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quinta-feira, 20 de julho de 2017

OS OLHOS DOS GOVERNOS

Clerisvaldo B. Chagas, 19 de julho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.696

Não existe história de Alagoas sem a cana-de-açúcar que caracterizou os primeiros movimentos agrícolas no estado. E com os engenhos iniciais e a expansão da lavoura canavieira, misturam-se as narrativas escravagistas, nódoa não retirável dos nossos acervos. Modernizando-se o engenho, usina toma conta como nova denominação no fabrico do açúcar. Passa o senhor-de-engenho a chamar-se usineiro, mas permanecem as extensas propriedades produtoras de cana deixando Alagoas como produtor destaque. Todavia, é sabido que a monocultura não é coisa de muita garantia, uma vez que sempre houve altos e baixos na balança mundial quebrando seus produtores. Os exemplos estão aí por todas as partes com o café, o açúcar e a borracha no Brasil.
A choradeira no campo dos canaviais não é de hoje chegando até a provocar a titulada Guerra dos Mascates.

Plantação de eucalipto. Foto: (Agência Alagoas).

Visando a diversificação da cultura canavieira, vamos apreciando e apontando novas paisagens nos tabuleiros com o plantio do eucalipto que a exemplo da própria cana-de-açúcar, vai aos poucos se expandindo em outro cenário.

Registramos inúmeras pessoas à margem da pista colhendo feijão-de-corda de enorme área que antes pertencia à cana. Esse feijão aparece sendo vendido no comércio de Maceió, onde muitas vargens são debulhadas na hora da venda.

Pelo que estamos entendendo, porém, a grande aposta para o futuro agrícola dos tabuleiros, além do eucalipto, é a produção de milho e soja. E até existe um modo de pensar que se toda a produção de cana fosse substituída por feijão comum e milho, talvez os preços estivessem sempre ao alcance da pobreza pelo volume produzido anualmente. Mas logo outro raciocínio se contrapõe. Sendo o maior abastecedor de alimentos do mundo, todos esses grãos iriam ser exportados e nós permaneceríamos como antes.

Seja como for, enquanto são investidos milhões pelo governo e particulares na produção de milho e soja na Zona da Mata, continuamos sem o algodão que erguia o sertanejo nos antigos meses de setembro.
Fecharam todas as algodoeiras e nos deixaram apenas às terras exauridas que não produzem mais nada. Nem mandacaru.


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POÇO REDONDO: GESTÕES E GESTORES

