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sábado, 17 de fevereiro de 2018

UM MATURO QUE CONQUISTOU O MUNDO


Por Guilherme Machado Historiador

Um Matuto que Conquistou o mundo... Eu Canto e decanto os pássaros, os vaqueiros, os aboiadores, o sertão os homens e mulheres e crianças... Canto o nordeste mundo afora... Luiz Gonzaga do Nascimento, Rei do Baião!!!

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A XXII MANHÃ DE CULTURA E LAZER DO MUSEU DO SERTÃO TERÁ UMA EXPRESSIVA EXPOSIÇÃO DE ARTES

Por Benedito Vasconcelos Mendes

Um dos itens da parte cultural deste evento será a PRIMEIRA EXPOSIÇÃO DE ARTES PLÁSTICAS, que será organizada pela AMARP-Academia Mossoroense de Artistas Plásticos. A Presidente da AMARP, Escritora e Artista Plástica Franci Francisca Dantas está convocando os pintores e escultores de Mossoró e região para participarem desta importante exposição de artes.    
                                                                  
A XXII MANHÃ DE CULTURA E LAZER ocorrerá nas dependências do Museu do Sertão, na Fazenda Rancho Verde, de 7:30 às 12 horas, do dia 10 de março do corrente ano. Além da visita ao acervo do Museu do Sertão, este evento contará ainda, com a apresentação artística dos alunos do Instituto Gentil, da cidade de Campo Grande e da cantora mossoroense Goretti Alves. Haverá também,  uma palestra proferida pelo Professor Benedito Vasconcelos Mendes sobre cultura regional. Nesta oportunidade, várias personalidades dos segmentos político, cultural e empresarial serão homenageados.

O Museu do Sertão localiza-se na Fazenda Rancho Verde, às margens da Estrada da Alagoinha, a 4 quilômetros da cidade de Mossoró.
Amigo, lembro a importância da sua presença neste evento, pois você vai ser um dos homenageados.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzagueano José Romero de Araújo Cardoso

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GRANDE DESAFIO DE POETAS CANTADORES


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzagueano José Romero de Araújo Cardoso

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EX-CANGACEIRO MASSILON EM MOSSORÓ-RN



Ex-cangaceiro Massilon em Mossoró-RN
Palestra do Dr. Honorio de Medeiros..
Um vídeo de Aderbal Nogueira

Infelizmente perdi a fonte

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LAMPIÃO....E, OS COMPRIMIDOS DA BAYER (ALEMÃ )..! PARTE 01

Por Volta Seca

O árabe Benjamin Abrahão conseguiu a famosa proeza em 1936, em plena caatinga nordestina, transformar Lampião em GAROTO PROPAGANDA da multinacional BAYER.

Para tanto, o árabe Abrahão filmou o rei dos cangaceiros fazendo uma ENCENAÇÃO, entregando COMPRIMIDOS DE CAFIASPIRINA DA BAYER (servia para dor de cabeça, resfriados etc.), aos cangaceiros do seu grupo.

Confira, acima, um fotograma retirado do filme de Abahão em que mostra Lampião entregando os famosos comprimidos.

Em sua opinião, você acha que Abrahão prometeu alguma vantagem (dinheiro ou outra coisa), para que Lampião fizesse essa encenação e promovesse a BAYER /Alemã?

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ZÉ LEOBINHO E SUAS HISTÓRIAS


Por Volta Seca

UM PERSONAGEM HISTÓRICO...!..VAQUEIRO ZÉ LEOBINO E SUAS HISTÓRIAS....Seu sogro foi coiteiro de Lampião...Confira na entrevista..
Clic na FOTO, e amplie para uma melhor leitura..
Fonte: Revista ..Sergipe imagens e história


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UMA TRAGÉDIA COM COCOTA SERESTEIRO DE MOSSORÓ, IRMÃO DOS COMPONENTES DO TRIO MOSSORÓ

Por José Mendes Pereira
Cocota irmão dos componentes do antigo Trio de Mossoró -http://blogdomendesemendes.blogspot.com/…/cocota-o-maior-se…

Se falarmos apenas Francisco de Almeida Lopes até os mossoroenses não lembrarão deste jovem, mas se dissermos "Cocota" como era carinhosamente alcunhado em sua terra natal todos recordarão, mesmo que não tenham o conhecido pessoalmente.

"Cocota" era irmão dos componentes do antigo “Trio Mossoró”: Oseas de Almeida Lopes atualmente com o nome artístico de “Carlos André”, este foi o fundador do Trio que logo se tornou famoso em todo Território Nacional do Brasil.


Ainda o João Mossoró (atualmente canta solo), que foi apelidado de “Cibito” pelo rei do baião Luiz Gonzaga, segundo informação do pesquisador do cangaço e gonzagueano Kydelmir Dantas e o próprio João Mossoró, quando em uma visita à minha humilde casinhola em 2012, acompanhados do Carlos André. Além da cantora solo Hermelinda Lopes, que era vocalista do Trio Mossoró, e continua fazendo sucesso por onde faz shows.

