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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A HISTÓRIA DA CIDADE – GERALDO MAIA LANÇA LIVRO SOBRE MOSSORÓ

por Webmaster

Um livro que retrata a história de Mossoró escrito por um dos pesquisadores mais sérios quando o assunto é o passado do município: Geraldo Maia do Nascimento. A obra, com o título de Mossoró na trilha da história recebeu selo da editora Sebo Vermelho e será lançada no próximo dia 13, a partir das 20h, no auditório da Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte.


De acordo com o José Wellington Barreto, presidente da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Norte, Geraldo Maia não é um autor estreante. Em 2002, “atendendo a um convite do professor Vingt-un Rosado, mecenas da cultura mossoroense, selecionou alguns desses textos e publicou o livro Fatos e Vultos de Mossoró – acontecimentos e personalidades, através da Coleção Mossoroense. Já tinha publicado, em 2001, também pela Coleção Mossoroense, o livro Amantes guerreiras, a presença da mulher no cangaço. Publicou, em 2009, pela Gráfica e Editora Piauipel, de Teresina/PI, o livro “A R L S  30 de Setembro” e, em 2012, pela mesma gráfica, publicou o livro “Judas Tadeu de Azevedo – O guerreiro solitário”. Agora selecionou outros textos, dos mais de seiscentos publicados em jornais, para formar o presente livro, com o título de Mossoró na Trilha da História – Anotações”, fala.

De acordo com ele, o trabalho de Geraldo Maia “vem contribuir com o estudo da nossa história, evitando que a pátina do tempo apague essas memórias. Dando sua contribuição nesse sentido, o pesquisador e escritor, um amante da história mossoroense, nos apresenta, semanalmente, pedaços da nossa história. E de onde ele tira esses temas? Soprando a poeira de velhos papéis das bibliotecas, dos periódicos que o tempo amarelou, de arquivos particulares, bebendo água nas fontes límpidas e cristalinas”, frisa.

Mossoró na trilha da história não é um apanhado de anotações. Ao contrário. Existe, em toda obra, um apurado senso de pesquisa, característico de todos os trabalhos realizados pelo pesquisador Geraldo Maia, durante mais de uma década em que se dedica ao trabalho de analisar, pesquisar e conhecer a história local, seja através de documentos, entrevistas ou análises de outras fontes.

O AUTOR

Para Kydelmir Dantas, “algumas pessoas chegam a determinados lugares e ficam procurando pontos negativos para terem motivos de criticar e/ou não se adaptarem. Outras, usando da razão, procuram e encontram os pontos positivos, que em todos os lugares tem, e a partir daí vão tornando-se ‘mais um’ daquela comunidade. Com muita coerência o confrade do ICOP – Instituto Cultural do Oeste Potiguar, Milton Marques, diz que a Petrobras não trouxe para Mossoró apenas o progresso advindo do ouro negro, mas, também, sua riqueza mais importante”, destaca.

Para ele, assim “o foi com Geraldo Maia do Nascimento, o natalense mais mossoroense que conhecemos, ao sair da mesmice de casa-trabalho-casa, como a maioria dos mortais, e envolver-se com a cena sociocultural da capital do Oeste potiguar”.

Geraldo Maia nasceu em Natal, Estado do Rio Grande do Norte.  Bacharelou-se em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN.

É pesquisador da história do Oeste potiguar, publicando seus estudos nos jornais e revistas da região, principalmente no jornal “O Mossoroense”, onde colabora com uma coluna semanal desde 1999.

Em 2001 publicou Amantes guerreiras – a presença da mulher no cangaço, seu primeiro trabalho pela Coleção Mossoroense. Em 2002 publicou Fatos e vultos da história de Mossoró – acontecimentos e personalidades, pela mesma editora. Em 2009 publicou “A…R…L…S… 30 de Setembro – Fundação da Loja Maçônica 30 de Setembro – pela GL Gráfica e Editora. Em 2014 publica Mossoró na Trilha da História – anotações, pelo Sebo Vermelho.

É sócio-correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN), do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP), da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC), da Poetas e Prosadores de Mossoró (POEMA), da Comissão Norte-rio-grandense de Folclore, da Comissão Mossoroense de Folclore (COMFOLK), da Academia Apodiense de Letras, da Academia Serratalhadense de Letras, da Academia Mossoroense de Letras (AMOL),  da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Norte (AMLRN), rotariano e mestre maçom.

http://gazetadooeste.com.br/a-historia-da-cidade/

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DECRETO Nº 1, DE 9 DE JUNHO DE 1930


Decreta e proclama provisoriamente a independência do Município de Princesa, separado do Estado da Paraíba e estabelece a forma pela qual deve ele se reger.

A administração provisória do Território de Princesa, instituída por aclamação popular, decreta e proclama a resolução seguinte:

Art.1º - Fica decretada e proclamada provisoriamente a independência do Município de Princesa, deixando o mesmo de fazer parte do Estado da Paraíba, do qual está separado, desde 28 de fevereiro do corrente ano.

Art.2º - Passa o Município de Princesa a constituir, com os seus limites atuais, um território livre, que terá a denominação de Território de Princesa.

Art.3º - O Território de Princesa, assim constituído, permanece subordinado politicamente aos poderes públicos federais, conforme se acham estabelecidos na Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil.

Art.4º - Enquanto, pelos meios populares, não se fizer a sua organização legal, será o território regido pela administração provisória do mesmo território.

Cidade de Princesa, 9 de junho de 1930. - José Pereira Lima- José Frazão Medeiros Lima- Manuel Rodrigues Sinhô...

VEM AÍ...Cariri Cangaço Princesa 2015; dias 19 e 20 de Março; não perca esse grande encontro com a incrivel historia de nosso nordeste...
www.cariricangaco.com


Fonte: facebook

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NOITE DE AUTÓGRAFOS DE "UMA GARÇA NO ASFALTO", DE CLAUDER ARCANJO, EM NATAL-RN


Caros amigos e amigas:

Estarei nesta quinta-feira, dia 29 de janeiro de 2015, a partir das 19h, autografando o meu livro de crônicas Uma garça no asfalto (Letra Selvagem), em Natal-RN. O evento dar-se-á na Livraria Nobel, na Avenida Salgado Filho.

Espero contar com a presença de vocês.
Deste escrevinhador provinciano,
Clauder Arcanjo.

Enviado pelo escritor, professor, pesquisador do cangaço e presidente da SEBC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Benedito Vasconcelos Mendes.

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CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DA DADÁ !


A partir do dia 07 de Fevereiro até o dia 25 de abril, período que compreende a data da morte e o nascimento de DADÁ, farei uma série de postagens diárias neste grupo...Aguardem !