*Rangel Alves da Costa

Desde a primeira eleição até o presente, por Poço Redondo já passaram nada menos que doze prefeitos: Artur Moreira de Sá, Eliezer Joaquim de Santana, Durval Rodrigues Rosa, Cândido Luís de Sá, Alcino Alves Costa, João Rodrigues Sobrinho, Roberto Godoy, Ivan Rodrigues Rosa, Enoque Salvador de Melo, Maria Iziane, Roberto Araújo e Júnior Chagas. Este último ainda em pouco mais da metade do primeiro ano de mandato.
Logicamente que alguns destes foram eleitos mais de uma vez para a gestão municipal, a exemplo de Alcino que saiu vitorioso em três eleições e foi o político com mais tempo de mandato. Enoque Salvador também foi eleito três vezes, porém renunciou quase na metade do terceiro mandato. Durval Rodrigues foi eleito uma segunda vez após ter sido forçado a renunciar em 1964.
Impossível dizer quem trabalhou mais ou trabalhou menos, quem fez mais ou fez menos por Poço Redondo. As paixões e os fanatismos políticos impedem que se faça qualquer consideração a esse respeito. Afirmar que um foi o melhor gestor é o mesmo que puxar briga com alguém ainda apaixonado por outro gestor. Igualmente se diga com relação àquele ou aqueles que não conseguiram atender os anseios da população e, por isso mesmo, passaram ser deixar muitas saudades.
Na verdade, todos deixaram importantes históricos de realizações. Alguns prefeitos ficaram reconhecidos como bons ou excelentes administradores, outros como administradores para si mesmos e seus grupos políticos, e ainda outros como excelentes gestores pessoais, vez que administraram com excelência seus próprios interesses. Há de se considerar também que é muito mais fácil ser prefeito de um município com menos problemas, como no passado, do que a partir de anos mais recentes, quando houve um enorme crescimento populacional e as demandas passaram a ser muito maiores.
Não há prefeito, contudo, que consiga realizar ao menos um terço daquilo que é prometido em eleição. E não realiza por dois motivos: pelo exagero nas promessas e pela impossibilidade mesma de cumprir. Neste sentido, descabido até que a legislação eleitoral exija dos candidatos um plano de governo. Ora, a governabilidade de um município depende de seus recursos, dos meios financeiros que são disponibilizados, e não do que foi colocado em papel antes mesmo da eleição. O que adianta constar de um plano de governo aquilo que é impossível ser realizado?
A verdade é que prefeitos de um passado mais distante e que geriam o município basicamente com o Fundo de Participação dos Municípios - FPM, nem por isso deixavam de realizar grandes obras. Mas parece que tudo foi diminuindo a partir do instante em que os recursos foram sendo maiores, pois provenientes de diversas fontes, e até com destinações específicas, como ocorre com os recursos próprios da saúde e da educação. Além disso, por muito tempo Poço Redondo sequer parecia que recebia qualquer tipo de recurso, pois propagado pelos próprios gestores como o mais pobre do mundo, o mais feio, o mais faminto, o mais esquecido da sorte.
De qualquer forma, a verdade é que, igualmente ao propalado período de trevas da Idade Média, por muito tempo Poço Redondo permaneceu em estado de plena letargia ou sonolência administrava. Contentou-se por muito tempo em mostrar o município e a população como aqueles comendo palma, esfarrapados, numa miséria sem fim. Sim, Poço Redondo sempre foi economicamente desfavorecido, mas não naquela proporção descabida e alardeada por aquelas que deveriam negar os fatos.
Durou, pois, cerca de vinte anos a Idade Média de Poço Redondo. Para uma melhor ideia disso, até 31 de dezembro de 2016, as grandes obras do município ainda continuavam sendo aquelas de mais de vinte anos. Significa dizer que neste período pouco ou quase nada foi feito que permanecesse como exemplos de administrações comprometidas com o bem-estar, a qualidade de vida da população e o desenvolvimento da cidade e das povoações.
Sobre o administrador atual, ou sobre a gestão atual, toda e qualquer referência não passará de mero exercício de precipitação. E nunca é bom especular quando o gestor, ao menos até o presente momento, tem demonstrado que se elegeu não para o continuísmo da inércia ou da omissão. Tem transformado aqui e ali. E seu trabalho ganha ainda maior visibilidade exatamente por estar trazendo alguma luz após aquele período de trevas.

Escritor
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COMPANHEIRISMO

Por Francisco de Paula Melo Aguiar

O que é companheiro? É um adjetivo substantivo masculino, aquele que e/ou o que acompanha, segue, faz companhia e/ou vai e/ou anda em companhia de alguém. Portanto, enquanto substantivo masculino, companheiro significa que é o individuo que participa das ocupações das atividades, das aventuras e/ou do destino de outro individuo. O grau de companheiro representa uma síntese histórica e doutrinária do obreiro da arte real para ascender o mais alto grau maçônico e que teve origem a partir de 1670.
               
O termo companheirismo vem de “companheiro” e/ou de companhia, andar e/ou estar com alguém. Tem origem epistemológica do latim “cum”, igual a “com” mais “Panis”, igual a pão, no sentido e/ou significando o grupo social e/ou comunidade que repartia o pão entre si, literalmente falando. Isso tem sentimento de solidariedade e/ou de simpatia, que direta e/ou indiretamente nasce naturalmente entre os indivíduos que matem entre si freqüência em termos de contatos e/ou de convivência e/ou sentimentos análogos. Ainda que por mera suposição e/ou criação quer dizer que existe no mínimo uma afinidade de gosto, de opiniões e/ou de atitudes entre os membros grupais envolvidos e/ou interagindo entre si com os mesmos objetivos e atitudes solidárias.
             