"Cocota" era seresteiro de primeira categoria e conduzia consigo admirável popularidade. Nasceu na cidade de Santa Luzia, e era filho do senhor Messias Lopes de Macedo e da dona Joana Almeida Lopes.

Uma jovem que era empregada doméstica dos seus pais tinha uma paixão louca pelo seresteiro. O mais interessante, a jovem tinha um irmão ainda criança, e que certo dia fez com que o "Cocota" o castigasse, e a agressão do "Cocota" fez com que a criança saísse em choro, prometendo-lhe que quando crescesse, iria matá-lo.

Anos após, quando os irmãos formaram o "Trio Mossoró" "Cocota" não fazia parte do grupo, mas no auge do sucesso e já morando no Rio de Janeiro, os irmãos resolveram levá-lo para tentar "carreira solo", com o apoio do “Trio Mossoró”, segundo me disse o próprio Carlos André.

 Componente do antigo Trio Mossoró: João Mossoró canta solo, Hermelinda Lopes canta solo e Carlos André também canta solo -
http://www.canalareiabranca.com.br/…/cache-de-400-reais-agr…;

Não se sabe se o que acontecera contra o "Cocota" tenha sido causado pela paixão da jovem, mas tudo indica que sim, já que ele estava de viagem pronta para juntar-se aos irmãos, que já brilhavam no mundo artístico. Sabendo que tão cedo ele não voltaria à Mossoró, sua terra natal, é provável que ela tenha sido a idealizadora de um plano triste e doloroso.

Já que o "Cocota" viajaria para a “cidade maravilhosa” a jovem o convidou para fazer uma festinha em sua residência, onde lá, ele cantaria as mais belas músicas que faziam sucessos na época. Como ele era um jovem conhecido na cidade, amigo de muitos, não negou a sua solicitação, dando-lhe a palavra que à noite estaria presente em sua residência.

"Cocota" era um jovem que não dispensava um bom gole, e nessa noite, bebeu vários goles a mais, chegando a ficar totalmente embriagado. É claro que a jovem sentindo a perda da sua paixão, e talvez, não se sabe, premeditou o crime, tenha lhe dado ainda uns goles a mais.

Já muito embriagado ela o convidou para deitar-se, prometendo-lhe que no dia seguinte o levaria para casa dos seus pais. "Cocota" concorda e caminha para o quarto, onde lá se deita. Mas o seresteiro não imaginava que a sua viagem e carreira artística estariam prestes a serem encerradas, e por má sorte ou coisa arquitetada, o "Cocota" estava marcado para morrer.

https://www.youtube.com/watch?v=UknCfuhgU1Y - Praça do seresteiro atualmente é um desprezo geral. Você ver uma parede pintada de azul, era a casa do antigo "Trio Mossoró". Segundo Carlos André me disse que tem um projeto para recuperar esta praça. 

E na noite do dia 12 de fevereiro de 1962, a criança que "Cocota" açoitara, que agora já era um jovem, chegou ao local da festa. Apoderado de uma tesoura o rapaz começou a furar-lhe. Foram 38 perfurações.

"Cocota" tentou escapulir pela porta da cozinha, mas como o muro da casa da jovem era cheio de cacos de vidro, não teve sucesso, e por mais que ele tentou subir, não conseguiu se livrar da morte, caindo logo em seguida.

"Cocota" tentou se livrar da morte, fez tantos esforços para viver, no intuito de apresentar a sua invejada profissão aos brasileiros, principalmente aos seus conterrâneos mossoroenses. Mas, infelizmente, não conseguiu, calando assim e acabando com os sonhos daquele que foi o maior seresteiro da nossa cidade Mossoró.

Seu Messias e Dona Joana Lopes tiveram o desprazer de ver o seu ente querido morto, com o corpo e os punhos banhados em sangue, saindo pelas perfurações feitas pela maldita tesoura e pelos cortes dos vidros.
Os donos do poder, desde então, nada fizeram de maior importância para homenageá-lo. Mas seus irmãos ainda não perderam as esperanças, que esse dia venha acontecer, que na Praça dos Seresteiros, seja colocado o seu busto, talhado em bronze, para apresentar às futuras gerações, que ele foi o maior seresteiro de todos os tempos em Mossoró.

Uma informação necessária aos leitores: O Trio Mossoró está apenas adormecido, e que, os componentes deixaram de gravar como “Trio Mossoró” porque cada um deles canta solo, mas, vez por outra, eles se reúnem e fazem shows cantando as músicas do Trio Mossoró.

Minhas Simples Histórias
Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixa-me pegar outro.

Se você não gostou da minha historinha não diga a ninguém, deixa-me pegar outro. Mas se gostou, diga aos seus amigos para que eles a conheçam também.