Fonte: facebook
Página: Adauto Silva

Adendo - http://blogdomendesemendes.blogspot.com


Sérgia Ribeiro da Silva mais conhecida como Dadá, nasceu em Belém do São Francisco, no 25 de abril de 1915 — Salvador, fevereiro de 1994, foi uma cangaceira - única mulher a pegar em armas no bando de Lampião. Nasceu em Belém do São Francisco, onde viveu seus primeiros anos de vida e teve algum contato com índios. A família muda-se para a Bahia onde, aos treze anos, é raptada por Corisco (Cristino Gomes da Silva Cleto) - o "Diabo Loiro", de quem seria prima. Cabocla bonita, esbelta, conheceu o homem da sua vida de forma violenta, em meio a caatinga árida por onde vivia errante o bando de cangaceiros. 

A vida nômade, seguindo o companheiro, que era o segundo homem, na hierarquia do bando, a chegada dos filhos, fez com que mais que uma amante Dadá se tornou a companheira de Corisco, com quem, ainda no meio das lutas veio a se casar.

Tiveram sete filhos, que eram ocultamente deixados em casas de parentes para serem criados. Destes, apenas três sobreviveram.

O bando de Lampíão dividia-se, como forma de defesa, em partes menores, a mais importante delas era justamente a chefiada por Corisco. A esposa tinha uma pistola, que ele dera, para sua defesa pessoal, e também lhe ensinou a ler, escrever e contar.

Num dos ataques feitos pelas volantes (em outubro de 1939, na fazenda Lagoa da Serra em Sergipe), o Diabo Louro é ferido em ambas as mãos, perdendo a capacidade para atirar. Dadá, então, torna-se a primeira e única mulher a tomar parte ativa - e não meramente defensiva - nas lutas do cangaço.

Se o marido era temido como um dos mais violentos bandoleiros, consta que muitas pessoas tiveram sua vida poupada graças à intervenção de sua companheira. Dada também era chamado "Suçuarana do Cangaço"
Trágico final.

Tendo Lampião sido executado em 1938, Corisco, que estava em Alagoas com parte do bando, empreendeu feroz vingança. Como seus companheiros tiveram as cabeças decepadas, e expostas no Museu Nina Rodrigues de criminologia, na capital baiana, Corisco também cortou a cabeça de muitas vítimas, então.

O cangaço definhava, sobretudo pela disparidade de armamentos: os volantes tinham uma arma que os cangaceiros nunca conseguiram obter: a metralhadora. A própria Justiça passa a oferecer vantagens para os bandoleiros que se rendessem.

A 25 de maio de 1940 Corisco e seu bando é cercado em Brotas de Macaúbas, pela volante do tenente Zé Rufino. Dissolvera o bando, e abandonara as vestes típicas, procurando passar por simples retirantes.
Uma rajada da metralhadora rompe os intestinos de Corisco. Dadá é ferida na perna direita.

O último líder do cangaço morre dez horas depois do ataque, sendo enterrado em Jeremoabo e, dez dias após, exumado e a cabeça decepada é enviada ao Museu, junto às demais do bando.

Dadá colocada em condições infectas, tem seu ferimento agravado para uma gangrena, que restou-lhe, na prisão, à amputação quase total da perna. Por essa situação, o célebre rábula baiano Cosme de Farias, representa Dadá na Justiça, pleiteando sua libertação, em 1942.

http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9rgia_Ribeiro_da_Silva

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“O GLOBO” – 06/11/1958 - CAPÍTULO III

Material do acervo do pesquisador Antonio Corrêa Sobrinho

ASSIM FALOU VOLTA-SECA... COMO SE FORJA UM CANGACEIRO

MEU PRIMEIRO COMBATE

Como Ingressei no Bando de Lampião – Fui Praticamente Raptado – Não Foi Difícil Habituar-me à Vida do Bando – Encontro Com a Força Volante
QUANDO me vi frente a frente com os dois “cabras” de Lampião, me apavorei. Como todo nordestino, eu tinha medo dos cangaceiros, da mesma forma que da força volante, em nada melhor do que eles. Sempre ouvira falar de Lampião, e só o seu nome me punha assustado. Eu tinha apenas onze anos de idade e estava naquele momento à frente de dois “cabras”, desarmado, e ainda tendo que defender duas moças. Rosália e Lindaura não sabiam o que fazer e agarravam-se a mim com força. Os dois cangaceiros resolveram conversar. Um deles perguntou:

- De quem é isso aqui?

- De meu pai, respondeu, trêmula, Lindaura.

- Me diga uma coisa, retornou o cangaceiro, seu pai tem um cavalo ou um burro?

- Tem, sim senhor, prosseguiu, Lindaura. Tem um cavalo, mas ele está campeando. O cangaceiro olhou-nos firme de novo e disse: - Era só isso que nós queria. E já se iam embora, quando o que esteve sempre calado fitou-me fixamente e falou: - Garoto, siga a gente até o arraial. Não tive remédio senão segui-los, pois não ousava desobedecê-los. Mandei que as moças voltassem para casa e fui caminhando atrás dos cavalos até o arraial de Goloso.

Lá chegando, levaram-me para a casa do delegado, seu João Guerra, homem covarde como ele só. A sala de visitas estava cheia de “cabras”, todos mal-encarados, e que voltaram a olhar para mim logo que entrei. Ninguém falava e eu olhei curioso um por um, para ver qual era o Lampião. Ali se encontravam Corisco, Arvoredo, Virgínio, Luiz Pedro, Ezequiel, Mariano e Mergulhão. Um dos “cabras” que me trouxeram disse: - Espere aqui, garoto. Vou chamar o capitão Virgulino.

FACE A FACE COM LAMPIÃO

E foi para o interior da casa. Ouvi a voz dele no cômodo vizinho: - Seu Capitão, nós trouxemos um garoto aqui que está bom para lavar os nossos animais. Não ouvi a reposta, apenas passos em direção à sala, até que surgiu um homem alto, bem alto, magro, de óculos, chapéu grande de couro e todo equipado à moda dos cangaceiros. Seu equipamento era bonito, coberto de moedas de ouro e prata. Usava cavanhaque, mas sem bigode. Andava como pêndulo, balançando o corpo e tinha a fisionomia zangada. Quando chegou mais perto, reparei que um dos seus olhos tinha uma belida, uma névoa bem em cima da pupila. Parou na porta, olhou-me e veio em minha direção. Ficou uns segundos estudando-me de alto a baixo e depois, num tom grave de voz que impunha respeito, perguntou:

- Cumé teu nome, minino?

- Antonho...

- Antonho de quê?

- Dos Santos.