A convivência é a interação social fundamental de todo e qualquer grupo social, comunitário, filosófico, sociológico e associativo. É a raiz que mantém de pé toda e qualquer afinidade de gosto e respeito à religiosidade e a afiliação partidária social partidária ideológica alheia. Cada indivíduo tem o direito de ser único e diferente em todos os aspectos formais e informais, diante de sua condição humana e social. É ser livre em sua plenitude segundo a ética vivencial e emocional do grupo.
               
A solidariedade é menor que ter amizade, porque ter amizade implica necessariamente em ter laços afetivos sólidos, o que poderá não obrigatoriamente se dirigir e/ou se conduzir, enquanto processo solidário.
               
É por isso que nem sempre é fácil de achar no meio da rua, bons e fies companheiros, para tanto se exige um processo lento observacional em termos de escolhas, haja vista que os indivíduos portadores de caráter fraco sempre se deixam arrastar, inúmeras vezes, por outras pessoas que na realidade são perniciosas em termos sociais, éticos e morais. Em sentido particular, o termo amizade é direcionado e/ou empregado no sentido da intimidade conjugal de fato existente entre marido e mulher, algo nunca firmado em qualquer tipo de contrato matrimonial, por exemplo.
            
Assim sendo, companheirismo, companheiro e/ou companhia tem diversos significados, inclusive aquele que se refere ao ato humano de repartir o mesmo pão. O companheiro maçom deve aprender usar as seis ferramentas e/ou faculdades indispensáveis na construção da arte real: o malhete, o cinzel, a régua, o compasso, a alavanca, e o esquadro. Por fim, o companheiro maçom necessariamente em sua viagem deve procurar a sétima faculdade essencial e/ou central, referente a letra “G”, portanto, a sétima letra do alfabeto latino, de onde virá o conhecimento perfeito que o levará ao Magistério da Arte Real.


Enviado pelo autor Francisco de Paula Melo Aguiar

O CLIMA ESQUENTA ENTRE LAMPIÃO E CORISCO

Por Geraldo Júnior
Vídeo produzido pela Aderbalvídeo do cineasta Aderbal Nogueira - https://www.youtube.com/watch?v=FXuh6e4MRr0&list=UUG8-uR9AwvjAzQddbT3t3fg

Nesse documentário Sílvio Bulhões filho do casal cangaceiro Corisco e Dadá, fala sobre um episódio envolvendo Corisco e Lampião.

Um desentendimento entre o Rei do Cangaço e o Diabo Loiro que mudou o rumo da história e que causou a saída de Corisco do bando principal.

A partir de então Corisco forma seu próprio bando cangaceiro e passa a atuar de forma "independente"... porém sem deixar de manter sua relação de amizade, respeito e de negócios com Lampião.

Assistam esse depoimento.

Produzido pelo Mago das lentes cangaceiras Aderbal Nogueira (Laser Vídeo - Fortaleza/CE)


Publicado em 20 de jul de 2017
Sílvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá, narra um fato ocorrido entre Corisco e o cangaceiro Volta Seca.
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ADEUS A VINGT-UN ROSADO!

 Por José Romero Araújo Cardoso

Quinta-feira, dia 15 de dezembro de 2005, foi a última vez que vi o velho Vingt-un Rosado com vida. Ele me pareceu estranho, mais agitado e com um cansaço bem visível, diferente das outras vezes que o encontrei se queixando de sucessivas crises noturnas da velha e teimosa angina.

Vingt-un estava abatido, sem ânimo e ofegante, como fosse um prenúncio do que não queríamos nunca que tivesse acontecido. Conversamos um pouco sobre os novos títulos programados para serem lançados pela Coleção Mossoroense, tendo o velho mecenas, em seguida, pedido licença para se recolher aos aposentos, alegando desânimo absoluto.

Coleção Mossoroense - http://alinelinhares.com.br/category/blog/page/325/

Minha preocupação aumentou quando soube que Vingt-un havia sido internado com urgência na UTI do Dr. Bernardo Rosado. Em seguida, minhas preocupações se redobraram quando se cogitou da necessidade de levá-lo a Natal, para tratamento mais sofisticado.

