemento constitutivo da identidade regional. Assim sendo, destas disputas em torno do passado e do presente da região emergiram questões políticas que acabaram por definir uma “política de memória” em torno do cangaço.


O CASO DA PRAÇA LAMPIÃO EM POÇO REDONDO

Na região do Baixo São Francisco, encontramos duas cidades – Piranhas, em Alagoas, e Poço Redondo, em Sergipe – que têm suas trajetórias, fortemente, marcadas pela presença do cangaço. Luitgarde Barros adverte-nos que devemos tomar cuidado com os depoimentos dos habitantes de Piranhas e, acrescentaríamos, de Poço Redondo, pois, de tanto repetirem suas histórias para jornalistas, escritores e cinegrafistas, eles às vezes acabam por incorporar às suas memórias lembranças que não foram vividas por eles, tornando-se testemunho de fatos jamais vivenciados. Esse comportamento faz com que o pesquisador elabore um registro minucioso dos relatos de cada colaborador, para a comparação de dados das entrevistas.

A pesquisadora busca a utilização dos depoimentos orais como instrumentos para preencher as lacunas deixadas pelas fontes escritas. Daí a preocupação de se garantir ao máximo a veracidade e a objetividade dos depoimentos orais, excluindo possíveis distorções. Contudo, nossa proposta difere dessa perspectiva na medida em que privilegia o estudo das representações, atribuindo, assim, um papel central às relações entre história e memória. Queremos perceber os usos políticos do passado pelos grupos sociais atuantes no sertão nordestino, numa espécie de confronto de memórias em torno do cangaço. Portanto, faremos uma incursão na história das metamorfoses da memória, tomando a memória coletiva como objeto de estudo.

Em sua trajetória histórica, a cidade de Piranhas sofreu o ataque o cangaceiro Gato e seu bando em 1936, na tentativa de resgatar sua companheira Inacinha, que havia sido presa na fazenda Picos pela volante comandada pelo Tenente João Bezerra. Foi essa mesma volante que deu cabo do bando de Lampião na Grota de Angico, em 28 de julho de 1938, também partindo da cidade de Piranhas. Essa cidade ainda vivenciou o pânico e o terror quando da chegada de um bilhete de Corisco para o Tenente João Bezerra, que, como vingança da morte de Lampião, mandou, junto ao bilhete, as cabeças da família de Domingos Ventura, vaqueiro da fazenda Patos, suposto traidor que originou o massacre de Angicos5.

As lembranças desse tempo do cangaço estão depositadas no Museu do Sertão, com sede na antiga Estação Ferroviária de Piranhas. Instituído pelo governo estadual em 13 de novembro de 1986, o Museu possui em sua coleção, além de objetos do cotidiano sertanejo, um conjunto de fotografias e recortes de jornais da época do cangaço proveniente do acervo do professor Frederico Pernambuco de Mello, da Fundação Joaquim Nabuco. Entretanto, como outros lugares de memória da região, encontra-se em condições precárias de funcionamento.

Na outra margem do rio São Francisco, o município de Poço Redondo também tem sua trajetória histórica marcada pelo fenômeno social do cangaço, por conta da intensa presença do bando de Lampião na região ao longo dos anos 1930. Algumas imagens dessa passagem de Lampião marcaram indelevelmente a memória dos sertanejos de Poço Redondo como o “Fogo de Maranduba”, em 1932, a morte de Lampião, em 1938, e a ascensão e queda do ex-cangaceiro Cajazeira, “Zé de Julião”, na política local nos anos 1950. Por outro lado, na cidade, encontramos ainda remanescentes do cangaço como Manoel Félix da Cruz, um dos coiteiros de Lampião mais famosos na região.

A institucionalização da Praça Lampião (1988-1998), localizada na cidade de Poço Redondo, em Sergipe, trouxe consigo elementos fundamentais para se entender como as disputas político-ideológicas em torno do cangaço se fazem presentes na região, revelando a importância de “lugares de memória” neste campo de disputa, especialmente pelo fato da praça aparecer como espaço privilegiado para o estudo da História Local.

