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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Manoel Flor, o Guerreiro do Bem Parte I

Por Junior Vieira

Cel. Manoel Flor

Tem muita coisa que o tempo
Carrega, leva e não trás
Mas algumas sobrevivem,
Ninguém esquece jamais,
Falemos do Coronel
Manoel de Souza Ferraz.

Mil novecentos e hum,
A vinte de fevereiro,
Fazenda Campo da Ema
Nasce o nobre brasileiro
E Floresta perfumando
O berço desse guerreiro!

João de Souza Nogueira,
O seu genitor de fé
Era subdelegado
Da Vila de Nazaré
E Dona Angélica Teodora
Sua estimada mulher.

Para dar sorte ao menino,
Seu João Nogueira botou:
"Manoel de Souza Ferraz",
O mesmo nome do avô,
E Florência Felismina
de Sá, era a vovó "Flor"!
  

Vamos falar da criança,
Abençoado menino
Que cumprindo a profecia
Ou capricho do destino,
Começa o aprendizado
Onde estudou Virgolino!

Veja só como é a vida,
Como o destino é profano,
Dividiram brincadeiras,
Era um viver mano a mano,
Mesma escola e professor
Mestre Domingos Soriano.

Com certeza essas crianças
Nesses encontros frequentes,
Nem podiam imaginar
Que depois de independentes
Tornariam-se rivais
Por caminhos diferentes.

Manoel segue o caminho
Em defesa da moral,
Da honra do sertanejo;
Lampião compra punhal,
Bala, fuzil, mosquetão
E segue o caminho do mal!

Mas vamos voltar no tempo,
De jegue e de pangaré,
Era o transporte que havia
Pra ninguém andar a pé...
Manoel aos dezesseis anos
Já fundava Nazaré!

Aí Manoel Flor tornou-se,
Pelo seu idealismo,
Respeitado e conhecido
Pelo seu grande heroismo,
Por sua luta incansável
Pra acabar o banditismo.

Júnior Vieira


http://cariricangaco.blogspot.com.br/2012/07/manoel-flor-o-guerreiro-do-bem-parte-i.html

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CANGAÇO NO RIO GRANDE DO NORTE - A HISTÓRIA QUE NÃO FOI CONTADA(II)


Quando um dia se fizer um acurado levantamento de fatos considerados históricos, atinentes à investida de Lampião e seu bando ao Rio Grande do Norte, restará provado e comprovado que muitas pessoas que viveram a contemporaneidade desses fatos, incorreram em oluntariosa omissão, negando-se a darem seus depoimentos a pesquisadores/historiadores, cujos depoimentos seriam de suma importância para o cotejo das provas. Esquivaram-se sob a pusilânime assertiva de que omitiam-se "por medida de cautela, ocultando evidências que, segundo suas pérfidas óticas, seria natural em quem revolve acontecimentos de ontem, com perspectivas hodiernas de trazer à tona fatos adrede combinados para serem "guardados à sete chaves", como se diz no sertão.

A partir do ano de 1915 foi instalado o clima de terror no município de Apodi, quando aportaram em Apodi os truculentos Srs. Martiniano de Queiroz Porto, oriundo da serra do Pereiro, no Ceará, e Juvêncio Augusto Barrêto, ambos trazendo seus jagunços, geralmente composto por celerados fugitivos da Justiça. Martiniano fixou residência na cidade, onde comprou um prédio residencial assobradado, onde escondia seus capangas. Juvêncio oriundo da cidade de Martins, onde renunciara ao cargo de Vereador, tendo se instalado em uma fazenda que comprara e que era denominada de "Unha de Gato", onde transformou em coito para vários cangaceiros, destacando-se Massilon Leite e Júlio Porto, então adolescente criado por Martiniano Porto. O nome civil de Júlio era Júlio Santana de Melo, tendo adotado o sobrenome Porto em homenagem à Martiniano Queiroz Porto. A vinda desses dois virulentos senhores para o Apodi deu-se em atendimento ao convite feito por Felipe Guerra e seu cunhado Tilon Gurgel, para cerrarem acirrada oposição política ao Coronel João Jázimo Pinto.
  
Coronel Tilon Gurgel do Amaral  - fonte: honoriodemedeiros.blogspot.com

Um fato que corrobora o gênio irascível e virulento do Sr. Felipe Guerra atrela-se à minudência de que, em toda sua trajetória de Juiz de Direito e de Desembargador passou mais tempo em disponibilidade do que mesmo no exercício da função judicante. Formou-se uma trinca sinistra no judiciário estadual, com atuação na região Oeste do estado, composta pelos truculentos Juízes de Direito Horácio Barrêto, (Sobrinho de Juvêncio Barreto) que ocupou a comarca de Pau dos Ferros, no período 1901-1915, onde casou com uma moça da família Diógenes, Felipe Guerra, José Fernandes Vieira (genro de Martiniano Porto) e João Francisco Dantas Sales. 