Tínhamos programado mais ênfase às publicações da Coleção Mossoroense em razão de descortinar-se horizontes múltiplos quanto às futuras viabilizações às edições dos amados títulos que enriqueceriam a batalha da Cultura.

Vingt-un rosado http://www.blogdogemaia.com/detalhes.php?not=741

Vingt-un começou a concretizar o sonho espetacular da cultura brasileira quando Dix-sept Rosado assumiu a chefia do executivo mossoroense, no longínquo ano de 1948. Vingt-un e América iniciaram impressionante cruzada em prol da efetivação de Bibliotecas Públicas na capital do oeste potiguar, bem como lançando o embrião da Coleção Mossoroense, com o Boletim Bibliográfico.

Professora América Fernandes Rosado Maia - O saudoso professor Vingt-un Rosado costumava dizer que “descobriu a América em Minas Gerais”.- www.blogdogemaia.com - http://jmpminhasimpleshistorias.blogspot.com.br/2014/03/cachorros-na-biblioteca-do-dr-vingt-un.html

A partir disso, Vingt-un foi gradativamente se consolidando no cenário cultural brasileiro com a edificação do mais brilhante capítulo da inteligência nacional, lançando anualmente dezenas de títulos, intuindo instruir e difundir a arte, a ciência e a cultura.

Vingt-un cumpriu brilhantemente sua missão digna e nobre. Ele se transformou em um dos maiores baluartes das letras pátrias, levando a marca indelével de Mossoró a plagas distantes, tornando-se respeitado e imortalizado em múltiplos setores, incluindo, entre estes, efetiva e importante contribuição à estruturação do ensino superior na terra de santa Luzia do Mossoró.

Jerônimo Rosado e Isaura Rosado Maia -http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2017_07_13_archive.html

Filho caçula dos paraibanos Jerônimo Rosado e Isaura Rosado Maia, Vingt-un foi acima de tudo um homem bom, extraordinário e completo. Absoluto na pureza do coração, e, indelevelmente eterno, na expressão literal do termo.

Não acreditei quando fui informado que Vingt-un havia falecido, justamente no dia 21 de dezembro. Todos estávamos nos preparando para mais um Natal cheio de alegrias, mas Vingt-un se foi. Foi chamado pelo Pai Celestial, pois sua missão estava concretizada extraordinariamente.

Convivi durante quase oito ininterruptos anos com Jerônimo Vingt-un Rosado Maia. Ele me convidou para assessorá-lo quando de minha fixação na capital do oeste potiguar a partir de 1998. Colaborei com Vingt-un a fim de que a Batalha da Cultura tivesse sua ênfase. Orgulho-me de ter feito parte de sua equipe, fomentando a dinâmica da Coleção Mossoroense.

Vingt-un Rosado, sinônimo de visão e clarividência. Vingt-un, sinônimo de cultura e amor ao próximo. Acompanhei-o em duas ocasiões em viagem à Paraíba, quando ele resolveu doar mais de duzentos livros da sua amada Coleção Mossoroense às Secretarias de Educação e Cultura dos municípios sertanejos de Pombal e Catolé do Rocha.

Benedito Vasconcelos Mendes e sua esposa Suzana Goretti. Ela está comemorando aniversário hoje, 20 de julho de 2017 - http://blogdomendesemendes.blogspot.com.br/2017_02_16_archive.html

Vingt-un deixa muitas saudades. É difícil para todos nós que buscamos valorizar a cultura continuar as batalhas sem a presença do grande engenheiro agrônomo que se igualou a Guimarães Duque, José Augusto Trindade, Benedito Vasconcelos Mendes, Eloi de Sousa, Felipe Guerra, Tércio Rosado, entre outros, no que tange ao amor ao nordeste e na busca de soluções para os problemas dramáticos que afligem o povo sofrido dos rincões esquecidos da terra do sol.

O solo turoniano de Mossoró deve se sentir orgulhoso em receber tão ilustre personalidade que Deus chamou para a eternidade. Vingt-un Rosado descanse em paz meu querido velho, pois tenhas certeza que sua passagem iluminada por este plano foi coroada com todos os êxitos.
José Romero Araújo Cardoso

(*) José Romero Araújo Cardoso. Professor adjunto do departamento de geografia da UERN e assessor da Fundação Vingt-un Rosado/Coleção Mossoroense.