Dentro das comemorações do cinqüentenário de morte de Lampião, houve um abaixo-assinado para a legalização da praça, com cerca de 300 assinaturas. Liderados por Raimundo E. Cavalcanti e Manoel Dionízio da Cruz, militantes do movimento popular e sindical preocupados em resgatar a memória do cangaço, o documento foi encaminhado à Câmara de Vereadores6. Após sua aprovação, a praça foi inaugurada em julho de 1988, com a presença do então prefeito da cidade, Alcino Alves Costa, sendo, então, batizada pela população da cidade como “murinho de Lampião”. Segundo Raimundo Eliete Cavalcanti “o Murinho era tão disputado que a população assumiu como sendo (...) um espaço importante da cidade”7. Portanto, tornou-se um “lugar de memória” do município.

Campo de disputa em torno da memória do cangaço em Poço Redondo, a Praça Lampião, em 1993, teve sua existência questionada pelo então prefeito Ivan Rodrigues Rosa, sob o argumento de que ela lembrava o nome de um bandido e que não era digna da cidade. Articulado com o juiz de Direito, Pedro Alcântara, o prefeito da cidade convocou um grupo de vaqueiros para uma filmagem da TV Sergipe, retransmissora da TV Globo, no sentido de receber apoio para a derrubada da Praça.

Como forma de se contrapor a esta iniciativa, Manoel Dionízio da Cruz e Raimundo E. Cavalcanti organizaram uma exposição de documentos nacionais e locais, com o intuito de demonstrar a importância do cangaço para a cidade. Com o apoio de estudantes, professores e da comunidade de Poço Redondo, Dionízio enfrentou um debate acalorado
com o juiz de Direito, Pedro Alcântara, e o líder político local, Durval Rodrigues Rosa, pai do então prefeito da cidade. Durante a polêmica, Dionízio argumentou que a Praça só seria derrubada se houvesse um plebiscito na cidade. 
Vencidos pela mobilização popular em torno da importância do cangaço para a cidade, explicitada pela presença na cultura local de grupos de teatro, de xaxado, além do Centro de Cultura Popular Zé de Julião, os opositores ao monumento realizaram ainda depredações ao monumento. Contudo, ficou mantida a homenagem da cidade a Lampião8.

Nas palavras de Raimundo Cavalcanti:

“No dia 28 de julho de 1993, como estava contando, houve aqui uma disputa bem acirrada em torno do símbolo (...) desse espaço, se realmente era público ou privado. Então, através da coordenação de Dionízio, nós conseguimos que a população se posicionasse firmemente em favor da memória de Lampião e do
espaço que é do povo”.

É interessante observar que esta disputa em torno da memória do cangaço tem uma evidente vinculação com a política local, na medida em que encontramos, de um lado, uma clara tentativa de negligenciar a forte presença dos cangaceiros na região, caracterizando-o como bandidos e facínoras, destacando-se a liderança política conservadora do ex-prefeito Ivan Rodrigues Rosa, filho de Durval Rodrigues Rosa que, por sua vez, foi coiteiro de Lampião e, sob tortura, junto com seu irmão, Pedro de Cândido, levou a volante do tenente João Bezerra para dar cabo do bando de Lampião na Grota de Angico.

Por outro lado, temos Manoel Dionízio da Cruz, militante sindical e ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Sergipe, descendente da Família Félix (Júlio e Manoel Félix da Cruz), coiteiros históricos de Lampião e seu bando, que busca, junto com outros companheiros como Raimundo E. Cavalcanti, resgatar a rebeldia cangaceira contra o coronelismo do início do século XX como cimento ideológico para as lutas em torno da reforma agrária no município de Poço Redondo. Nesta perspectiva, vale registrar que também outros movimentos de rebeldia camponesa são veiculados no discurso das lideranças da esquerda local, como a existência de quilombos na Serra da Guia e a passagem de Antônio Conselheiro pelo povoado de Curralinho, na tentativa de criar uma
“tradição rebelde” na região.