ALERTA AO LEITOR E LEITORA!
Quando estiver no trânsito, cuidado, não discuta! Se errar, peça desculpas. Se o outro errou, não deixa ele te pedir desculpas, desculpa-o antes, porque faz com que o erro seja compreendido por ambas as partes, e não perca o seu controle emocional, você poderá ser vítima. As pessoas quando estão em automóveis pensam que são as verdadeiras donas do mundo. Cuidado! Lembre-se de pedir desculpas se errar no trânsito, para não deixar que as pessoas coloquem o seu corpo em um caixão. Você pode não conduzir arma, mas o outro, quem sabe! Carregará consigo uma maldita matadora, e ele poderá não perdoar a sua ignorância.

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KYDELMIR DANTAS FALA SOBRE O TRIO MOSSORÓ



Ambos merecem a homenagem... Para mim, especialmente, o TRIO MOSSORÓ (Oseas Carlos André - João Mossoró - Hermelinda Lopes) pela trajetória de vida e por ainda estarem ativos em carreiras solo.


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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA

https://www.youtube.com/watch?v=S4twtECfeHA

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FREI DAMIÃO

https://www.youtube.com/watch?v=ZGkF_k0NhXA

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O CRUZEIRO

Clerisvaldo B. Chagas, 16 de fevereiro de 2018
                                      Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.844

Estamos em torno dos 41 anos do fechamento da revista de circulação nacional, O Cruzeiro. Foi uma revista de grandes reportagens e alto padrão lançada no Rio de Janeiro em 10 de novembro de 1928 e perdurou até 1975. Era editada pelos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Em 1960 recebeu novo designeditorial que ficou conhecido como “bossa nova”. A revista O Cruzeiro foi a principal revista ilustrada brasileira. Com inovações gráficas, publicações de grandes reportagens com ênfase ao fotojornalismo, estabeleceu linguagem nova na imprensa do Brasil. Reportagens de grande repercussão surgiram em parceria com a dupla repórter-fotográfico, sendo a mais famosa a formada por David Nasser e Jean Manzonque, anos 40 e 50.

Primeira capa da revista O Cruzeiro, em 1928. (Arquivo).

O Cruzeiro falava dos astros de Hollywood, cinema, esportes e saúde e ainda divertia com charges, culinária e moda. Foram feitas reportagens como Lampião, Floro Novais, entrevistas com cangaceiros e cangaceiras e cobertura do suicídio de Getúlio. Chegou a atingir uma tiragem de 720.000 exemplares, quando a maior fora 80.000. Dizem que nos anos 60, O Cruzeiro entrou em declínio por má gestão, sem o uso de suas fórmulas e o surgimento de novas publicações como as revistas Manchete e Fatos e Fotos. O ano de 1975 marcou a consagração da televisão e o declínio dos Diários Associados. Claro que todo veículo de comunicação tem sua tendência, sendo assim também com esta revista.
Nos anos 60, apesar de gostamos de gibis, como Tarzan, Kid Colt, O Fantasma e outros, aguardávamos também O Cruzeiro, para olharmos na última página, a charge do Amigo da Onça. As revistas chegavam para Dona Maria, esposa do alfaiate, Seu Quinca, à Rua Nilo Peçanha (Rua da Cadeia Velha). Dava gosto receber tantas revistas cheirosas das gráficas brasileiras. Muitas vezes quando as revistas chegavam, já estávamos aguardando na casa de Dona Maria, que era uma pessoa paciente e agradável.
A polêmica da estátua em homenagem ao jumento e seu tangedor, em Santana do Ipanema, foi mote desta revista em longa reportagem falando dos dois lados da questão, entre o prefeito da época e o vereador Everaldo Noya.
Que lembranças da qualidade em comunicações!


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PROPRIÁ RECEBE O CARIRI CANGAÇO !


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RIACHO JACARÉ: A DOR E O SOFRIMENTO

