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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

“E O COITEIRO SOFREU, AGONIZOU, MAS SILENCIOU ATÉ MORRER”

Por Rangel Alves da Costa*

Foi lá em minha terra que ouvi essa história. Muitas eu já conhecia a respeito, mas especialmente essa me deixou quase presente diante daquela medonha realidade, e acima de tudo quando no desfecho o velho sertanejo ajuntou: “E o coiteiro sofreu, agonizou, mas silenciou até morrer”.

Histórias e estórias, causos e proseados dando conta do dia a dia do coiteiro, daquele que ajudava na estadia do bando de cangaceiros quando de passagem pela sua região, ainda são espalhadas como verdades absolutas e fantasias exageradas pelos sertões adentro. Revendo a medida e o peso, equacionando as possibilidades, o que ainda resta são páginas de honra, amizade, destemor e sofrimento.

Para ser confiado por Lampião, conhecendo o paradeiro do bando e se tornando emissário para quase tudo que dissesse respeito ao mundo exterior, além caatinga, o coiteiro precisava ser homem honrado, reconhecido pela sua postura de fidelidade. Daí também a amizade, pois os contatos precisavam ser feitos na confiança de verdadeiros amigos e confidentes. E o destemor para cumprir com as exigências do bando, adquirir e transportar o encomendado, e sem medo de ser perseguido, tocaiado ou aprisionado para dizer onde a cangaceirama estava tocaiada.

Mas foi esse destemor que tanto sofrimento causou ao sertanejo que um dia se fez coiteiro por achar justa a guerra cangaceira contra a volante e o mundo. Contra o mundo sim, pois num dado momento do cangaço já não se podia perceber quais os reais objetivos daquela guerra medonha, já não se conhecia o que Lampião desejava alcançar. Então tudo podia justificar a luta pela luta, até mesmo porque não lhe restava saída honrosa senão morrer lutando. E nem isso conseguiu.

O coiteiro foi coadjuvante importante dessa luta, principalmente do cotidiano  cangaceiro, pois conhecia as necessidades, os hábitos, os temores e até o percurso seguinte. Indicava caminhos mais seguros e alertava sobre os olhos escondidos na mataria. Não só providenciava alimento como informava sobre a presença da volante na região, não só levava linha e agulha como servia de mensageiro entre o Capitão e os coronéis e poderosos da região. Por isso mesmo que era tão importante ao bando.


Não só importante como possuidor do destino de cada um em sua boca. Bastava abrir o bico, ou dar com a língua nos dentes como costumeiramente se diz, para dizer onde era o coito naquele momento e toda a cangaceirama corria perigo. E não faltava gente querendo saber, desde alguns sertanejos que não gostavam ou temiam Lampião, ou ainda outros que logo correriam para segredar aos ouvidos da volante. Mas principalmente esta, que tudo fazia para obter qualquer pista acerca do paradeiro daqueles revoltosos das caatingas.

E a história relata casos de atrocidades descomunais cometidas pelos soldados da volante quando em busca de informações acerca do bando. Bastava colocar os pés nos arruados e queriam a todo custo que os matutos dissessem sobre o paradeiro do Capitão. E para tanto ameaçavam, prendiam, batiam, açoitavam, sangravam e até matavam. Muitos, mesmo sem nada saber, porém temendo o pior, cometiam o erro de indicar um lugar qualquer. Então eram forçados a seguir com os algozes e encontrar a morte mais adiante, vez que as informações não se confirmavam.

Contudo, acaso a polícia ao menos imaginasse que aquele ou aquele outro servia ao bando como coiteiro, então a situação se transformava num terror marcado pela lentidão do suplício. Logo começava a caçada e assim que colocasse as mãos no sertanejo começava o sofrimento. Mesmo que não tivesse qualquer certeza do conluio entre a pessoa e o bando, ainda assim o pobre homem era levado para um lugar mais afastado, até mesmo para perto de seu casebre e de sua família, e então começavam as torturas.

E foi uma dessas situações que ouvi daquele velho citado acima, relatando o episódio como se o tivesse presenciado. Eis suas palavras descrevendo a ação:

“Amigo de Lampião não merece viver, mas parece que você tem mulher e filhos dentro daquele rancho ali, não é mesmo? Então, ainda que ver sua mulher e seus filhos? Então diga, diga logo aonde é o coito daquele miserável de Lampião, diga. Só pra saber que não tamo brincando, então sinta essa ponta de punhal na sua costela. Tá sentindo dor? Pena que não tá vendo seu sangue de verme escorrer. Amole aí o facão e baixe as calça dele...”.

Mas podia estraçalhar, cortá-lo todinho em pedacinhos, que uma só palavra não sairia de sua boca. O verdadeiro coiteiro, à moda da honra kamikaze, preferia morrer a revelar qualquer coisa que pudesse ser vista como traição ao líder cangaceiro. Ao bando em si, mas principalmente a Lampião, por quem devotava alentado respeito. Mas prosseguindo:

“Você sabe muito bem como bode morre, sangrando pelo pescoço. Quer morrer assim? Fale logo seu fio da peste, diga logo onde cabrunco tá Lampião. Não vai dizer não, então toma. Acenda uma fogueira, vamo queimar ele vivo. Traga a família dele, anda. Você soldado, cuide de ir logo sangrando esse cabra, mas devagarinho pra que termine de morrer na fogueira, diante da família. Pela última vez, onde tá Lampião? Diga seu fio da peste, diga onde tá Lampião...”.