Enviado pelo autor José Romero de Araújo Cardoso

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04 DE MARÇO DE 1926...

Por Geraldo Júnior

... Lampião e seu bando chegam à cidade do Juazeiro do Norte/CE à convite do Padre Cicero Romão Batista e do deputado Floro Bartholomeu.

Deputado Floro Bartolomeu

Lampião recebe a polêmica e controversa patente de Capitão com o intuito de combater a coluna de revoltosos militares liderada por Luiz Carlos Prestes e Miguel Costa, que naquele momento marchava pelo país difundindo o comunismo.

Luiz Carlos Prestes

O texto abaixo de autoria do Médico/Pesquisador e Escritor Magérbio Lucena explica com maiores detalhes essa história.

http://cariricangaco.blogspot.com.br/2012/03/o-estado-maior-do-cangaco-porcicinato.html

No dia 2 de janeiro de 1926, o deputado federal Floro Bartolomeu, eleito com os votos do Padre Cícero, chegava de trem a Juazeiro do Norte, designado pelo presidente da República, Arthur Bernardes, para impedir que a Coluna Prestes invadisse o Sul do Ceará.

Vinha acompanhado pelo major Polidoro Coelho que, no mesmo dia, partiu para Campos Sales à frente de 360 soldados do Exército. Floro ficou no Juazeiro para organizar os chamados Batalhões Patrióticos, exército particular com mais de mil jagunços. No dia 9 de janeiro de 1926, a tropa irregular partiu para Campos Sales. Chegando àquela cidade, muito cedo, Floro desentendeu-se com o major Polidoro que retirou-se com sua tropa para Fortaleza, deixando os patriotas sozinhos para lutarem contra os mais de 2.000 soldados invencíveis da Coluna. Foi nesse momento de apreensão que o coronel Pedro Silvino, chefe do Estado maior de Floro, trouxe à sua presença João Ferreira dos Santos e seu irmão Ezequiel Ferreira. João era um dos contratados para transportar os carregamentos de munição, mas o que era mais interessante é que ele era irmão do mais célebre dentre todos os cangaceiros do sertão, Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião. Chegou-se à conclusão que o cangaceiro, cujo nome era uma legenda de valentia, deveria ser convocado. O posto seria de capitão comissionado e, se bem sucedido na campanha, receberia do presidente da República o indulto pelos seus crimes. O convite veio de Campos Sales para Juazeiro, em mãos do rábula José Ferreira de Menezes. Lampião era muito sagaz e se, além da assinatura de Floro, a carta não tivesse a do Padre Cícero, ele jamais atenderia ao convite. Um dos empregados de João Ferreira, por nome Zé Dandão, viajou então para a Fazenda Piçarra, em Macapá, hoje Jati, onde morava Sebastião Paulo, primo legítimo de Lampião e juntos, com o convite a tiracolo, foram para o Pernambuco à procura de Lampião. Ainda hoje, há quem afirme que foi o tenente Francisco das Chagas o encarregado de procurar Lampião, o que não é verdade. Esse senhor ficou em Campos Sales e no dia 22 de Janeiro de 1926, quando a Coluna Prestes invadiu o Ceará pela região dos Inhamuns, participou da perseguição aos revoltos através do Ceará, Paraíba e Pernambuco indo encontrar-se com o célebre cangaceiro somente em fins de fevereiro daquele ano, quando então falou com Lampião sobre o assunto. No dia seguinte, Floro telegrafou para o rábula José Ferreira em Juazeiro: 

“comunique ao nosso amigo, que não é preciso mais Lampião, povo já seguiu perseguição revoltosos”. 

No mesmo dia, gravemente enfermo, empreendeu sua última viagem, de Campos Sales para o Rio de Janeiro, aonde viria a falecer às 5 horas da tarde do dia 8 de março de 1926, com 50 anos de idade.