Os ânimos desse conluio de Magistrados foram acirrados com a investidura de Ferreira Chaves no governo estadual para o período 1914-1919, sendo certo que em 1919 Ferreira Chaves promoveu para Desembargadores os magistrados Horácio Barreto, sobrinho de sua esposa Alexandrina Barreto, e Felipe Guerra, que por sua vez convidou o seu amigo íntimo o Juiz de Direito João Francisco Dantas Sales para ocupar a Comarca do Apodi, consumando um plano adrede traçado para que este Juiz perseguisse a harmoniosa e pacífica hoste política da tradicional família PINTO, comandada pelos Coronéis João Jázimo Pinto e seu genro Coronel Francisco Pinto. Felipe Guerra era casado com uma irmã do não menos truculento Tilon Gurgel. 

O período da titularidade do Juiz João Francisco Dantas Sales (1922-1925) transformou a região do Apodi em palco de toda sorte de atentados à integridade física e à propriedade privada. Esse magistrado transformou sua residência em coito para os celerados Benedito Saldanha e seu irmão Quinca Saldanha, famosos chefe de grupo de cangaceiros instalados em Caraúbas, em sua fazenda denominada de "Setúbal". O douto Juiz chegou ao disparate de acoitar em sua residência a um arruaceiro de nome Manoel Elias de Lima, que acabara de praticar uma tentativa de homicídio dentro do mercado público de Apodi, quando alvejara com um tiro de revólver o cidadão Vicente Gomes de Oliveira. Observava-se às escâncaras o conúbio criminoso-protetivo existente entre o Juiz João Dantas Sales e os Chefes de cangaceiros Décio Holanda/Tilon Gurgel, Martiniano Porto/Juvêncio Barrêto, Benedito Saldanha/Quinca Saldanha.

Há um fato emblemático contido no Processo-Crime de Nº 486/1925, (Comarca de Apodi) em que aparece como indiciado o celerado Décio Holanda, cujo nome civil era Décio Sebastião de Albuquerque, e que representa um liame com o ataque de Lampião e seu grupo à Mossoró. Trata-se do depoimento do respeitável cidadão Vicente Gomes de Oliveira, prestado a 03.05.1925, que dentre outras arguições, afirmou: " Que é público e notório nesta cidade do Apodi, que Décio Sebastião de Albuquerque comprou em Mossoró dois mil cartuchos com balas para rifle e que estão depositadas em sua propriedade "Pedra das Abelhas" neste município.

Na época correram rumores que a compra do arsenal bélico feita pelo Décio fora intermediado por Felipe Guerra e Jerônimo Rosado. Que Décio tem em sua casa de residência, na residência de seu sogro Tilon Gurgel e na casa de Belarmino de Tal, tudo na mesma propriedade "Pedra das Abelhas" e em sua outra propriedade denominada "Pacó" grande quantidade de armamentos e mais munições para o fim de atacar com cangaceiros os habitantes desta cidade amigos políticos do Coronel João Jázimo, ao própiro Cel. João Jázimo, atacando simultaneamente a força pública mandada pelo governador do estado para manter a ordem nesta cidade".

Como o Juiz João Dantas Sales soube no mesmo dia 03 de Maio que o então Delegado Especial Capitão Jacinto Tavares Ferreira ouvira em depoimento o Sr. Vicente Gomes de Oliveira, e que nesse mesmo dia o dito Delegado mandara lavrar Auto de Busca e Apreensão a ser cumprida por um efetivo policial composto por 40 praças e um Sargento no dia seguinte , enviou mensageiro especial para a fazenda "Pedra das Abelhas" avisar aos bandoleiros Décio Holanda e Tilon Gurgel, que neste mesmo dia enviaram o arsenal em comboio animal para a fazenda dos celerados Benedito e Quinca Saldanha, em Caraúbas. O certo é que, efetivamente a 04 de Maio de 1925 a tropa policial dirigiu-se para "Pedra das Abelhas", onde no lugar conhecido como "Saco do barro" houve o confronto entre a jagunçada de Décio Holanda/Tilon Gurgel, evento que inserí nos anais históricos como tendo sido O FOGO DE PEDRA DE ABELHAS, cujo relato foi objeto de artigo publicado em plaquete, pela Coleção Mossoroense, e no Blog "Honoriodemedeiros.blogspot.com".
  
