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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O SUCESSOR DE LAMPIÃO

Por Clerisvaldo B. Chagas, 22 de agosto de 2014 - Nº 1.245

Dizem alguns escritores que Lampião havia reunido seus cabras na fazenda Angicos, em Sergipe, para anunciar o seu sucessor e deixar o Nordeste. O sucessor seria aquele que dormisse fora do coito de Angicos. Lampião, naquela semana de 1938, deveria contar em torno de 80 homens no total, um pouco mais, um pouco menos. Desde, aproximadamente, 1934, que o bando total fora fatiado em pequenos grupos. Cada grupo tinha um chefe que comandava entre seis e dez pessoas. Caso o amigo goste de histórias de cangaceiros e tenha lido o nosso livro “Lampião em Alagoas”, vamos rever um caso polêmico. No livro acima questionamos se Lampião iria mesmo deixar o Nordeste, no final do mês de julho de 1938. Não respondemos a pergunta que ninguém fez, se ele iria continuar no cangaço, implantando-o no estado em que deveria se refugiar.

Lampião em início da carreira.

Naquela noite/madrugada da hecatombe, na grota da fazenda Angicos, Corisco, cismado com o lugar, fora dormir em Alagoas com seu grupo. Labareda, também cismado, foi pernoitar longe com os seus. Português e seu grupo não estavam. Moreno e seu grupo também não estavam. Moita Brava retirou-se do coito (naturalmente com seus acompanhantes) alegando problema de saúde. Ninguém fala do grupo de Pancada, citado somente no dia18 de julho, quando tomou rumo deferente de Lampião, em Alagoas, isto é, estava com ele, mas não seguiu com o chefe para Angicos. Por quê? Não encontramos a resposta.

O cangaceiro Balão

No coito estava o grupo de Lampião, Balão e Zé Sereno.

Grupo de cangaceiros comandado por Zé Sereno

Quem iria substituir Lampião? Analisemos os chefetes de fora do coito. Poderia ser qualquer um no bater de asas do bandido, mas prorrogar o cangaço, quem teria tutano?

O segundo casal de cangaceiros mais famoso Corisco e Dadá

Corisco seria o mais indicado, certo, todos concordam. Mas Corisco não tinha experiência em comandar 80 homens. Sempre fora arredio e preferia atuar separadamente de Lampião com seu grupo em torno de dez comparsas. Além, disso não possuía os molejos com os grandes da sociedade civil, o traquejo, a diplomacia, a malícia, a astúcia que lucravam em armas, avisos, dinheiro, comida, paz, munição e trânsito. Somente a força bruta, valentia, perversidade e estratégia de ataque, não seriam bastante para a prorrogação do cangaço.

Ângelo Roque - o cangaceiro Labareda

Labareda era um cangaceiro mais humano e bastante corajoso, até mesmo pela sua história, contada por ele próprio, contudo, nos parece que não teria também condições de levar adiante o total de cangaceiros. Em nossa avaliação, tinha bastante confiança no chefe e, caso o perdesse, não se adaptaria a mais ninguém no comando e terminaria nas entregas. Foi o seu caminho.

O cangaceiro Português 

Português, perverso como Corisco e falastrão. Nós o temos apenas como um “cobrador de impostos”. Não reunia às condições de grande chefe. Ninguém fala onde ele se encontrava no caso Angicos.

O 3º casal de cangaceiros mais famosos - Moreno e Durvalina

Moreno, com seu reduzidíssimo grupo, não estava presente no dia. Sofrera vários reveses ultimamente e estava mais para fugir de que comandar alguma coisa.

Grupo de cangaceiros do Moita Brava

Moita Brava, pouco se sabe a seu respeito. Apenas atuação própria de cangaceiro. Como foi dito, deixara o coito antes do ataque das volantes e ninguém fala sobre o seu rumo.

O casal de cangaceiros Pancada e Maria Juvina (Jovina)

Pancada, também apenas um chefete a mais.

E se isso serve de consolo aos adoradores de VIRGOLINO, achamos que ninguém tinha quengo o suficiente para ser O SUCESSOR DE LAMPIÃO.