E o coiteiro sofreu, agonizou, mas silenciou até morrer. E não somente este. Muitos fizeram da honra seu pacto maior com o cangaço. E tal fato, por si só, já demonstra que tal respeito tinha por fundamento uma imensa consideração àquele mundo cangaceiro que hoje muitos não querem nem desejam compreender. Ora, mas era o seu mundo. E ele também vítima da opressão e das injustiças.
  
Poeta e cronista
blograngel-sertao.blogspot.com


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NOSSA HOMENAGEM A Dr. IVANILDO SILVEIRA, UM DOS MAIORES PESQUISADORES DO CANGAÇO, CORONÉIS E COITEIROS DO BRASIL.


Dr. Ivanildo Silveira é promotor de justiça em Natal, Rio Grande do Norte, além de homem público e respeitável jurista, é um dos maiores pesquisadores e colecionadores da cultura nordestina, cangaço, coronéis, coiteiros, volantes e messianismos, de uma cultura impar, Dr. Ivanildo Silveira exerce uma influência positiva junto às pessoas que pesquisam e admiram os temas por ele pesquisado, tornando se para todos nós, pesquisadores um exemplo a ser seguido nas coletas de dados verdadeira da história, primando sempre pela ética e retidão naquilo que é passado para o leitor, além da informação verdadeira, respeito as fontes consultadas, por isso tiro meu chapéu de vaqueiro da história para esse admirável grande homem, Ivanildo da Silveira.

Veja um belo texto de sua escrita.

O COMBATE DA FAZENDA IPUEIRAS - SERRITA


No dia 03 de fevereiro de 1927, na Fazenda Ipueiras, hoje município de Serrita/PE, naquela época município de Leopoldina, hoje Parnamirim, no alto sertão pernambucano, ocorreu um grande combate entre a Família do Cel. Pedro Xavier e Lampião e seu bando.


Ipueiras, de certo modo, possuía uma situação privilegiada, de solo fértil, água; lá se produzia cana-de-açucar, para fazer moagens, arroz, batata e demais produtos da terra destinados á alimentação da população, a pescaria nos açudes e a atividade agropecuária. O excedente era comercializado na feira semanal localizada na Vila de Ipueiras, encravada na Fazenda de mesmo nome.

O Coronel Pedro Xavier, homem flexível, hospitaleiro e generoso, exerceu também o cargo de juiz interino de direito na vacância do titular da comarca de Leopoldina. Morava no casarão da Fazenda Ipueiras e teve numerosa prole. Os descendentes, os familiares dos Xavier; uns moravam na Fazenda e outros na Vila de Ipueiras – uma incipiente urbanização com um pequeno mercado semanal, uma escola, uma agência de correio, farmácia, mercearia, padaria, loja, que na sua maioria, pertenciam aos próprios membros da família, uma espécie de feudo.

Na década de vinte, do século passado, eram comuns as andanças de bandos de cangaceiros, por todo o nordeste. Lampião perambulava pelas caatingas, assaltando, matando, extorquindo, pequenos, médios e grandes proprietários de terra.

De início, Lampião e o seu bando passaram em “paz” pela Ipueira, em 26 de maio de 1925, quando o Cel. Pedro Xavier não fugindo da costumeira hospitalidade, mandou fornecer-lhe comida, roupas e lenços tirados da loja de um de seus filhos Gumercindo.

Naquela oportunidade, as filhas e as noras do Cel. Pedro Xavier foram proibidas de se apresentarem para conhecer Lampião e seu bando, para evitar que os cabras cometessem algum atrevimento.

O Cel. Pedro Xavier, um tanto constrangido de ter dado guarida a Lampião, pois soube de algumas bobagens que seu bando andou fazendo com outras pessoas dali, firmou o propósito diante da família, de que, na próxima vez que ele passasse, o “ receberia na bala “. Para isso, mandou um recado para Lampião:

Não volte mais a Ipueiras, do contrário, será recebido a bala”. Ao tomar conhecimento do fato, Lampião mandou a seguinte resposta:“ Quando passei por Ipueiras, respeitei você e sua gente, agora com seu recado atrevido a coisa vai mudar, prepare-se que haver choro".

O momento fatídico estava para acontecer a qualquer instante. Até que no dia 03 de fevereiro de 1927, alguns membros da família do Coronel Pedro Xavier estavam reunidos na casa da fazenda para almoçar, esperando os demais que se encontravam na Vila de Ipueiras. Encontravam-se na casa sede da fazenda apenas: a matriarca Josefa Xavier (esposa do coronel); José Saraiva Xavier (Dezinho), um dos baluartes do combate; Aparício Xavier que na época era seminarista em Petrolina-PE, e estava de férias na Fazenda; Mário Saraiva Xavier, o mais novo dos filhos e ainda menino; Francisca Xavier (nora do Coronel); Pedro; e amigos da família como Napoleão Pereira e Naninha (esposa); e Tosinha (de Jardim-Ce); Manoel Preto (afilhado de d. Josefa) e Pedro Dama, este, por sinal, cego de um olho, homens de confiança da família.

Estavam na Vila de Ipueiras na hora do cerco e foram subindo para a casa da fazenda, atirando: o Coronel Pedro Xavier, o patriarca da família, Gumercindo, Antonio, Aristides e Amélia (filhos do coronel), João Sampaio Xavier (genro e sobrinho), Luiz Teixeira (genro), Pedro Saraiva (genro). Dos filhos só faltou Francisco Xavier Sobrinho, filho mais velho do coronel Xavier, que estava em um fazenda distante, e não chegou a tempo.