Jerônimo Rosado

A fidagal amizade existente entre Felipe Guerra e Jerônimo Rosado remonta ainda ao ano de 1907, quando cerraram fileiras em Mossoró com o Coronel Vicente Sabóia de Albuquerque (parente de Décio) na luta pela implantação do ramal ferroviário Porto Franco - Mossoró. Em Setembro de 1926 o então Desembargador Felipe Guerra foi posto em disponibilidade, quando então retornou à Mossoró para assessorar o amigo Jerônimo Rosado. Nasceu aí o complô para a vinda de Lampião à Mossoró, com o fito único de eliminar o Prefeito Rodolfo Fernandes e proporcionar a volta do Jerônimo Rosado ao poder municipal. Jerônimo Rosado havia sido Presidente da Intendência Municipal de Mossoró (cargo que em Agosto de 1926 passou a ser denominado de Prefeito) , tendo como Vice-Presidente (Vice-Prefeito) o Dr. Antonio Soares Júnior, médico e genro de Felipe Guerra.

Lembro-me que o meu avô paterno Aristides Ferreira Pinto, (1907-1975) que era irmão legítimo do Coronel Francisco Pinto,(1895-1934) contou-me pormenores da carta enviada pelo irmão ao seu parente Rodolfo Fernandes, informando, dentre outros detalhes, que soubera por fonte fidedigna, de que o arsenal comprado por Décio Holanda em Mossoró no ano de 1925, fora transferido em comboio animal noturno, da fazenda dos Saldanha em Caraúbas, para a fazenda "Bálsamo", de Décio Holanda, encravada na serra do Pereiro, no Ceará. Nos depoimentos dados em Pau dos Ferros pelos cangaceiros MORMAÇO E BRONZEADO foram unânimes em afirmarem que Lampião passou mais de um mês acoitado com o seu bando entre as fazendas de Décio Holanda e seu primo Zé Cardoso, preparando-se para o ataque à Mossoró, e que Lampião recebera de Décio e Zé Cardoso dois mil cartuchos com balas para rifle.

Em uma das edições do Jornal mossoroense "Correio do Povo" consta um comunicado de que o chefe de cangaceiros Benedito Saldanha, dias depois do ataque de Lampião à Mossoró, telegrafara ao então Chefe de Polícia do estadual Dr. Benício Filho (Manuel Benício de Melo Filho) informando que o cangaceiro Coqueiro, que fora um dos cangaceiros que atacara Mossoró, fora morto em sua fazenda "Várzea Grande", proximidades da cidade de Limoeiro do Norte, em confronto com a policia cearense. Soube-se depois que o mesmo fora morto por cangaceiros de Benedito Saldanha, cumprindo o costumeiro processo de "Queima de Arquivo". 

Livro: Massilon(Nas Veredas do Cangaço e outros temas afins) do escritor mossoroense Honório de Medeiros. 

Para maiores esclarecimentos acerca do ataque lampionesco à Mossoró, sugiro a leitura do Blog "honoriodemedeiros.blogspot.com (No ítem CORONELISMO) e adquirir por compra o memorável e elucidativo livro "MASSILON", de autoria do profícuo e renomado historiador do cangaço Honório Medeiros.

Enviado por Marcos Pinto - historiador e advogado apodiense

http://tudodorn.blogspot.com.br/2014/10/cangaco-no-rio-grande-do-norte-historia_26.html

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A TEORIA do " ESCUTO ÉTICO " e, TIPOS DE CANGAÇO...!


O mestre Frederico Pernambucano de Melo adota essa teoria, informando que existiu, os seguintes tipos de cangaço: 

a) Vingança; 

b) Refúgio 

c) Meio de Vida...

Analisando o que foi acima exposto, dê exemplos de cangaceiros que se enquadram, nos tipos acima...

Foto - fonte: Google

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

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MARIA BONITA MORTA, E, SEM CABEÇA, SOBRE O LEITO DO RIACHO...!



MARIA BONITA MORTA, E, SEM CABEÇA, SOBRE O LEITO DO RIACHO...!

Fonte principal: Lampião- O último cangaceiro
Autor: Joaquim Góis (ex-volante)

Fonte: facebook
Página: Robério Santos

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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Décadas de 20 e 30 paradeiro de Lampião e Corisco



Notas no Jornal Correio do Sertão da cidade baiana de Morro do Chapéu.
Durante as décadas de 20 e 30 esse jornal sempre noticiava o paradeiro de Lampião e Corisco.