CLERISVALDO B. CHAGAS
Romancista – Historiador – Poeta – Cronista.
Autobiografia

Clerisvaldo Braga das Chagas nasceu no dia 2 de dezembro de 1946, à Rua Benedito Melo (Rua Nova) s/n, em Santana do Ipanema, Alagoas. Logo cedo se mudou para a Rua do Sebo (depois Cleto Campelo) e atual Antônio Tavares, nº 238, onde passou toda a sua vida de solteiro. Filho do comerciante Manoel Celestino das Chagas e da professora Helena Braga das Chagas, foi o segundo de uma plêiade de mais nove irmãos (eram cinco homens e cinco mulheres). Clerisvaldo fez o Fundamental menor (antigo Primário), no Grupo Escolar Padre Francisco Correia e, o Fundamental maior (antigo Ginasial), no Ginásio Santana, encerrando essa fase em 1966. Prosseguindo seus estudos, Chagas mudou-se para Maceió onde estudou o Curso Médio, então, Científico, no Colégio Guido de Fontgalland, terminando os dois últimos anos no Colégio Moreira e Silva, ambos no Farol. Concluído o Curso Médio, Clerisvaldo retornou a Santana do Ipanema e foi tentar a vida na capital paulista. Regressou novamente a sua terra onde foi pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ─ IBGE. Casou em 30 de março de 1974 com a professora Irene Ferreira da Costa, tendo nascido dessa união, duas filhas: Clerine e Clerise. Chagas iniciou o curso de Geografia na Faculdade de Formação de Professores de Arapiraca e concluiu sua Licenciatura Plena na Faculdade de Formação de Professores de Arcoverde ─ AESA, em Pernambuco (1991). Fez Especialização em Geo-História pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió ─ CESMAC, (2003).
         
Nesse período de estudos, além do IBGE, lecionou Ciências e Geografia no Ginásio Santana, Colégio Santo Tomaz de Aquino e Colégio Instituto Sagrada Família. Aprovado em 1º lugar em concurso público, deixou o IBGE e passou a lecionar no, então, Colégio Estadual Deraldo Campos (atual Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva). Clerisvaldo ainda voltou a ser aprovado também em mais dois concursos públicos em 1º e 2º lugares. Lecionou em várias escolas tendo a Geografia como base. Também ensinou História, Sociologia, Filosofia, Biologia, Arte e Ciências. Contribuiu com o seu saber em vários outros estabelecimentos de ensino, além dos mencionados acima como as escolas estaduais: Ormindo Barros, Lions, Aloísio Ernande Brandão, Helena Braga das Chagas e, nas escolas municipais: São Cristóvão e Ismael Fernandes de Oliveira. Na cidade de Ouro Branco lecionou na Escola Rui Palmeira — onde foi vice-diretor e membro fundador — e ainda na cidade de Olho d’Água das Flores, no Colégio Mestre e Rei.

Sua vida social tem sido intensa e fecunda. Foi membro fundador do 4º teatro de Santana (Teatro de Amadores Augusto Almeida); membro fundador de escolas em Santana, Carneiros, Dois Riachos e Ouro Branco. Foi cronista da Rádio Correio do Sertão (Crônica do Meio-Dia); Venerável por duas vezes da Loja Maçônica Amor à Verdade; 1º presidente regional do SINTEAL (antiga APAL), núcleo da região de Santana; membro fundador da ACALA - Academia Arapiraquense de Letras e Artes; criador do programa na Rádio Cidade: Santana, Terra da Gente; redator do diário Jornal do Sertão (encarte do Jornal de Alagoas); 1º diretor eleito da Escola Estadual Prof. Mileno Ferreira da Silva; membro fundador da Academia Interiorana de Letras de Alagoas – ACILAL. Membro fundador da Associação Guardiões do Rio Ipanema (atual vice-presidente).
         
Em sua trajetória literária, Clerisvaldo Braga das Chagas, escreveu seu primeiro livro, o romance Ribeira do Panema (1977). Daí em diante adotou o nome artístico Clerisvaldo B. Chagas, em homenagem ao escritor de Palmeira dos Índios, Alagoas, Luís B. Torres, o primeiro escritor a reconhecer o seu trabalho. Pela ordem, são obras do autor que se caracteriza como romancista: Ribeira do Panema (romance -1977); Geografia de Santana do Ipanema (didático – 1978); Carnaval do Lobisomem (conto – 1979); Defunto Perfumado (romance – 1982); O Coice do Bode (humor maçônico – 1983); Floro Novais, Herói ou Bandido? (documentário romanceado – 1985); A Igrejinha das Tocaias (episódio histórico em versos – 1992); Sertão Brabo CD (10 poemas engraçados); Santana do Ipanema, conhecimentos gerais do município (didático – 2011); Ipanema, um rio macho (paradidático – 2011); Sebo nas canelas, Lampião vem aí (peça teatral – 2011); Negros em Santana (paradidático – 2012); Lampião em Alagoas (história nordestina brasileira – 2012).
      
Em breve: O boi a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema (história); 227 (história iconográfica de Santana do Ipanema); Fazenda Lajeado (romance); Deuses de Mandacaru (romance); Colibris do Camoxinga (poesia selvagem); 100 milagres do padre Cícero (história e fé). 



