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sexta-feira, 21 de julho de 2017

TRÊS PERSONAGENS QUE FALECERAM NO MESMO MÊS.

Por Ruberval Sousa

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O CORDEL E AS CORDELISTAS.

 Por Aderaldo Luciano

Quando tinha 8 anos, comprei meus dois primeiros folhetos de cordel, na feira, das mãos de seu Severino Folheteiro: Vicente, O Rei Dos Ladrões e O Herói João de Calais. São duas narrativas clássicas do cordel brasileiro. Contam uma história a partir das proezas dos dois protagonistas. Todos nós gostamos de histórias. A humanidade é posta para dormir em sua primeira infância ao som de histórias saídas dos lábios de suas mães. Minha primeira infância cumpriu essa proposta. Minha mãe narrava as histórias de cordel, rimadas e, algumas cantadas. Adormeci várias noites pensando nas maravilhas contadas nas histórias do cordel e imaginei que todo o produto cordelístico obrigatoriamente contaria uma história, seria uma narrativa. Esse encontro com o cordel, já contei isso várias vezes, oportunizou-me anos depois, aos 13 anos, o caminhar entre Borges, depois Poe, depois Twain, depois Kafka, depois Tchekov, ou seja, autores contadores de histórias, mas estrangeiros. Um dia li, na biblioteca do padre, Jorge Amado. E assim seguiram os autores brasileiros, até Inácio de Loyola Brandão. Esse ano, o ano treze de minha existência, foi o ano da tomada de consciência literária. E o cordel continuava abastecendo meus dias. Até deparar-me com um folheto cujo título chamou-me muito a atenção: Conselhos Paternais. Fui uma criança que cresceu sem pai e esse título encabulou-me. Quais conselhos um pai daria a um filho? Comprei-o e corri para casa para ler no pé de goiaba, meu ponto de encontro com a literatura era o auto da goiabeira no quintal. Ao ler o cordel de José Bernardo descobri, imediatamente, que o cordel não contemplava apenas as narrativas, mas, também, a reflexão sobre o mundo, sobre os costumes, sobre as relações sociais. Mais tarde, mais maduro, descobri que o cordel contemplava todo o espectro dos gêneros literários. Ainda há poetas que pensam que o cordel é apenas narrativo, entretanto a observação mostra-nos o contrário. O cordel tem o veio épico, o veio lírico, o veio dramático. Vai além com a crônica e a biografia. Equipara-se, várias vezes ao ensaio. Vejamos quatro exemplos de cordéis que fogem à narrativa, enveredados pelo ensaio. São muito importantes estes títulos porque escritos por mulheres, o que muitos estudiosos e historiadores do cordel, como os que citei em artigos anteriores, não elencam. As mulheres são uma peça fundamental no processo histórico do cordel. E é necessário, urgente, contar essa história. Por enquanto:

Dalinha Catunda, cearense radicada no Rio de Janeiro, é uma militante expressiva do cordel. O Cordel de Saia é uma das referências para o cordel brasileiro na internet e o Cantinho da Dalinha é parada obrigatória para nós que procuramos entender o fenômeno cordelístico brasileiro. Sem meias palavras, atenta aos caminhos cordeliais, compreendendo a importância da reflexão sobre o fazer poético-cordelístico feminino escreve e publica As Herdeiras De Maria. Nasceu o cordel a partir da história de vida de Maria das Neves Batista Pimentel, a primeira mulher a publicar folhetos, em 1938, mas com o nome do marido, Altino Alagoano, estampado na capa como sendo o autor. Maria das Neves foi filha de Francisco das Chagas Batista, um dos principais editores de cordel do Brasil, com sua Popular Editora, montada em João Pessoa, na Paraíba do Norte. Foi mãe de Altimar Pimentel, estudioso da cultura brasileira, observador atento de nossa brasilidade. O folheto não trata de uma narrativa, mas da reflexão sobre o papel da mulher no universo cordelístico. O preconceito, o mercado escasso, a desconfiança dos pares masculinos são os elementos para a reflexão. Dalinha é zelosa em sua poética e cobra a excelência do cordel em sua produção. Não só na sua, mas na produção feminina e no todo nacional. Ao se referir à produção de Maria das Neves (Altino Alagoano) apresenta os títulos da pioneira: O Violino do Diabo, O Corcunda de Notre Dame e O Amor Nnnca Morre, nas estrofes 7, 8 e 9, respectivamente. Na estrofe 8, porém, há uma pequena inexatidão: o seu pai, editor, nunca editaria um folheto da filha. Francisco das Chagas morrera em 1930 e Maria das Neves só publicaria o seu primeiro trabalho em 1938. Mas isso não retira o brilho e o chamado. São 24 estrofes bem elaboradas, ritmo bem definido, pois Dalinha tem a acentuação do verso no coração, os versos voam, batem asas. É um ensaio pertinente. Chama a atenção a apresentação do poema feita por Bastinha Job, outra expoente do cordel brasileiro, escrevendo com intensa responsabilidade as páginas do cordel no Brasil.

