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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

VIRGULINO DO NORDESTE

Por Eleuda de Carvalho

Num pé de serra pernambucano, por mãos hábeis de parteira, que era assim que vinham ao mundo os meninos daquele tempo, nasceu aquele que se tornaria depois, para mal ou para bem, um líder. O rei do cangaço. Em 7 de junho de 1897, mesmo ano em que o sonho de Canudos seria desmantelado a bala e tiros de canhão, haveria de surgir um outro sonhador para o povo nordestino, ou mais um pesadelo para os senhores do baraço e do cutelo. Dividido entre a figura de bandido, e a efigia de herói, batizou-se na igreja como Virgulino Ferreira da Silva, mas foi crismado na guerra como Lampião. E com este nome se escreveu a história. 


O fenômeno do cangaço, consequência do contexto de opressão e desmandos das elites sertanejas, começa a preocupar o governo federal quando as ações dos bandos armados extrapolam os limites das fazendas, e perigam se instaurar nas cidades. Com o  fim da chamada velha república, em 30, o poder centralizador e patriarcal dos coronéis cede sem volta seu lugar a lideranças mais modernizantes. Mesmo sem a anistia parcial decretada por Getúlio Vargas, o cangaço estava com seus dias contados. A morte de Lampião e seu grupo em Angico, alto sertão de Sergipe, em 38, foi o sinal de que aquela página estava virada. Morto o homem, nascia a lenda. Em prosa e verso, imagem e movimento. 

Lampião é, ele mesmo, o paradoxo da região nordestina. Entre o arcaico e o moderno, o brutal e o generoso, o leal e o traiçoeiro, sua imagem caolha e cabocla transita de maneira tão natural, que não é estranho este sentimento mesclado de pavor e bem-querença com o qual traduzimos nossos sentimentos a respeito dele. Sem dúvida, a indumentária que ele criou, mistura de vaqueiro psicodélico com Napoleão, representa tão bem uma estética/ética guerreira do sertão, que o jovem Luiz Gonzaga, sabido como ele só, travestiu-se de cangaceiro para divulgar seus baiões, xotes e xaxados (ritmo e dança criados Jararaca, segundo alguns), e fez desse visual a marca do seu sucesso.


O sociólogo Daniel Lins no programa Rádio Debate da Universitária FM, critica seu par Gilberto Freyre, quando este sugeriu uma pulsão homossexual em Lampião, por seu gosto ostentatório. "O senhor Gilberto Freyre tinha dito, doi sou três anos antes de morrer, que Lampião, ao costurar - e costurava muito bem, ao bordar, bordava muito bem, ao ser artista, aquele artesão que era, ao se vestir e usar perfumes e usar anéis, aqueles lenços de seda bordados e tudo, daria impressão de um efeminado. O senhor Gilberto Freyre não entendeu nada". Assim como não quer compreender boa parte da comprometida intelectualidade brasileira, que geralmente olha atravessado para tudo que tenha a marca nordestina ou popular.

Ao se debruçar sobre o personagem, investigando a sua trajetória ambígua entre facínora e paladino. Daniel Lins chega a uma conclusão muito interessante: Lampião comprovou o mito. Ele explicou o mito com o próprio mito que era ele. E dentro do estudo herói, você encontra todas as características, Lampião não foge a regra. O problema de ser ou não ser herói para Lampião não depende mais do conceito da elite brasileira, que morre de vergonha da nossa identidade".


Outro ousado pesquisador das manifestações culturais desta região é o jornalista e escritor Gilmar de Carvalho. Há 20 anos ele publicava o romance Parabéllum, em que o herói é composto como um tríptico, apresentando três personalidades. Embalado no espírito da época, o herói, daí em diante, deveria ter não um rosto, mas representar uma face coletiva, evocando a utopia social. Uma das caras deste múltiplo herói trazia as características de Lampião. "Você é um escorpião pronto para o bote e que se insinua certeiro. Você não veio oferecer o outro lado da face, bate. Você veio para escarrar no rastro e derramar pólvora e sal e aceitar ser o contorno preto de uma figura o a mão que empunha o punhal e a boca que prescinde de Palavras".