De repente, se ouviu um tiro. Dezeinho Xavier teve a impressão de ser tropa do governo, e indagou: “ Quem vem aí, é da polícia?“. A resposta foi um tiro disparado pelo cangaceiro ‘Tempero' que vinha á frente do grupo. Por um triz não alvejou Dezinho, que, sem perda de tempo, respondeu ao tiro, atingindo o aludido bandoleiro á altura de uma das orelhas, que caiu ali, sem vida.

Lampião e seus cabras iniciaram o grande tiroteio, com mais rancor, diante da morte de um dos integrantes do grupo. Verdadeira batalha estava sendo travada, entre os Xavier e os Cabras de Lampião, cujos tiros quebraram jarras d´agua, derrubaram paiol e jirau de queijo. Dezinho Xavier, Manoel reto e Pedro Dama seguraram o fogo de frente evitando que Lampião chegasse ao terreiro da casa, enquanto esperavam pelo pessoal que estava na Vila de Ipueiras, mas que já vinham ás carreiras para sustentar o fogo.

Enquanto o combate prosseguia, com tiros de ambos os lados, as mulheres rezavam e os homens, não tinham tempo nem de urinar. Napoleão Pereira, em alto e bom desafiava Lampião, dizendo: “ Cabra safado, um bandido como tu, eu te dou de peia no umbigo, você está falando com Napoleão Pereira do Jardim do Ceará “. No meio da aflição, Manoel Preto acalmava Dona Zefinha; “ Madrinha Zefinha, enquanto a senhora ver este negro aqui, só tenha medo dos castigos de Deus “.

Lampião trazia como refém, um camponês, amigo dos Xavier, Sr. Vicente Venâncio, além de Pedro Vieira Cavalcante da cidade de Jardim-Ce, tendo exigido da família desse último, 5 contos de réis para soltá-lo.
A hora crucial se aproxima, o quadro torna-se dramático e nunca se sabia como iria terminar tudo aquilo, apesar da resistência dos Xavier se fazer forte, com poucos homens lutando e uma coragem inusitada.

Com a chegada, na casa da Fazenda, dos que se encontravam na Vila de Ipueiras, entre eles, destacou-se Gumercindo Xavier, homem de caráter admirável e coragem a toda prova, a reação aumentou.

Só que os recursos se exauriam, a cada minuto. O Cel. Pedro Xavier temendo a munição se acabar e Lampião ir ganhando terreno em direção á casa da fazenda, e ai seria o fim da epopeia, mandou seus serviçais selar cavalos e avisar aos parentes e amigos, a exemplo do Coronel Chico Romão, de Serrita/PE.

Segundo depoimento de um dos reféns de Lampião, Sr. Vicente Vitorino, no momento do tiroteio, “Havia se quebrado o Rosário de Lampião", e, como os cangaceiros eram por demais supersticiosos, o rei do cangaço manifestou-se receoso com o fato: era mal sinal num combate, quebrar-se um rosário. Por sua vez a bala certeira dos Xavier havia matado o cangaceiro “Tempero”. Lampião ficou cabreiro com o episódio e disse:



“ - Os homens estão fortes, o rosário quebrou e já perdemos nosso melhor fuzil, referindo-se à perda de “Tempero” (que era um dos melhores atiradores do grupo), vamos dar o fora“.

Naquele dia Lampião estava endiabrado. Como a esposa do refém Pedro Vieira Cavalcante (de Jardim-Ce) não pagou o resgate exigido pelo facínora, ali mesmo, na Faz. Ipueira, ele foi morto. O tenebroso bandido, também, matou um popular, um rapaz jovem chamado Lino, que ia cavalgando num jumento, próximo ao local do combate.

O refém Vicente Vitorino teve melhor sorte. Lampião se dirigiu ao mesmo e disse-lhe: “-Velho, se você nos desviar de um "Piquet" dos Xavier, eu lhe solto, se não você morre”. E, então, o camponês sabiamente, os conduziu por percursos estranho aos percorridos normalmente pelos Xavier, e, lá longe, na Macambira, Lampião soltou o velho que voltou á casa dos Xavier e narrou todo o acontecido.

Logo após o combate chegaram à Fazenda Ipueiras, o Coronel Chico Romão, de Serrita, com 50 homens, armas e munições, Aparício e Alfredo Romão com 30 homens; Luiz Pereira de Jardim-CE (genro do Cel. Pedro Xavier) com 30 homens. Em face do acontecido, as filhas do coronel Pedro Xavier, a idéia foi de Adalgisa ergueram uma Capela na fazenda, cujo patrono é São José.

Um abraço a todos
IVANILDO ALVES SILVEIRA
Colecionador do cangaço
Membro da SBEC
Natal/RN

Fonte: facebook

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O CANGAÇO - LIVROS LAMPIÃO NA BAHIA

Por Luiz Carlos Marques Cardoso.


O livro do qual faço a resenha já se encontra na 6° Edição, foi escrito pelo pesquisador Oleone Coelho Fontes, esse que acabou por legar a sociedade mundial uma obra riquíssima em detalhes sobre a vida do maior bandido que o Brasil já teve. Em seus estudos entrevistou uma gama de pessoas, gente essa que teve papel singular em algum dado momento da passagem de Virgulino pelas terras da Bahia.

O livro trás ainda fotografias dos integrantes do cangaço, e comentários que nos faz pensar num período de trevas aos sertanejos sofridos, tanto pela seca, a pobreza e naquela época, pela violência imputada pelo bando do facínora.