Josenir Lacerda, cearense do Crato, é uma pensadora do cordel. O seu folheto A Medicina No Cangaço abriu nossos olhos para a o ensaio sobre a medicina popular no Nordeste. Outros poeta, alertados, empreenderam outros olhares sobre o tema do cangaço, pensando-o, ao invés de narrá-lo, mas foi Josenir, a mulher de escrita forte e precisa, quem abriu-nos a porta. No folheto O Saber Do Povo, ela lança-se por um viés mais abrangente ao observar a criatividade popular para as encruzilhadas da vida. O falar nordestino já foi bastante cantado e explorado pelo cordel, também o foram os provérbios, ditados e dialetos, agora, Josenir ancora sua lira nas expressões comparativas, metafóricas. E desfiam-se s expressões do povo. Tomando como base formal a setilha, em 32 estrofes, apresenta-nos 27 expressões das mais variadas para as mais diversas situações. Aplicada na rima, não é repetitiva, pelo contrário, é ousada. Por exemplo, na estrofe 12 rima “xêxo”, com “trecho” e “Alêxo”, aproveitando-se do falar coloquial sem modificar a maneira como é pronunciada, pois ninguém, no nordeste profundíssimo, pronuncia “seixo”, mas “xêxo”. Tampouco “Aleixo”, mas “Alêxo”. Já na estrofe 23 traz a expressão “mais fino que assobio de soim.”, grafada como o dito pelo sertanejo. Não significa que Josenir não conheça ou tente forçar a barra, não, não é isso. É o respeito ao tema, o respeito às coisas mais interessantes do povo. A última estrofe, seguindo uma marca formal cordelística, a autora grafa seu acróstico. Essa característica, o acróstico, é um dos elementos que fazem o cordel fugir ao que alguns pesquisadores e estudiosos querem: o traço da oralidade. O acróstico só é notado quando está no papel, é a assinatura do poeta, visível no papel e nunca no arco sonoro. Josenir é senhora dessa seara. Como diz José Joel de Souza, na pequena apresentação, na primeira contracapa, ela “brinca com os versos.” O cordel brasileiro sempre sabe escolher aqueles que lhe serão fiéis. É mais um cordel etnográfico de vasta importância.

Susana Morais Cordelista, pernambucana, firmou-se no mundo do cordel com muita propriedade. Dialogante, escreve boas páginas de cordel no meio virtual, percebendo a importância da interferência digital na atualidade e no futuro. No título Banditismo Social: O Cangaço e Lampião, foge à narrativa, como observei no caso de Josenir, para trabalhar partindo do todo, o banditismo social, para fechar sua lente no famoso capitão. Não perdoa, nem lança laivos de louvação sobre o cangaceiro, como está na setilha 4, mas faz um círculo no qual consegue visualizar o todo social da época. Recorre aos elementos presentes no sertão naquele tempo, seja coronelismo cruel, fome, seca e miséria, para situar as ações cangaceiras, afunilados pela injustiça do Estado e da política. Na estrofe 13, ao pensar as perseguições do Estado a tudo que significasse busca libertária, cita o célebre caso da Coluna Prestes, mas não se aprofunda. Cabe-nos apenas apontar as profundas diferenças entre os dois movimentos, o cangaço e a Coluna, porém a poeta tem autonomia para suas citações. Observo ainda um traço de contradição quando, na estrofe citada acima, a de número 4, a autora aponta para um Lampião “desalmado e desumano”, mas na estrofe 21 alardeia: “Dou um Viva a Lampião e ao Cangaço no sertão.” Pode-se minorar a contradição na compreensão de um Lampião, indivíduo, pessoa, aí sim carregado pelos adjetivos, na estrofe 4, e um Lampião icônico, simbólico de um movimento de resposta às vicissitudes sertanejas da época, mas toda a interpretação agora torna-se muito rasa e exige um aprofundamento em textos vindouros. O cordel ensaístico de Susana Morais termina, na página 8, última página do folheto, com uma homenagem à Nação Zumbi e a citação oportuna a Chico Science na canção Banditismo Por Uma Questão De Classe. Finalizando deve-se observar as rimas da estrofe 5 e da estrofe 15 nas quais a autora rima “história”, “palmatória” e “memória”, na primeira, e “memória”, “história” e “trajetória”, na segunda, repetindo duas palavras na construção das duas sextilhas. O poema é uma reflexão sobre o cangaço como levante social (estrofe 15 e seguintes) e aposta na educação como fator de mudança social (estrofe 20). Susana se assina entre os escolhidos.

Izabel Nascimento, sergipana, filha do clássico Pedro Amaro, herdeira de sua veia poética, tem uma missão: perfazer os passos familiares nas trilhas da cultura nordestina, seja na música, seja na poesia. Assim como Susana Morais, compreende o momento tecnológico e empreende a cruzada ocupando territórios (físicos e virtuais), tanto no jornal impresso, com sua participação semanal no Cinform, veículo jornalístico aracajuano, seja no seu canal no YouTube, ou em vertentes artesanais como as intervenções “cordel no guardanapo”, ou em seus perfis nas redes sociais. Izabel tem a consciência de sua atuação. Paraíba do Sul, O Testamento De Um Rio é um ensaio cordelístico centrado no eco-ambientalismo. Se Dalinha Catunda, Josenir Lacerda e Susana Morais preferiram as setilhas para seus poemas, Izabel elege a décima de sete pés. Nosso escreviver sobre o cordel nos deu a certeza de que a sextilha, a setilha e a décima são as modalidades estróficas mais utilizadas pelos poetas. A sextilha abrangendo a maioria, a setilha, em seguida e a décima em terceira preferência. Já na primeira estrofe, Izabel nos surpreende com um verso, um pé do seu poema, formado apenas por uma palavra: “Extraordinariamente”. Ousadia numa palavra de sete sílabas poéticas. Observe-se também que a décima utilizada não é a décima comum na armadura ABBAACCDDC, mas ABCBDDEFFE. Considerem-se na equação (Sim! O cordel também é matemática, a busca pelo número áureo!) as incógnitas iguais são as rimas, assim teremos a ideia estrófica. No seu espelho poético, Izabel solicita o olhar crítico sobre as condições de depredação que vive o Rio Paraíba do Sul. Convoca a União e os estados banhados pelo rio, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, para a tomada de atitude na busca de salvar o rio de “Amaldiçoada Herança.” A partir da terceira estrofe, o rio assume a retórica de seu próprio testamento que segue até a estrofe 29, visto que nas estrofes de 30 a 32, a autora retoma a rédea de sua escrita para assinar o poema. Perceba-se que na estrofe 31 há a menção ao poema ter sido a narração de um fato, o que se revela em certo equívoco pois um testamento não é um fato, mas a reflexão e orientação para o futuro. Além disso, chamo a atenção para duas estrofes fundadas com preciosismo: a estrofe 6, na qual, nos dez versos, traça-se o percurso do rio, desde São Paulo, na Serra da Bocaina, até seu desaguar no norte fluminense; e a estrofe 22, quando se abre um painel para a religiosidade do povo brasileiro e seu sincretismo, clamando a Deus, Oxalá, Oxum, Jesus e Jeová pela saúde do rio. Izabel aos poucos consolida-se como uma das vozes femininas mais importantes para o cordel brasileiro.