*Rangel Alves da Costa

Ontem, através da amiga Daniela Alves, recebi uma mensagem estarrecedora sobre a situação atual do nosso tão querido Riacho Jacaré. Com a mensagem, fotografias que comprovavam a alarmante situação de descaso, de abandono e degradação.
Em escrito melancólico, dizia Daniela: “Nosso Rio Jacaré está morto, está cheio de lixo. É uma tristeza perceber que o riacho de nossa infância acabou destruído desse jeito. Já tomei banho nas suas águas e muito me dói avistá-lo agora assim desse jeito. Os governantes nada fazem, mas a população precisa tomar consciência dessa situação. O povo de Poço Redondo precisa chamar para si a responsabilidade pela vida e, infelizmente, também pela morte do Jacaré. Nosso rio ficou assim também por culpa do povo, que ao invés de proteger, de limpar, de exigir cuidados por partes dos governantes, prefere fazer dali um lixão”.
Plena razão nas observações de Daniela. O Jacaré é o rio que escorre na veia-vida de Poço Redondo. Através de seu leito, de suas águas e de suas margens, toda uma povoação foi gestada. Foi de um poço aberto no seu leito que a povoação ganhou nome. Poço Redondo nasceu, criou-se e caminha pelas suas margens. Nada seria possível sem as suas águas.
Em tempos passados, quando seu leito era aberto e entremeado de pedras grandes e suas margens eram tomadas de árvores e plantas, bastava que chovesse forte nas cabeceiras para que as cheias se tornassem motivos de festas. Depois de duas águas - a primeira trazendo restos e imundícies e a segunda já varrendo o restante das impurezas -, a terceira água era para os banhos, para os “batins”, para as festas dos olhares e corações cheios de encantamento.
Ali, ao redor das pedras grandes, as lavadeiras antigas, a gadama enganando a sede, os couros sendo curtidos e as sujeiras logo levadas nas águas muitas. Quem, no passado, não se enchia de alegria quando no meio da noite as cheias chegavam em grandioso espetáculo? E um mundão de gente acorrendo às suas margens para presenciar aquelas águas ecoando mistérios e alegrias. Uma festa da natureza.


Mas o que fizeram com você, oh meu rio? Com o passar dos anos, as pedras grandes foram quebradas e transformadas granito e blocos de construção, seu leito foi transmudado em chiqueiros, sua vegetação ciliar foi dizimada, seu coração tornado lixões. Muitos até temem caminhar por onde antes era vida em flor, muitas vezes ressequida, mas com a certeza de que logo tudo novamente transbordaria.
Hoje, e infelizmente, apenas a tristeza e o lamento. As poucas águas que chegam ficam represadas e, na junção de lixo e outras imundícies, logo transformadas em focos doentios e perigosos demais para a saúde da população que vive nas suas proximidades. Além disso - até fato difícil de acreditar -, pessoas se acham no direito de passar arames de lado a outro, tomando posse daquilo que, moribundo ou já sem vida, ainda é da população de Poço Redondo.
O Jacaré é o rio de Poço Redondo, é o nosso rio, e não podemos deixar que a desvalia tome conta de tudo. Cada habitante de Poço Redondo deveria ir até suas margens, caminhar pelo que resta do seu leito, e sentir de perto o que fizeram com sua veia-vida, com o rio de sua história. E talvez, redimindo-se pelo descaso, pelo abandono e esquecimento, juntar forças para o seu renascimento. Fazer sozinho, fazer junto com o outro, bater à porta dos poderes.
Lembro-me agora de um poema de Fernando Pessoa falando que o rio que passa pela sua aldeia não é o maior nem o mais grandioso dos rios, mas é o mais belo rio, pois é o rio que passa pela sua aldeia. E o Jacaré é o rio que passa pela minha aldeia. Por isso precisamos urgentemente fazer algo para que seja renascido, pois é o mais belo rio. É o rio que passa pela minha aldeia.

Escritor
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ZEFINHA QUE FOI LEVADA PELO CASAL DE CANGACEIROS CORISCO E DADÁ


Por Robério Santos

Robério Santos do canal O Cangaço na Literatura localiza familiares de Josefa Herondina de Almeida, conhecida pela garota Zefinha que foi levada de Coronel João Sá (Antiga Bebedouro) em 1940, pelo casal de cangaceiros Corisco e Dadá. 


Na foto, o sobrinho neto de Zefinha, o advogado Leandro Góis, morador de Itabaiana-SE.

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A VOLTA DO REI DO CANGAÇO INDO PARA BRIGHTON NA INGLATERRA. ROMANCE CANGACEIRO TAMBÉM PRA INGLÊS VER.


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1962. PRIMEIRA VAQUEJADA DE POMBAL/PB, NA LOCALIDADE JARDIM ROGÉRIO.

Por Verneck Abrantes de Sousa


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzagueano José Romero de Araújo Cardoso

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AS PUNIÇÕES AO PADRE CÍCERO



Os milhares de romeiros que visitam a cidade de Juazeiro do Norte todos os anos consideram o padre Cícero Romão Batista, popularmente chamado de “Padim Ciço” como Santo e ignoram os fatos históricos oficiais.

A Igreja Católica além  de não reconhecer “os milagres de juazeiro” aplicou ao o religioso uma série de punições no período de 1889 a 1926, dentre elas a proibição de celebrar missas, expulsão de Juazeiro, excomunhão e retirada do uso de ordens.

Confiram a seguir as punições aplicadas ao Padre Cícero: 

04/11/1889 - Inconformado com notícias sobre os milagres, o bispo dom Joaquim proíbe o Padre Cícero de fazer qualquer manifestação sobre o assunto.

6/8/1892 - Dom Joaquim suspende o Padre Cícero de confessar, pregar e administrar sacramentos. Foi a primeira pena grave imposta a ele como desdobramento das investigações dos fenômenos ocorridos a partir de 1º de março 1889, denominados popularmente de Milagres da Hóstia.