Lampião, ou Capitão Lampião, assim exigia que fosse chamado, por ter ele recebido do Padre Cícero essa titulação. Saía a dizer ser ele o governador dos sertões, na verdade, por mais de dois séculos foi sim de certa forma o Governador das bandas secas do Brasil. Deixou o Estado de Pernambuco ciente da perseguição que os volantes infligiam a seu debilitado bando, precisava de repouso para repor as energias e recrutar novos homens. Fez aquilo que a polícia não imaginava que seria feito, a travessia de uma margem para a outra do Rio São Francisco, aconteceu depois do meio-dia do dia 21 de agosto de 1928.

Já nas terras baianas, gozava de paz, a polícia débil do Estado fazia vista grossa. Ficou a andar por cidades falando que estava na Bahia em paz, que se meteu no Cangaço por imposição da vida e se lhe tivesse condições ele largaria tudo para viver em paz. Sempre coagindo conseguia dos sertanejos o sustento do bando.

Após o grupo de cangaceiros passarem pela vila do Cumbe uma volante cruza em seu encalço. Numa fazendo logo adiante acontece o primeiro embate dos homens de Lampião com a polícia baiana. Na ocasião, o bando saiu vitorioso, matou um sargento e dois soldados. Aquele momento marcou o inicio das atividades perversas do banditismo na Bahia.

De cidade em cidade os cangaceiros iam pilhando, matando, castrando e tomando das mulheres. Teve uma ocasião em que obrigaram cinco moças a dançarem nuas. Corisco, o Diabo Louro, pegou um antigo inimigo, tinha jurado que quando tivesse o homem nas mãos esse sofreria muito antes de morrer. Corisco afirmava que fora o dito homem o responsável pela sua entrada no cangaço. Teve sociedade com ele, porém foi passado para trás. No momento do pagamento pegou a pobre presa e amarou feito bode a ser morto de cabeça para baixo, tirou o couro do homem, esse ainda em vida, sobre muitos gritos.

Em um conflito com os “macacos” (dessa forma os cangaceiros chamavam os policiais) Lampião perde um dos seus homens, esse fato acirrou ainda mais os embates dos volantes com os cangaceiros. Lampião após tomar uma vila prende oito macacos e um sargento.

Depois de beberem muito, dançarem; o bando vai a delegacia, local onde se encontrava os soldados presos, tinha soltado os que estavam presos e encarcerados aqueles. Um por um ia sendo levado para fora e com golpes de punhal e tiro na testa tombavam ao chão. Apenas o sargento foi poupado por Lampião, conta que Virgulino fez uma aposta com uma senhora, como essa ganhou, ele pediu que ela exigisse algo, a mesma inquiriu que soltasse o sargento, o rei do cangaço como não ia contra a palavra dada, dessa forma o fez, contrariando seus ideais, pois o lema dele era matar todos os macacos que colocasse as mãos.

O bando de Lampião cresceu tanto que ele se viu obrigado a dividi-lo em vários subgrupos. Corisco chefiava um, fato esse que poupou da morte no encontro da volante com os cangaceiros na Gruta do Angico. Dessa forma ficou mais difícil em exterminar o cangaço. A polícia que parecia com os cangaceiros, tanto em trajes como em perversidade, fatos comprovados e contados no livro. Em cada encontro os bandoleiros obtinha vitória, eles possuíam informantes e fazendeiros a disporem de armas, além de agirem por meio de emboscadas. Conheciam a caatinga como ninguém, além de usarem técnicas para despistar, conseguia farejar macacos de longe.

Em um combate Lampião perde o último irmão que o acompanhara no cangaço, sobrou-se apenas um, por sinal, esse foi o único a não se meter com o cangaço. Depois desse fato, conta-se que Lampião ao ver o irmão sofrendo e sem possibilidade de vida deferiu-se um certeiro na testa, o homem aumentou sua crueldade, matava por matar, castrava. Por vingança ele matou um coronel, mas antes fez despir esse e a mulher e no lombo de animal o homem na frente, a mulher na garupa, foram levados para uma vila próxima para que o ato servisse de exemplo. O coronel foi morto a punhaladas, a esposa foi poupada a pedido dos companheiros de cangaço, todavia essa jamais recobrou a consciência.

Zé Baiano tinha como marca um ferro de ferrar animais, porém o usava para marcar mulheres. “J B” era as letras que continha no instrumento. Quantas não foram as moças ferradas por ele? Ferrava-se no rosto, nas pernas, nas nádegas. Carregar uma marca dessas, além da feiúra levantava muitas indagações, pois o povo sabia de quem era tais iniciais.

Tamanha brutalidade ocorreu com a família Salina, foi uma verdadeira chacina. Lampião manda um bilhete exigindo do chefe da família uma determinada importância. Esse se aconselha na cidade e a autoridade fala para ele não ceder aos bandidos. Assim feito, Lampião ameaça dizendo que quando colocasse as mãos nele poderia considerar um homem morto. A família Salina passa a residir no povoado, porém suas posses iam sumindo, já que ficava sempre ocioso e precisava de recurso para se manter. Dado dia ele foi obrigado a ir a fazenda colher a mandioca e fazer dessa farinha. Reuniu-se com a família e alguns amigos para o trabalho, era fazer a farinha e voltar logo ao povoado. Lampião chega e cerca a propriedade, matam quase todos, deixam apenas duas moças vivas para contar o ocorrido, um rapaz que se encontrava sobre o telhado também consegue fugir. O velho Salina tem os dois olhos furado, orelhas cortadas e é castrado. Lampião coloca o homem ainda vivo no cavalo e leva para a casa de um dos filhos deste, defronte ele mata o velho, abre o peito a golpe de facão e tira o coração. Mata também o filho de Salina que saiu a porta. A brutalidade de Virgulino chegava ao estremo.