Lampião recebeu o convite ainda em Janeiro. Conversou sobre o assunto com o célebre coronel Manoel Pereira Lins, vulgo Né da Carnaúba, líder da família Pereira do Pajeú, seu amigo, que confirmou a autenticidade do documento. Por isso, quando se encontrou, por acaso, com o tenente Chagas, que voltava com seus homens para Juazeiro, resolveu acompanhá-lo. Seria mais seguro ir àquela cidade em companhia de uma das tropas do Batalhão Patriótico. Por essa época, a Coluna Prestes já estava atravessando o rio São Francisco em direção à Bahia. No dia 2 de março de 1926, Lampião, vindo de São José de Belmonte, entrou no Ceará pelo distrito de Macapá, hoje Jati, aonde confraternizou com um destacamento da polícia do Ceará, sob o comando de tenente Veríssimo, que o presenteou com um Smith & Weston “novinho em folha”. No dia seguinte, amanheceram na Fazenda Piçarra, de Antônio Teixeira Leite, onde almoçaram mais de 100 pessoas entre cangaceiros e soldados do Tenente Francisco Chagas. Daí rumaram para o Sítio Laranjeiras, de Antônio Pinheiro, onde todo o grupo pernoitou. No dia seguinte, uma quinta-feira, ainda escuro, a tropa mista prosseguiu viagem para a serra-do-mato, do coronel Antônio Joaquim de Santana, amigo e coiteiro de Lampião. Ainda em Barbalha Lampião recebeu uma carta de Juazeiro do Norte enviada por um certo Dr. Pedro de Albuquerque que dizia não ser mais necessária a sua presença naquela cidade. O cangaceiro ignorou a mensagem e, à tardinha, chegou aos arredores da Meca do Cariri ainda acompanhado do tenente Chagas, ao todo 23 cangaceiros e mais de 70 patriotas. Acomodou-se, então, com seus homens, na Fazenda Nova, pertencente a Floro. O delegado local, sargento José Antônio da Coan, começou a reunir homens armados para atacá-lo, mas foi, de imediato, repreendido pelo Padre Cícero que lhe disse que Lampião estava ali a convite do Dr. Floro para prestar seus serviços ao governo federal. Na verdade, já se havia preparado, com antecedência, um sobrado na rua da Boa Vista para acomodar o bando. Na calçada em frente ficava a casa do seu irmão João Ferreira, casado com dona Joaninha, quase vizinho às casas de dona Maria Ferreira, sua irmã, casada com Pedro Queiroz, onde moravam também Ezequiel e Anália, solteiros, e de Angélica Ferreira, casada com um rapaz do Rio Grande do Norte chamado Virgílio Fortunato. Já tarde da noite, o bando veio hospedar-se no hotel improvisado que pertencia ao poeta João Mendes. Na noite seguinte, o Padre Cícero foi ao seu encontro, em um automóvel dirigido por Mestre Luiz, em companhia do rábula José Ferreira e de José Gonçalves, chefe de sua segurança pessoal. Depois de muito conversarem, o Padre mandou convidar o funcionário do Ministério da Agricultura, Pedro de Albuquerque Uchoa, pessoa muito querida da sociedade local, muito culto era, quase que o orador oficial de todas as solenidades importantes da cidade, para participar da reunião.