Meu olhar sobre esses quatro folhetos é apenas para fortalecer o que defendo na introdução: o cordel não é apenas narrativo. Vai além, abrangendo todo um complexo poético em vários caminhos estéticos.


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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PRAÇA DOS SERESTEIROS

Por José Mendes Pereira
https://www.youtube.com/watch?v=UknCfuhgU1Y

O Rio Grande do Norte produziu nas terras da cidade de Mossoró um dos melhores seresteiros, e que até ainda hoje não foi substituído por outro, o Francisco de Almeida Lopes que era carinhosamente alcunhado em Mossoró por Cocota.

Cocota foto gentilmente cedida pelo poeta, escritor, professor e pesquisador do cangaço Antonio Kydelmir Dantas de Oliveira

Era filho do senhor  Messias Lopes de Macedo e da honrada dona Joana Almeida Lopes, e irmão dos cantores Oséas Lopes (o atual Carlos André), Hermelinda Lopes e João Batista Almeida Lopes que artisticamente, é conhecido por João Mossoró, os três foram fundadores e componentes do Trio Mossoró, que durante muitos anos, fez sucesso de Norte a Sul e de Leste a Oeste do Brasil.

https://www.youtube.com/watch?v=UknCfuhgU1Y

Vejam bem, a foto acima é da tal Praça dos Seresteiros em Mossoró que a Prefeitura Municipal construiu, em frente à antiga casa em que moraram o seresteiro e o Trio Mossoró, além de pequenina, está totalmente acabada, bancos quebrados, piso destruído, suja, cheia de mato, servindo apenas para acomodar alguns carros, e pessoas que usam drogas, sem que a Prefeitura Municipal de Mossoró tome as providências para recuperá-la.

http://telescope.blog.uol.com.br/sociedade/arch2010-06-01_2010-06-30.html

Não é difícil o leitor entender: Ao lado direito da foto, um pouco acima desta barragem, está a Praça dos Seresteiros, e colada a ela, era a casa da família Almeida Lopes do antigo Trio Mossoró.

O cantor Carlos André segundo ele me enviou através de e-mail, tem um projeto para ser construído sobre a barragem de Mossoró, que acho eu que ele cansou de tanto esperar, pretende fazer com os seus próprios recursos, acho, não sei, já que as autoridades de Mossoró não tomam esta causa para si. 

Segue o que me enviou o cantor Carlos André:

PROJETO PARA A PRAÇA DOS SERESTEIROS EM MOSSORÓ
Por: Oséas Lopes - o cantor Carlos André 

Carlos André, João Mossoró alcunhado por Sibito( segundo o Kydelmir Dantas e ele, apelido dado por Luiz Gonzaga quando ele trabalhou com o rei do baião), e Hermelinda Lopes.
Amigo Mendes,

a "Praça dos Seresteiros" é Cultura Popular, e como a nossa cidade de Mossoró é considerada a capital da cultura popular do Rio Grande do Norte, essa Praça a muito que já era para estar pronta, em homenagem, não somente ao Cocota, mas toda classe artística  de nossa cidade. Ali, pretendemos fazer um pequeno palco, e nas paredes, colocaremos quadros dos grandes do Rádio na época como: Paulo Gutemberg, Genildo Miranda e tantos outros. Todos serão lembrados.

 Da esquerda para direita: José Renato, sobrinho de Paulo Gutemberg, Nilo Santos, radialista e Paulo Gutemberg, todos já falecidos.

..., Carlos Augusto Rosado da família numerada de Mossoró, José Genildo de Miranda, ... e Dr. Jerônimo Dix-huit Rosado Maia ex-senador e ex-prefeito de Mossoró.

No paredão da barragem faremos caricatura de todos os artistas da terra. Ali também serão colocadas algumas mesas, com a seguinte inscrição: "MESA DA FAMA", com nomes de seus artistas que se destacaram no cenário artístico Nacional. (A título de ilustração, nos Estados Unidos da América, existe a calçada da fama).

Na praça será um dia o encontro de toda classe artística da cidade. Por cima da barragem, teremos que fazer, de acordo com o projeto, uma ponte de madeira, tipo passarela, por cima da barragem, ligando o local onde fica a ARTE DA TERRA" e a "PRAÇA DOS SERESTEIROS." Quem estivesse na Arte da Terra, não precisaria pegar o carro e dar a volta até a Praça, e sim, atravessaria a passarela. Esta passarela teria (e tem) um toque turístico cultural, com o rio cheio, então que seria bonito ficar na passarela bem em cima da barragem. Logicamente, que aos lados da passarela, teremos uma proteção aos lados fechados, para evitar alguma surpresa de algum descuido. 

Rio Mossoró quando está cheio é assim
http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/despoluicao-nao-depende-so-de-mossoro/43104

A Praça dos Seresteiros às sextas-feiras, teremos Mossoró ao Luar, com Seresta, e as quartas-feiras à noite do chorinho com artistas da terra. Será incluído também uma lanchonete barzinho, que ainda estou estudando o nome bem popular que se identifique com o local.

Vamos se falando quando surgirem outras lembranças.

Grande abraço.

Oséas Lopes (Carlos André)
Tel. 55 (81) 3422.0605 / (81) 9121.4485

ADENDO - http://blogdomendesemendes.blogspot.com

Agora só falta a prefeita Rosalba Ciarlini ter interesse para executar esta obra que a população de Mossoró tanto espera por sua construção. 

Este material foi enviado pelo próprio cantor Carlos André.