Em 1998, na gestão do prefeito Enoque do Salvador foi reinaugurada, toda reformada, a Praça Lampião. Liderança surgida no contexto da atuação da Comissão Pastoral da Terra no Baixo São Francisco nos anos 70 e 80, sob a coordenação do Bispo de Propriá, Dom José Brandão de Castro, o padre Enoque do Salvador se destacou na luta pela conquista da terra dos índios Xocó na Ilha de São Pedro, no município de Porto da Folha, e da ocupação de Santana dos Frades, em Pacatuba/SE, da Fazenda Barra da Onça, em Poço Redondo. Sua eleição galvanizou todos os setores progressistas da região como forma de interromper o ciclo conservador que se instaurou em Poço Redondo desde os anos 50, sob a
liderança de Durval Rodrigues Rosa.

Cônscio da importância do resgate da memória, o prefeito Enoque do Salvador contou com a participação decisiva do geógrafo Raimundo E. Cavalcanti, então coordenador de cultura da Prefeitura Municipal de Poço Redondo, na reinauguração do monumento, em julho de 1998, quando das comemorações do centenário de nascimento de Lampião e dos 60 anos de sua morte. Nessa reforma foram inseridas informações históricas de Lampião sobre a sua trajetória no município, desde o Fogo de Maranduba até o Massacre da Grota do Angico. Neste sentido, buscou-se demarcá-los como lugares de memória, através de veiculação de um mapa, objetivando torná-los como pontos histórico-turísticos do município. Vale lembrar que a Grota de Angico é uma área tombada como patrimônio histórico-cultural pela Constituição Estadual de 5 de outubro de 1989, no seu artigo 229. Ainda segundo Raimundo Cavalcanti, “esse espaço é muito importante, porque, além de servir de atrativo turístico pra o município de Poço Redondo, é também um testemunho de um pedaço da história do Nordeste e que tem uma dimensão muito importante da vida da população local”.

Neste mesmo ano instituiu-se, ao lado do I Seminário sobre a História do Cangaço, com debates e exposições, a celebração da Missa para Lampião na Grota de Angico no dia 28 de julho, na data e local onde Lampião morreu. Com a presença de familiares de Lampião, ex-cangaceiros sobreviventes, ex-volantes e ex-coiteiros, a missa teve uma clara tônica política, diante das palavras do padre Eraldo Cordeiro: “Os covardes não ficam na história. Aqui, em Angico, terminou um movimento social que abalou o país por muitos anos. O Cangaço não existia (sic), se houvesse justiça no país e agora, neste lugar onde Lampião foi morto há 60 anos, vamos pedir a Deus, que ilumine os homens poderosos do Brasil de hoje, para haver bom senso nas decisões políticas, pois em cada nordestino, pulsa um Virgulino sentindo falta de luz”. Ainda segundo o padre, o “Nordeste continua sofrido, discriminado, esperando dias melhores, tal qual nos tempos do Cangaço”10.

Emerge aqui uma memória anti-volante, através de um discurso legitimador do cangaço, com base no conceito de “escudo ético”, tal como proposto por Frederico

Pernambucano de Melo, na medida em que os cangaceiros enfrentavam a injustiça social dos tempos do coronelismo e buscavam vingar alguma afronta a sua honra. Ao caracterizálo como movimento social, o padre se aproxima da leitura marxista do cangaço, cuja matriz está presente nas obras de Rui Facó e Eric Hobsbawn. Segundo seu discurso, a atualidade da rebeldia do cangaço é reforçada pela permanência das precárias condições sociais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As disputas da memória do cangaço devem ser inseridas na perspectiva de que as pessoas, grupos e povos procuram reinventar referenciais esquecidos ou silenciados. Há, assim, uma politização da memória, fazendo com a presença de múltiplas memórias subterrâneas obriguem aos poderes a negociarem sua legitimidade.