13/4/1896 - Dom Joaquim aumenta a punição e o proíbe de celebrar missa.

10/2/1897 - O Santo Ofício proíbe a permanência de Padre Cícero em Juazeiro, sob pena de excomunhão. Em 29 de junho de 1897 ele sai do povoado e vai para Salgueiro.

22/6/1898 - Após cinco interrogatórios os cardeais do Santo Ofício absolvem o Padre Cícero das censuras, mas ele permanece com a proibição de pregar, confessar e dirigir as almas e é aconselhando a procurar outra diocese.

5/9/1898 - Ele consegue autorização e, com muita alegria, celebra missa em Roma. Cardeais concederam também permissão para celebrar durante a viagem de volta ao Brasil.

15/11/1898 - Padre Cícero se apresenta a dom Joaquim em Fortaleza e lhe informa que fora absolvido em Roma. Mas o bispo não permite que ele celebre em Juazeiro.

12/7/1916 - O Santo Ofício declara o Padre Cícero incurso na excomunhãolata e sententiate. Temerosos pela saúde dele, o padre não tomou conhecimento da pena.

23/2/1921 - O Santo Ofício absolve o Padre Cícero das censuras e da excomunhão, mas não concedeu o direito de celebrar, podendo o Padre Cícero receber os sacramentos como simples leigo. Há nova recomendação de deixar Juazeiro.

3/6/1926 - O Padre Cícero decide ficar em Juazeiro. Dom Quintino, acatando determinação do Santo Ofício, o suspende novamente, retirando-lhe o uso de ordens. Foi esta a última e definitiva punição.

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FREI DAMIÃO EM TAPEROÁ-PB NO ANO DE 1969(INCRÍVEL)

https://www.youtube.com/watch?v=Fro6J-n_NpY

Publicado em 2 de set de 2013
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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

LAMPIÃO E O SAL

https://www.youtube.com/watch?v=RscTCY80C9Q

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NOVO LIVRO NA PRAÇA "O PATRIARCA: CRISPIM PEREIRA DE ARAÚJO, IOIÔ MAROTO".


O livro "O Patriarca: Crispim Pereira de Araújo, Ioiô Maroto" de Venício Feitosa Neves será lançado em no próximo dia 4 de setembro as 20h durante o Encontro da Família Pereira em Serra Talhada.

A obra traz um conteúdo bem fundamentado de Genealogia da família Pereira do Pajeú e parte da família Feitosa dos Inhamuns.

Mas vem também, recheado de informações de Cangaço, Coronelismo, História local dos municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, São Francisco, Bom Nome, entre outros) e a tão badalada rixa entre Pereira e Carvalho, no vale do Pajeú.

O livro tem 710 páginas. 
Você já pode adquirir este lançamento com o Professor Pereira ao preço de R$ 85,00 (com frete incluso) Contato: franpelima@bol.com.br 
fplima1956@gmail.com

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A CASA SEM PORTAS

*Rangel Alves da Costa

Quando estou viajando rumo ao meu sertão, as estradas distantes se tornam como retratos que vou desvendando em suas imagens. O que mais me chama a atenção, contudo, são as casinhas sempre de portas e janelas fechadas.
Casas, casinhas, casebres, pequenas construções em barro e ripa, já envelhecidas de tempo, envernizadas pelo fogo dos dias, assemelham-se ao tudo e ao nada. Tudo na significação. Nada pelo avistado. As portas e a janelas nunca estão abertas.
Que retrato mais desolador avistar moradias assim. Tudo como se os seus donos não existissem mais. Tudo como se as portas tivessem sido fechadas após o adeus do último habitante. Pessoas que partiram para nunca mais regressar. Uma tristeza danada.
De tanto cismar com tais moradias sempre com jeito de solitárias e abandonadas, depois de tanto meditar sobre a razão de elas estarem sempre assim, depois fiquei sabendo de uma história mais instigante ainda. Instigante e até incompreensível.
A história da casa sem portas. Sem portas nem janelas, nem na parte da frente, pelos lados ou atrás. Era como se a casa tivesse sido construída normalmente, com dependências e telhado, mas depois simplesmente fechada por todos os lados. E não havia entrada ou saída pelo telhado. Muito menos por debaixo do chão.
Um dia, sempre depois de demoradamente refletir sobre essa história, eis que me encorajo para ir até o local dessa moradia. E fui. No outro dia, mesmo com um tempo tão nublado que mais parecia proximidade da noite, de repente me vi diante da casa.
Uma casa normal, pequena, de barro e tijolo, já com muito tempo de construída, fato constatado pelos ocres esmaecidos do tempo e os lanhos dos anos nas paredes. Ficava próxima à estrada, apenas alguns passos mais afastada, já na vizinhança da mata. Um pouco mais ao lado um grande e solitário umbuzeiro.
Dirigi-me para debaixo do umbuzeiro e fiquei ali em pé, pensando no que fazer. De pertinho onde estava, logo percebi que as paredes eram contínuas, sem fresta alguma, sem local algum com aparência de porta ou janela. Que coisa mais estranha, pensei.