Ele me olhou novamente nos olhos e sua fisionomia carregada se abrandou, para dizer: Do diabo ninguém quer ser, não é, meu filho? E deu uma gargalhada. Foi o bastante para todo mundo rir, inclusive o delegado, que bajulava e dizia:

- É mesmo, capitão, ele é dos Santos, mas não quer ser do diabo... ka! ka! ka!

E as risadas duraram alguns segundos. Mas em dado momento Lampião parou de rir e todos o imitaram. Chamou um “cabra” e disse:

- Vá à venda e compre uma caixa de sabão “calór” e um vidro de loção perfumada.

O “cabra” foi e voltou rapidamente com uma caixa de sabonete Eucalol e um vidro de loção que entregou a Lampião. Este os passou a mim, recomendando:

- Vá lavar os animais bem lavados e depois ponha loção neles. Bem lavados e perfumados, está ouvindo?

E mandou que dois “cabras”, Mariano e Luiz Pedro, me seguissem. Saímos da casa e os “cabras” mostraram-me os animais, que eram oito, entre burros e cavalos. Levei-os para um riacho distante uns cem metros da casa, e lavei-os um por um. Eu sabia fazer aquilo muito bem, pois tinha prática, mas jamais o fizera com sabonete. Os animais, depois de bem lavados, ficaram lindos e com o pelo lustroso. Em seguida joguei loção nos bichos e, aliás, eu tanto jogava extrato neles como em mim. A verdade é que ficamos todos, eu e os animais, cheirando bem...

Mas enquanto eu os lavava, não se afastava de mim a ideia de fugir daquela gente, pois qualquer coisa me dizia que algo de mau estava me aguardando. Mas onde arranjar coragem para tanto? Depois, não me davam folga, eu estava sempre bem vigiado. Quando terminei a lavagem, entreguei os animais aos “cabras”, que acharam bom o serviço e me levaram de volta a Lampião.

ANEXADO AO BANDO

Diante de Virgulino os “cabras” elogiaram o meu trabalho: dizendo que eu sabia lavar bem um animal. Lampião gostou e, puxando cinquenta mil réis do bolso, entregou-me. – Está bom? Perguntou. – Está, sim, senhor, respondi. E criando coragem atrevi-me a perguntar: - Estou desocupado, capitão? Lampião olhou-me e disse: Está, mas vamos almoçar primeiro.

Não tive remédio senão ir. O almoço foi numa pensão, e na mesa só se sentou o bando e eu. Eu era o único estranho, ou melhor, um dos únicos, pois o delegado não saía do lado de Lampião. Comemos bem, mas não houve muita conversa na mesa. Terminado o almoço, Lampião fumou um charuto. Deixei passar um tempo e manifestei novamente vontade de ir embora. Lampião dessa vez nem me fitou e respondeu: - Pode ir. Foi quando os “cabras” resolveram intrometer-se para aconselhá-lo a ficar comigo, pois sabendo eu lavar bem os animais, poderia ser-lhes de grande utilidade. Eu quis afastar-me enquanto discutiam, mas Lampião mandou-me esperar. Depois de ouvir as razões apresentadas pelos “cabras”, deu um soco na mesa e bradou, apontando para mim: - Bem, você vai ficar comigo pra lavar os nossos animais.

Pareceu que o mundo tinha se aberto a meus pés. Desesperado, pedi que não me levassem, pois queria ficar. Apelei para o fato de o fazendeiro precisar de mim, aleguei que tinha uma roça para tratar, que as moças necessitavam de mim, mas nada demoveu o capitão Virgulino. Por outro lado, os “cabras” me aconselhavam a seguir com eles e, mais do que os “cabras”, o delegado João Guerra também me incentivava: - Vai, meu filho, dizia o cínico delegado. O capitão é uma bela pessoa e você só terá a lucrar. Não vai faltar-lhe nada e você tem muito futuro com o capitão.

Eu não queria ingressar no bando de forma alguma. Não que soubesse o que me esperava, mas doía-me deixar a fazenda de seu Danilo, sua esposa, Lindaura e Rosália, aos quais já me tinha afeiçoado. Aquele ambiente fazia sentir-me como se estivesse com a minha família. Por que iria deixá-lo, para viver com um bando de cangaceiros? Não, eu não iria! Protestei com toda a energia que era possível a um garoto de onze anos. Mas os meus protestos só serviram para irritar Lampião, que em dado momento se levantou e me perguntou de cara ameaçadoramente: Responda: quer ir ou quer morrer?

Estava tudo decidido. Muito embora eu nada respondesse, a minha atitude acovardada evidenciava que eu não queria morrer. Eu iria, mas já com a ideia de fugir na primeira oportunidade. Não ficaria no bando. Haveria de voltar para a fazenda de seu Danilo.

JÁ NÃO ERAM ANTIPÁTICOS

Foi assim que ingressei no bando do Capitão Virgulino, como lavador de cavalos, à espera de uma oportunidade para desertar. Em poucas horas aprontei minhas coisas, despedi-me da família de seu Danilo e segui amargurado e chorando. Não havia animal para mim, razão pela qual fui sentado na garupa do burro de Corisco. A viagem era dura e desde o início senti que a fuga ia ser difícil, pois aquela gente era esperta e talvez estivesse pressentindo o meu desejo. Seguimos pela estrada do Ouricuri e só acampamos na fazenda que tem o mesmo nome, algumas léguas além. No dia seguinte prosseguimos, e agora eu montava um cavalo que Lampião comprara para mim. Antes de partir, Lampião chamou-me e, sem se aperceber das minhas mágoas, disse-me que, já que eu estava no bando, precisava conhecer e respeitar o regulamento. Entre várias observações, lembro-me destas palavras: - “O regime é duro. Nada de andar com paisanos, para eles não terem gosto. Quando alguém andar errado com você, meta o pau! E não esqueça que exijo respeito!”

Continuamos a viagem. À medida que prosseguíamos, a minha ideia de fuga ia desaparecendo. Andamos muitos dias! Cruzamos vários arraiais: Zanguê, Banzaê, Buracos, Mirandela...

Pouco a pouco fui deixando de antipatizar com os “cabras”. As caras amarradas, algumas foram-se tornando simpáticas para mim e a camaradagem foi nascendo, pois todos me tratavam bem. Fui aprendendo novos modos, novas músicas, e até comecei a admirar a valentia daquela gente. Com um mês de bando eu já me sentia ambientado e gostava daquela vida de comer bem e ser respeitado onde chegava. Fazia-me bem ser olhado com temor pela gente sertaneja, que via em mim um cangaceiro, um “homem disposto”, apesar de minha pouca idade. Aos poucos, eu já olhava para os “cabras” com certa inveja de suas façanhas, e Lampião não demorou a ser para mim um verdadeiro ídolo. Ia também odiando a sociedade, graças às histórias desajustadas de meus companheiros. Cada injustiça que eles me contavam era como se tivesse sucedido a mim. Aprendi a odiar a polícia, e isso tudo sem a conhecer, pois até àquela altura ainda não tinha visto um combate, nem podia fazer ideia do que era a minha nova vida. Entrei em guerra com o mundo gratuitamente.