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MATERIAL DO ACERVO DO PESQUISADOR DO CANGAÇO GEZIEL MOURA


Veja esta matéria com Sinhô Pereira Elenildo publicada na Revista Manchete de 1977.


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COMO ERA LÍDIA? | O CANGAÇO NA LITERATURA #57

https://www.youtube.com/watch?v=V_HZYlBcEpA&feature=youtu.be

Publicado em 20 de jul de 2017
Estamos vendendo o livro Volta Seca. Pergunte-me como comprar!

Olá Volantes e Cangaceiros de toda Nação! Hoje fomos a fundo e tentamos debater a real feição da mais bela cangaceira: Lídia de Zé Baiano. Acompanhem nosso programa. Tá gostando?
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UM DIA MUITO ESPECIAL.

Por: Neymara Lima
Prof. Msc. Otoniel Fernandes da Silva Júnior, Profa. Msc. Maria José Costa Fernandes, Geógrafa Neymara Lima e o Prof. Msc. Tacísio Silveira Barra

Um dia muito especial: Defesa da minha monografia, intitulada: A PRÁTICA DOCENTE DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA E SUA INFLUÊNCIA NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DOS ALUNOS NO ENSINO FUNDAMENTAL.



Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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quinta-feira, 20 de julho de 2017

OS OLHOS DOS GOVERNOS

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de julho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.696

Não existe história de Alagoas sem a cana-de-açúcar que caracterizou os primeiros movimentos agrícolas no estado. E com os engenhos iniciais e a expansão da lavoura canavieira, misturam-se as narrativas escravagistas, nódoa não retirável dos nossos acervos. Modernizando-se o engenho, usina toma conta como nova denominação no fabrico do açúcar. Passa o senhor-de-engenho a chamar-se usineiro, mas permanecem as extensas propriedades produtoras de cana deixando Alagoas como produtor destaque. Todavia, é sabido que a monocultura não é coisa de muita garantia, uma vez que sempre houve altos e baixos na balança mundial quebrando seus produtores. Os exemplos estão aí por todas as partes com o café, o açúcar e a borracha no Brasil.
A choradeira no campo dos canaviais não é de hoje chegando até a provocar a titulada Guerra dos Mascates.

Plantação de eucalipto. Foto: (Agência Alagoas).

Visando a diversificação da cultura canavieira, vamos apreciando e apontando novas paisagens nos tabuleiros com o plantio do eucalipto que a exemplo da própria cana-de-açúcar, vai aos poucos se expandindo em outro cenário.

Registramos inúmeras pessoas à margem da pista colhendo feijão-de-corda de enorme área que antes pertencia à cana. Esse feijão aparece sendo vendido no comércio de Maceió, onde muitas vargens são debulhadas na hora da venda.

Pelo que estamos entendendo, porém, a grande aposta para o futuro agrícola dos tabuleiros, além do eucalipto, é a produção de milho e soja. E até existe um modo de pensar que se toda a produção de cana fosse substituída por feijão comum e milho, talvez os preços estivessem sempre ao alcance da pobreza pelo volume produzido anualmente. Mas logo outro raciocínio se contrapõe. Sendo o maior abastecedor de alimentos do mundo, todos esses grãos iriam ser exportados e nós permaneceríamos como antes.

Seja como for, enquanto são investidos milhões pelo governo e particulares na produção de milho e soja na Zona da Mata, continuamos sem o algodão que erguia o sertanejo nos antigos meses de setembro.
Fecharam todas as algodoeiras e nos deixaram apenas às terras exauridas que não produzem mais nada. Nem mandacaru.


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POÇO REDONDO: GESTÕES E GESTORES

*Rangel Alves da Costa

Desde a primeira eleição até o presente, por Poço Redondo já passaram nada menos que doze prefeitos: Artur Moreira de Sá, Eliezer Joaquim de Santana, Durval Rodrigues Rosa, Cândido Luís de Sá, Alcino Alves Costa, João Rodrigues Sobrinho, Roberto Godoy, Ivan Rodrigues Rosa, Enoque Salvador de Melo, Maria Iziane, Roberto Araújo e Júnior Chagas. Este último ainda em pouco mais da metade do primeiro ano de mandato.
Logicamente que alguns destes foram eleitos mais de uma vez para a gestão municipal, a exemplo de Alcino que saiu vitorioso em três eleições e foi o político com mais tempo de mandato. Enoque Salvador também foi eleito três vezes, porém renunciou quase na metade do terceiro mandato. Durval Rodrigues foi eleito uma segunda vez após ter sido forçado a renunciar em 1964.
Impossível dizer quem trabalhou mais ou trabalhou menos, quem fez mais ou fez menos por Poço Redondo. As paixões e os fanatismos políticos impedem que se faça qualquer consideração a esse respeito. Afirmar que um foi o melhor gestor é o mesmo que puxar briga com alguém ainda apaixonado por outro gestor. Igualmente se diga com relação àquele ou aqueles que não conseguiram atender os anseios da população e, por isso mesmo, passaram ser deixar muitas saudades.
Na verdade, todos deixaram importantes históricos de realizações. Alguns prefeitos ficaram reconhecidos como bons ou excelentes administradores, outros como administradores para si mesmos e seus grupos políticos, e ainda outros como excelentes gestores pessoais, vez que administraram com excelência seus próprios interesses. Há de se considerar também que é muito mais fácil ser prefeito de um município com menos problemas, como no passado, do que a partir de anos mais recentes, quando houve um enorme crescimento populacional e as demandas passaram a ser muito maiores.
Não há prefeito, contudo, que consiga realizar ao menos um terço daquilo que é prometido em eleição. E não realiza por dois motivos: pelo exagero nas promessas e pela impossibilidade mesma de cumprir. Neste sentido, descabido até que a legislação eleitoral exija dos candidatos um plano de governo. Ora, a governabilidade de um município depende de seus recursos, dos meios financeiros que são disponibilizados, e não do que foi colocado em papel antes mesmo da eleição. O que adianta constar de um plano de governo aquilo que é impossível ser realizado?
A verdade é que prefeitos de um passado mais distante e que geriam o município basicamente com o Fundo de Participação dos Municípios - FPM, nem por isso deixavam de realizar grandes obras. Mas parece que tudo foi diminuindo a partir do instante em que os recursos foram sendo maiores, pois provenientes de diversas fontes, e até com destinações específicas, como ocorre com os recursos próprios da saúde e da educação. Além disso, por muito tempo Poço Redondo sequer parecia que recebia qualquer tipo de recurso, pois propagado pelos próprios gestores como o mais pobre do mundo, o mais feio, o mais faminto, o mais esquecido da sorte.
De qualquer forma, a verdade é que, igualmente ao propalado período de trevas da Idade Média, por muito tempo Poço Redondo permaneceu em estado de plena letargia ou sonolência administrava. Contentou-se por muito tempo em mostrar o município e a população como aqueles comendo palma, esfarrapados, numa miséria sem fim. Sim, Poço Redondo sempre foi economicamente desfavorecido, mas não naquela proporção descabida e alardeada por aquelas que deveriam negar os fatos.
Durou, pois, cerca de vinte anos a Idade Média de Poço Redondo. Para uma melhor ideia disso, até 31 de dezembro de 2016, as grandes obras do município ainda continuavam sendo aquelas de mais de vinte anos. Significa dizer que neste período pouco ou quase nada foi feito que permanecesse como exemplos de administrações comprometidas com o bem-estar, a qualidade de vida da população e o desenvolvimento da cidade e das povoações.
Sobre o administrador atual, ou sobre a gestão atual, toda e qualquer referência não passará de mero exercício de precipitação. E nunca é bom especular quando o gestor, ao menos até o presente momento, tem demonstrado que se elegeu não para o continuísmo da inércia ou da omissão. Tem transformado aqui e ali. E seu trabalho ganha ainda maior visibilidade exatamente por estar trazendo alguma luz após aquele período de trevas.