Ilustrado por José Mendes Pereira
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Começa hoje o Cariri Cangaço Parayba 2014, todos a Sousa !!!


Começa hoje; logo mais às 19 horas no Centro Cultural Banco do Nordeste, de Sousa, a segunda edição do Cariri Cangaço Parayba 2014. A noite terá em sua abertura a apresentação de Grupo de Xaxado e na Conferência Principal, o Conselheiro Cariri Cangaço, professor mestre Wescley Rodrigues nos trará o tema: "A relação entre memória e História e a sua importância para a formação da identidade regional: 90 anos do ataque do grupo de Lampião a Sousa."

O evento tem a confirmação de pesquisadores, escritores, professores e estudantes de várias partes do nordeste, se configurando de maneira prévia como mais um sucesso com a marca Cariri Cangaço. Os municípios de Sousa, Nazarezinho e Lastro se unem para realizar mais um grande e qualificado Fórum de Debates sobre a temática Cangaço. 

Veja abaixo o restante da programação do Cariri Cangaço Parayba 2014


22 de agosto de 2014
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste
18:30h – Apresentação do Xaxado
19:00h – Solenidade de Abertura
19:30h – Conferência de Abertura
"A relação entre memória e História e a sua importância para a formação da identidade regional: 90 anos do ataque do grupo de Lampião a Sousa."
Prof. Me. Wescley Rodrigues – Cajazeiras/PB FAFIC

23 de agosto de 2014
Local: Centro Social - Nazarezinho
08:00h – Visita técnica a Casa de Chico Pereira no sítio Jacu.
09:00h – Solenidade de Abertura
09:30h – Mesa redonda
"A articulação do ataque a Sousa e a figura de Chico Pereira"
Wanessa Campos – Recife/PE
Maria do Socorro Leon – Nazarezinho/PB
Maria do Carmo Pereira – Cajazeiras/PB
Coordenador: Chico Cardoso – Cajazeiras/PB
11:30h – Intervalo para o almoço
13:30h – Palestra
"O museu como lugar de memória e a sua importância para uma cidade"
Manoel Severo Barbosa – Fortaleza/CE
Coordenador: Paulo Gastão – Mossoró/RN
14:20h – Mesa de Trabalho
"A casa grande do sítio Jacu:
Patrimônio que clama por atenção. Tombamento já!"
Coordenador: César Nóbrega – Sousa/PB
Participantes
Secretaria de Cultura do Estado,  FUNESC, IPHAEP, IPHAN
16:00h – Lançamento de livros
19:00h – Local: Ação Colégio e Curso /Sousa - PB
Mesa redonda: "Coronelismo, cangaço e o ataque a Sousa"
Honório de Medeiros – Natal/RN
Otávio Maia – Catolé do Rocha/PB
Ângelo Osmiro – Fortaleza/CE
Coordenadora: Juliana Pereira – Quixadá/CE
24 de agosto de 2014
Lastro - PB
08:00h – Visita técnica a casa onde foi preparada a
resistência aos cangaceiros
09:00h – Solenidade de Abertura
09:20h – Mesa redonda:
" A importância do cangaço para a história nordestina e a articulação da defesa contra os cangaceiros que invadiram Sousa"
Guerhansberger Tayllow – Lastro/PB
José de Abrantes Gadelha – Sousa/PB
Narciso Dias – João Pessoa/PB
Francisco Pereira Lima – Cajazeiras/PB

Cariri Cangaço Parayba 2014 !


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SITE DO CANTOR JOÃO MOSSORÓ


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A Influência do Cangaceiro Lampião na Estética e Moda

Postado por Textile Industry

A simples menção ao nome de Lampião fazia tremer o cabra mais macho do Nordeste. Virgulino Ferreira da Silva, seu nome de batismo, aterrorizou o sertão, entre 1916 e 1938, com seu bando que contava 200 homens. Nos sete Estados da Federação onde a lei parecia ausente e a polícia, chamada de Volante, cometia excessos, Lampião e sua gangue justificavam seus assassinatos, degolas, estupros e assaltos com supostas bandeiras sociais e, assim, conseguiam angariar alguma simpatia da população pobre. Mas, quando não estava praticando crimes, o cangaceiro se atracava com agulhas e linhas para costurar e bordar, indamente, roupas, revestimentos para cantil, cinturões, bornais (espécie de bolsa) e os lenços que usava ao estilo Jacques Leclair, o protagonista costureiro da novela global “Ti-ti-ti”. Seu sanguinolento bando exibia uniformes bordados com flores, estrelas e símbolos místicos. Embora cause estranheza, este apuro estético tinha uma finalidade: servia para despertar admiração entre a população e, também, como patente hierárquica do bando. Lampião acreditava ainda que alguns símbolos blindavam seus homens contra maus espíritos.