Sem dar por isso, passei a apreciar também o meu novo nome, o apelido que Lampião me deu – Volta Seca. Até hoje, como já disse, não sei a razão do apelido.

Com dois meses de bando, Lampião, sentindo que eu já estava preso a ele, chamou-me e, mostrando-me um rifle, perguntou-me: - Volta Seca, você já atirou com esta arma? Eu nunca havia pegado num rifle, muito embora soubesse atirar bem com um “pica-pau” fabricado por mim mesmo. – Não sei atirar, não senhor, respondi. Lampião então me deu uma aula completa de como manejar uma arma de fogo. Deu vários tiros antes e mandou-me imitá-lo. Ensinou-me a (...), isto é, prender o gatilho com o dedo, ajudado por um lenço, enquanto a outra mão acionava a alavanca, o que fazia da arma uma verdadeira metralhadora. Terminada a aula, deu-me a arma de presente, mandou-me praticar bastante e recomendou: - Não esqueça que arma é sempre perigosa. Muito cuidado! A arma só vive com a boca pra baixo... O que valia dizer que não devia facilitar com ela.

Treinei muito tiro e, com outras lições dadas pelos companheiros, acabei um exímio atirador, fato de que muito me orgulhava. Todavia, nunca entrara num combate e nem de leve me passava pela cabeça que teria de matar. Entendam-me os leitores: eu estava orgulhoso daquela nova vida de aventuras, de rasgos ousados, mas só da parte ostensiva. O cangaço, até aquela altura, para mim, era uma brincadeira, pois nem por sonho eu podia atinar com as verdadeiras finalidades do bando. E tanto não pensava nisso, que o meu batismo de fogo pegou-me ingênuo na matéria. Vale a pena narrá-lo para que se veja como o crime pode nascer na alma de uma criança aos doze anos de idade, de forma que se torna dificílima uma explicação.

MACACO NÃO VI, NÃO...

Já tínhamos deixado a fazenda Abobreiras, ainda no estado da Bahia. Eu sempre ouvia falar de “macacos”, mas não sabia que “macacos” na gíria cangaceira queria dizer soldado. Suspeitando que a força volante o seguia, Lampião mandou que eu me atrasasse, ficasse sentado numa pedra e, caso visse passar uns “macacos”, corresse a lhe avisar. Os “macacos” teriam que passar pela estrada e o bando estava afastado dela em sentido diferente. Para melhor esclarecimento, o que eu tinha a fazer era sair do bando, ver os “macacos” passarem pela estrada e voltar para avisar lampião. Assim fiz, e vinha distraído pela estrada quando observei atrás de mim um grupo grande de soldados cantando, e que passaram por mim sem me dar a menor importância. Na certa não supunham, um garoto como eu ser cangaceiro, visto que eu estava mesmo desarmado e sem equipamento, pois Lampião me mandara deixar o rifle e o cinturão com ele. Os soldados passaram e eu nem liguei, da mesma forma que eles não me ligaram. Quando desapareceram numa curva, como eu não vira nenhum “macaco” voltei por onde tinha vindo e depois de algum tempo encontrei o bando. Lampião logo me interpelou:

- Viu algum macaco?

- Nhor não. Não tinha um macaco nem pra remédio, respondi orgulhoso como quem havia cumprido bem a missão.

- Não viu mesmo nenhum macaco? Retornou o capitão.

- Não tinha não senhor, nenhum. Pela estrada só passou uma porção de sordados.

Todos se entreolharam de olhos arregalados. Ninguém riu, porque a surpresa era forte demais, mas Lampião compreendeu minha ingenuidade.

- E... e macaco, meu filho, não é o mesmo que sordado? Perguntou-me.

- Não sei, não, senhor. Macaco que eu conheço é um bicho de rabo...

- Pois aqueles sordados, meu filho, só não tem rabo, mas são macacos. 

São piores do que macaco. Aqueles é que são os verdadeiros macacos. Aquilo não presta! Aquilo é pior do que cobra, e só serve pra matar gente covardemente, tá me entendendo?

Entendi rápido. Aqueles soldados não mereciam a menor consideração e eram eles a causa de todas as desgraças do mundo, conforme me contaram várias vezes meu companheiros. 

Lampião não perdeu mais tempo com conversa. Só quis saber a direção que a volante tomara e deu ordem a todos que mudassem o rumo, pois iriam surpreender os “macacos”. Aceleramos o passo e, não sei como, uma hora depois estávamos entrincheirados numa elevação próxima à estrada. Eu nada via, mas logo percebi que os “macacos” não demorariam a aparecer, pois havíamos cortado caminho e estávamos adiante da tropa.

O BATISMO DE FOGO

Lampião distribuiu o pessoal e deu suas instruções, advertindo que só começasse a atirar depois que ele começasse. Depois me deu o rifle novamente e mandou que eu ficasse entre dois cangaceiros, sendo que um deles era o preto Bom-Deveras, um dos que atiravam melhor no bando. Fumava cachimbo e não o tirava da boca, nem para atirar. Bom-Deveras esta bem entrincheirado e eu procurei imitá-lo ao máximo. Meu coração batia descompassado, pois não precisava ser muito inteligente para perceber que o “tiro ia comer” e não demorava muito.

De fato, poucos minutos após despontou já em baixo a volante. Os soldados vinham alegres e cantando, o que valeu uma piada de Lampião: A macacada está contente, louca pra levar chumbo.

À frente da tropa vinham dois rastejadores bem atentos, alguns metros adiante dos demais. Um desses rastejadores, então mais adiantado do que o outro. Era “Cobra-Preta”, famoso por sua valentia, um rastejador respeitado e preto, como “Bom-Deveras”.

A tropa aproximava-se sem saber que a morte a esperava de tocaia. “Cobra-Verde” vinha atento, fuzil preparado, e sua figura chamou a atenção de “Bom-Deveras”, que colocou logo sob a mira e disse uma frase muito sua em momentos idênticos: - Aquele negro ali já tá fedendo... Queria ele dizer com aquilo que “Cobra-Preta” já estava mais do que morto, sob sua pontaria...

Todos estavam atentos.