Volta-Seca entrou para o cangaço quando ainda era garoto. Por ter muita coragem foi levado por Lampião. Ele na chacina dos soldados chegou após o ocorrido e disse que estava desapontado, pois o chefe só havia deixado sangrar quatro macacos. Certa feita o garoto ameaçou o rei do cangaço dizendo: “Se você bater em mim eu te mato”. Com medo e aconselhado por alguns colegas foge no calar da noite. A namorada vai para a casa dos parentes, ele foge para outro povoado. Retorna para ver a moça, porém a família dela não queria o relacionamento. Volta-Seca fica pelas intermediações, acuado pela polícia os irmãos da moça armam uma emboscada e pega o garoto e o entrega as autoridades. Volta-Seca é conduzido para Salvador, onde após um ano passa a dá entrevistas e conta suas proezas do cangaço.

Maria Déia, popularmente conhecida por Maria Bonita, entrou para o cangaço por desejo próprio, pois odiava a mansidão da vida que levava ao lado do marido sapateiro. Certo dia um Luís Pedro foi ao povoado verificar a situação do local, parou ao escutar uma moça falar do chefe dos cangaceiros, ela dizia que largaria tudo se Lampião a quisesse. O cabra retornou ao esconderijo e falou ao chefe tudo que havia escutado. Virgulino quis conhecer a moça, já que pelas palavras do informante a danada era muito bonita. Chegou e com poucas palavras levou Maria, ao sair ainda disse ao marido sapateiro (José de Neném), que se encontrava de cabeça baixa, “Adeus Zé”. Maria Déia nasceu no povoado de Malhada do Caiçara, município de Santa Brígida. Teve alguns filhos, porém somente um conseguiu vingar, essa logo ao nascer foi entregue a um coiteiro do bando. Expedita ficou sobre guarda de dona Aurora, a esposa do vaqueiro Mamede, na fazenda Inchu. Maria Bonita faleceu ao lado de Lampião na Gruta do Angico.

A morte de Lampião é cercada por muitas controvérsias, um diz que ele foi envenenado, mas o enredo mais aceito é aquele divulgado pela mídia. Lampião e seu bando de cabras foram repousar na Gruta de Angico, na ocasião iria acontecer uma reunião entre os grupos. Certo é que o Rei do Cangaço já não tinha a mesma vitalidade de outrora, com a idade passando dos quarentas e levando uma vida dura: andava muito sob o sol quente do nordeste, comia muito em alguns períodos e nada em outros, sofria com o pânico de ser surpreendido pelos macacos. Pedro de Cândida foi o coiteiro que traiu Lampião, ficou conhecido como Judas de angico, fez por ter sido ameaçado pelos homens de Bezerra. Na madrugada do dia 28 de julho de 1938 quando os volantes atacaram o pouso do Rei do Cangaço e mataram onze pessoas, nove homens e duas mulheres, uma delas Maria Bonita, que segundo consta, foi degolada ainda em vida, começava ali o fim do cangaço que durou mais de duas décadas. Os policiais saquearam todos os pertences dos cangaceiros, uns chegaram a arrancar as mãos dos cadáveres para quando em casa tirarem os anéis de ouro. As cabeças foram levadas para servir de prova que o cangaço havia perdido seu principal homem, Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. Muitos cangaceiros conseguiram fugir, Corisco ainda não tinha chegado ao local.

Corisco ao ver a foto contendo as cabeças chorou copiosamente junto sua companheira Dadá. Resolveu se vingar. As primeiras vítimas foram da família de Domingos Ventura, avô da esposa de João Bezerra. Chegou à casa do homem, comeu e pediu que seus cabras levasse um a um para fora, ao final foi ele com o chefe da família, esse último teve o mesmo fim dos demais, foram degolados e suas cabeças enviadas a Bezerra juntas a um bilhete: “Se o negocio é de cabeças, vou mandar em quantidade”. Em um confronto o Diabo Louro foi baleado na perna, fragilizado ele tenta refugio em outras terras, mas o caçador de cangaceiros Zé Rufino o encontra. Ferido por bala não agüenta e morre.
Morreu em Brotas de Macaúbas no dia 25 de maio de 1940. Com a morte de Cristino Gomes da Silva Cleto o cangaço chegava ao seu final.

Aconselho a todos que leiam esse magnífico livro.

O leitor verá nessas páginas como foram aqueles anos no sertão, onde o Governador não era o Governador, mas um cangaceiro, homem que para uns era bom, enquanto para outros uma peste; fazia caridade ao mesmo tempo em que tomava do que era dos outros.

Luiz Carlos Marques Cardoso

Fonte: facebook
Página: Geraldo Júnior

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Quitaiús e a Festa do Cariri Cangaço Lavras da Mangabeira 2014

Por:Manoel Severo
Caravana Cariri Cangaço na fazenda do Cel. Joaquim Leite em Quitaiús

já pensamos que havíamos visto tudo de nosso imenso cariri, a programação do Cariri Cangaço Lavras da Mangabeira 2014 nos proporciona um encontro memorável com a história e a raiz de nossa região: O distrito de Quitaiús.  