Fonte: facebook
Página: Liandro Antiques

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MATANÇA DE CANGACEIROS


Matança de cangaceiros, pelo jornal baiano Correio do Sertão de Morro do Chapéu.

Fonte: facebook
Página: Liandro Antiques

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O cantor João Mossoró fará show no dia 1º de Novembro no Rio de Janeiro


O cantor João Mossoró fará show no dia 1º de Novembro de 2014, 
no Rio de Janeiro, no bairro Benfica no"Mercadão Cadegue".
Uma festa portuguesa,  no "Cantinho das Concertinas".



Será uma festa bastante animada, quando o artista cantará as mais lindas canções.

Você que mora no Rio de Janeiro prestigie o artista, participando do seu show.

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Tirando dúvida


Alguns estudantes do cangaço, inclusive eu (vale lembrar que não são todos estudantes, e nem os escritores), aprendemos que nesta foto estão: Enedina, Azulão, Dadá e Sabonete.


Mas o escritor e pesquisador do cangaço João de Sousa Lima informou-me que os cangaceiros desta foto da esquerda para direita são: Durvalina, companheira de Moreno. O de óculos é o companheiro da Durvalina, Moreno. Neném do Ouro, companheira do cangaceiro Luiz Pedro, e o último é o cangaceiro Barra Nova.

Assim está explicado, sem mais dúvida.

Só para memorizarmos.

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Uma Tarde Saudosa...

Por João de Sousa Lima
João de Sousa Lima, Alcino Costa e Ivanildo Silveira

Alcino Alves Costa foi um dos grandes pesquisadores do cangaço. Seus livros são referenciais para quem estuda a parte sergipana sobre o cangaceirismo. Estivemos juntos em várias oportunidades, participando de seminários, palestras e eventos sobre o cangaço. Sempre viajávamos juntos e o acompanhei em sua primeira viagem de avião,  viagem tensa por seu medo de avião,  uma aventura vivida pelo "Decano de Poço Redondo" e que nos proporcionou muitos risos.

Um dos momentos mais marcantes ao lado desse saudoso amigo foi uma visita que eu e Ivanildo Silveira o fizemos em Poço Redondo e que finalizou em uma visita a Maranduba, local de um dos grandes combates entre cangaceiros e volantes. Seguimos os caminhos onde os moradores da região encontram centenas de balas do combate e Alcino chegou a ferir um dos braços. Depois seguimos até a casa de Alcino onde nos serviram um verdadeiro banquete.

Aquela foi uma tarde memorável ao lado do grande e hoje, saudoso amigo. Alcino era uma figura ímpar, daquelas que nunca esqueceremos e que no final da vida, lembraremos com saudade e declarando que a vida valeu ser vivida só pela qualidade de alguns amigos.

João de Sousa Lima, pesquisador e escritor - Paulo Afonso, BA
Sócio da SBEC , sócio do GECC
Conselheiro do Cariri Cangaço

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2014/10/uma-tarde-saudosa-porjoao-de-sousa-lima.html

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JESUÍNO BRILHANTE: HERÓI OU BANDIDO? INTRODUÇÃO.

Por  Honório de Medeiros

De todos os livros de Câmara Cascudo, para mim nenhum é tão belo quanto "Flor de Romances Trágicos". Comecemos pelo título. Se decompormos e reunirmos novamente os termos que o compõem, nem assim ele faz sentido. O que significa "Flor de Romances Trágicos"?

Entretanto é um belo título. Estranhamente belo.

Essa beleza não permite o menor vislumbre acerca do conteúdo da obra. Afinal, se os perfis que Cascudo apresenta são trágicos, com certeza não poderiam, sequer esteticamente, serem considerados romances, bem como não poderíamos denominar "flores" os "outsiders" que o grande escritor apresenta em sua obra. Trágicos, sim, não haja dúvidas... 


Mas o talento enquanto escritor, de Câmara Cascudo, não transparece apenas no título do livro apresentado à nossa leitura e tão representativo do seu olhar inquiridor. Transparece, também, nos perfis desses "outsiders" que ele nos apresenta. Cada um deles é de uma beleza formal e conteudística memorável. 

Toda essa introdução é necessária para dar suporte à afirmação basilar a ser anunciada agora. Devemos à Cascudo, mais que a qualquer outro escritor, aí incluído Raimundo Nonato, a construção do mito de Jesuíno Brilhante enquanto um cangaceiro "gentil-homem".