Lampião começou seu reinado em 1922, mesmo ano da Semana de Arte Moderna. Embora isolado nos ermos pedregosos e ásperos da caatinga, ele estava vinculado ao seu tempo. Fez pose para o fotógrafo e cinegrafista amador Benjamim Abraão, que registrou alguns momentos lúdicos e despreocupados daqueles homens e mulheres, que mesmo perseguidos e com cabeça a prêmio não descuidavam do visual. Era com música que Lampião anunciava sua chegada em vilas e cidades. Ou então a descargas furiosas de fuzis. Para os amigos, festa; aos inimigos, a bala aguda e certeira no coração.

De todas as vilas e povoados por onde andou, um deles foi quase fatal. Velhos agricultores da região de Jaguaruana, ao pé da serra Dantas, que separa o Ceará do Rio Grande do Norte, ainda comentam a passagem de Lampião e seu grupo pela antiga Estrada do Fio (do tempo do telégrafo), em rumo de Mossoró. O revés quase desmantela o bando, além de ter ficado detido o valente Jararaca, jovem chefe cangaceiro de 20 e poucos anos, que embora ferido gravemente e exposto à perversa curiosidade pública, manteve-se tão altivo, impávido colosso, que ainda hoje a sepultura onde foi jogado ainda vivo é centro de romarias. Eis o rastro heroico do cangaço, cujo poder só pode ser comparado ao dos beatos que ainda apregoam o fim do mundo; dois ângulos diferentes de um mesmo cristal.

Todo o agreste solar era o caminho de Lampião, este andarilho. Se sabia sempre onde ele esteve, onde estava sabiam não. Para o produtor e radialista José Rômulo Mesquita Martins, que possui bom acervo sobre tema, "Lampião só nunca desmanchou o trato com o Padre, nunca atacou o Ceará. Diz que tinha feito um pacto co o Padre". Porque é sabido que ele não se submetia a ninguém, não temia tenente ou capitão. Teve a audácia de enfrentar os mais poderosos senhores do sertão nordestino, porém deixava seu arsenal entocado na Chapada do Araripe, quando descia para o Juazeiro, onde encontraria conforto nas palavras do Padrinho. Lampião nem foi ao inferno nem ao céu. Seu reino era deste mondo, era o sertão.

Eleuda de Carvalho

Fonte: "O Povo"
Fortaleza: 07 de julho de 1997
Ano: ?
Número: ?
Digitado e ilustrado por José Mendes Pereira - Perdoem-me alguns erros. Eu estou multo ruim da visão

Este jornal foi a mim presenteado pelo pesquisador do cangaço e membro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Francisco das Chagas do Nascimento (Chagas Nascimento).

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FELIZ ANIVERSÁRIO, JOSÉ ROMERO!

Por Oliveira do cordel

O tempo conta a idade,
Cada dia é uma cantiga,
Que revela uma verdade
Pra que assim a vida siga.
Ame o teu semelhante,
Tenha a paz como amiga!

A cada ano vivido
Aprende-se uma lição,
Que a vida só vale à pena
Se tu amas teu irmão.
Só assim tens recompensa,
Pois em ti, Deus, faz presença
E o amor faz-se razão.

Parabéns! Muita paz, saúde e dindim!

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso


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CARTA DE LAMPIÃO AO GOVERNADOR DE PERNAMBUCO

Por Analucia Gomes

Lampião dirige carta ao então governador do estado de Pernambuco, Júlio de Melo, que lhe fora entregue pelas mãos de Antônio Guimarães, chefe de polícia do estado num momento qualquer de sua trajetória. O conteúdo do texto escrito por Lampião rezava os motivos da partilha do estado entre o litoral e o sertão. Ficaria o mar por conta do governador e o sertão segundo o mando do chefe cangaceiro.