Escritor
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COMPANHEIRISMO

Por Francisco de Paula Melo Aguiar

O que é companheiro? É um adjetivo substantivo masculino, aquele que e/ou o que acompanha, segue, faz companhia e/ou vai e/ou anda em companhia de alguém. Portanto, enquanto substantivo masculino, companheiro significa que é o individuo que participa das ocupações das atividades, das aventuras e/ou do destino de outro individuo. O grau de companheiro representa uma síntese histórica e doutrinária do obreiro da arte real para ascender o mais alto grau maçônico e que teve origem a partir de 1670.
               
O termo companheirismo vem de “companheiro” e/ou de companhia, andar e/ou estar com alguém. Tem origem epistemológica do latim “cum”, igual a “com” mais “Panis”, igual a pão, no sentido e/ou significando o grupo social e/ou comunidade que repartia o pão entre si, literalmente falando. Isso tem sentimento de solidariedade e/ou de simpatia, que direta e/ou indiretamente nasce naturalmente entre os indivíduos que matem entre si freqüência em termos de contatos e/ou de convivência e/ou sentimentos análogos. Ainda que por mera suposição e/ou criação quer dizer que existe no mínimo uma afinidade de gosto, de opiniões e/ou de atitudes entre os membros grupais envolvidos e/ou interagindo entre si com os mesmos objetivos e atitudes solidárias.
             
A convivência é a interação social fundamental de todo e qualquer grupo social, comunitário, filosófico, sociológico e associativo. É a raiz que mantém de pé toda e qualquer afinidade de gosto e respeito à religiosidade e a afiliação partidária social partidária ideológica alheia. Cada indivíduo tem o direito de ser único e diferente em todos os aspectos formais e informais, diante de sua condição humana e social. É ser livre em sua plenitude segundo a ética vivencial e emocional do grupo.
               
A solidariedade é menor que ter amizade, porque ter amizade implica necessariamente em ter laços afetivos sólidos, o que poderá não obrigatoriamente se dirigir e/ou se conduzir, enquanto processo solidário.
               
É por isso que nem sempre é fácil de achar no meio da rua, bons e fies companheiros, para tanto se exige um processo lento observacional em termos de escolhas, haja vista que os indivíduos portadores de caráter fraco sempre se deixam arrastar, inúmeras vezes, por outras pessoas que na realidade são perniciosas em termos sociais, éticos e morais. Em sentido particular, o termo amizade é direcionado e/ou empregado no sentido da intimidade conjugal de fato existente entre marido e mulher, algo nunca firmado em qualquer tipo de contrato matrimonial, por exemplo.
            
Assim sendo, companheirismo, companheiro e/ou companhia tem diversos significados, inclusive aquele que se refere ao ato humano de repartir o mesmo pão. O companheiro maçom deve aprender usar as seis ferramentas e/ou faculdades indispensáveis na construção da arte real: o malhete, o cinzel, a régua, o compasso, a alavanca, e o esquadro. Por fim, o companheiro maçom necessariamente em sua viagem deve procurar a sétima faculdade essencial e/ou central, referente a letra “G”, portanto, a sétima letra do alfabeto latino, de onde virá o conhecimento perfeito que o levará ao Magistério da Arte Real.


Enviado pelo autor Francisco de Paula Melo Aguiar

O CLIMA ESQUENTA ENTRE LAMPIÃO E CORISCO

Por Geraldo Júnior
Vídeo produzido pela Aderbalvídeo do cineasta Aderbal Nogueira - https://www.youtube.com/watch?v=FXuh6e4MRr0&list=UUG8-uR9AwvjAzQddbT3t3fg

Nesse documentário Sílvio Bulhões filho do casal cangaceiro Corisco e Dadá, fala sobre um episódio envolvendo Corisco e Lampião.

Um desentendimento entre o Rei do Cangaço e o Diabo Loiro que mudou o rumo da história e que causou a saída de Corisco do bando principal.