Recordemos:

"Jesuíno Alves de Melo Calado foi o cangaceiro gentilhomem, o bandoleiro romântico, espécie matura de Robin Hood, adorado pela população pobre, defensor dos fracos, dos velhos oprimidos, das moças ultrajadas, das crianças agredidas.

Sua fama ainda resiste, indelével, num clima de simpatia irresistível. Certas injustiças acontecem porque Jesuíno Brilhante não existe mais. Era o paladino, o cavaleiro andante, sem medo e sem mácula, em serviço do direito comum e natural."

Não fosse a força do seu pensamento, assim como seu talento de escritor, a tradição oral não seria suficiente para construir a imagem de Jesuíno Brilhante que guardamos hoje.

Seria verdadeira essa imagem? Estão corretos os fatos por ele apresentados e interpretados, que ajudou a construir uma versão que se tornou praticamente "oficial" e que pautou a obra de Raimundo Nonato, bem como as que lhe seguiram a respeito do famoso cangaceiro? Para começarmos a responder essa questão o primeiro passo é nos indagarmos acerca de quais foram as fontes nas quais bebeu Cascudo para escrever acerca de Jesuíno Brilhante.

Que fontes foram essas?

Cascudo alude às seguintes fontes em "Flor de Romances Trágicos": o Padre Antônio Brilhante de Alencar (1873-1942) e Hugulino de Oliveira, de Caraúbas, Rn, que a seu pedido ouviu Dona Maria Umbelina de Almeida Castro. Faz referências, também, embora sem informar se foram fontes suas, a seu avô materno, Manuel Fernandes Pimenta, dono da "Fazenda Logradouro", município de Campo Grande, que segundo ele foi amigo pessoal de Jesuíno Brilhante, e sua mãe que,"menina, brincou muitas vezes com as filhas pequenas do valente".

Além disso, claro, o material resultante da recolha da tradição popular, tal qual o "documento popular""ABC de Jesuíno Brilhante", que Rodrigues de Carvalho registrou em "Cancioneiro do Norte"(Paraíba, 1928).

Ou seja, enquanto fontes, as relações familiares e afetivas, bem como a tradicional propensão do nosso sertanejo de interpretar os fatos presenciados ou sabidos dando-lhes forma e conteúdo de caráter mítico turvam a possibilidade de construção de uma imagem de Jesuíno Brilhante condizente com a realidade.

É a essa tradição oral sertaneja, por exemplo, cultivada nos serões familiares, à luz das fogueiras ou lamparinas, que devemos a imagem de Antônio Silvino, Lampião e Padre Cícero que encontramos, ainda hoje, pelos Sertões nordestinos, tão distanciada da realidade.

Em sendo assim, existiria alguma outra fonte à qual pudéssemos recorrer para construir uma imagem de Jesuíno que fosse mais real, menos mítica? 

Temos. Neste ensaio vamos mostrar um outro Jesuíno Brilhante. 

Essa mostra tem dois momentos. No primeiro trataremos de fatos vividos por ele, mas vistos sob outra perspectiva, e, no segundo, traremos à lume um depoimento impactante acerca do cangaceiro, de um cidadão de reputação ilibada, seu contemporâneo, com forte presença na história em decorrência de sua decisiva participação em um momento sumamente importante para o Rio Grande do Norte.

Após fazermos tudo isso, teremos apresentado um contraponto à Cascudo e deixaremos a critério do leitor a escolha que lhe for conveniente para responder a questão que perpassa esse texto: Jesuíno Brilhante, herói ou bandido? 

Honório de Medeiros é escritor e pesquisador do cangaço.

http://honoriodemedeiros.blogspot.com.br/2014/10/jesuino-brilhante-heroi-ou-bandido.html

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COLORIZANDO


Apresentando-se ao capitão Virgulino Ferreira da Silva. O cangaceiro Barra Nova e Neném do Ouro, companheira de Luiz Pedro devidamente colorizados.

Colorizados da esquerda para direita: Jurity - Sabonete, Barra Nova, Luiz Pedro e Neném do Ouro.

Colorizado por: 
Rubens Antônio (Salvador - Bahia)

Vamos ver o final.

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Lampião não morreu em Angicos - VERDADE OU MENTIRA?

Material do acervo do pesquisador Raul Meneleu Mascarenhas

O porquê de temer ideias, faz que o homem demore mais para sair do atraso. Abaixo vejo dois estudiosos do tema 'Cangaço' trazerem à luz depoimentos importantes e serem contestados e também elogiados.

A contestação é legítima e pode ser usada por quem não concorde com o que está sendo apresentado, mas desde que usemos contestações sérias e não diminuindo propositalmente as ideias encontradas do estudioso e nem ferindo a pessoa com palavras duras.