Senhor governador de Pernambuco,

Faço-lhe esta devido a uma proposta que desejo fazer ao senhor para evitar guerra no sertão e acabar de vez com as brigas. Se o senhor estiver no acordo, devemos dividir os nossos territórios. Eu que sou capitão Virgulino Ferreira Lampião, Governador do Sertão, fico governando esta zona de cá por inteiro, até as pontas dos trilhos em Rio Branco. 


E o senhor, do seu lado, governa do Rio Branco até a pancada do mar no Recife. Isso mesmo. Fica cada um no que é seu. Pois então é o que convém. Assim ficamos os dois em paz, nem o senhor manda seus macacos me emboscar, nem eu com os meninos atravessamos à extrema, cada um governando o que é seu sem haver questão. Faço esta por amor à Paz que eu tenho e para que não se diga que sou bandido, que não mereço. 

Aguardo a sua resposta e confio sempre. 
Capitão Virgulino Ferreira Lampião, Governador do Sertão (MACIEL, 1988, p. 38). 

A atitude de Lampião (se de deboche, se irônica, se verdadeira, embora pelo tom pareça verdadeira) é de caráter universal entre os bandidos. 

* Pesquisa de Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro/Simão Pedro dos Santos.

https://www.facebook.com/groups/ocangaco/?fref=ts

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JARARACA - SANTO E CANGACEIRO...!

Por Volta Seca
https://www.youtube.com/watch?v=iEm-MuK2mZc


Dando uma cutucada na net encontrei esse vídeo, que para muitos mossoroenses, o cangaceiro JARARACA é considerado um "santo milagreiro". Em dia de "finados" seu túmulo é mais visitado que o do Prefeito Rodolfo Fernandes que foi o grande articulador e estrategista na defesa da cidade de Mossoró, por ocasião da invasão do bando de Lampião em 13 de junho de 1927.



Assista o vídeo e, tire suas conclusões.... SERÁ CRENDICE? Será uma Visão Messiânica de algumas pessoas, atrasadas culturalmente?
Que fator(es) pode(m) explicar esse fato?

Dê sua opinião sobre esse fato...abs...



A pesquisadora Ana Cecília Correia Lima deu sua opinião:

Como você pediu a opinião das pessoas ligadas a sua página (creio eu) vou tentar falar algo que me parece, ok? 

1) Existe a 'etnopsiquiatria' que estuda os fenômenos psíquicos dentro de uma cultura (no caso a do Cangaço).

2) A partir da 'etnopsiquiatria' podemos dizer que pessoas muito ligadas àquela cultura em especial (o Cangaço) influem na imaginação popular de modo muito poderoso. 

3) Jararaca sofreu um 'martírio' que podemos associar à vida de muitos santos e talvez até de Jesus (radicalizando). 

4) Parece-me que juntando todas essas observações temos o 'caldo cultural' do Messianismo popular que acaba 'elegendo' certas pessoas como seus intermediários entre o sofrimento aqui na Terra e a possibilidade da redenção nos Céus que os mártires de todos os matizes provocam. 

Obrigada, grande abraço!

https://www.facebook.com/groups/lampiaocangacoenordeste/?fref=ts

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BOI CONDENADO À PENA DE MORTE PELO DEPUTADO FEDERAL FLORO BARTOLOMEU

Por Lira Neto editor do Sábado

Ao mesmo tempo em que tirava dividendos da mística em torno de Padre Cícero Romão Batista de Juazeiro, Floro Bartolomeu não hesitava em manter a força incontrolável de religiosidade popular sob controle. Por esse motivo é que ele, em 1923, chega a declarar pena de morte a um touro, o “Boi mansinho”, que havia sido dado de presente ao beato José Lourenço pelo Padre Cícero.