A partir de então Corisco forma seu próprio bando cangaceiro e passa a atuar de forma "independente"... porém sem deixar de manter sua relação de amizade, respeito e de negócios com Lampião.

Assistam esse depoimento.

Produzido pelo Mago das lentes cangaceiras Aderbal Nogueira (Laser Vídeo - Fortaleza/CE)


Publicado em 20 de jul de 2017
Sílvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá, narra um fato ocorrido entre Corisco e o cangaceiro Volta Seca.
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ADEUS A VINGT-UN ROSADO!

 Por José Romero Araújo Cardoso

Quinta-feira, dia 15 de dezembro de 2005, foi a última vez que vi o velho Vingt-un Rosado com vida. Ele me pareceu estranho, mais agitado e com um cansaço bem visível, diferente das outras vezes que o encontrei se queixando de sucessivas crises noturnas da velha e teimosa angina.

Vingt-un estava abatido, sem ânimo e ofegante, como fosse um prenúncio do que não queríamos nunca que tivesse acontecido. Conversamos um pouco sobre os novos títulos programados para serem lançados pela Coleção Mossoroense, tendo o velho mecenas, em seguida, pedido licença para se recolher aos aposentos, alegando desânimo absoluto.

Coleção Mossoroense - http://alinelinhares.com.br/category/blog/page/325/

Minha preocupação aumentou quando soube que Vingt-un havia sido internado com urgência na UTI do Dr. Bernardo Rosado. Em seguida, minhas preocupações se redobraram quando se cogitou da necessidade de levá-lo a Natal, para tratamento mais sofisticado.

Tínhamos programado mais ênfase às publicações da Coleção Mossoroense em razão de descortinar-se horizontes múltiplos quanto às futuras viabilizações às edições dos amados títulos que enriqueceriam a batalha da Cultura.

Vingt-un rosado http://www.blogdogemaia.com/detalhes.php?not=741

Vingt-un começou a concretizar o sonho espetacular da cultura brasileira quando Dix-sept Rosado assumiu a chefia do executivo mossoroense, no longínquo ano de 1948. Vingt-un e América iniciaram impressionante cruzada em prol da efetivação de Bibliotecas Públicas na capital do oeste potiguar, bem como lançando o embrião da Coleção Mossoroense, com o Boletim Bibliográfico.

Professora América Fernandes Rosado Maia - O saudoso professor Vingt-un Rosado costumava dizer que “descobriu a América em Minas Gerais”.- www.blogdogemaia.com - http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com.br/2014/03/cachorros-na-biblioteca-do-dr-vingt-un.html

A partir disso, Vingt-un foi gradativamente se consolidando no cenário cultural brasileiro com a edificação do mais brilhante capítulo da inteligência nacional, lançando anualmente dezenas de títulos, intuindo instruir e difundir a arte, a ciência e a cultura.

Vingt-un cumpriu brilhantemente sua missão digna e nobre. Ele se transformou em um dos maiores baluartes das letras pátrias, levando a marca indelével de Mossoró a plagas distantes, tornando-se respeitado e imortalizado em múltiplos setores, incluindo, entre estes, efetiva e importante contribuição à estruturação do ensino superior na terra de santa Luzia do Mossoró.

Jerônimo Rosado e Isaura Rosado Maia -http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2017_07_13_archive.html

Filho caçula dos paraibanos Jerônimo Rosado e Isaura Rosado Maia, Vingt-un foi acima de tudo um homem bom, extraordinário e completo. Absoluto na pureza do coração, e, indelevelmente eterno, na expressão literal do termo.

Não acreditei quando fui informado que Vingt-un havia falecido, justamente no dia 21 de dezembro. Todos estávamos nos preparando para mais um Natal cheio de alegrias, mas Vingt-un se foi. Foi chamado pelo Pai Celestial, pois sua missão estava concretizada extraordinariamente.

Convivi durante quase oito ininterruptos anos com Jerônimo Vingt-un Rosado Maia. Ele me convidou para assessorá-lo quando de minha fixação na capital do oeste potiguar a partir de 1998. Colaborei com Vingt-un a fim de que a Batalha da Cultura tivesse sua ênfase. Orgulho-me de ter feito parte de sua equipe, fomentando a dinâmica da Coleção Mossoroense.

Vingt-un Rosado, sinônimo de visão e clarividência. Vingt-un, sinônimo de cultura e amor ao próximo. Acompanhei-o em duas ocasiões em viagem à Paraíba, quando ele resolveu doar mais de duzentos livros da sua amada Coleção Mossoroense às Secretarias de Educação e Cultura dos municípios sertanejos de Pombal e Catolé do Rocha.

Benedito Vasconcelos Mendes e sua esposa Suzana Goretti. Ela está comemorando aniversário hoje, 20 de julho de 2017 - http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2017_02_16_archive.html

Vingt-un deixa muitas saudades. É difícil para todos nós que buscamos valorizar a cultura continuar as batalhas sem a presença do grande engenheiro agrônomo que se igualou a Guimarães Duque, José Augusto Trindade, Benedito Vasconcelos Mendes, Eloi de Sousa, Felipe Guerra, Tércio Rosado, entre outros, no que tange ao amor ao nordeste e na busca de soluções para os problemas dramáticos que afligem o povo sofrido dos rincões esquecidos da terra do sol.

O solo turoniano de Mossoró deve se sentir orgulhoso em receber tão ilustre personalidade que Deus chamou para a eternidade. Vingt-un Rosado descanse em paz meu querido velho, pois tenhas certeza que sua passagem iluminada por este plano foi coroada com todos os êxitos.
José Romero Araújo Cardoso

(*) José Romero Araújo Cardoso. Professor adjunto do departamento de geografia da UERN e assessor da Fundação Vingt-un Rosado/Coleção Mossoroense.


Enviado pelo autor José Romero de Araújo Cardoso

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04 DE MARÇO DE 1926...

Por Geraldo Júnior

... Lampião e seu bando chegam à cidade do Juazeiro do Norte/CE à convite do Padre Cicero Romão Batista e do deputado Floro Bartholomeu.