O momento era solene, próprio para demonstração de bravura. A volante avançava e o bando a aguardava. Todos estavam fazendo pontaria, todos menos eu. E por que não eu? Foi o que me perguntei. E de repente, sem saber por que, enchi-me de brios e fiz também pontaria. Eu era do bando, eu estava ali para aquilo, era o que minha consciência mandava! A poucos metros da volante, com “Cobra-Preta” a menos de dez metros de nós Lampião deu início ao combate, abrindo fogo. Uma saraivada de balas se seguiu, e “Cobra-Preta” foi o primeiro a cair com a cabeça despedaçada por projeteis. Quase todos o tinham sob a mira. Os soldados surpresos com a fuzilaria, deitaram no chão para reagir, mas, bem entrincheirados, os “mininos” de Lampião iam dando cabo deles um a um. Foi tiro para valer e eu atirei bastante, mas tão emocionado estava, que creio não ter atingido a ninguém. Os soldados, em número de cinquenta, foram dizimados. Uns dez fugiram apavorados, e Lampião, ao vê-los correndo, gritava: Não adianta perseguir, pois macaco corre muito... Corre, macaco... Corre, macaco...

Alguns soldados que haviam sido atingidos, muitos deles já agonizantes, receberam tiros ou punhaladas de misericórdia. Um soldado que havia sido atingido com um tiro numa das pernas, ao ver uma “cabra” se aproximar com um punhal na mão, pôs-se a gritar: - “Não me mate, pelo amor de Deus!” “Não me mate!” Pareceu que aquelas súplicas mais enfureceram o “cabra” que, rilhando os dentes, enfiou o punhal no coração do soldado, que tombou fulminado. Eu olhava aquilo tudo admirado, mas o ódio com que meus companheiros mataram os soldados feridos calava forte em minha mente. Quando partimos dali e todos contavam vantagens, que mataram este ou aquele “macaco”, eu ouvia tudo curioso e, por que negar?, tinha mesmo inveja de não poder contar nada. Infelizmente, o futuro me traria coisas para contar, muitas mesmo, tantas, que preferiria calar.

No próximo capítulo: o amor de Lampião

CONTINUA...

Fonte: facebook
Página: Antônio Corrêa Sobrinho

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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

COMO SURGIU O GRANDE TENENTE ARLINDO ROCHA.


Filho de Joaquim Pedro de Aquino Rocha e Isabel Matias Rocha, nasceu em 1883, e veio a falecer em 1956. Era delegado em Salgueiro-PE, quando o indivíduo Antônio Padre é absolvido de algumas acusações. Solto, pede ajuda a Arlindo Rocha, que deixa morar em sua fazenda barrocas. Lá estando, em vez de cuidar de seus afazeres diários, seu coração endoida por uma donzela, Antônio Padre tenta conquistar a filha mais velha do patrão, Generosa Leite da Rocha, convidando-a irem viver juntos. Achando ter sido desrespeitado, Arlindo expulsa Antônio Padre, que vai embora para o Ceará. Ficando sobre a proteção do fazendeiro Chico Chicote. De onde manda recado pra Generosa, com a intenção de vir roubá-la, que ela estivesse pronta que era a qualquer hora e qualquer dia. Antônio Padre organiza um grupo de oito cabras, e juntando-se a Lampião, parte para o sítio Pilões, no município de Salgueiro. Avisado, o fazendeiro Arlindo Rocha ataca o bando de Lampião, matando Antônio Padre e o cabra Gavião. Em seguida dirige-se ao chefe de polícia em Recife-PE, solicitando armas e munição. É nesse momento que recebe o convite para fazer parte das volantes. Aceita e é contratado como sargento. Junto com familiares e amigos, formam um grupo de sete pessoas, que são contratados como soldados. Está formada nesse modo, a volante do sargento Arlindo Rocha, são eles: Vicente Pereira Matias e Masculino Matias Leite (cunhados de Arlindo), Antônio Matias de Santana ( genro de Arlindo), Manoel Matias Rocha e João Matias Rocha, este conhecido como João Lica (primos), Acilon Faustino (amigo), e Pedro Aureliano (morador de sua fazenda, melancia).

Os cabras de Antônio Padre, juntos a Lampião, conseguiram convencê-lo que fossem para Salgueiro, sua intenção, era "enterrar a barroca e partir a melancia", que eram duas fazendas de Arlindo Rocha. E assim começou a luta com os cangaceiros que correu rios de sangue, onde Arlindo Rocha soubesse que Lampião estava, partia à sua procura, pra destruí-lo na bala.

Arlindo Rocha já promovido tenente, foi ferido no queixo, no grande tiroteio da Serra Grande, município de Serra Talhada-PE, no dia 26 de novembro de 1926, onde morreram dez soldados e trinta saíram feridos. A salvação dos outros foi o tenente Gino, que temeu entrar na luta e ficou na ponta da serra. Quando Antônio Ferreira, irmão de Lampião, junto com outros cangaceiros se aproximou para sangrar o tenente Arlindo Rocha, que estava sendo socorrido pelos seus companheiros. Tenente Arlindo, muito ligado aos Nazarenos, era comum brigarem juntos, enfrentando Lampião e seu assustador grupo, como no tiroteio da Serra Grande, onde se reuniram as volantes, de Euclides Flor, Arlindo Rocha, Higino Belarmino (Gino) e Mané Neto.

Fonte: facebook

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HOJE NA HISTÓRIA DE MOSSORÓ - 27 de Janeiro de 2015

Por Geraldo Maia do Nascimento

No dia 27 de janeiro de 1866 o vapor Maranguape, da Companhia Pernambucana de Navegação Costeira, chegava ao local Roncadeira, do Rio Mossoró, bem próximo do porto da Jurema, apenas distando 18 quilômetros de Mossoró. 
               
Na época o nosso rio era francamente navegável, principalmente no período das chuvas. Essa rota ligava a cidade a orla marítima.
               
Com a construção das barragens, não é mais possível navegar pelo rio.

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COMEÇA O CARIRI CANGAÇO 2015: PRINCESA ISABEL EM MARÇO

Emmanuel Arruda, Manoel Severo e Prefeito Domingos Sávio em Juazeiro do Norte

O último final de semana marcou a reunião de trabalho entre o Cariri Cangaço e Princesa Isabel para o fechamento final do evento, que sem dúvidas se configura como um dos mais esperados do ano: Cariri Cangaço Princesa 2015. Estiveram reunidos na cidade de Juazeiro do Norte, no Ingra Premium; hotel oficial do Cariri Cangaço; o curador do evento, Manoel Severo, o prefeito municipal de Princesa, Domingos Sávio, o assessor Emmanuel Arruda e o secretário de infraestrutura Valmir Souza.