Vamos nos valer do grande Dimas Macedo para apresentar o distrito de Quitaiús em Lavras da Mangabeira:


"Quitaiús tem uma raiz social diferente, uma comunidade fraterna e solidária e um jeito de pensar as coisas do saber que nos escapam à observação. E é por isto que precisamos de alguém para explicar a sua trajetória e nos dizer o tecido da sua evolução, com o domínio completo da palavra dos que nascem totais para escrever. Quitaiús é uma terra visivelmente protegida por Deus. Nação de mulheres vigorosas. Pátria de famílias ordeiras e ilustres. E de seres humanos que encarnam as melhores virtudes sociais.Os estigmas da fé em São Francisco e em Nossa Senhora do Rosário parecem que são fortes entre os que ali mourejam, de sorte que Quitaiús tornou-se, com o tempo, o lugar das vocações sacerdotais do município, mercê, talvez, da influência do Padre Cícero Romão de Juazeiro sobre o destino da comunidade."

Alunos do 7º ano da Escola Joaquim Teixeira
Altar da Igreja de Quitaiús
Espetacular Exposição dos alunos da EJTL

Taynara e a recepção para os convidados Cariri Cangaço Lavras da Mangabeira 2014
Emerson Monteiro, Dimas Macedo e Malvinier Macedo
Ester Esmeraldo, Malvinier Macedo e Cristina Couto
Luiz Augusto e Dimas Macedo
Manoel Severo, Cristina Couto, Luiz Augusto e Ari Camargo

E continua Dimas Macedo:"Impressiona-me que Quitaiús tenha dado onze sacerdotes à constituição do clero cearense, contando-se entre eles duas importantes figuras da Igreja Católica do Brasil: monsenhores José Edmilson de Macedo e Alonso Benício Leite. E que dali sejam naturais o padre Manoel Machado e o não menos renomado, Claírton Alexandrino de Oliveira, vigário-geral da arquidiocese, reitor da Igreja do Rosário e orgulho máximo da colônia lavrense em Fortaleza."

Tendo como um dos anfitriões da manhã, o próprio poeta, escritor e historiador Dimas Macedo e secretária Cristina Couto, a caravana Cariri Cangaço Lavras 2014 teve a oportunidade de conhecer esse cenário marcante da vida de nossa Lavras e de todo o Cariri; foi aqui também, nas terras de Cazuza Clemente e Cel. Joaquim Leite Teixeira, que padre Cícero Romão Batista, encontrou abrigo por ocasião dos momentos mais trágicos das perseguições da igreja ao santo de Juazeiro.

Coordenadora Joana D'Arc e Professor Cícero Brito
Cristina Couto, Luiz Augusto, Ari Camargo e Wescley Rodrigues
Tomaz Cisne e João Calixto Junior
Luiz Augusto, Guerhansbergue Tayllor e Emerson Monteiro

O santo padre da Meca nordestina tinha uma forte ligação com Quitaiús, a partir de sua amizade sólida com Barnabé Leite Teixeira, pai do Cel. Joaquim Leite Teixeira e do Major Moisés e com "Cazuza Clemente do Clã dos Clementes , um dos grandes civilizadores do Riacho do Rosário."

A programação iniciou com a inauguração da exposição de artefatos históricos organizada pelos alunos do sétimo ano da escola Joaquim Leite. Entre as peças apresentadas ao público, estavam o sino e os missais usados pelo próprio padre Cícero no distrito de Quitaiús por ocasião de suas passagens pelo lugar. "Aqui Padre Cícero tinha verdadeiros amigos e aqui recebeu todo o apoio de Cazuza Clemente e Cel. Joaquim Leite Teixeira" reafirma Dimas Macedo.

Senhor Valdemar Clemente
Casa de Cazuza Clemente

A visita se seguiu à Igreja do Rosário; onde se encontra sepultado Cazuza Clemente; e à sua casa, bem do lado da rua principal do distrito, em frente à igreja, onde hoje mora seu bisneto, Valdemar Clemente de 93 anos, com uma memória espetacular. "Vô Cazuza na época da revolução (sedição de Juazeiro) mandou 20 bois e três homens para a linha de frente da batalha" lembra em meio a emoção, Valdemar Clemente.

Reporter mirim, Wemerson Brito
Fazenda do Cel. Joaquim Teixeira Leite
Cômoda e Vestes usadas por Padre Cícero
João Tavares Calixto Júnior e Manoel Severo
Iris Mendes

Do centro de Quitaiús a caravana Cariri Cangaço Lavras 2014 se deslocou até a emblemática fazenda do coronel Joaquim Teixeira Leite, "era aqui que Padre Cicero se hospedava na época das perseguições" fala Cristina Couto. Ali, em meio a um cenário espetacular se ergue a típica casa de fazenda e nela a cômoda e as vestimentas sacerdotais usadas pelo próprio Padre Cícero naqueles difíceis anos do final do século XIX.

Ainda na fazenda do Coronel Joaquim Teixeira Leite foi apresentado pelos alunos da Escola Joaquim Teixeira o projeto "Resgatando Nossa História", uma espetacular iniciativa da coordenadora Joana D'Arc Bezerra e do professor Cícero Brito. "Resolvemos dá total liberdade aos alunos e hoje estamos colhendo estes frutos" revela o professor Brito. "O projeto é recente, nasceu em julho deste ano, mas os meninos e meninas já estão apresentando um ótimo resultado" afirma a coordenadora Joana D'Arc.

Weslcey Rodrigues
Manoel Severo e Malvinier Macedo
Manoel Severo e Ruy Gabriel

Na verdade a iniciativa encantou a todos; "os vídeos apresentados com os repórteres mirins, os receptivos em todos os locais de visita realizados pelos próprios alunos, nos mostraram a grandeza do projeto, construindo a partir da história do lugar o fortalecimento da auto-estima e cidadania daqueles adolescentes" afirma Manoel Severo do Cariri Cangaço. Ficou a lição do quanto ainda precisamos percorrer para colocar a nossa história e a nossa cultura em seu devido lugar. O Cariri Cangaço Lavras da Mangabeira 2014 em Quitaiús nos mostrou que estamos no caminho certo, agora é continuar o percurso, com muito trabalho e determinação.