Resolvi dar a volta ao redor da casa inteira e igualmente constatei não possuir qualquer porta ou janela. Ali eu estava em busca de respostas, mas como saber de alguma coisa se não havia ninguém por perto. Não adiantava bater à porta, pois esta inexistente. Não adiantava chamar à janela, pois nada disso existia.
Então me veio uma coisa meio louca de fazer. Então me aproximei mais e rente à parede da frente comecei a gritar: Tem alguém aí? Por favor, responda, tem alguém aí dentro? Tem alguém aí dentro, tem alguém aí? Passei uns cinco minutos nestes gestos de quase insanidade.
Certamente que não havia ninguém ali dentro. Como entrar, como sair? Sentei-me debaixo do umbuzeiro e fiquei pensando sobre a intencionalidade de quem a havia construído assim, sem portas e janelas. Qual o objetivo dessa pessoa em apenas construir, fechar tudo e depois abandonar?
Quanto pobres somos nós em pensamentos. Em tudo há uma razão de ser. As portas e janelas podem estar ausentes nas casas e também nas pessoas. Pessoas existem que não deixam sequer entrar uma luz de sol pelas suas frestas. Pessoas existem que se fecham em si mesmas e não admitem que ninguém bata à porta de seu coração.
Aquela casinha talvez tivesse sido construída apenas como um santuário de recordação. Quem a ergueu tinha muito mais a guardar ali dentro que a utilizar como moradia. Por isso mesmo que talvez ali dentro as recordações familiares, os baús da memória, as vozes e os suores familiares desde os primeiros tempos. Ali dentro as folhagens da árvore de vidas que não poderiam ser levadas pela ventania dos tempos: nomes e sobrenomes, de pais, avôs, bisavôs, filhos, irmãos...
Tudo, porém, apenas hipóteses no meu pensamento. Então levantei para retornar sem as respostas conclusivas que tanto esperava. Mais uma vez olhei a casa de cima abaixo, fiz um gesto de despedida, caminhei entristecido. Alguns passos adiante, eis que ouço e sinto algo muito estranho acontecer.
Saído como de dentro da casa, pelos ares subia um cheiro forte de café no fogão. Cheiro de toucinho assado, um aroma de cuscuz no ponto. E vozes e vozes. “Não saia pra fora menino, pois já vai serenar”. “Debulhe logo esse feijão de corda”. “Encha a quartinha de água e depois leva pro umbral da janela”.
Olhei. Entristeci ainda mais. Chorei. Ali dentro, na casa fechada, as memórias familiares que jamais seriam perdidas.

Escritor
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MAIS UM PROGRAMA INÉDITO PARA MEUS QUERIDOS AMIGOS.


Robério Santos

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DEPOIS DA DERROTA LAMPIÃO EM LIMOEIRO DO NORTE


Após a terrível derrota que sofreu em Mossoró / RN em 13 de junho de 1927, em que perdeu dois grandes cangaceiros (Colchete e Jararaca), Lampião andando à cavalo, juntamente com seus comandados, adentrou no território cearense com destino á cidade de Limoeiro do Norte no Ceará.

Em rápido deslocamento, o rei vesgo do cangaço alcançou a fazenda do Sr. Anízio Batista, na Lagoa do Rocha, e sob sua direção entrou em Limoeiro, tendo sido recebido por Custódio Menezes (juiz de paz), em virtude da ausência do prefeito (Cel Felipe Santiago de Lima)*, e pelo padre Vital Gurgel.

Lampião, esperto como uma águia, antes de entrar na respectiva cidade, mandou Anízio Batista sondar as autoridades locais, sobre a possibilidade de recebê-lo, pacificamente, ou não.

Diante do gesto afirmativo das autoridades, de não promoverem nenhuma represália / agressão ao temível cangaceiro, até porque Limoeiro não tinha condições satisfatórias de defesa, Lampião entrou serenamente com seu grupo naquela cidade, tendo dito ao Sr. Anízio:
O senhor vai na frente, pois se houver qualquer reação, a primeira cabeça a rolar será a sua ".
Já no interior da cidade, Lampião caminhou até o Hotel Lucas, onde mais tarde jantaria. Antes de iniciar a refeição exigiu que alguns cidadãos experimentassem a comida, antes dele e de seu grupo.