Em uma folha de papel almaço foi elaborado um documento que nomeava Virgulino Ferreira da Silva capitão comissionado dos Batalhões Patrióticos. Tal patente seria obviamente de caráter provisório e teria a duração da finalidade e da existência dos referidos Batalhões. Na verdade, a patente era semelhante as que haviam sido entregues aos demais oficiais comissionados na época assinadas por Floro, mas como o deputado não estava presente, a mesma teve que ser assinada por Pedro Uchoa, único funcionário federal presente. Redigida em 5 de março de 1926, foi datada de 12 de março do mesmo ano, assim só teria validade quando o agora defensor da legalidade estivesse com seus homens longe do Juazeiro cumprindo a missão assumida, eufórico, mostrando por onde passava o documento que, para bem da verdade, esteve nas mãos de muitos homens de bem que confirmariam depois a sua real existência. Louvável a atitude do Padre Cícero sob todos os aspectos, senão vejamos: Como político, o referido sacerdote foi prefeito do Juazeiro de 1911 a 1929, com breve período de ausência durante o Governo Franco Rabelo. Correligionário do presidente Arthur Bernardes, e maior líder político do Ceará, não poderia deixar de lançar mão de todo e qualquer recurso necessário ao combate eficiente ao avanço da Coluna Prestes. Como amigo não poderia deixar de colocar sua assinatura ao lado da de Floro, a pedido deste, nem na sua ausência deixar de substituí-lo na recepção a Lampião, nem na concessão da patente por ele prometida. Afinal Lampião nas estradas era uma ameaça constante para milhares de romeiros que lhe faziam doações de centenas de contos de réis todos os anos para suas obras de caridade cristã. Existem estudiosos, no entanto que afirmam que um santo como o Padre Cícero seria incapaz de tal atitude e afirmam que tudo foi uma brincadeira urdida por Benjamim Abraão, secretário do Padre Cícero, e Pedro Uchoa para enganar Lampião. Na verdade ninguém no Juazeiro, por medo de Floro, por respeito ao Padre Cícero, enfim por termos de uma reação futura do Rei do Cangaço teria coragem de fazer tal brincadeira de mau gosto. Mas, voltemos ao fio à meada, no dia seguinte Lampião recebeu dezenas de fuzis do Exército e farta quantidade de munição, além da indumentária necessária e demais equipamentos indispensáveis a sua tropa. A tarde concebeu uma demorada entrevista ao médico cratense, Dr. Otacílio Macedo, irmão do brigadeiro Macedo, e se deixou fotografar com seus familiares e com seu bando pelo senhores Lauro Cabral de Barbalha e Pedro Maia do Crato. No dia seguinte, um domingo, deixou a cidade do Padre Cícero rumo a Pernambuco, passou pelo Caldas em Barbalha, por Jardim e, enfim, entrou na sua terra natal pelo município de Serrita. Agora acompanhado por quase 100 homens armados. Em pouco tempo desistiu de perseguir a Coluna Prestes, quando foi informado que, por uma boca só, todos os oficiais da Polícia pernambucana afirmava que o atacariam aonde quer que o encontrassem. Inconformado com a situação, o capitão Virgulino Ferreira atravessou novamente a fronteira para o Ceará para pedir o apoio do Padre Cícero, às 8 horas da noite do dia 8 de abril, acompanhado por oito homens e, a cavalo, atravessou o município de Barbalha em direção a Juazeiro do Norte e só na tarde do dia 10 de abril de 1926 estava de volta. Para a imprensa, o Padre Cícero, que vinha sendo muito criticado pela recepção ao cangaceiro, afirmou que se recusara a recebê-lo embora admitisse seus bons propósitos. Para Antônio da Piçarra, Lampião afirmou que foi recebido pelo Padre Cícero na noite do dia 9 de março de 1926, noite de muita chuva em que a água dos pequenos riachos encostava na barriga dos cavalos. O padre que veio de automóvel dissera-lhe que não podia obrigar a polícia de Pernambuco a aceitar a sua patente e que não podia fazer mais nada; Floro morrera, os batalhões tinham sido desmobilizados e que a Coluna Prestes se encontrava em Goiás, que ele deveria dissolver o bando e ir embora para bem longe, recomeçar a vida e ser feliz e que, se assim não o fizesse, que pelo menos não mais bulisse com seus romeiros nem com o estado do Ceará. A imprensa da época noticiou que o bandido voltou furioso para o Pernambuco ameaçando atacar Barbalha na sua passagem por aquele município, o que não passou de alarme falso. Quando chegou à terra natal, já estava roubando e sequestrando por resgate.

Voltara a ser o Rei do Cangaço no Sertão, embora durante o resto da sua vida tenha se autodenominado Capitão Virgulino Ferreira da Silva. Em toda sua carreira de cangaceiro, Lampião chegou ao Juazeiro com o Padre Cícero, ao ponto mais próximo de sua reabilitação: a regeneração do cangaceiro, que teria sido uma das estrelas mais brilhantes da coroa do venerado sacerdote.

Magérbio de Lucena médico e escritor, autor do livro “Lampião e o Estado Maior do Cangaço”.