Beato José Lourenço

Pelo simples fato de ter pertencido a Padre Cícero, o touro teria virado objeto de adoração. Havia até mesmo quem acreditasse que o animal era “fazedor de milagres”. Por isso, espalhou-se a notícia de que gente do povo bebia a urina e comia as fezes do bicho, que supostamente teriam poderes mágicos de curar todos os males.

Floro Bartolomeu e Padre Cícero

Floro Bartolomeu teria ordenado então a prisão de Lourenço e o sacrifício do animal em praça pública. Como todos os episódios que cercam Floro Bartolomeu, esta história é recheada de versões contraditórias. Uns dizem que a carne foi vendida normalmente no matadouro público, outros que o povo a rejeitou por ela ser de um animal sagrado, e outros ainda afirmam que o próprio José Lourenço teria sido obrigado a comê-la diante de seus seguidores.

Uma coisa, pelo menos, é certa: o mesmo José Lourenço, pouco tempo depois, protagonizava um dos mais marcantes episódios da história cearense do início do século; a formação da comunidade do Caldeirão.

Lira Neto

Fonte: Sábado O Povo
Fortaleza: 09 de março de 96
Ano: 2
Número: 90
Digitado e ilustrado por José Mendes Pereira

Este jornal foi a mim presenteado pelo pesquisador do cangaço e membro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Francisco das Chagas do Nascimento (Chagas Nascimento).

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terça-feira, 27 de setembro de 2016

DOIS LIVROS DO ESCRITOR LUIZ RUBEN BONFIM

 Autor Luiz Ruben Bonfim
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Não deixe de adquirir esta obra. Confira abaixo como adquiri-la.

Lembre-se que se você demorar solicitá-la, poderá ficar sem ela em sua estante. Livros que falam sobre "Cangaço" a demanda é grande, e principalmente, os colecionadores que compram até de dezenas ou mais para suas estantes.

Valor: R$ 40,00 Reais
E-mail para contato:

luiz.ruben54@gmail.com
graf.tech@yahoo.com.br

Luiz Ruben F. de A. Bonfim
Economista e Turismólogo
Pesquisador do Cangaço e Ferrovia

http://josemendespereirapotiguar.blogspot.com.br
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NOVO LIVRO DO ESCRITOR SABINO BASSETTI - LAMPIÃO O CANGAÇO E SEUS SEGREDOS


Através deste e-mail sabinobassetti@hotmail.com você irá adquirir o  mais recente trabalho do escritor e pesquisador do cangaço José Sabino Bassetti intitulado "Lampião - O Cangaço e seus Segredos".

O Livro custa apenas R$ 40,00 (Quarenta reais) com frente já incluído, e será enviado devidamente autografado pelo autor, para qualquer lugar do país.

Não perca tempo e não deixe para depois, pois saiba que livros sobre "Cangaço" são arrebatados pelos colecionadores, e você poderá ficar sem este. Adquira já o seu.

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CEGO É QUEM NÃO QUER VER

Por Zé Ronaldo 

Ouve um dia uma época,
Que existia o respeito,
Os alunos estudavam,
Dentro de um forte conceito,
Faziam os que os pai ordenavam,
E viviam satisfeitos.

Iam para a escola fardados,
Tinha carinho e amor,
Seus heróis eram sagrados,
No seu mundo sonhador,
Viviam de todos amados,
Demonstrando o seu valor.

O coração era patriota,
Aos símbolos do Brasil,
Não faziam tais chacotas,
E amavam a mãe gentil,
Turma chamava-se patota,
Coisas que você não viu.

Sentiam grande prazer,
Em o seu fardamento usar,
E os momentos de lazer,
Não brigavam a estragar,
Diferente dos de hoje,
Por tudo falam em matar.

Se sofressem uma topada,
Tinha-se a preocupação,
De um pé vim no calçado,
E o outro no chinelão,
Ainda passavam avisando,
Na mesa da direção.

Entoavam o hino nacional,
Perfilados em sentimentos,
E a história de Pombal,
Todos tinham conhecimento,
No sistema educacional,
Não faltavam eram presentes.