Lampião em sua máquina de costura

O lado excêntrico e quase marqueteiro do famoso bandoleiro emerge pelas mãos de uma das maiores autoridades brasileiras em cangaceiros, o historiador Frederico Pernambucano de Mello, “o mestre dos mestres quando o assunto é cangaço”, como dizia o antropólogo Gilberto Freyre.

Mello acaba de lançar o livro “Estrelas de Couro – A Estética do Cangaço” (Escrituras, 258 págs.), no qual mostra que, ao impor um estilo próprio de vestuário, Lampião incutia os valores do cangaço aos homens do seu bando e estabelecia a diferença entre a sua tropa e os “outros.”

Lampião, aliás, odiava ser confundido com cangaceiros comuns. A força da roupagem luxuosa que ele criara – e incluía metais e até ouro, além de moedas e espelhinhos –, chegou a influenciar as vestimentas dos policiais. Antes de costurar, ele pegava um papel pardo e desenhava, depois levava o papel para a máquina Singer e cobria o tecido. “Ele não era apenas o executor do bordado. Era também o estilista”, afirma Mello.

“No início, a moda era ofício masculino”, garante a professora de história da indumentária e antropologia da moda Silvia Helena Soares, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Ela vê nas criações de Lampião um estilo de moda que remonta à época do Renascimento (século XVI), quando os homens bordavam as joias na própria roupa. “Era tudo grandão, pesado. Não tinha nada de delicadinho”, afirma. Para o historiador Luiz Bernardo Pericás, autor de “Os Cangaceiros: Ensaio de Interpretação Histórica”, os uniformes dos cangaceiros ficaram tão enfeitados que pareciam fantasias.

“Era um dos aspectos da extrema vaidade daqueles bandoleiros”, diz Pericás. 

Lampião aprendeu a manejar a linha e a agulha muito antes de tomar gosto pelo rifle. Quando menino, quase adolescente, Virgulino fazia tecidos de couro muito bem ornamentados, resistentes e esteticamente valiosos para vender nas feiras. “Era famoso como alfaiate de couro”, afirma o historiador Mello. Ele foi parar no crime porque sua família se envolveu numa guerra com fazendeiros vizinhos. Dizem que era tão hábil com a espingarda que conseguia dar tiros consecutivos que clareavam a noite. Daí a alcunha de Lampião. (Existe outra versão).

O Rei do Cangaço morreu aos 40 anos, em 1938, junto com a fiel companheira, Maria Bonita – que, igualmente, andava coberta de roupas, chapéus, cintos e bolsas bordadíssimas. O casal e nove homens do bando foram decapitados e as cabeças expostas como troféus pela polícia nas escadarias da igreja de Piranhas, em Alagoas. Ali, foram fotografadas ao lado de objetos preciosos do grupo, como espingardas e cartucheiras, além de outras armas de Lampião: duas máquinas de costura Singer, o sonho de todas a donas de casa da época. Se tivesse escolhido a profissão de costureiro, Lampião (até hoje cons­tantemente revisitado pela indústria fashion) certamente teria tido uma carreira brilhante.

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Lançamento do livro PERDÃO

Autor Francisco Rodrigues




O lançamento do livro "PERDÃO" - autor Francisco Rodrigues aconteceu  nesta quinta-feira, ontem à noite (às 18 horas), na Academia Norte Rio Grandense de Letras. Este é o 5º livro do autor nascido na cidade de Areia Branca, no Estado do Rio Grande do Norte. Seu primeiro romance que chega as pratilheiras recheado de memórias e fatos vividos pelo autor ao longos de seus 80 anos. 

Fonte: facebook

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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O primeiro avião a pousar em Mossoró - 09 de Junho de 2014

Por Geraldo Maia do Nascimento

Deve-se ao Presidente (hoje Governador) do Estado do Rio Grande do Norte, Dr. Juvenal Lamartine de Farias, a instalação dos primeiros campos de aviação do interior. Mossoró ganhou o seu em 1929. Naquele ano, o Governador Lamartine mostrou-se desejoso e necessitado de empreender viagem aérea para Mossoró, a trato de interesse da administração. Telegrafou ao chefe do Executivo mossoroense, Cel. Vicente Carlos de Sabóia Filho, solicitando que o mesmo providenciasse um campo de pouso para aviões, mesmo de pequeno porte. As providências foram tomadas com rapidez e em um imenso cercado às imediações do antigo campo do Tiro de Guerra, algumas dezenas de homens foram recrutados para o destacamento e nivelamento das duas pistas que se formaram em cruz.