Deputado Floro Bartolomeu

Lampião recebe a polêmica e controversa patente de Capitão com o intuito de combater a coluna de revoltosos militares liderada por Luiz Carlos Prestes e Miguel Costa, que naquele momento marchava pelo país difundindo o comunismo.

Luiz Carlos Prestes

O texto abaixo de autoria do Médico/Pesquisador e Escritor Magérbio Lucena explica com maiores detalhes essa história.

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2012/03/o-estado-maior-do-cangaco-porcicinato.html

No dia 2 de janeiro de 1926, o deputado federal Floro Bartolomeu, eleito com os votos do Padre Cícero, chegava de trem a Juazeiro do Norte, designado pelo presidente da República, Arthur Bernardes, para impedir que a Coluna Prestes invadisse o Sul do Ceará.

Vinha acompanhado pelo major Polidoro Coelho que, no mesmo dia, partiu para Campos Sales à frente de 360 soldados do Exército. Floro ficou no Juazeiro para organizar os chamados Batalhões Patrióticos, exército particular com mais de mil jagunços. No dia 9 de janeiro de 1926, a tropa irregular partiu para Campos Sales. Chegando àquela cidade, muito cedo, Floro desentendeu-se com o major Polidoro que retirou-se com sua tropa para Fortaleza, deixando os patriotas sozinhos para lutarem contra os mais de 2.000 soldados invencíveis da Coluna. Foi nesse momento de apreensão que o coronel Pedro Silvino, chefe do Estado maior de Floro, trouxe à sua presença João Ferreira dos Santos e seu irmão Ezequiel Ferreira. João era um dos contratados para transportar os carregamentos de munição, mas o que era mais interessante é que ele era irmão do mais célebre dentre todos os cangaceiros do sertão, Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. Chegou-se à conclusão que o cangaceiro, cujo nome era uma legenda de valentia, deveria ser convocado. O posto seria de capitão comissionado e, se bem sucedido na campanha, receberia do presidente da República o indulto pelos seus crimes. O convite veio de Campos Sales para Juazeiro, em mãos do rábula José Ferreira de Menezes. Lampião era muito sagaz e se, além da assinatura de Floro, a carta não tivesse a do Padre Cícero, ele jamais atenderia ao convite. Um dos empregados de João Ferreira, por nome Zé Dandão, viajou então para a Fazenda Piçarra, em Macapá, hoje Jati, onde morava Sebastião Paulo, primo legítimo de Lampião e juntos, com o convite a tiracolo, foram para o Pernambuco à procura de Lampião. Ainda hoje, há quem afirme que foi o tenente Francisco das Chagas o encarregado de procurar Lampião, o que não é verdade. Esse senhor ficou em Campos Sales e no dia 22 de Janeiro de 1926, quando a Coluna Prestes invadiu o Ceará pela região dos Inhamuns, participou da perseguição aos revoltos através do Ceará, Paraíba e Pernambuco indo encontrar-se com o célebre cangaceiro somente em fins de fevereiro daquele ano, quando então falou com Lampião sobre o assunto. No dia seguinte, Floro telegrafou para o rábula José Ferreira em Juazeiro: 

“comunique ao nosso amigo, que não é preciso mais Lampião, povo já seguiu perseguição revoltosos”. 

No mesmo dia, gravemente enfermo, empreendeu sua última viagem, de Campos Sales para o Rio de Janeiro, aonde viria a falecer às 5 horas da tarde do dia 8 de março de 1926, com 50 anos de idade.


Lampião recebeu o convite ainda em Janeiro. Conversou sobre o assunto com o célebre coronel Manoel Pereira Lins, vulgo Né da Carnaúba, líder da família Pereira do Pajeú, seu amigo, que confirmou a autenticidade do documento. Por isso, quando se encontrou, por acaso, com o tenente Chagas, que voltava com seus homens para Juazeiro, resolveu acompanhá-lo. Seria mais seguro ir àquela cidade em companhia de uma das tropas do Batalhão Patriótico. Por essa época, a Coluna Prestes já estava atravessando o rio São Francisco em direção à Bahia. No dia 2 de março de 1926, Lampião, vindo de São José de Belmonte, entrou no Ceará pelo distrito de Macapá, hoje Jati, aonde confraternizou com um destacamento da polícia do Ceará, sob o comando de tenente Veríssimo, que o presenteou com um Smith & Weston “novinho em folha”. No dia seguinte, amanheceram na Fazenda Piçarra, de Antônio Teixeira Leite, onde almoçaram mais de 100 pessoas entre cangaceiros e soldados do Tenente Francisco Chagas. Daí rumaram para o Sítio Laranjeiras, de Antônio Pinheiro, onde todo o grupo pernoitou. No dia seguinte, uma quinta-feira, ainda escuro, a tropa mista prosseguiu viagem para a serra-do-mato, do coronel Antônio Joaquim de Santana, amigo e coiteiro de Lampião. Ainda em Barbalha Lampião recebeu uma carta de Juazeiro do Norte enviada por um certo Dr. Pedro de Albuquerque que dizia não ser mais necessária a sua presença naquela cidade. O cangaceiro ignorou a mensagem e, à tardinha, chegou aos arredores da Meca do Cariri ainda acompanhado do tenente Chagas, ao todo 23 cangaceiros e mais de 70 patriotas. Acomodou-se, então, com seus homens, na Fazenda Nova, pertencente a Floro. O delegado local, sargento José Antônio da Coan, começou a reunir homens armados para atacá-lo, mas foi, de imediato, repreendido pelo Padre Cícero que lhe disse que Lampião estava ali a convite do Dr. Floro para prestar seus serviços ao governo federal. Na verdade, já se havia preparado, com antecedência, um sobrado na rua da Boa Vista para acomodar o bando. Na calçada em frente ficava a casa do seu irmão João Ferreira, casado com dona Joaninha, quase vizinho às casas de dona Maria Ferreira, sua irmã, casada com Pedro Queiroz, onde moravam também Ezequiel e Anália, solteiros, e de Angélica Ferreira, casada com um rapaz do Rio Grande do Norte chamado Virgílio Fortunato. Já tarde da noite, o bando veio hospedar-se no hotel improvisado que pertencia ao poeta João Mendes. Na noite seguinte, o Padre Cícero foi ao seu encontro, em um automóvel dirigido por Mestre Luiz, em companhia do rábula José Ferreira e de José Gonçalves, chefe de sua segurança pessoal. Depois de muito conversarem, o Padre mandou convidar o funcionário do Ministério da Agricultura, Pedro de Albuquerque Uchoa, pessoa muito querida da sociedade local, muito culto era, quase que o orador oficial de todas as solenidades importantes da cidade, para participar da reunião.