O padre Acelino Viana Arrais saiu de sua fazenda, Maçarico, com a finalidade de ver Lampião, com quem teve o seguinte diálogo:
" - Lampião, eu tenho coragem de acompanhar-lhes na vida do cangaço." 
Ocorre que o sacerdote era bem nutrido e possuia um ventre avantajado. Virgulino fitou-o, e fez, a seguinte observação:
" Seu vigário, homem barrigudo, não pode participar dessa vida, porque além de dura, nós se arrasta como cobra pru mode atirar nos macacos. Hômi da barriga grande não dá para isto "



Virgulino, ainda na cidade de Limoeiro procurou o doutor da cidade - Dr. Araújo. Foi á farmácia Araújo com os feridos ( tiroteio de Mossoró). Assistiu aos curativos e, após, insistiu em pagar os honorários. Não sendo atendido, presenteou o médico com um pequeno punhal de cabo de chifre, adornado com anéis de ouro. Em seguida, tomou conhaque num bar.

Um fotógrafo aproveitou a oportunidade, e convidou Lampião e seu grupo a deixar-se fotografar, no que foi antendido. Amante da publicidade, o Rei vesgo do cangaço convocou seus companheiros e os sequestrados (Cel. Antonio Gurgel, D. Maria José, etc..). Formou na linha de frente, com um joelho em terra e empunhando o mosquetão. Na segunda foto batida com vinte e poucos cangaceiros montados á cavalo, ele aparece tristonho, montado num burro. Os negativos foram revelados e copiados em Mossoró/RN, no atelier do Otávio.


As volantes do Ten. Costa e de Quelé vinham seguindo os passos dos cangaceiros. Lampião pretendia dormir em Limoeiro, mas devidamente informado do movimento das volantes, e atendendo aos conselhos das autoridades locais, resolveu não pernoitar na respectiva cidade.

No outro dia as volantes chegaram, ai já era tarde, o rei do cangaço, já estava distante com seu grupo.

FONTES DE CONSULTA:
1- Lampião em Limoeiro do Norte - Autor: Antonio Nunes Malveira
2- A Marcha de Lampião - Autor : Raul Fernandes

  
Uabraço a todos.
IVANILDO SILVEIRA
NATAL/RN

*O nome do prefeito nos foi informado pelo confrade Raimundo Gomes em 12 de Janeiro de 2013.
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Adendo importante!


Com relação as fotos das trincheiras em Mossoró, após a resistência do 13 de junho de 1927, e do Jararaca na prisão, inclusive ladeado pelos dois soldados, são, da autoria de José Octávio, dono do Atelier J. Octávio. Agora... As fotos feitas em Limoeiro do Norte-CE, que em muitos livros aparecem como de autoria do José Octávio, estas são do fotógrafo limoeirense Chico Ribeiro, que trouxe os negativos e as revelou no Atelier mossoroense. Melhores informações estão no livro "Nas Garras de Lampião - Diário do Cel. Gurgel" - Antonio Gurgel & Raimindo Soares de Brito. 2ª edição 2006. 


Kydelmir Dantas _ Mossoró-RN. 

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PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA - PE JOAREZ VIRGOLINO


  Padre Cícero Romão Batista:
                      um  intelectual orgânico?
                   Por Joarez Virgolino Aires

Em tese de doutorado, o Prof. Luitgade Olveira, em seu livro A Terra da Mãe de Deus, pela Editora Francisco Alves, identifica o movimento dos beatos e conselheiros do Brasil, a partir da matriz ideológica do padre Mestre Ibiapina. Aplicando a teoria de Antônio Gramsci, entende que estes líderes religiosos plasmaram e influenciaram um grupo social e, por isto, mesmo que analfabetos, entram na categoria de intelectuais orgânicos.

Depois de São Francisco de Sales, Padre Mestre Ibiapina foi o grande modelo na vida do padre Cícero como de todos os conselheiros e beatos da época.

Enquanto não recebe uma paróquia, o Padre Cícero colabora como professor de Latim no Colégio Venerável Ibiapina, fundado e dirigido por José Marrocos e celebra nas capelas da região.

Infância do Padre Cícero

Os biógrafos do Padre Cícero são unânimes em retratá-lo, nessa fase, como uma criança e um adolescente já tocados pelo fervor religioso do mundo sertanejo de sua época. O ambiente familiar de profundo respeito ao Padre Ibiapina, a leitura da vida de santos, a assiduidade à Igreja, a vivência das missões, formam o clima de religiosidade de sua vida. Mas, principalmente a leitura da vida de São Francisco de Sales determinará, como ele próprio deixará escrito em testamento, sua decisão de se dedicar ao sacerdócio.

Mais velho do que Cícero e acossado pelas desditas cente­nárias de sua família, vagueia pelo Cariri Antônio Vicente Mendes Maciel. Enquanto Cícero, jovem, aspira ao sacerdócio tendo Ibiapina por modelo, Antônio Vicente veste o hábito dos beatos, põe a cruz às costas e parte para sua missão na terra.

Após a morte do pai, Cícero fica ameaçado de não poder continuar os estudos. Em socorro de seu ideal vem o padrinho, o rico comerciante Antonio Luiz Alves Pequeno, que se oferece para financiar os estudos do afilhado até sua ordenação.