O estudioso, o pesquisador, apenas transmite o que encontra. Costumo dizer que o pesquisador e estudioso não pode deixar entrar nos critérios encontrados, palavras de emoção defensora ao transmitir o que encontra. Pode até emocionar-se com o achado, mas só depois de pesquisar melhor o assunto, vir a defendê-lo.

O pesquisador simplesmente passa o que encontra e pode até mesmo levantar questionamentos. Querem ver?

Por exemplo, o artigo do jornal O Globo de 04/10/38 quando entrevistado, José Bezerra disse algumas palavras que podemos levantar contestações, que podem até ser respondidas, mas o que se encontra na entrevista, pode e deve ser contestado:


"Eu estava ainda bastante cansado. Reuni o meu pessoal e perguntei por "Lampião". Um deles, um soldado de nome Soares que em outros tempos fora seu coiteiro e que depois se regenerou e passou para o lado da lei, disse-me.

- Capitão este aqui é "Lampeão".

- O que está dizendo rapaz, tem certeza?

- Absoluta, capitão, não posso me enganar. É ele sim...

Inútil seria descrever a alegria e a satisfação de que me vi possuído. Esqueci por alguns momentos a dor que sentia no braço, causada pelo ferimento que recebi em combate e esfreguei as mãos de contentamento. Imediatamente ordenei que fossem decepadas todas as cabeças e iniciar a marcha de regresso ao mundo civilizado."

Como o homem que perseguira Lampião por tanto tempo, não conhecera seu cadáver? Alguns podem até justificar e dizer que a morte muda a pessoa. Outros poderão até mesmo dizer que ele, Lampião recebera um tiro na cabeça. Mas vejam abaixo a foto da cabeça! Vejam o tipo do cabelo! Vejam a orelha de abano! Vejam o nariz! A cabeça chata na morte e em vida a cabeça comprida!

Uma pena que não tenhamos os exames de DNA como garantia. Não se trata de achar que toda a cadeia de informações tenham sido um logro arquitetado. Pode ter havido enganos, desde a identificação do corpo pelo soldado Soares, até os comparativos posteriores.



Mas o interessante é que  estado da cabeça de Lampião (abaixo) ao ser entregue à família, para ser enterrada, parecia bem mais com as fotos dele quando vivo.


Podemos levantar muitas questões e essas podem ser respondidas com argumentos positivos e negativos, pois os temas cangaço e Lampião, tem variantes mil. Mais uma vez esse tema para mim surge, com a postagem no Facebook feita por nosso amigo Cangaceiros Cariri, finalizando o pôster com as palavras "VALE A PENA VER DE NOVO" remetendo para o link do artigo abaixo transcrito. Mais abaixo dos comentários desse artigo "Porque a reunião no coito do Angico?" e comentários dos leitores. Transcrevo também um bom artigo com reservas, para a morte de Lampião, "VERDADE OU MENTIRA?" do  Blog do Haroldo de Queimadas-BA. e comentários de seus leitores também.

O TEMA É RICO, NÃO PRECISAMOS ESTREITAR O DEBATE.

NO DEBATE CONSTRUÍMOS!

Siga os comentários clicando no link abaixo:

http://meneleu.blogspot.com.br/2014/10/lampiao-nao-morreu-em-angicos-verdade.html

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CORPO DE LAMPIÃO COMIDO PELOS URUBUS



UMA FOTO IMPRESSIONANTE!
CORPO DE LAMPIÃO COMIDO POR URUBUS...!
Fonte: Livro "Lampião- O último cangaceiro"

Fonte: facebook
Página: Volta Seca

terça-feira, 28 de outubro de 2014

VIRGULINO E OS IRMÃOS NA ESCOLA

Foto Fotografia capturada na Escola Soriano em São Francisco(hoje Pajeú), PE, em 1908. Virgulino Tinha apenas dez anos de Idade. Autor desconhecido.

"José Ferreira, apesar de sertanejo inculto, vivendo em meio atrasado, procurou dar aos filhos a educação primária. No ano de 1907, residindo em Situação do Riacho São Domingos, no município de Vila Bela, enviou os três filhos mais velhos: Antônio, Levino e Virgulino, à casa do Sr. Raimundo Gago, em Pitombeira, próximo à Vila Bela, a fim de que os meninos frequentassem a escola pública do Professor Auchêncio Viana de Miranda. Sendo esta a primeira escola freqüentada pelos filhos de José Ferreira. Esta informação foi revelada pelo honrado sertanejo Antônio Gama.