Estando tudo pronto, a cidade se movimentou na manhã de 22 de janeiro de 1929, num dia de terça-feira, para receber a comitiva e ver pousar em terras mossoroenses o primeiro avião. \"E precisamente às 13 horas, um pequeno sinal surgiu na rota de Natal e pouco a pouco foi se ampliando e trazendo do céu o ruído de seu motor. Após algumas evoluções pela cidade e reconhecimento do campo, desceu o pássaro metálico das alturas, pousando em Mossoró sob apreensão e delírio dos populares\", conforme registrou o jornalista Lauro da Escóssia.

Nessa primeira viagem a aeronave trouxe em seu bojo o Governador Lamartine, Dr. Alberto Roseli, diretor do Diário de Natal, aviador Djalma Petit e seus companheiros George Piron, Chenu e Septfonds.

Mossoró recebeu com grande festa o presidente do Estado, que foi saudado pelo Sr. Vicente Sabóia Filho, Dr. Bianor Fernandes e outros oradores. Num banquete efetuado na sede do clube Humaitá discursou em saudação ao chefe do governo o Sr. Vicente de Almeida.

O jornalista José Martins de Vasconcelos registrou o evento em seu jornal \"O Nordeste\", afirmando em certa altura:

\"- Foi um dia esplêndido, de festa, de esperança e aspirações de prosperidade, o dia 22 de janeiro fluente em Mossoró. Intensa multidão, música, flores, fogos, sorrisos e entusiasmo se confundiam no campo de aviação que se ia inaugurar.

O aparelho era um biplano, com duas rodas de borracha sob o motor e outra traseira, direcionado a leme. Possuía a pequena hélice triangular.

Com o advento da revolução de 1930, o Estado mergulhou na mais forte campanha política que lhe foi dado conhecer. Nesse período os interventores e prefeitos pouco demoravam nos cargos, o que provocou descontinuidade nas obras públicas. E o campo de pouso de Mossoró, tão festejado quando da sua inauguração, foi abandonado e uma densa mata tomou conta do terreno.

Somente dez anos mais tarde, o governo municipal voltou a encarar o problema, já sob a orientação técnica da administração federal. Dessa forma o Prefeito de Mossoró, Padre Luís da Mota, desapropriou larga extensão de terra para a construção do seu aeroporto, cuja construção se iniciou em 26 de setembro de 1940.

O gosto pela aviação despertado no seio da sociedade mossoroense, deu ensejo a fundação de um aeroclube local, a 15 de outubro de 1940 e cuja primeira diretoria foi a seguinte: Presidente de Honra Padre Luís Mota; Presidente Aristides Barcelos; Vice Presidente Vicente Sabóia Filho; Secretário Renato de Araújo Costa; 1º Tesoureiro Nelson Xavier Fernandes; 2º Tesoureiro Lahire Rosado; Diretor Técnico Dr. Luiz Sabóia; Diretor Comercial Augusto da Escóssia; Diretor Comercial Gabriel Varela.

O Aero Clube de Mossoró tinha como finalidade incentivar a prática do amadorismo civil da aviação junto aos jovens mossoroenses. O seu primeiro instrutor foi o aviador Mário Santos, da Escola de Pilotagem do Aero Clube do Rio de Janeiro. Possuiu uma frota de aviões tipo \"paulistinha\", dentre os quais podemos destacar: o \"Mário Barreto\", chegado em 1942, o \"Cidade de Mossoró\", que aqui chegou em 1944, o \"Capitão Sílvio Canizares\" e \"João Monteiro Rocha\" em 1945 e o \"Raimundo Fernandes\" que foi doado pela firma Tertuliano Fernandes & Cia., para ser usado em treinamento avançado.

Foi assim que aconteceu o primeiro pouso de uma aeronave em terras mossoroenses. Uma história que começou em 22 de janeiro de 1929 e que perdura até os dias atuais. 

Geraldo Maia do Nascimento

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Fonte:

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Cariri Cangaço Amanhã na Paraíba!


Você é nosso Convidado Especial!

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HISTÓRICO EM SÉRIE DE 04 CRÔNICAS SÃO PEDRO E A SUA IGREJINHA (IV)

Por Clerisvaldo B. Chagas, 21 de agosto de 2014 - Crônica Nº 1.244

O altar-mor da igrejinha de São Pedro abriga três imagens principais. Ao centro, apresenta-se Jesus, crucificado. 

ALTAR-MOR (Foto: Clerisvaldo).

Ao lado direito do Cristo, vamos encontrar a antiga e original imagem do titular e padroeiro do bairro. No lado esquerdo, a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres, comprada pelo próprio pároco, Adauto.

SÃO PEDRO (Foto: Clerisvaldo).