Manoel Severo
Curador do Cariri Cangaço
Cariri Cangaço Lavras da Mangabeira 2014

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2014/09/quitaius-e-festa-do-cariri-cangaco.html

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O cangaço na visão do grande pintor Aldemir Martins.

Pequena biografia do mestre

O artista plástico Aldemir Martins nasceu em Ingazeiras, no Vale do Cariri, Ceará em 8 de novembro de 1922. A sua vasta obra, importantíssima para o panorama das artes plásticas no Brasil, pela qualidade técnica e por interpretar o “ser” brasileiro, carrega a marca da paisagem e do homem do nordeste.


O talento do artista se mostrou desde os tempos de colégio, em que foi escolhido como orientador artístico da classe. Aldemir Martins serviu ao exército de 1941 a 1945, sempre desenvolvendo sua obra nas horas livres. Chegou até mesmo à curiosa patente de Cabo Pintor. 


Nesse tempo, freqüentou e estimulou o meio artístico no Ceará, chegando a participar da criação do Grupo ARTYS e da SCAP – Sociedade Cearense de Artistas Plásticos, junto com outros pintores, como Mário Barata, Antonio Bandeira e João Siqueira. 


Em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro e, em 1946, para São Paulo. De espírito inquieto, o gosto pela experiência de viajar e conhecer outras paragens é marca do pintor, apaixonado que é pelo interior do Brasil. Em 1960/61, Aldemir Martins morou em Roma, para logo retornar ao Brasil definitivamente. 


O artista participou de diversas exposições, no país e no exterior, revelando produção artística intensa e fecunda. Sua técnica passeia por várias formas de expressão, compreendendo a pintura, gravura, desenho, cerâmica e escultura em diferentes suportes. 


Aldemir Martins não recusa a inovação e não limita sua obra, surpreendendo pela constante experimentação: o artista trabalhou com os mais diferentes tipos de superfície, de pequenas madeiras para caixas de charuto, papéis de carta, cartões, telas de linho, de juta e tecidos variados - algumas vezes sem preparação da base de tela - até fôrmas de pizza, sem contudo perder o forte registro que faz reconhecer a sua obra ao primeiro contato do olhar. 


Seus traços fortes e tons vibrantes imprimem vitalidade e força tais à sua produção que a fazem inconfundível e, mais do que isso, significativa para um povo que se percebe em suas pinturas e desenhos, sempre de forma a reelaborar suas representações. Aldemir Martins pode ser definido como um artista brasileiro por excelência. 


A natureza e a gente do Brasil são seus temas mais presentes, pintados e compreendidos através da intuição e da memória afetiva. 


Nos desenhos de cangaceiros, nos seus peixes, galos, cavalos, nas paisagens, frutas e até na sua série de gatos, transparece uma brasilidade sem culpa que extrapola o eixo temático e alcança as cores, as luzes, os traços e telas de uma cultura. 



Por isso mesmo, Aldemir é sem dúvida um dos artistas mais conhecidos e mais próximos do seu povo, transitando entre o meio artístico e o leigo e quebrando barreiras que não podem mesmo limitar um artista que é a própria expressão de uma coletividade. 


Falece em 05 de Fevereiro de 2006, aos 83 anos, no Hospital São Luís em São Paulo.

UMA BREVE CRONOLOGIA

1922 – Nasce em Ingazeiras, sertão do Cariri, Ceará , em 08 de novembro.
1942 – Funda o Grupo Artys e SCAP (Sociedade Cearense de Artistas Plásticos) com Mário Barata, Barbosa Leite, Antonio Bandeira.
1943 – Salão de Abril – III Salão de Pintura do Ceará.
1945 – Muda-se para o Rio de Janeiro. Exposição coletiva na Galeria Askanasi – RJ
1946 – Muda-se para São Paulo.
1947 – Exposição Coletiva 19 pintores – 3o. prêmio
1948 – Exposição na Galeria Domus, São Paulo, com Mário Gruber e Enrico Camerini.
1951 – Prêmio de desenho na Bienal de São Paulo, com “O Cangaceiro”.
1953 – Pintores Brasileiros, Tóquio, Japão.
1954 – Gravuras Brasileira, Genebra, Suíça.
1955 – Bienal Internacional de Desenho e Gravura de Lugano, Suíça.- V Salão Baiano de Artes Plásticas, Salvador, Bahia.
1956 – Medalha de Ouro no V Salão Nacional de Arte Moderna no Rio de Janeiro - XXVIII Bienal de Veneza, Itália – Prêmio “Presidente Dei Consigli dei Ministeri”, atribuído ao melhor desenhista internacional.
1957 – Exposição de gravuras no “Circolo dei Principi”, Roma, Itália, com Lívio Abramo.