Porém este tempo mudou,
É triste hoje o que vemos,
A modernidade chegou,
Tem professores gemendo,
Com as dores do horror,
Numa sala padecendo.

A farda virou prainha,
Estuda-se de qualquer jeito,
Gazeiam vão para a pracinha,
Será que ainda tem jeito,
De se colocar na linha,
Se criar novos conceitos.

Os homens usam bermudas,
Portando fones de ouvido,
Se aprender dez por cento,
Desse sistema eu duvido,
Ao celular são atentos,
E os pais sendo iludidos.

Só falam em tomar meiota,
E a droga no sertão chegou,
E neste fogo cruzado,
Pena sofre o professor,
Com um povo alienado,
Que de Deus perdeu o amor.

O sistema manipula,
E as leis defede então,
Por territórios há disputa,
Todo cabra é valentão,
E assim vai sucumbindo,
A nossa educação.

Salve-se quem puder,
É um conselho que dou,
Venha o que vier.
Ainda sou um professor,
É preciso muita fé,
Pra lecionar com amor.

Famílias desestruturadas,
Soltam seus filhos na escola,
A muitos pela madrugada,
Divertindo sem ter hora,
Chegam pendendo de sono,
Mal entram já vão embora.

Saudades daquele tempo,
Que havia amor ao estudo,
Se fazia um juramento,
Honrar os pais acima de tudo,
Aflorava-se o sentimento,
Tinham respeito por tudo.

Sonho com uma transformação,
No âmbito educacional,
Sei que ainda há salvação,
Não é só meter o pau,
Aos mestres o meu respeito,
De maneira cordial.


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso


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UMA MORTE MISTERIOSA E PROVIDENCIAL

Por Lira Neto editor do Sábado

Uma morte misteriosa marcou um dos principais momentos da ascensão política de Floro Bartolomeu e de sua aproximação definitiva com Padre Cícero. Em 1910, José Joaquim Marrocos, primo, amigo de infância e instrutor intelectual do sacerdote, morreu após ser medicado por Floro Bartolomeu.

Marrocos era um homem culto, jornalista militante e ex-colega de seminário de Cícero. Logo após a morte deste velho amigo e conselheiro, o padre tratou imediatamente de mandar fazer o recolhimento do espólio do falecido. Mas o então juiz de direito do Crato, Raul de Souza Carvalho, considerou a medida ilegal.

Beata Maria Madalena do Espirito Santo de Araujo

Entre os pertences encontrados na casa do Marrocos estariam os célebres panos manchados no suposto milagre da hóstia, aquela que – em 1889 – teria virado sangue na boca da beata. Ao que a história conta, os tais panos haviam sido furtados, anos antes, do sacrário da matriz do Crato.

Nertan Macedo

Nertan Macedo em Floro Bartolomeu - Os Caudilhos dos Beatos e Cangaceiros, afirma que, junto com os panos, também teria sido encontrado na casa de Marrocos “um não menos misterioso e estranho livro em francês, que ensinava a manipulação de drogas e tinturas”.


O espólio de Marrocos estrategicamente, ficou em poder do coronel Antonio Luíz Alves Pequeno, que estava rompido politicamente com Padre Cícero. Mais tarde, após a reconciliação entre os dois, Cícero conseguiu reaver os “paninhos sagrados”. Que logo após seriam incinerados.


Detalhe: logo após a morte de Marrocos, Floro viajou para a Fazenda Barreiras, em Missão Velha, o que levantou suspeitas de que o médico havia envenenado o paciente. Nada foi comprovado. Mas a partir daí, Floro assumiu o papel de conselheiro intelectual do Padre Cícero, lugar até então ocupado por Marrocos.

Lira Neto
Fonte: Sábado O Povo
Fortaleza: 09 de março de 96
Ano: 2
Número: 90
Digitado e ilustrado por José Mendes Pereira

Este jornal foi a mim presenteado pelo pesquisador do cangaço e membro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Francisco das Chagas do Nascimento (Chagas Nascimento).