O ponto alto do encontro foi a definição da data do evento: 19 e 20 de março, próximos. Data em que se comemora o aniversário de um dos mais talentosos artistas do nordeste, filho de Princesa Isabel: Francisco Soares de Araújo, o nacionalmente conhecido "Canhoto da Paraíba". Para o Assessor Emmanuel Arruda "será uma grande alegria ter o Cariri Cangaço nessa data em que Princesa celebra um de seus mais destacados filhos, que é Canhoto da Paraíba". 

Domingos Sávio, Valmir Souza e Emmanuel Arruda na Meca Juazeiro do Norte

O prefeito Domingo Sávio conclui: "É uma honra receber o Cariri Cangaço, sem dúvidas Princesa Isabel é uma terra de muita história e tradição e foi decisiva em um dos episódios mais marcantes deste século XX que foi a Revolução de Trinta, vamos ter a grande oportunidade de recontar essa história e receber os filhos de Princesa que moram fora, além dos muitos e muitos convidados do Cariri Cangaço, pesquisadores de todo o Brasil."

Para Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço: "Hoje estamos fazendo história aqui em Juazeiro do Norte, sob as bênçãos de Padre Cícero! Fechamos a parceria entre o Cariri Cangaço e o município de Princesa Isabel, nesta honrosa visita do Domingos, do Emmanuel e Valmir, e ainda ter nosso Cariri Cangaço numa data tão significativa, quando Princesa Isabel realiza uma grande festa reunindo seus filhos de todos os cantos do Brasil, é uma grande honra, vamos sim nos esforçar para realizar um espetacular Cariri Cangaço, sem dúvidas já temos uma competente equipe trabalhando nisso, sob a coordenação de nosso confrade Emmanuel Arruda, vamos em frente".


Dias 19 e 20 de Março a terra do Coronel Zé Pereira, de Marcolino Diniz e Xanduzinha; 
o "Território Livre" de Princesa recebe 
em grande estilo o Cariri Cangaço, 
seja bem vindo.

Em breve programação completa.

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LAMPIÃO EM RIBEIRA DO POMBAL

Lampião e seu bando na Vila de Pombal em 17/12/1928 - (Hoje, Praça Getúlio Vargas) Ribeira do Pombal - BA

Já se tinha notícias da presença do maior cangaceiro do século XX, Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, considerado o rei do cangaço - 1927/1940 - à Bahia no ano de 1928. A possibilidade de ter levado Lampião a cruzar o Rio São Francisco rumo aos Sertões da Bahia, seria, a que tudo indica, a falta de opção. Em todo o Nordeste só restavam Bahia, Sergipe e *Piauí, onde poderia hospedar-se com o resto dos seus cabras.

O ataque a grandes centros urbanos, acirrou os ânimos das policias de alguns estados nordestinos, visto que houve repercussão nacional dos episódios. Daí por diante, Lampião não teria trégua; o jeito era dispensar muitos de seus cabras. Para facilitar a fuga da furiosa perseguição policial, quanto menos gente, melhor.

Nessa altura, coligaram-se as policias de Pernambuco, Ceará, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte e durante vários meses investiram numa perseguição implacável a todo o bando. Não existia outra alternativa senão um dos três estados restantes do nordeste.

Para Piauí, Lampião jamais iria, primeiro porque lhe era terra desconhecida e segundo porque era o estado mais pobre, entre os pobres do nordeste. O bandoleiro sabia por experiência que na Bahia iria encontrar condições favoráveis.

Se o Capitão Virgulino não tivesse tentado ocupar Mossoró pela força, então o maior município do interior do Rio Grande do Norte, ou tivesse conseguido, provavelmente a Bahia jamais o tivesse hospedado em seu território.

Quando desembarcou aqui na Bahia, em 21 de agosto de1928, Lampião se quisesse, poderia ter tentado reconquistar a sua condição outrora de homem livre, trabalhador, honesto, produtivo. Não o fez. A índole de bandido calava mais forte.

Ao pisar em terras baianas, Virgulino Ferreira da Silva, já tinha 31 anos de idade, ostentava a patente de capitão, título de que muito se orgulhava e fazia alarde. Além de Mossoró (1927), assaltara, em lance de grande atrevimento, Água Branca (1922) em Alagoas, quando saqueou a baronesa Joana Viana de Siqueira Torres, despojando-a de jóias e moedas de ouro do Império, com as quais passou a enfeitar-se. Esse episódio, somado ao frustrado assalto a Mossoró, à patente de Oficial do Exército e às inúmeras batalhas em que se envolvera (Baixa Grande, junho de 1924; Serrote Preto, fevereiro de 1925; Serra Grande, novembro de 1926), bem como ao saldo de mortes que lhe vinha no rastro, davam-lhe prestigioso renome em todo o Brasil e até no exterior.
Recorte de Jornal da Época

Um dos primeiros contatos de Lampião em terras baianas foi em Santo Antônio da Glória. Lampião partira da Serra Negra (em Floresta, Pernambuco, seu estado Natal), ladeou Riacho dos Mandantes de onde passou para as margens do Rio São Francisco. Em seguida avançou pelas propriedades Sabiuçá e Roque, cruzou o Velho Chico e ganhou as terras baianas. Aqui seu itinerário foi o seguinte: Serra Tona, Fazenda Salgado e o povoado Várzea da Ema, município de Glória.

Após várias andanças e as notícias ocultas, somente em dezembro é que Lampião ressurge no cenário baiano, exatamente no dia 15 de dezembro de 1928, na vila do Cumbe (atual cidade de Euclides da Cunha). De lá partiram rumo a Tucano, onde concede uma entrevista a um jornalista da terra e recebe a notícia que mandaram buscar reforço policial na cidade de Serrinha, o que apressou a saída do bando do município. Partiram de lá às onze horas da noite, aproximadamente, em destino a Pombal.

Antigo Mercado de Ribeira do Pombal - Década de 50

Desde aqueles sábado, 15 de setembro de 1928, que já se sabia que Lampião encontrava-se no município de Tucano, pois todos os viajantes, que lá procediam, noticiavam aos habitantes de Pombal da visita do então cangaceiro.

Lampião e mais sete cabras do seu bando chegaram à vila de Pombal por volta das seis horas da manhã, um domingo do dia 16 de dezembro de 1928.