- VI Salão de Arte Moderna, Rio de Janeiro.
1958 – Festival Internacional de Arte, Festival Galleries, Nova Iorque, Estados Unidos.
- VIII Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro.
1959 – Prêmio de viagem ao Exterior do VIII Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
- Exposição individual no Museu de Arte Moderna da Bahia.
1960 – Exposição coletiva Artistas Brasileiros e Americanos, Museu de Arte de São Paulo.
1961 – Exposição de desenhos e litografias na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, Portugal.
1962 – Exposição individual na Sala Nebili, Madri, Espanha.
- Exposição coletiva “Brasilianische Kunstler der Gegenwart”, Kassel, Alemanha.
1965 – Exposição individual no Instituto de Arte Contemporânea, Lima, Peru.
1968 – Primeiro prêmio por grafia na Bienal Internacional de Veneza de 1946 a 1966.
1970 – Panorama da Arte Atual Brasileira – Pintura 70, Museu de Arte Moderna de São Paulo.
1975 - XIII Bienal de São Paulo – Sala Brasileira.
1978 - Retrospectiva 19 pintores, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.
1980 – Exposição circulante, coletiva, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.
- Coletiva 48 artistas, na Pinacoteca do Estado, São Paulo.
1981 – Exposição de pinturas, desenhos e esculturas no Museu de Arte da Bahia.
1982 – Internacional Arte Expo, Estocolmo, Suécia.
1984 – Coletiva – A Cor e o Desenho no Brasil, Museu de Arte Moderna de São Paulo.
- Individual de pintura, desenho e gravura – Arte Amazônica, Nova Iorque, Estados Unidos.
- Tradição e Ruptura – Fundação Bienal de São Paulo.
1985 – Lançamento do livro “Aldemir Martins, Linha, Cor e Forma”.
1988 – Comemoração de 30 anos da SCAP – Sociedade Cearense de Artistas Plásticos - Fortaleza, Ceará.
- Os Muros de Maison Vogue, MASP – Museu de Arte de São Paulo
1989 – O Nordeste de Aldemir Martins, Espace Latin-American, Paris, França.


As fotos foram adquiridas no facebook, página do Volta Seca

http://www.pinturabrasileira.com/artistas_bio.asp?cod=3

AS CRENDICES DOS CANGACEIROS ...

Por: Jorge Remigio

Esse mundo do cangaço é mesmo muito estranho, já dizia Estácio de Lima. Para entendimento melhor desse fenômeno, é necessário desvencilhar-se de ideias contemporâneas e mergulhar de ponta em um passado remoto, brabo e supersticioso. Citarei algumas crendices extraídas do livro LAMPIÃO, O Senhor do Sertão, da francesa Élise Grunspan-Jasman, Ed. USP 2006. páginas 227, 228 e 229. Excelente livro por sinal. 


PROTEÇÕES MÁGICAS

* Cangaceiros não comem tapioca.

* Não sentam numa pedra que serviu para amolar as facas.

* Só passam por baixo de uma árvore no seu lado direito.

* Não saltam por cima de muro, não passam pelas barreiras de frente e sim de lado, levantando primeiro a perna direita. Segundo Abelardo Montenegro, os cangaceiros deviam sempre passar por cima de um muro como se passassem por cima do corpo de seu inimigo.

*Não passam por cima das barreiras e dos muros, e quando são obrigados a fazê-lo tiram antes o chapéu. Na mesma lógica, o cangaceiro nunca passa debaixo de uma rede nem debaixo da corda de um animal amarrado.

* Os cangaceiros nunca trocam de roupa, evitam tomar banho (conta-se que as "orações fortes", orações mágicas que Lampião trazia consigo, perderam seu efeito no dia de sua morte porque ele estabelecera seu acampamento no leito seco de um riacho e porque chovia: "Oração forte não pega dentro d'água".

* Não bebem água de bruços, nem no côncavo das mãos. Quando não tem cabaça ou recipiente para beber água, é o chapéu que faz as vezes de recipiente. Quando bebem água, sempre jogam um pouco nas costas.

* Limpam cuidadosamente os anéis que roubaram e depois assopram neles para atrair sorte e dinheiro.

* Quando carregam seus fuzis, tomam o cuidado de só introduzir um número ímpar de balas (nove), e no momento dos combates contam os tiros para que haja sempre um número ímpar no fuzil.

* Quando são atacados de surpresa, cortam as cordas das redes que levam consigo ao fugir. Deixar uma rede suspensa é prenúncio de morte.

Gostou?

* Quando estão reunidos numa casa, instalam suas redes de maneira que fiquem na mesma direção que as vigas.

* Não dormem com os pés voltados para uma igreja.

* Não utilizam objetos que tenham relação com o mar, nem os confeccionados com chifre de animais.

* Há dias da semana os quais não tem direito de combater e outros que não são propícios às longas caminhadas ou a uma mudança. Nunca se barbeiam na sexta-feira, a segunda-feira é consagrada às almas e a terça-feira é fonte de perigo.

* Quando deixam o seu acampamento, os cangaceiros nunca se esquecem de depositar uma pequena quantidade de sal no solo para evitar perseguições.

* Os tabus ligados ao sexo feminino, fonte de perigo, são extremamente estritos. Não montam em égua prenhe. Antes de subir na sela, verificam se esta não esconde roupas de mulher. Acham com efeito, que uma camisa, uma calça ou uma combinação de mulher, introduzidas sob a sela, as deixariam expostas a uma morte certa e imediata.

* As vésperas de uma mudança evitam relações sexuais.

* Depois de manter uma relação sexual não devem viajar durante três dias.

Bem antes da entrada das mulheres no cangaço, o próprio Lampião impunha aos seus companheiros todo um ritual cheio de proibições sexuais. Assim, era perigoso ter relações sexuais nas sexta-feiras, "dia da morte de jesus", e na véspera de combates quem tivesse cometido o "pecado da carne", devia emergir nas águas Purificadoras do São Francisco, depois das dez horas da noite, com a cabeça protegida por um chapéu de palha.

Abraço cangaceiro
Jorge Remigio

Fonte: facebook
Página: Voltaseca Volta

http://blogdomendesemendes.blogspot.com