Neste sentido, diversos grupos sociais atuantes no sertão do Nordeste brasileiro buscam construir sua leitura sobre o fenômeno, de um lado, a partir de um viés social, de clara influência do marxismo e do pensamento de esquerda no Brasil, tentando demonstrar sua atualidade no contexto das lutas sociais na contemporaneidade e, de outro, através
daquilo que a profª. Luitgarde Barros chamou de uma “memória volante” e anti-cangaceira, presente nos livros e depoimentos das antigas volantes e de seus descendentes, da qual a autora claramente simpatiza.

Como alerta-nos M. Wiesebron, as memórias publicadas a partir dos anos 70 por pessoas ligadas diretamente ao cangaço – ex-cangaceiros, ex-volantes, ex-militares – ou seus descendentes devem ser lidas com bastante cuidado, pois, em grande parte, percebe-se evidente influência dos debates historiográficos produzidos em torno do tema, principalmente da obra de Eric Hobsbawn, como é o caso de Sila.

Aqui a questão da identidade emerge como um dos fundamentos da luta política e ideológica no sertão, na medida em que os grupos sociais reivindicam incessantemente seus espaços e a identidade nacional já não dá conta da multiplicidade de memórias subterrâneas, que trazem para a historiografia as lembranças dos excluídos.

Portanto, procuramos demonstrar que o cangaço não se tornou história, é ainda memória, campo de luta pelo presente e ferida aberta nas lutas políticas do Nordeste brasileiro, como se evidenciou no caso da luta política em torno da Praça Lampião, em Poço Redondo.

Antonio Fernando Departamento de História/Universidade Federal de Sergipe; Doutor em História Cultural pela Universidade de Brasília; coordenador do Grupo de Pesquisa História Popular do Nordeste (UFS/CNPq).

Foto: Fonte Google

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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OS ESTADOS UNIDOS ULTRAPASSARAM 300 MIL VISUALIZAÇÕES

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Informação:

A Malásia que começou com uma fantástica visita ao nosso blog faz mais de três meses que ela não acessa. Possivelmente, alguns problemas de governo ou satélite. Suponho eu.

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“O GLOBO” – 28/09/1927

Material do acervo do pesquisador Antônio Corrêa Sobrinho

A PSICOLOGIA DO CANGACEIRO
O BANDITISMO NOS SERTÕES DO NORDESTE BRASILEIRO
UM ENSAIO POLÍTICO-SOCIAL
(Especial para o GLOBO)

CAPÍTULO IV

A AÇÃO DA POLÍCIA PERNAMBUCANA - CANGACEIROS MORTOS E CAPTURADOS

Até bem pouco tempo nenhuma providência eficaz havia tomado os governos dos Estados nortistas para um combate sério e decisivo ao cangaceirismo, dando-se a circunstância de que um dos motivos que mais dificultava a ação das autoridades em perseguição aos bandoleiros, era o da impossibilidade de continuarem essa perseguição em território de outro Estado, quando os bandidos, perseguidos de perto, atravessam os limites do Estado onde operava e internavam-se em outro.

Mas, depois que o Dr. Estácio Coimbra assumiu o governo de Pernambuco, um dos seus primeiros cuidados foi convocar uma reunião dos chefes de polícia dos Estados vizinhos: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Bahia, a fim de tomarem providências em conjunto para uma perseguição sem tréguas ao celebérrimo Virgulino Ferreira da Silva, vulgo “Lampião”, seus comparsas, e chefes de outros bandos de criminosos.

Nessa reunião, que se realizou em Recife, sob a presidência do Dr. Eurico de Souza Leão, chefe de polícia de Pernambuco, ajustou-se um convênio pelo qual todos os Estados que tomaram parte nela se obrigavam a manter um certo número de praças nos sertões, em perseguição aos cangaceiros, auxiliando-se mutuamente por informações telegráficas sobre o paradeiro dos mesmos e marcha das operações, podendo qualquer força de um Estado atravessar o território do outro, requisitar cavalos, mediante indenização aos seus proprietários, para perseguir os bandidos em fuga, bem como outras providências de caráter secreto.