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LIVRO "LAMPIÃO A RAPOSA DAS CAATINGAS"


Depois de onze anos de pesquisas e mais de trinta viagens por sete Estados do Nordeste, entrego afinal aos meus amigos e estudiosos do fenômeno do cangaço o resultado desta árdua porém prazerosa tarefa: Lampião – a Raposa das Caatingas.

Lamento que meu dileto amigo Alcino Costa não se encontre mais entre nós para ver e avaliar este livro, ele que foi meu maior incentivador, meu companheiro de inesquecíveis e aventurosas andanças pelas caatingas de Poço Redondo e Canindé.

O autor José Bezerra Lima Irmão

Este livro – 740 páginas – tem como fio condutor a vida do cangaceiro Lampião, o maior guerrilheiro das Américas.

Analisa as causas históricas, políticas, sociais e econômicas do cangaceirismo no Nordeste brasileiro, numa época em que cangaceiro era a profissão da moda.

Os fatos são narrados na sequência natural do tempo, muitas vezes dia a dia, semana a semana, mês a mês.

Destaca os principais precursores de Lampião.
Conta a infância e juventude de um típico garoto do sertão chamado Virgulino, filho de almocreve, que as circunstâncias do tempo e do meio empurraram para o cangaço.

Lampião iniciou sua vida de cangaceiro por motivos de vingança, mas com o tempo se tornou um cangaceiro profissional – raposa matreira que durante quase vinte anos, por méritos próprios ou por incompetência dos governos, percorreu as veredas poeirentas das caatingas do Nordeste, ludibriando caçadores de sete Estados.
O autor aceita e agradece suas críticas, correções, comentários e sugestões:

(71)9240-6736 - 9938-7760 - 8603-6799 

Pedidos via internet:
Mastrângelo (Mazinho), baseado em Aracaju:
Tel.:  (79)9878-5445 - (79)8814-8345

Clique no link abaixo para você acompanhar tantas outras informações sobre o livro.
http://araposadascaatingas.blogspot.com.br

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REVOLUÇÃO TEVE EXÉRCITO DE CANGACEIROS

Por Lira Neto editor do Sábado

Para o presidente do Ceará, o que tenho, de agora em diante, é muito pau! Essa teria sido a frase dita em 1913 pelo então presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, quando foi informado de que Franco Rabelo se recusava apoiar o general Pinheiro Machado à sucessão nacional.

Rabelo estava acuado. As pressões do governo federal somavam-se as que explodiam no sertão, particularmente no Cariri, desde que o presidente do Ceará ordenara a repressão ao banditismo na região, recheada de beatos, jagunços e cangaceiros de Padre Cícero e Floro Bartolomeu.

Juazeiro passa a funcionar como uma espécie de GG da ofensiva contra Rabelo. Floro vai ao Rio para articular a deposição de Rabelo junto a Pinheiro Machado. Na volta, traz armas e munições para iniciar o ataque. A rebelião começa em dezembro de 1913, quando Floro e seus homens desarmam o destacamento da polícia de Juazeiro. 

As tropas enviadas por Rabelo ao Cariri não resistem ao poder de fogo do exército de cangaceiros de Floro. Padre Cícero transforma a rebelião eterna aos que tombaram na luta.


A religião de jagunços começa a marcha em direção `Fortaleza. Tomam e saqueiam o Crato, Barbalha, Iguatu, Quixeramobim, Quixadá. Rabelo resiste, enquanto assiste preocupado à aproximação das tropas comandadas pro Floro.

Em 14 de março de 1914, o governo Central decreta intervenção no Ceará e afasta Rabelo do poder. Seis dias depois, Floro Bartolomeu e 400 jagunços entram com direito a foguetário e tiros para cima em sinal de triunfo - em Fortaleza.

A capital cearense é inteiramente tomada pelos cangaceiros. Floro é nomeado presidente da Assembleia, Padre Cícero é o novo vice-presidente e Pedre Silvino assume o posto de comandante de um batalhão de polícia, composto exclusivamente de jagunços.