Mais adiante, dois outros altares, cada um de um lado, parecem pedir a senha de entrada ao visitante. À direita, Santo Antônio que manteve a tradição do seu abrigo naquele templo. À esquerda a imagem de São João que quase faz o historiador pular de alegria ao encontrá-la. É que essa imagem é do santo original da igrejinha de São João, do Bebedouro/Maniçoba. A igrejinha de São João foi construída por José Grande e seus familiares em 1917, como promessa para debelar a gripe da I Guerra Mundial que matou muita gente no mundo (livro: “O boi, a bota e a batina, história completa de Santana do Ipanema”, da nossa autoria). Depois de profanada, a igreja ficou ao abandono e ruiu. A imagem de São João foi recolhida e restaurada em Bom Conselho, encaminhada pelo pároco local e, hoje faz parte do acervo da igrejinha de São Pedro.

Na sacristia está a exposição de fotos com a imagem do Papa Francisco, do bispo diocesano D. Lucênio Fontes de Matos, do pároco Adauto Alves Vieira e do vigário José Paulo Rosendo da Costa.

CADEIRAS EM MÁRMORE - (Foto: Clerisvaldo).

As cadeiras dos celebrantes são de mármore negro, como de mármores são os altares e uma bela placa de agradecimento na parede, próxima às portas de entrada.

As bancas para os fiéis são de madeira, bonitas, bem feitas e conservadas como novas.

Os vitrais são coloridos e belos, as paredes revestidas com peças decoradas, piso de cerâmica, teto em PVC com motivos católicos bem como símbolos em mármores e metal dourado, formando um harmonioso conjunto de gosto apurado de quem assim o fez. Aliás, o bom gosto e a harmonia interna e externa da igrejinha de São Pedro parecem ostentar uma nave classificada como padrão de alto luxo.

SANTO ANTONIO E SÃO JOÃO COMO SENTINELAS AVANÇADAS - (Foto: Clerisvaldo).

Finalmente o santo que conquistou o Nordeste e o Brasil foi honrado com a obra merecedora que o povo santanense lhe devia desde 1915.

·         Visita e última pesquisa à igrejinha de São Pedro em 11.08.2014.

·         “Faça o que pode, com o que tem, onde estiver” (Roosevelt).


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Seis volumes da saga do cangaço.

Por Guilherme Machado

Seis volumes da saga do cangaço. Uma obra escrita pelo padre pernambucano Frederico Bezerra Maciel, ferrenho estudioso do cangaço!

Esta obra faz parte do Portal do Cangaço de Serrinha Bahia.

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Informação: O blog do Mendes e Mendes não tem certeza , mas talvez, você poderá encontrar esta coleção de livros com o professor Pereira, em Cajazeiras, no Estado da Paraíba. 

email:
 
franpelima@bol.com.br

Telefones:

83 9911 8286(Tim) – 83 8706 2819(Oi)

Ele entrega seu livro em qualquer parte do Brasil. 

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Perseguiram Lampião até que o mataram


Durante vinte anos, foram várias as investidas realizadas pelas polícias de Alagoas, Pernambuco, Bahia, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará sem êxito, até o dia 28 de Julho do ano de 1938, quando uma volante composta por 49 homens, comandada pelo Tenente PM João Bezerra da Silva, na época delegado e morador do município de Piranhas/AL, auxiliado pelo Aspirante a Oficial PM Francisco Ferreira de Melo e o Sargento Aniceto Rodrigues e mais quarenta e seis homens que faziam parte de um contingente de verdadeiros heróis, entre eles: Cabo Bertoldo, Cabo Juvêncio (irmão do afamado rastejador Gervásio da volante de Zé Rufino), Soldado Elias Marques Alencar (último membro da Volante a falecer), Soldado Panta de Godoy (matador de Maria Bonita), Soldado Zé Gomes, Soldado Noratinho, Soldado Abdom, e o destemido Soldado Manoel Marques da Silva (matador do cangaceiro Luis Pedro) famosamente conhecido pelas alcunhas de Mané Véio e Antonio Jacó. Todos munidos de fuzis e metralhadoras, conseguiram acabar de vez com Lampião e seu bando.

Tenente João Bezerra à esquerda, Aspirante Ferreira de Melo ao centro e Sargento Aniceto Rodrigues à direita 

Após dias no encalço e com informações detalhadas sobre a localização dos cangaceiros, colhidas quando o sargento Aniceto Rodrigues recebeu a informação do coiteiro 


Joca Bernardo e de um cidadão chamado Pedro Cândido, sobre a presença de Lampião na fazenda Angico, imediatamente telegrafa ao seu superior imediato, o Tenente João Bezerra, transmitindo a mensagem de forma ‘cifrada’, a fim de não levantar qualquer suspeita. 