Esse convênio foi assinado em dezembro de 1926, dois meses depois de ter assumido o governo de Pernambuco o Dr. Estácio Coimbra, sendo natural que só tivesse entrado em execução algum tempo depois, para serem tomadas as medidas assentada em conjunto, pelos governos dos respectivos Estados; e, quanto a Pernambuco, o Dr. Estácio Coimbra não podia ter escolhido, para auxiliá-lo nessa campanha patriótica, um chefe de polícia mais competente e ativo do que o Dr. Eurico de Souza Leão.

Já conhecemos o Dr. Eurico trabalhando aqui no Rio como advogado, notável, e aliando a uma inteligência culta um trato fidalgo que, aliás, é apanágio da numerosa família Souza Leão, de Pernambuco, cujos membros ocuparam altas posições no antigo regime, quer na agricultura, sendo seu chefe político o senador e conselheiro de Estado, Luiz Felipe de Souza Leão. Conhecemo-lo igualmente como delegado auxiliar da comissão do Senado à Conferência Internacional Parlamentar de Comércio que se reuniu em Londres no ano passado, sob a presidência do senador Rosa e Silva, missão da qual se desempenhou com brilhantismo. Mas nunca julgamos que o novel advogado e diplomata se dedicasse com tamanho ardor à tarefa ingrata e trabalhosa de chefiar o departamento policial de Pernambuco, ao ponto de se estar revelando não só um profissional em matéria criminal, o que teremos ocasião de apreciar, como também um emérito administrador na repartição que lhe foi confiada.

Em menos de dois meses, após a assinatura do convênio, o chefe de polícia de Pernambuco tinha cerca de 1300 policiais espalhados pelas principais cidades, vilas e povoados do sertão pernambucano, preferindo os pontos estratégicos, além de uma força volante e montada no encalço de Lampião.

Toda essa força que, “pela primeira vez em número tão avultado”, defende a população sertaneja, foi confiada ao comando geral do major Theophanes Torres, o capturador de Antônio Silvino. Bastante conhecedor dos sertões nordestinos, esse comandante, tendo embora autonomia para agir por si, conforme as circunstâncias supervenientes, recebe todavia instruções diretas da Chefatura de Polícia de Pernambuco, que se tornou como que o centro de onde irradiam todas as ordens, de acordo com as informações que o Dr. Souza Leão vai recebendo dos seus colegas e dos governadores dos outros Estados, entre os quais devemos salientar os doutores Costa Rego e João Suassuna, governadores de Alagoas e Paraíba, que o têm auxiliado eficazmente.

O resultado não se fez esperar. Acossados por todos os lados, Lampião e os facínoras do seu grupo viram-se forçados a enfrentar algumas vezes as forças que os perseguiam; e, em cada encontro, diversos cangaceiros caíram mortos ou prisioneiros nos combates travados, escapando sempre o famigerado Lampião, porque, apesar de suas bravatas, é sempre o primeiro a fugir, enquanto os seus companheiros lutam com a força pública.

A estatística que damos abaixo, de cangaceiros mortos em combate ou prisioneiros, desde o início do citado convênio pernambucano, demonstra de modo iniludível o esforço enorme que tem desenvolvido o chefe de polícia de Pernambuco, principalmente tendo-se em vista o elevadíssimo número desses criminosos que infestavam os sertões do Nordeste.

Organizamo-la, em primeiro lugar, com uma entrevista concedida ao vespertino “A Rua”, de Recife, pelo esforçado major Theophanes Torres, comandante das forças que operam nos sertões; e, em seguida, com as notícias publicadas pelos jornais de Pernambuco e telegramas transmitidos de diversos pontos do Norte para as folhas cariocas, entre as quais o GLOBO é a que mais informes nos tem fornecido.