Próximo à ordenação, o reitor do Seminário levanta dúvida sobre a conveniência de sua ordenação, alegando sua ausência do confessionário por um espaço muito longo de tempo.

Cícero Romão, ordenado Padre

Em 1870, quando Cícero se torna padre, já Ibiapina está afastado do Ceará, onde a presença da autoridade eclesiástica tolhera-lhe todos os passos. Em 1872 D. Luiz parece ter-se apossado de todo o rebanho submetido a sua autoridade, com a despedida definitiva de Ibiapina das Terras do Cariri.

Em janeiro de 1871, ordenado aos 26 anos, chega ao Crato o Padre Cícero Romão Baptista. Desfruta da amizade, da confiança e da consideração do Bispo D. Luiz que, em 29 de dezembro já lhe concedera licença para pregar e celebrar, pelo prazo de 1 ano. Enquanto não recebe uma paróquia, o Padre Cícero colabora como professor de Latim no Colégio Venerável Ibiapina, fundado e dirigido por José Marrocos e celebra nas capelas da região.
Os historiadores do Juazeiro descrevem o povoado constituído de pequenas casas em torno do pátio da capela e ao longo da margem do rio Salgadinho. Os habitantes não primavam pela repetição em suas práxis de vida, dos ensinamentos dos capelães. Cultivavam os hábitos de samba e cachaçada nas horas de lazer e viviam em promiscuidade. Jua­zeiro era mais uma pousada para os viandantes que se dirigiam de Barbalha, Milagres e outras paragens, para o Crato. Os comboieiros se dessedentam à sombra dos frondosos juazeiros. Mas o povoado já tinha escola e era aí que o Padre Cícero per­noitava quando vinha aos domingos celebrar missa, função que desempenhou a partir daquela noite de Natal, a pedido do pro­fessor Simeão Macedo e os fazendeiros da vizinhança que, em­bora residindo em suas fazendas, tinham casas construídas no arruado. Poucas eram as famílias de posses que residiam na rua.

Padre Cícero não era um bronco. O acervo de conhecimentos do Padre Cícero entusiasmou o botânico alemão Philipp V que, a serviço da Ins­petoria Federal de Obras Contra as Secas – do Ministério da Viação e Obras Públicas, passou no Juazeiro em 1921.

De sua viagem publicou o livro “Estudo Botânico do Nordeste”, pu­blicação daquele Ministério, em 1923. Na página 59 deste livro, se lê: “Naturalmente, para mim, se tornou de capital importância co­nhecer e falar com o Padre Cícero e tive o prazer de, à minha chegada, ser recebido e ter animada palestra com o mesmo. Este velho, de real prestígio popular, deixou-me gratas recorda­ções. Tratou-me com delicadeza e amabilidade. De facto, tra­ta-se de um homem que dispõe de instrução e saber invulgares: aborda com egual facilidade a política e a história brasileira; tem conhecimentos profundos de história universal, ciência naturaes, especialmente quanto à agricultura. (…)

Episódio prodigioso. Padre Bulhões, questionado um dia por uma paro­quiana por que não falava do púlpito condenando o Padre Cí­cero, respondeu: “Comadre, eu não sei quem é o Padre Cícero! Não conheço os desígnios de Deus para esse sa­cerdote. Além do mais, não sabendo de nenhum crime desse homem, prefiro não duvidar dos poderes de Deus.” E contou a história de um padre seu amigo, vigário numa cidade da beira do S. Francisco, centenas de léguas distante do Juazeiro. Esse padre acorda um dia com o sino da igreja chamando para a mis­sa. Como ainda estava escuro, pensou que o sacristão se enga­nara no horário e correu a adverti-lo. Chegando lá, encontra a igreja iluminada, cheia de gente, e um padre de costas cele­brando a missa. Espantado com o fato, ele se aproxima do altar para ajudar o padre que estava sem sacristão. E constata, cheio de assombro, ser o Padre Cícero. Este ainda era vivo, muito velhinho, no Juazeiro. Terminada a missa onde comungaram muitas pessoas, todas desconhecidas do vigário, este se dirige ao Padre Cícero: Como o Sr. está aqui, suspenso de ordem, tão distante do Juazeiro, quando chegou? O Padre Cícero lhe sorri respondendo: Meu amiguinho, você dorme demais!

Fala isto e desaparece da vista do vigário, juntamente com todos os assis­tentes da missa. A igreja fica às escuras e o vigário tomado de terror tenta fugir aos gritos. Na carreira cai e fratura uma perna ficando ali, até à hora em que o sacristão o en­contra deitado, sem coragem de se mover. Esse padre, que fi­cou defeituoso da perna, relatou pessoalmente o caso ao Padre Bulhões, quando este o foi visitar. Concluindo, afirmava Padre Bulhões: “Compreendeu, comadre? Era o Pa­dre Cícero, em espírito, celebrando missa para as almas do purgatório, fora do Juazeiro!”

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