Pedro de Cândido à esquerda - acervo João de Sousa Lima

Naquele fim de manhã, o oficial estaria com sua tropa estacionada em Pedra (hoje Delmiro Gouveia, alto sertão de Alagoas), descansando de uma ‘batida’ policial realizada em possíveis esconderijos de cangaceiros na região de Mata Grande. 

Obs.: Os três militares acima após angicos foram promovidos ao próximo posto e graduação, como forma de reconhecimento pelo grandioso feito. João Bezerra da Silva: De 1º Tenente a Capitão, Francisco Ferreira de Melo: De Aspirante a Oficial à 1º Tenente e Aniceto Rodrigues dos Santos: De 3º Sargento a Aspirante a Oficial, conforme Boletim Regimental nº 179, de 12/08/1938.

http://www.terceirobpm.com.br/p/ten-joao-bezerra.html
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Combate de Serra Grande no Estado de Pernambuco


Afirmam os historiadores que no dia 26 de Novembro de 1926 Lampião travou uma das mais intensas batalhas. Cerca de 320 policiais atacaram o grupo de Lampião que contava com 80 homens. A luta durou o dia inteiro e teve como saldo 47 soldados mortos e feridos. 

Sargento Arlindo Rocha

Um dos comandantes, sargento Arlindo Rocha, ansioso para atacar disse:

“Eu hoje quero almoçar é bala.”

Acabou levando, durante o combate, um tiro na mandíbula. De fato, almoçou bala... Ficou conhecido posteriormente como “Queixo de Prata”. 


Ao contrário do que muitos falam, Lampião e Padre Cícero tinha forte amizade, para o cangaceiro, o padre era um santo e o venerava. Padre Cícero tentou dissuadi-lo do cangaço por várias ocasiões, mas sem sucesso. Tentou também impedir que entrassem mulheres para o bando, também sem êxito por causa da perseverança de Maria Bonita.


João Bezerra, o tenente pernambucano, delegado da cidade alagoana de Piranhas, foi o depositário dos louros pelo assassinato histórico do maior de todos os cangaceiros. Depois do ocorrido, João Bezerra escreveu o livro "Como dei cabo de Lampião", mas deixou inacabadas suas memórias.

Palavras de Lampião:

“Sempre respeitei e continuo a respeitar o Estado do Ceará, porque é o Estado de Padre Cícero. Como deve saber, tenho a maior veneração por esse santo sacerdote, porque é o protetor dos humildes e infelizes”. 

O rei Lampião referindo-se a Padre Cícero quando cedeu entrevista ao médico e jornalista da cidade de Crato Dr. Octacílio Macedo em março do ano de 1926.

Fonte:
http://hid0141.blogspot.com.br/2011/01/imagens-do-cangaco.html

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A Outra Face do Cangaço


Por muitos anos, em que pese à vasta produção literária sobre a morte de Lampião e seu cangaço, pouco se falou sobre o soldado Adrião, o único a morrer no combate de angicos, ocorrido em 28 de julho de 1938.

Ainda hoje, há polêmica sobre esse assunto... E, as perguntas não querem calar: vejamo-las:

1º) teria o soldado Adrião sido morto  por balas disparadas pelos cangaceiros?

2º) teria ele sido vítima do chamado " fogo amigo”?

3º) ou, teria sido eliminado, de propósito, por algum colega no calor da refrega ?

O novo livro, recentemente lançado, “A Outra Face do Cangaço: Vida e Morte de um Praça ", de autoria  do professor pernambucano, Antônio Vilela de Sousa, procura jogar mais lenha na fogueira, e tenta, na ótica do autor, esclarecer as indagações, acima citadas...

Vamos aguardar o que os estudiosos do tema nos trarão de conclusão sobre essa obra, e, sobre esse mistério que, ainda, paira sobre o combate de angicos/SE...

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A FALA DO SERTANEJO NOS LIVROS SOBRE O CANGAÇO (PRECONCEITO NA ESCRITA OU TRANSCRIÇÃO DA FALA?)

Por Rangel Alves da Costa*

Tenho observado alguns apreciadores e até pesquisadores do cangaço defendendo uma literatura cangaceira sem o uso dos regionalismos, sem a transcrição do falar sertanejo, sem o uso dos termos peculiares aos povos das caatingas, ao matuto das veredas espinhentas e da desolação das caatingas.

Quer dizer, não vêem com bons olhos que os autores transcrevam a literalidade da linguagem do sertanejo, nos moldes do dito pelo homem da terra, nos seus jeitos próprios de se expressar. Por consequência, a voz cabocla, tantas vezes iletrada, sem nada conhecer dos meandros gramaticais e da língua, deixaria de ecoar segundo o falado para se transformar num fraseado mais rebuscado e inteligível ao leitor. Adeus a originalidade da pronúncia.