É preciso notar-se que o convênio de Pernambuco teve lugar em dezembro de 1926. Pois bem, daquela data até agosto findo, foram mortos os capturados os seguintes cangaceiros:

EM DEZEMBRO DE 1926

1. Sérgio Nogueira, do grupo de Lampião, morto em combate pela força do tenente Lira Guedes, no município de Petrolina.
2. Um tal “Pitombeira”, do grupo de Horácio Novais, morto em combate pela força do anspeçada Hercílio Nogueira, em Floresta.
3. Manoel Marcolino, vulgo “Bom deveras”, comparsa terrível de Lampião, e depois chefe de outro grupo, morto em combate pela força do sargento Afonso Rodrigues, em Jardim (Ceará).
4. Alcides de tal, comparsa do bandido “Bom deveras”, ferido e capturado no município de Exu.
5. Domingos Alves Pereira, criminoso de morte, capturado no município de Floresta pela força de Cabrobó.

EM JANEIRO DE 1927

6. Melchiades de tal, comparsa do bandido Manoel Francisco, morto em combate pela força do tenente Alípio, no município de Exu.
7. José da Costa, do grupo de Lampião, morto em Vila Bela.
8. Manoel de Velho, chefe de grupo no estado da Bahia, morto em combate pela força do cabo Liberato, no município de Tacaratu.
9. Jose Elísio dos Santos, criminoso de morte, capturado em Alagoa de Baixo pela força do sargento João Francisco.
10. Artur Gomes, vulgo “Beija Flor” do grupo de Lampião, capturado pela força do tenente Amadeu, no município de Tacaratu.
11. Luiz Barbosa, vulgo “Luiz Danga”, comparsa de “Bem deveras”, capturado pela força do tenente Alípio, no município de Bodocó.
12. Francisco Lopes Bezerra, vulgo Francisco Quirino, criminoso de morte, capturado pela força do capitão Malta, no município de Flores.
13. José Alves da Silva, criminoso de morte, capturado pelo mesmo capitão Malta.
14. Manoel Joaquim da Silva, vulgo “Manoel da Glória”, criminoso de morte, capturado pela força do capitão Malta.
15. Luiz José do Nascimento, criminoso de morte, capturado pela força do capitão Malta.
16. Manoel Pereira Lima, criminoso de morte, capturado pela mesma força do capitão Malta.
17. Manoel Francisco Menezes, vulgo “Temível”, comparsa do bandido Horácio Novais, capturado pela força do tenente Antônio Francisco, no município de Floresta.
18. Antônio Luiz dos Santos, vulgo “Marreta", comparsa do bandido Elias Zura, capturado no município de Floresta.

EM FEVEREIRO DE 1927

19. Marçal de tal, vulgo “Mosqueiro”, do grupo de Lampião, morto em combate pela força do subdelegado de Ipueiras, no município de Leopoldina.
20. João Camelo, do grupo de Lampião, morto em combate pelo destacamento de Betânia, no município de Floresta.
21. Pedro Romualdo, vulgo “Formiga”, do grupo de Lampião, morto em combate com a força do tenente Amadeu, no município de Tacaratu.
22. Bandido conhecido por “Feroz”, do grupo de Lampião, morto em combate com a força do subdelegado Domingos Nogueira, no município de Belém.
23. Máximo de tal, comparsa dos celerados Sebastião Pereira e Marinheiro, morto em combate no município de Floresta.
24. Severino Vicente, comparsa do bandido “Mocinho Codé”, morto em combate com a força do tenente Alencar, no município de São José do Egito.
25. Jacinto Calixto, chefe do grupo no estado da Bahia, morto em combate com a força do tenente Manoel Neto, em Floresta.
26. Sebastião Guedes, criminoso de morte no município de Exu, onde foi capturado pela polícia local.
27. Antônio Serafim de Lima, criminoso de morte no município de Flores, onde foi capturado pelo capitão Malta.
28. Joaquim Francisco Cavalcanti, vulgo “Joaquim de Noca”, criminoso de morte no município de Flores, capturado pela força do capitão Malta.
29. Pedro Pio, comparsa do bandido “Mocinho Godé”, criminoso de morte em Afogados de Ingazeira pelo tenente Alencar.
30. Antônio Corrêa, criminoso de morte no município de Afogados de Ingazeira, onde foi capturado pela força do tenente Alencar.
31. Miguel Correa, irmão do anterior, criminoso de morte, capturado pela mesma força do tenente Alencar.
32. José Bernardino, vulgo “Peba”, criminoso de morte, capturado em Afogados de Ingazeira pelo tenente Alencar.
33. Mariano Lopes, vulgo “Mariano Neto”, criminoso de muitas mortes, capturado n município de Ouricuri pelo destacamento local.
34. Fuão Bernardo, criminoso de morte em São José do Egito, onde foi capturado pela força do tenente Ibraim.
35. José Virgulino Vieira, criminoso de morte no município de Salgueiro, onde foi capturado pelo destacamento local.