Floro chegara em Juazeiro arrastando as chinelas, em maio de 1908. Vinha dos cafundós dos sertões da Bahia e Pernambuco, onde clinicara, deixando atrás de si um passado obscuro, carregado de segredos e uma acusação nunca comprovada de que era fugitivo da lei.

Na bagagem, o baiano Floro Bartolomeu trazia poucas roupas e um diploma de médico tirado em Salvador, com uma tese sobre o cancro duro. De quebra, vinha com um insólito sobre francês a tiracolo, o Conde Adolfho Van der Brule, que se dizia engenheiro de minas e com quem se associara em pesquisas e explorações de minérios. 

Van der Brule conheceu Floro em Patamuté, interior da Bahia. Dizia que o título de nobreza pertencia à família desde 1663, quando algum remoto antepassado havia sido homenageado por salvar o rei da Polônia do cerco dos turcos no século XVII.

Assim, mão na frente outra atrás, os dois forasteiros chegaram ao Cariri. Juazeiro era apenas um pequeno vilarejo, sem autonomia política, mas que ficara famosa desde 1889 por conta do suposto milagre da beata Maria de Araújo e da hóstia que virara sangue.

Floro e o tal conde vinham de olho nas minas do Coxá, no município de Aurora. As terras, ricas em cobre, haviam sido compradas pelo padre Cícero logo no comecinho do século.

Só havia um problema, pedra a doer no sapato do sacerdote: alguns proprietários locais questionavam os reais limites do terreno de Coxá. Na hora da demarcação das terras, o caso foi parar na justiça. E Floro Bartolomeu que também fazia às vezes de advogado sem diploma, tratou de assessorar o "Padim" na questão.

O que parecia mais uma disputa de terra em uma região de latifúndios transformou-se em questão política explicita. O episódio culminou com a deposição do chefe político de Aurora e a tentativa de derrubada do próprio chefe do Crato, o coronel Antonio Luiz Alves Pequeno. 

A história da amizade e da aliança entre Floro e padre Cícero estava apenas começando. A partir daí, não demoraria muito, e Floro cairia de vez nas graças do Padre. 

Lira Neto
Fonte: Sábado O Povo
Fortaleza: 09 de março de 96
Ano: 2
Número: 90
Digitado e ilustrado por José Mendes Pereira

Este jornal foi a mim presenteado pelo pesquisador do cangaço e membro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Francisco das Chagas do Nascimento (Chagas Nascimento).

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ASSEMBLEIA/ATO EM NATAL DIA 29/09


Informamos que, conforme decisão da categoria, os docentes da UERN vão se integrar a paralisação nacional convocada por centrais sindicais e movimentos sociais na próxima quinta-feira (29). Durante o dia de paralisação os docentes participarão da Assembleia Geral dos Servidores Estaduais, na Praça Cívica, em Natal, que vai reunir centenas de trabalhadores de vários segmentos do funcionalismo público do RN.

Os interessados em participar da Assembleia Geral devem realizar contato, até a manhã da quarta-feira, com a secretaria da ADUERN  através do email aduern@gmail.com  ou do telefone 3312-2324. Será disponibilizado transporte e e alimentação para todas as pessoas que queiram participar da atividade.

O transporte para Natal sairá da ADUERN impreterivelmente às 5h. A partir das 4h30 será oferecido um café da manhã para os professores e professoras que forem participar da atividade. O ônibus não realizará parada na estrada para alimentação, portanto é fundamental chegar cedo à ADUERN.  