Acerca do tema, um pesquisador do cangaço assim já se manifestou em escrito no facebook, no grupo O Cangaço: “Criou-se uma cultura um tanto estranha de escrever, em diálogos contidos em livros sobre cangaço, palavras que não são necessariamente expressões da Língua Portuguesa. Os adeptos da modalidade, dizem que este método seria usado para "preservar a fala própria do sertanejo". Será? Há algo construtivo nisto? Não vou emitir qualquer juízo de valor, mas gostaria que os interessados conhecessem a opinião de Ariano Suassuna sobre esse aspecto”.

Ariano Suassuna - revistaescola.abril.com.br

Com efeito, há um vídeo no youtube (https://www.youtube.com/watch?v=FL-qbf0udq8) onde o grande mestre da cultura nordestina fala acerca do preconceito linguístico, criticando a utilização de termos incorretos para expressar a verdadeira linguagem do povo. No seu entendimento, ao não utilizar a escrita convencional na fala dos personagens, ainda que obviamente a locução saia deturpada, se estará incorrendo em verdadeiro desrespeito ao povo. Eis o que diz Ariano:

“Uma coisa que a mim me incomoda muito como escritor é que normalmente as pessoas não distinguem muito a linguagem escrita da linguagem falada. A linguagem escrita é uma convenção (...). Tem gente que pensa diferente. Mas eu acho que existe até um preconceito contra o povo. Quando o pessoal vai apresentar um personagem popular faz questão de errar a grafia dos nomes. Olhe, a grafia é uma convenção. Ninguém fala de acordo com a grafia. Veja, por exemplo, eu sou nordestino como você, eu não digo cruz, eu digo “cruiz”; eu não digo luz, eu digo “luiz” (...). Pois bem, se a pessoa me faz personagem de uma peça ou dum conto ou dum romance, eu digo “nóis”; eu digo “cadera”, eu não digo cadeira. Mas se me botam como personagem escrevem cadeira e escrevem nós (...). Agora, se é uma pessoa do povo faz questão de botar “nóis”, “nóis vai”, não sei que. Eu acho que isso é uma falta de respeito com o povo (...)”.

Certamente que a intenção de Ariano foi criticar a premeditação do erro na grafia da fala de personagens. Tanto é assim que sempre remete a personagens fictícios. O mestre se volta, pois, contra a utilização da fala escrita com a mesma grafia da pronúncia do personagem. E a situação se torna bastante diferente quando se trata não de ficção, mas da fala real do povo, da escrita correspondente à sua fala. É preciso observar atentamente a crítica lançada por Suassuna e não trazer tal contexto para a literatura sobre o cangaço, pois se trata de uma realidade diferente.


Ao afirmar que “Criou-se uma cultura um tanto estranha de escrever, em diálogos contidos em livros sobre cangaço, palavras que não são necessariamente expressões da Língua Portuguesa”, talvez aquele participante do grupo O Cangaço (facebook) tenha incorrido em alguns equívocos. Em primeiro lugar, a Língua Portuguesa não é um repositório fechado de expressões, pois a vivacidade da língua a torna em constante transformação, com termos desacolhidos e outros que vão surgindo. Ademais, se são palavras utilizadas por determinadas pessoas não há que se dizer que são alheias à língua pátria. Quantas e tantas expressões vão surgindo que pelo uso acabam fazendo parte do vocabulário, ainda que reservadamente a um povo?

Mas a verdadeira questão vem em segundo lugar. Por mais que língua escrita não seja a fiel representação da língua falada, não é incorreto escrever utilizando-se a variação linguística de determinado povo. Pensar diferente seria desvalorizar os regionalismos e as expressões linguísticas próprias de cada comunidade. Além disso, sou levado a defender que quanto mais próxima da fala estiver a escrita mais o leitor se verá diante do falante, do meio, do contexto em que se passa o relato.

Do mesmo modo, não vejo como acerto que a escrita convencional iguale todos os falares. Ora, a obediência às convenções linguísticas não tem o poder de exigir a transcrição de uma fala de um autêntico sertanejo de forma igual ao falar de um sulista, de uma escrita geral. Diga-se ainda que seria erro do escritor, em nome da tal convenção, “consertar” o falar matuto, de modo a não soar como preconceito. Na verdade, preconceito é querer ignorar esse linguajar tão autêntico e rico.

Por isso comungo da escrita como se fala. Seria o fim do mundo o sertanejo dizer “Os cabra de Lampião arribaram sortando fogo pelas fuça”, e mais tarde eu ter de ler: “Os cangaceiros de Lampião saíram soltando fogo pelas narinas”.

Poeta e cronista
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