EM MARÇO DE 1927

36. Hermano de tal, comparsa do bandido Emiliano Novais, morto em combate com a força do tenente Alípio, no município de Boa Vista,
37. Manoel Porcino, temível chefe de grupo no estado de Alagoas, e ali criminoso de diversas mortes, morto em combate com a força do anspeçada Manoel Rodrigues de Carvalho no município de Salgueiros.
38. Manoel Soares de Caldas, vulgo “Ventania”, do grupo de Lampião, capturado em Floresta pela força do tenente Gomes.
39. José Marques da Silva, criminoso de morte em Vila Bela, onde foi capturado pela força do cabo Domingos Gomes.
40. Francisco Miguel, vulgo “Pássaro Preto”, do grupo de Lampião, criminoso de morte em Floresta, onde foi capturado pelo destacamento local.
41. Manoel Pereira da Silva, criminoso de morte em Afogados de Ingazeira, onde foi capturado pelo tenente Alencar.
42. Jovino Martins Gomes, chefe de grupo com o bandido Elias Zuza, criminoso de morte em Floresta, onde foi capturado.
43. Aurelino Thiago da Silva, criminoso de morte em Floresta, onde foi capturado pelo destacamento local.
EM ABRIL DE 1927
44. Manoel frutuoso, comparsa do bandido Manoel Francisco, morto em combate com a força do tenente Alípio, no município de Granito.
45. Severino Canoa, comparsa do bandido Manoel Rodrigues, morto em combate com a força do tenente Alencar, em São José do Egito.
46. Cícero Nogueira, do grupo de Lampião, morto em combate com a força do cabo Gouveia, em São José do Egito.
47. Sátiro Nogueira, irmão do antecessor, do grupo de Lampião, morto em combate com a força do sargento José Alves de Barros, no município de Tacaratu.
48. Eliziário de tal, vulgo “Barra Nova”, temível bandido do grupo de Lampião, morto em combate com a força do sargento Manoel Neto, na Serra Uman.
49. João Marreca, criminoso de muitas mortes, morto em combate com a força do sargento Manoel Neto, na Serra Uman.
50. Sebastião Raimundo, vulgo “Três Cocos” do grupo de Lampião, capturado em Vila Bela.
51. Laurindo Gaia, vulgo “Sucena”, capturado com o anterior.
52. Antônio Gaia, também de grupo de Lampião, e irmão do anterior, capturado na mesma ocasião.
53. Emiliano Novais, de grupo de Lampião, capturado em Floresta.
54. Zizuino Ribeiro, vulgo “Zizuino Pequeno”, do grupo de Lampião, capturado no município de Floresta.
55. Manoel Liberal, criminoso de morte, capturado em Afogados de Ingazeira pela força do tenente Alencar.
56. José Rodrigues, idem, capturado pelo mesmo tenente Alencar.
57. Arlindo Pereira da Cruz, criminoso de morte, capturado em Salgueiros.
58. José Barbosa, criminoso de morte, capturado em Belmonte pela força do sargento Francisco David.
EM MAIO DE 1927
59. José Patriota, perigoso chefe de grupo, criminoso de diversas mortes, morto em combate com a força do tenente Alencar, em São José do Egito.
60. João Patriota, irmão do antecessor, morto no mesmo combate.
61. Manoel Nogueira, vulgo “Paturi”, do grupo de Lampião, morto em combate com a força do sargento Arlindo Rocha, no estado do Ceará.
62. Oliveira de tal, vulgo “Criança”, morto no combate anterior.
63. José Quixabeira, criminoso de morte em Floresta, capturado pela força do destacamento local.