O Sr. Paulo Cardoso de Oliveira Brito, mais conhecido como "Seu Cardoso", narrou, detalhadamente, como foi a visita de Lampião na Vila de Pombal:

"Eu era intendente, na época. Desde o sábado à noite se corria o boato na rua que Lampião estava na cidade de Tucano, mas de paz.
Eles chegaram de manhã, bem cedinho, eu estava deitado e o empregado estava varrendo o terreiro da casa (o velho sobrado dos Britto), abordaram o empregado e mandaram me chamar. Com certeza eles já haviam se informado quem era o administrador da vila. O empregado subiu e me avisou, mas não soube dizer quem era; fui até a porta às presas e perguntei a ele o que queria. Ele se identificou por Coronel Virgulino.

Tomei um susto ao perceber que estava diante do mais temido bandido do sertão. Eram oito homens, sete ficaram encostados no carro e só o capitão tinha se aproximado.

Disse que queria tomar café. Mandei logo providenciar. Perguntou quantos soldados havia na vila; respondi que apenas três; mandou avisá-los para não reagir, pois estaria ali apenas de passagem ".
O próprio empregado foi até o quartel levar a tranquilizadora notícia, transmitindo-a ao cabo Esmeraldo, comandante e chefe do destacamento.

Lampião em Ribeira do Bombal - BA
Lampião e seus cabras de deliciaram com o café com cuscuz que lhe ofereceu o anfitrião. Mas tarde, o bando chegou até o quartel, desarmaram os militares, intimando-os a acompanhá-los até a cidade mais próxima para onde iam. Lampião disse em tom sarcástico: “... assim vou mais garantido porque estou com a força".

Antes de saírem, Lampião e seus cangaceiros foram conhecer a Vila Alegre com a boa hospitalidade a eles oferecida. Para deixar uma ótima impressão de sua visita à Vila de Pombal, perguntou se havia um fotógrafo; mandaram chamar Alcides Franco, alfaiate e maestro da Filarmônica XV de outubro, que possuía uma máquina fotográfica. Pediu que batesse uma chapa do bando para ali ficar de recordação (essa foto é uma das mais nobres no acervo sobre o cangaceiro, presente em quase todos os livros, sobre o bandoleiro).

Praça. Getúlio Vargas (Atualmente) - Cenário da fotografia de Lampião (Acima) - Ribeira do Pombal - BA

Por volta de oito horas da manhã o bando saiu da vila, partindo espalhafatosamente com destino a Bom Conselho (atual cidade de Cícero Dantas).

A partir daí Lampião continua suas andanças por terras baianas. Em 22 de dezembro de 1929, vindo de Capela, interior do Estado de Sergipe, passando por Cansanção, interior da Bahia, o Capitão Virgulino chega a Queimadas, cidade próxima a Monte Santo. No cumprimento de mais uma de suas façanhas, Lampião, nessa cidade, realizou um dos maiores saques cometidos na Bahia, acompanhado de gravíssimos crimes e orgias de sangue.

Após sair de Queimadas, tem-se notícias do bando dos cangaceiros no arraial de Triunfo (atual cidade de Quijingue), onde festejaram e saquearam o pequeno comércio local.

Ao amanhecer do dia 25 de dezembro de 1929, portanto três dias após o acontecido na cidade de Queimadas, mais uma vez Lampião e seus cabras chegam às redondezas de Pombal.

Nesta mesma manhã, o Sr. Cardoso recebeu um bilhete, mandado por Lampião, pedindo uma quantia exorbitante de dinheiro. A quantia era tão grande que se reunisse todo dinheiro da Vila, não pagava.

O Sr. Cardoso temendo uma represália por parte do cangaceiro, se não enviasse pelo menos uma boa parte de dinheiro e uma desculpa bem, convincente, conseguiu o equivalente à metade do pedido, mandando pelo mesmo portador que trouxe o bilhete.

Não se registrou nenhuma agressão ou tentativa de saque na Vila de Pombal, certamente o Capitão Virgulino aceitou as desculpas do administrador local ou imaginou outra hipótese, como por exemplo, a essa altura, talvez já se encontrasse ali reforço policial e o bilhete que enviara dava testemunho de sua presença nas imediações. Dava tempo muito bem da força preparar uma emboscada caso ele tentasse invadir a vila. O certo é que Lampião dotado de muita astúcia e arquiteto das mais engenhosas proezas, sem dúvida tivesse pensado inúmeras desvantagens em tomar a Vila de Pombal para assalto.

Na mesma manhã do Natal de 1929, o bandoleiro chega ao distrito de Mirandela. Foi previamente informado que o destacamento era constituído de apenas cinco praças e um comandante; envia então uma intimação ao sargento, com os seguintes termos:

"Sargento arretire daí levando sua pessoa que preciso intra neste arraiá agora se você não sai ajusta conta com eu Capitão Virgulino vurgo Lampião".

Certamente o comandante do destacamento ignorava o recente acontecimento de Queimadas, onde Lampião enfrentou muito mais soldados do que os ali existentes. O sargento Francisco Guedes de Assis demonstrou disposição e evitou acatar ao utimato, contrariando ao desejo do cangaceiro, mandou-lhe resposta num outro escrito, com os seguintes dizeres:

"Bandido Lampião, estou aqui com a edificante missão de defender a população do Arraial contra a sua incursão e do seu bando. Se você entrar lhe receberemos a bala".

Pouca gente sabe desse episódio que aconteceu em Mirandela, porém, não só foi contado por moradores que vivenciaram o caso, como também foi encontrado um registro escrito por um dos cangaceiros, por nome de Ângelo Roque, confirmando o fato. O registro manualmente escrito dizia:

"Seguimo para Mirandela.
Mandemo dizer ao sargento, qui tava distacado lá, que nóis, ia passa ali, sem arteração.
Ele arrespondeu pelo portado qui nóis pudia passa pru fora da rua que ele num botam persiga atraiz.
Mais si nóis intrasse dento da rua levava tiro.
Isso foi num dia vinte i cinco di dezembro.
Nóis arrezorveu ataca.
Um pade tava na igreja dizeno missa.
Era um sargento Guedes.
Disparemo as arma pra dento da rua qui istrondô i avanecemo pra frente".

O destacamento de seis militares, recebeu espontaneamente, a adesão de dois civis: Manoel Amaral do Nascimento e Jeremias de Souza Dantas.

Guedes divide sua pequena tropa em três grupos, colocando-os em três pontos diferentes e estratégicos. Eram dezessete bandidos contra seis militares e dois civis. Os bandidos invadem o arraial, atirando em todas as direções; Mirandela é heroicamente defendida.
A luta dura duas horas e meia, aproximadamente, apesar da desvantagem dos defensores. Em determinado momento, o fogo dos sitiados começa a decrescer. Os bandoleiros sentiram que estavam ganhando a batalha e acirraram o ataque.