Em uma folha de papel almaço foi elaborado um documento que nomeava Virgulino Ferreira da Silva capitão comissionado dos Batalhões Patrióticos. Tal patente seria obviamente de caráter provisório e teria a duração da finalidade e da existência dos referidos Batalhões. Na verdade, a patente era semelhante as que haviam sido entregues aos demais oficiais comissionados na época assinadas por Floro, mas como o deputado não estava presente, a mesma teve que ser assinada por Pedro Uchoa, único funcionário federal presente. Redigida em 5 de março de 1926, foi datada de 12 de março do mesmo ano, assim só teria validade quando o agora defensor da legalidade estivesse com seus homens longe do Juazeiro cumprindo a missão assumida, eufórico, mostrando por onde passava o documento que, para bem da verdade, esteve nas mãos de muitos homens de bem que confirmariam depois a sua real existência. Louvável a atitude do Padre Cícero sob todos os aspectos, senão vejamos: Como político, o referido sacerdote foi prefeito do Juazeiro de 1911 a 1929, com breve período de ausência durante o Governo Franco Rabelo. Correligionário do presidente Arthur Bernardes, e maior líder político do Ceará, não poderia deixar de lançar mão de todo e qualquer recurso necessário ao combate eficiente ao avanço da Coluna Prestes. Como amigo não poderia deixar de colocar sua assinatura ao lado da de Floro, a pedido deste, nem na sua ausência deixar de substituí-lo na recepção a Lampião, nem na concessão da patente por ele prometida. Afinal Lampião nas estradas era uma ameaça constante para milhares de romeiros que lhe faziam doações de centenas de contos de réis todos os anos para suas obras de caridade cristã. Existem estudiosos, no entanto que afirmam que um santo como o Padre Cícero seria incapaz de tal atitude e afirmam que tudo foi uma brincadeira urdida por Benjamim Abraão, secretário do Padre Cícero, e Pedro Uchoa para enganar Lampião. Na verdade ninguém no Juazeiro, por medo de Floro, por respeito ao Padre Cícero, enfim por termos de uma reação futura do Rei do Cangaço teria coragem de fazer tal brincadeira de mau gosto. Mas, voltemos ao fio à meada, no dia seguinte Lampião recebeu dezenas de fuzis do Exército e farta quantidade de munição, além da indumentária necessária e demais equipamentos indispensáveis a sua tropa. A tarde concebeu uma demorada entrevista ao médico cratense, Dr. Otacílio Macedo, irmão do brigadeiro Macedo, e se deixou fotografar com seus familiares e com seu bando pelo senhores Lauro Cabral de Barbalha e Pedro Maia do Crato. No dia seguinte, um domingo, deixou a cidade do Padre Cícero rumo a Pernambuco, passou pelo Caldas em Barbalha, por Jardim e, enfim, entrou na sua terra natal pelo município de Serrita. Agora acompanhado por quase 100 homens armados. Em pouco tempo desistiu de perseguir a Coluna Prestes, quando foi informado que, por uma boca só, todos os oficiais da Polícia pernambucana afirmava que o atacariam aonde quer que o encontrassem. Inconformado com a situação, o capitão Virgulino Ferreira atravessou novamente a fronteira para o Ceará para pedir o apoio do Padre Cícero, às 8 horas da noite do dia 8 de abril, acompanhado por oito homens e, a cavalo, atravessou o município de Barbalha em direção a Juazeiro do Norte e só na tarde do dia 10 de abril de 1926 estava de volta. Para a imprensa, o Padre Cícero, que vinha sendo muito criticado pela recepção ao cangaceiro, afirmou que se recusara a recebê-lo embora admitisse seus bons propósitos. Para Antônio da Piçarra, Lampião afirmou que foi recebido pelo Padre Cícero na noite do dia 9 de março de 1926, noite de muita chuva em que a água dos pequenos riachos encostava na barriga dos cavalos. O padre que veio de automóvel dissera-lhe que não podia obrigar a polícia de Pernambuco a aceitar a sua patente e que não podia fazer mais nada; Floro morrera, os batalhões tinham sido desmobilizados e que a Coluna Prestes se encontrava em Goiás, que ele deveria dissolver o bando e ir embora para bem longe, recomeçar a vida e ser feliz e que, se assim não o fizesse, que pelo menos não mais bulisse com seus romeiros nem com o estado do Ceará. A imprensa da época noticiou que o bandido voltou furioso para o Pernambuco ameaçando atacar Barbalha na sua passagem por aquele município, o que não passou de alarme falso. Quando chegou à terra natal, já estava roubando e sequestrando por resgate.

Voltara a ser o Rei do Cangaço no Sertão, embora durante o resto da sua vida tenha se autodenominado Capitão Virgulino Ferreira da Silva. Em toda sua carreira de cangaceiro, Lampião chegou ao Juazeiro com o Padre Cícero, ao ponto mais próximo de sua reabilitação: a regeneração do cangaceiro, que teria sido uma das estrelas mais brilhantes da coroa do venerado sacerdote.

Magérbio de Lucena médico e escritor, autor do livro “Lampião e o Estado Maior do Cangaço”.


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