64. Joaquim Alves dos Santos, capturado como criminoso de morte Floresta.
65. Epifânio Bezerra, criminoso de morte em Salgueiros, onde foi capturado pelo sargento Arlindo Rocha.
66. Manoel Francisco de Souza, vulgo “Manoel Goela”, criminoso de morte capturado em Tacaratu, pela força do tenente Miranda.
67. Pedro Francisco de Souza, irmão do antecessor, capturado na mesma ocasião, pelo tenente Miranda, como criminoso de morte.
68. Manoel Martins, criminoso de morte, capturado pelo tenente Alencar.
69. José Sá Dezinho, idem, capturado em Floresta pela força local.
70. Luiz Severo da Silva, idem, capturado em Vila Bela, pela força local.
71. Plácido Silva, criminoso de morte, capturado em Tacaratu, pelo tenente Miranda.
72. José Levino Silva, idem, capturado pelo mesmo tenente Miranda.
73. João Rodrigues, vulgo “Francisco Luz”, criminoso de morte em Ouricuri, e capturado pela força baiana em Boa Vista.
74. José Souza Leite, criminoso de morte em Alagoas, e capturado em Tacaratu, pelo tenente Miranda.
75. Januário Sebastião Souza, vulgo “Januário Pequeno”, criminoso de morte em Flores, onde foi capturado pela força local.
76. Manoel de Oliveira, idem, capturado em Floresta.
77. Gregório Gomes, idem, capturado em Floresta.
78. Ignácio Moisés, vulgo “Ignácio pequeno”, do grupo de Lampião, capturado em Floresta.
79. Pedro Fortunato, também do grupo de Lampião, capturado em Floresta.
80. Jovino Sabino da Silva, idem, idem, capturado em Floresta.
81. Luiz David, vulgo “Luiz Rajado”, do grupo do falecido cangaceiro Casemiro Honório, capturado em Floresta.
82. João David, irmão do antecessor, idem, também capturado.
83. Joaquim David, outro irmão, também criminoso de morte e capturado.
84. Isidoro Honorato, idem, idem, capturado.
85. Antônio Honorato, irmã do antecessor, também criminoso e capturado.
86. Cornélio de Souza, criminoso de morte e capturado.
87. Hosano Vitorio de Souza, idem, idem, capturado.
88. Raimundo Paciente Rodrigues, idem, idem, capturado.
89. José Nunes da Cruz, idem, idem, capturado.
90. José Liberato de Moura, idem, idem, capturado.
91. Ângelo Pereira Leal, idem, idem, capturado.
92. Odilon Freire da Silva, idem, idem, capturado.
93. Oscar Freire da Silva, irmão do antecessor, idem, idem, capturado.
94. Manoel Torquato de Amorim, idem, idem, capturado.
95. Manoel Sebastião de Souza, vulgo “Manoel Pequeno”, temível bandido, célebre em todo o sertão, chefe de grupo, e depois companheiro de Lampião, capturado em Floresta.
96. João Donato, vulgo “Gavião”, comparsa de Lampião, capturado pelo anspeçada Antônio Joaquim, tendo declarado cinicamente ter tomado parte, com seu chefe Lampião, em “35 assassinatos”, durante a sua vida de cangaço.

Como esta lista já está longa, deixamos para outro artigo a continuação, referente aos meses de junho, julho e agosto.

Aí temos “25” bandidos mortos em combates com as forças pernambucanos, e 71 “prisioneiros”, dos quais 26, entre mortos e presos, do grupo de Lampião.
Justiniano de Alencar.


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Página: Antônio Corrêa Sobrinho

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