Manoel Amaral do Nascimento foi ferido e, enquanto era conduzido pelo sargento para o interior de uma casa, é morto à queima-roupa por um bandido que se presume ter sido Alvoredo. Guedes ainda atira no cangaceiro, que pede socorro aos companheiros. Ao notar que os cangaceiros atendem ao apelo de socorro, Assis corre e se refugia no mato. Jeremias de Souza Dantas, popular Neco, o outro civil, também é assassinado.

Depois do acontecido, um cangaceiro por nome de Labareda, documenta o fato em uma folha de papel, reproduzindo o que se passou no local:

"Lampião entro pulo cento da rua, junto com Zé Baiano, Luiz Pedo e outros. Zé Baiano tinha sumido de nóis dois dia só i tomo partido das disgracera de Queimada. Us macaco de mirandela inda brigam muito mais porem terminaro debandano. I si escondero pru perto cum pirigo pra nóis di tiro imboscados. Morreu nessa brigada um camarada pru nomi Manoé de Mara. Matemo uns dento di casa i um macaco materno pruquê pidiu paiz cum lenço branco na boca du fuzi i ninguém intendeu ou num quis intendê. Tamem cangacero num tinha esse negoço di faze as paiz nu meio das brigada. Ele teve di morre pois teve brigano. Tumemo us dinhero pussive nu começo i nas casa”.

O saldo da guerra: morreram os dois civis, um dos militares, sendo que os outros, inclusive o sargento Guedes, fugiram, embrenhando-se no mato; também foi ferido um cangaceiro por nome de Luiz Pedro. O bando sai de Mirandela, carregando o cangaceiro ferido, e vitoriosos, ganham o mato, como sempre, sem destino. Tem-se notícias do bando, mais tarde, de que estariam num esconderijo, perto de Pinhões, povoado de Euclides da Cunha, em um sítio é denominado Olho D'água.

*Fernando Amorim é autor do livro "Memória histórica de Pombal". Capítulo concebido em entrevista ao então intendente da época, o Sr. Cardoso.

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A Amplificadora de Mossoró - 25 de Janeiro de 2015

Por Geraldo Maia do Nascimento

Podemos dizer que a radiodifusão sonora foi apresentada ao Brasil em 1922. Naquele ano, o Brasil estava comemorando o centenário de sua Independência. E como parte da comemoração foi montado um pavilhão na Praia Vermelha, Rio de Janeiro, onde cada país amigo apresentava em um stand uma novidade. Os Estados Unidos foram representados pela empresa Westinghouse Electric, que montou em seu stand um estúdio, onde faria demonstração de como funcionava uma emissora de rádio. Através dessa estrutura, ocorreu a primeira transmissão radiofônica do Brasil, em caráter experimental, quando no dia 7 de setembro de 1922 transmitiu o discurso do Presidente da República, Epitácio da Silva Pessoa, em alusão ao evento. Alguns privilegiados ouviram a mensagem através de aparelhos receptores de rádios, trazidos pelos americanos, enquanto que o grande público ouviu por intermédio de um sistema de alto-falantes instalados pelas ruas. O mesmo discurso foi ouvido em São Paulo, Petrópolis e Niterói, graças a instalação de uma potente “estação transmissora” (torres, transmissor, etc.) no alto do Corcovado.
               
Mossoró veio a conhecer a radiofonia através das ideias inovadoras do padre Luís da Mota, então Prefeito da cidade, que inaugurou em 04 de julho de 1938 a Amplificadora Mossoroense.
               
A Amplificadora foi instalada na Rua 30 de Setembro, no trecho que faz parte da atual Praça Vigário Antônio Joaquim Rodrigues, num pequeno sobrado que era a extensão do sobrado principal de Hemetério Leite, na Rua Dr. Almeida Castro. Tratava-se de uma emissora de rádio com som aberto. No pequeno sobrado estavam instalados os equipamentos, os estúdios e a administração da mesma. O som era gerado por um amplificador de 25 watts e distribuídos por três alto-falantes, cujas localizações eram: o primeiro em frente ao próprio prédio da amplificadora, na Praça Vigário Antônio Joaquim, o segundo próximo à Cadeia Pública, atualmente o Museu Histórico Municipal da cidade, e o terceiro na Rua Desembargador Dionísio Filgueira com a antiga Rua 13 de Maio.
               
Uma curiosidade é que a programação da amplificadora iniciava-se às 18:00 horas e encerrava-se às 21:00 horas. Músicas, notícias e curiosidades eram diariamente transmitidas. Nessa hora todos colocavam suas cadeiras nas calçadas para ouvirem as últimas novidades e se deliciarem com “lindas páginas musicais”. O slogan anunciado era: “Amplificadora Mossoroense, a Voz da Cidade”.
               
Apesar da emissora ser mantida pelos cofres municipais, era possível fazer comerciais de empresas locais. Segundo o Prefeito, era uma forma de arejar o orçamento do município.
               
A Amplificadora Mossoroense foi testemunha de muitos fatos do cotidiano local, e alguns tiveram até desdobramentos internacionais. Citamos um: notícia transmitida em janeiro de 1942, quando Getúlio Vargas, (1882-1954), então Presidente da República, logo após a III Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, declarou o rompimento de relações diplomáticas do Brasil com os países do Eixo – Alemanha, Itália e Japão, isto significou a entrada do Brasil na II Guerra Mundial, oficializada pelo Decreto nº. 10.358, de 31/08/1942.
               
Raimundo Soares de Brito em seu livro “Páginas Arrancadas – Memória”, registrou que “nas noites em que não havia a retreta do Mestre Artur Paraguai na Praça Vigário Antonio Joaquim, a Amplificadora Municipal, pelas vozes de Jim Borralho Boavista, Genildo Miranda, José Leite e outros, faziam a alegria do ambiente com programações de músicas variadas.”
               
Através Amplificadora do Padre Mota, como era conhecida, Mossoró entrou na onda da radiodifusão, trazendo informações e alegria a terra de Santa Luzia do Mossoró.

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A Casa de Pedra e Otávio Maia

José Otavio Maia e Professor Pereira na Casa de Pedra

Caro amigo Severo, estamos juntos neste que será um grande ano para nós, se Deus quiser. Tenho um convite do amigo José Otávio Maia para você conhecer a Casa de Pedra de Jesuíno Brilhante, sendo seu hóspede na Fazendo Olho D'água, de sua propriedade. 

Essa Fazenda fica em Catolé do Rocha, na divisa da PB com RN. Seria num final de semana; sábado e domingo; e poderia reunir alguns amigos do Cariri Cangaço, para um bate papo sobre Jesuíno Brilhante. Ele quer reunir um grupo, nesse dia

O recado está dado, o convite é dele.

Abraços. 
Professor Pereira

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