Jornalista
Cláudio Palheta Jr.
Telefones Pessoais :
(84) 88703982 (preferencial) 
Telefones da ADUERN: 

ADUERN
Av. Prof. Antonio Campos, 06 - Costa e Silva
Cep: 59.625-620
Mossoró / RN
Seção Sindical do Andes-SN
Presidente da ADUERN
Lemuel Rodrigues



Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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BAILE PERFUMADO FILME COMPLETO 1996

https://www.youtube.com/watch?v=3Hw0SjxHUso

Publicado em 2 de fev de 2013

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FLORO BARTOLOMEU HÁ 70(90) MORRIA O “SATANÁS DE JUAZEIRO”, ALTER-EGO DO PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA

Por Lira Neto Editor do Sábado

“Padre e merda pra mim são a mesma coisa”, esbravejava Floro Bartolomeu diante de um Padre Cícero atônico. Temido por todos, famoso por evaporar seus inimigos, Floro não tinha meias palavras nem mesmo para seu maior aliado, o “santo de Juazeiro”.

No Cariri, corriam a boca solta as histórias escabrosas da “rodagem”, estrada que ligava Juazeiro do Norte ao Crato. Local que, segundo consta, fora escolhido por Floro para a execução sumária de bandidos, arruaceiros ou, simplesmente desafetos.

Floro Bartolomeu

Consta que as vítimas, mutiladas, abatidas a tiros de rifle ou degoladas à faca, eram deixadas à margem da estrada para servir de almoço para os urubus.

Virgolino Ferreira da Silva

Com igual determinação, Floro invadiu Fortaleza com seus jagunços durante a revolução de 1914. Mais tarde, em 1925 (retificado 1926), deu a patente de capitão a Virgolino Ferreira da Silva o Lampião, e idealizou um exército de cangaceiros, o Batalhão Patriótico. A missão engalfinhar-se com a Coluna Prestes e trazer a cabeça do seu líder Luiz Carlos Prestes.

Luiz Carlos Prestes

Floro era uma espécie de alter-ego do “Padim”. Um era o líder espiritual, pastor de um rebanho de sertanejos famintos de fé e de pão. Outro era o dr. De braço de ferro, justiceiro implacável. Cícero era o “santo milagroso”, aquele que fazia hóstias virarem sangue na boca de beata. Floro dizia pelas suas costas, “era o “monstro da rodagem”, o “Satanás de Juazeiro”. Deus e o diabo na terra do sol.

A amizade entre os dois virou simbiose. O carisma e o poder religioso do sacerdote encontravam no pulso forte de Floro o aliado perfeito.  E visse e versa. Um era útil ao outro.  

Padre Cícero Romão Batista de Juazeiro

“O povo vencido pela adoração ao padre, jazia inconsciente aos pés do doutor. E assim foi sempre. Se o padre uma coisa que não lhe ficava bem, passava a imputabilidade ao doutor, menos escrupuloso, e o povo, sem saber mais distinguir um do outro, obedecia a este,como se fora aquele”, bem definiu o padre Manoel Macedo, então vigário de Juazeiro.
Foi amparado nessa relação estratégia que Floro se tornou vereador, conseguiu se eleger deputado estadual, e chegou à tribuna da Câmara Federal.

“Charlatão, inculto, bandido, ignorante, polemista iletrado, ladrão”. Estes foram apenas alguns dos adjetivos que Floro colecionou de seus inimigos ao longo da vida. Uma vida curta, encerrada em 8 de março de 1926, há exatos 70 anos, (corrigido para 90 anos, pois foi publicado em 1996).

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"Floro Bartolomeu faleceu 2 dias após a entrega de armas, munições e uniformes ao bando de Lampião, feito em Juazeiro do Norte pelo então padre Cícero, mas com ordens do Floro. Acho que se o Floro Bartolomeu tivesse falecido antes do dia 6 de março de 1926, padre Cícero não teria mais entregue armamentos a Lampião e ao seu bando".

Fonte: Sábado O Povo
Fortaleza: 09 de março de 96
Ano: 2
Número: 90
Digitado e ilustrado por José Mendes Pereira

Este jornal foi a mim presenteado pelo pesquisador do cangaço e membro da SBEC- Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço Francisco das Chagas  do Nascimento (Chagas Nascimento).

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