Naquela ocasião, tinha Antônio Ferreira 12 anos, Levino, 11 anos e Virgulino, 9 anos de idade.

Em 1910, estudaram na escola particular do Professor Domingos Soriano de Souza, em Serra Vermelha, distrito de São Francisco ( hoje Pajeú). Dos filhos do agricultor José Ferreira, era virgulino o mais desenvolvido, apresentando visível sinal de inteligência que, apesar do pouco período de assistência escolar, ainda assim, aprendeu “a ler e escrever uma carta”.

José Ferreira tinha verdadeira dedicação aos filhos, sendo Virgulino o mais estimado no seu lar.

O tio Manoel Lopes também lhe tinha admirada estima. Por isso passou a criá-lo, ficando conhecido como o pai adotivo do sobrinho Virgulino Ferreira".

Fonte: Transcrição do livro ‘LAMPIÃO, MEMÓRIAS DE UM SOLDADO DE VOLANTE’, LIRA, J. Gomes de. Recife, FUNDARPE, 1990, pg 21.
 
Fonte: facebook


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1ª BIENAL DO LIVRO DE PAULO AFONSO


1ª BIENAL DO LIVRO DE PAULO AFONSO

1º Encontro de Escritores da Região do São Francisco de 5 a 7 de Novembro

Escritores pauloafonsinos e nordestinos bastante animados com a realização da 1ª Bienal do Livro de Paulo Afonso e o 1º Encontro de Escritores da Região do São Francisco, promovido pelo jornal Folha Sertaneja em parceria com a Academia de Letras de Paulo Afonso e o Instituto Geográfico e Histórico da Microrregião do Sertão de Paulo Afonso, com o apoio cultural da Secretaria de Cultura e Esportes da Prefeitura de Paulo Afonso, da Chesf, Administração Regional de Paulo Afonso, Imprensa Oficial Graciliano Ramos, de Maceió, Suprave, o Ferrageiro, Loja Millenium e outros colaboradores.

O evento, que nutre a expectativa de ser o acontecimento literário do ano, acontece nos dias 5 a 7 de Novembro, no Memorial Chesf Paulo Afonso e os seus primeiros novos frutos já estão nascendo.

O evento estará reunindo cerca de 40 escritores da região e esse número não é maior porque as inscrições, que estavam sendo divulgadas apenas pelo Facebook e pelo site da Folha Sertaneja –www.folhasertaneja.com.br foram encerradas há mais de 15 dias, em face do espaço para acomodar a todos com a qualidade que desejamos.

Entre os inscritos, temos escritores de Salvador, Rodelas, Barra, Jeremoabo e Paulo Afonso, na Bahia; Aracaju, Itabaiana, N. Sra. das Dores,de Sergipe, Petrolândia, em Pernambuco e Água Branca, Delmiro Gouveia e Maceió, do Estado de Alagoas. Muitos deles trarão suas produções literárias para exposição e venda nesse encontro cultural.

Dentre os autores pauloafonsinos estão sendo lançados nesse evento pioneiro no município os livros Versos Diversos em Verso e Reverso, escrito a quatro mãos pelos professores Edson Barreto e Roberto Ricardo, ambos membros da Academia de Letras de Paulo Afonso – ALPA e do Instituto Geográfico e Histórico da Microrregião do Sertão de Paulo Afonso – IGH-MSPA.

Versos Diversos em Verso e Reverso

Já publicou os livros Transformações (poesias), em 1988, A Vida e a Vida de Padre Lourenço em 1989 e 1990 e esteve presente em várias coletâneas poéticas como Escritores Brasileiros (1985), Coletânea de Poesias do Modernismo de Paulo Afonso (1990) e Na Mala do Poeta tem Poesia de Todo Jeito (2009) e escreveu um dos cinco capítulos do livro Maria Bonita, diferentes contextos que envolvem a Rainha do Cangaço (2010)

Outro lançamento esperado na 1ª Bienal é o livro Pelas Estradas da Vida, uma coletânea de crônicas e causos publicados pelo Professor Ivus Leal no Jornal de Paulo Afonso, A Voz dos Municípios (de Laranjeiras-SE) e Folha Sertaneja.

A edição da Galcom Comunicações/jornal Folha Sertaneja é um reconhecimento deste jornal ao trabalho do Professor Ivus Leal ao longo dos 10 anos dessa publicação.

Outros relançamentos de livros na 1ª Bienal de Paulo Afonso

O professor Antônio Galdino da Silva estará relançando o livro De Forquilha a Paulo Afonso – histórias e memórias de pioneiros.

João de Sousa  Lima, que tem vários títulos sobre o ciclo do cangaço no Nordeste, relança a 2ª edição do livro Lampião em Paulo Afonso, a trajetória guerreira de Maria Bonita, 100 anos de Luiz gonzaga, Moreno e Durvinha, sangue, amor e fuga no cangaço.

O professor Edvaldo Nascimento, pauloafonsino morador de Delmiro Gouveia, também relança Delmiro Gouveia e a Educação na Pedra.

Luiz Rubem, que tem vasta produção literária sobre o cangaço, a Estrada de Ferro Paulo Afonso (de Piranhas a Jatobá, antiga Petrolândia) e sobre a região estará relançando algumas de suas obras, como O Bronze do Imperador e a Cachoeira de Paulo Afonso.

A escritora Joranaide Ramos e o Colégio Sete de Setembro reapresentam o livro Professor Gilberto, Realizador de Sonhos.

O poeta repentista Rafael Neto, além do folhetos de cordel e DVDs de cantorias estará relançando o livro Não sou poeta matuto, sou cientista das rimas, já em 2ª edição.

Rubinho Lima relança Lampião, Cangaço e Cordel e Regionalismo Sertanejo dentre outras de suas publicações. Jotalunas, autor do projeto Na Mala do Poeta tem poesia de todo jeito apresenta em relançamento os dois volumes da antologia e o seu livro Correntes de Algodão.

Alcivandes Santana traz para a 1ª Bienal do Livro de Paulo Afonso a 2ª edição do livro O Messianismo de Pedro Batista e a Cultura Popular em Movimento.

Além deste autores, estão sendo esperados vários outros, vindos de Salvador, Aracaju, Itabaiana, Jeremoabo, Barra, Petrolândia e de outras cidades nordestinas, cada um com suas mais recentes produções literárias.

Ao todo, mais de quarenta escritores já se inscreveram para esta 1º Encontro de Escritores de Paulo Afonso e Região do São Francisco que acontecerá no Memorial Chesf Paulo Afonso no período de 05 a 07 de Novembro de 2014.


Veja uma síntese da programação

 Dia 05 de Novembro – Auditório do Memorial Chesf
19:00h – Abertura da 1ª Bienal do Livro de Paulo Afonso
Homenagens a João Ubaldo Ribeiro, Ariano Suassuna e Antônio José Alves de Souza (escreveu o primeiro livro sobre Paulo Afonso, em 1954).

20:15h – Abertura do Salão dos Escritores
Atividades culturais livres: música, poesia, depoimentos de escritores, cordel
Estas atividades também serão desenvolvidas neste Salão dos Escritores nos dias 6 e 7 de Novembro, das 08 às 11:30 e das 14 às 16:30 horas.

Novembro– Auditório do Memorial Chesf
9:00 h às 09:40h – Mesa Redonda 1 –
Tema: O cangaço na literatura regional –
Palestrante – João de Souza Lima
Participação de dois outros escritores
9:40h a 10:00h – debate – perguntas.

10:00h a 11:00h – Auditório do Memorial Chesf
Palestra, recital e lançamento do livro do “O galope de Ulisses” do poeta José Inácio Vieira de Melo, de Feira de Santana, como participação do Sesc-Ler Paulo Afonso.

 14:00 h às 14:40h – Mesa Redonda 2 – Auditório do Memorial Chesf
Tema: A Chesf e o desenvolvimento regional (ou O Nordeste antes e depois da Chesf)
Palestrante – Antônio Galdino da Silva
Participação de dois outros escritores
14:40h a 15:00h – debate – perguntas.

15:00h a 15:40h – Mesa Redonda 3 – Auditório do Memorial Chesf
Tema: Delmiro Gouveia, o desenvolvimento e a educação no sertão nordestino
Palestrante – Professor Edvaldo Nascimento
Participação de dois outros escritores
15:50h a 16:10h – debate – perguntas.

Dia 07 de Novembro - Auditório do Memorial Chesf
9:00 h às 9:40h – Mesa Redonda 4
Tema: A palavra, instrumento do escritor e a Reforma Ortográfica Brasileira
Palestrante – Professor Francisco Araújo Filho
Participação de dois outros escritores
9:40h a 10:00h – debate – perguntas.

 Dia 07 de Novembro - Auditório do Memorial Chesf
14:30horas – Solenidade de encerramento; Certificação
15:00h às 16:30h – Na Mala do Poeta especial – apresentação Jotalunas

Antonio Galdino e João de Sousa Lima


Edson Barreto
Antonio Galdino, João de Sousa Lima e Edivaldo










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