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FERNANDO TEIXEIRA ( GENTE QUE ME MARCOU, º 23 ).

Por W. J. Solha

Parceria é uma atividade que tem como supremo exemplo a do armador, que passa a bola pro atacante no momento exato em que vê que ele pode fazer gol. Foi meu papel – através de investimento - na produção do primeiro longa paraibano, O SALÁRIO DA MORTE, iniciativa de José Bezerra Filho. E - com versos – na realização da CANTATA PRA ALAGAMAR, criação do maestro José Alberto Kaplan. Ou – com o libreto – na da primeira ópera armorial, DULCINEIA E TRANCOSO, pro Eli-Eri Moura. Ou – com a história – no curta perfeito de Marcus Vilar, A CANGA. 

Fernando Teixeira

Daí o prazer com que recebi o telefonema - em pleno expediente do BB, agência-centro de João Pessoa - do Fernando Teixeira, pedindo-me uma adaptação para o teatro do FOGO MORTO.

- Beleza! Pra quando você quer?

- Semana que vem. 

A pressa se devia ao fato de que ele projetava a estreia na inauguração do Espaço Cultural José Lins do Rego, que estava em cima. O trabalho não me foi difícil, porque participara como ator das filmagens do romance, fazendo o Tenente Maurício, perseguidor do cangaceiro Antonio Silvino: a coisa toda estava bem presente, ainda, em minha mente. 

Bom, Fernando é tão excelente como diretor quanto como ator – de teatro ( em ESPARRELA, por exemplo ), cinema ( em BAIXIO DAS BESTAS, entre outros ).e, agora, em televisão ( Na foto, um close, seu, em O VELHO CHICO ) . Já tivéramos uma boa experiência de parceria no OTELO de Shakespeare.

- Você vai fazer a montagem em cima da tradução do Carlos Alberto Nunes?!

- Qual o problema?

- Pomposa. E Voltaire odiava o Bardo porque o considerava excessivamente popular. 

- Você pode fazer uma tradução pra mim?

- Nem pensar. Mas arrisco uma transcriação.

A montagem dele foi antológica, principalmente pela solução brilhante de encher o palco de praticáveis que tinham as posições alteradas, sob enorme lona, conforme os ambientes do espetáculo. 

Como Zé Lins tem um ritmo entre andante e adágio, tratei de acelerá-lo dando-lhe cortes rápidos, conhecidos, como sistema “tempestade e relâmpago”. Se no curta A CANGA, que roteirizei em cima de meu próprio livro e peça teatral, sugeri ao Marcus Vilar que desse uma de Buñuel e eliminasse a música como elemento dramático, deixando a história no osso, nua e crua, pro PAPA RABO indiquei pro Fernando uma trilha sonora na linha poema sinfônico, o que foi feito pelo compositor Carlos Galvão, com a composição aflorando onomatopaica em cenas como a de um forró ou da partida de um trem. 

Como, de repente, o financiamento que se esperava, do estado, gorou, injetei mais Shakespeare no texto, com os cenários substituídos por falas em que surgiram informações. Visitei o teatro Globe. Tudo quanto era montanha, ameia de fortaleza ou balcão de Julieta ocorria no balcão sobre o “pequeno O de madeira”. O toque transformador vinha das falas. A de Romeu, por exemplo: “Que luz ecoa agora da janela? Será Julieta, o sol daquele oriente?” O teatro é uma forma de espetáculo assombrosa porque limitada. Ao contrário do cinema, não se pode contar, aí, com rios, lagos, mares, metrópoles e montanhas. O próprio Shakespeare diz, no genial prólogo de HENRIQUE V, sem poder botar ali milhares de figurantes:

- Permiti que nós, os zeros desta importância imensa, trabalhemos por excitar a vossa fantasia. (...) Supri com o pensamento nossas imperfeições”.

Fernando Teixeira

Fernando fez isso magistralmente. Como a peça ganhou o prêmio Mambembão, que possibilitava a viagem do espetáculo para as grandes capitais do país, Yan Michalki escreveu no “Jornal do Brasil”:

- ... a montagem do Grupo Bigorna “...ao jogar uma luz muito curiosa sobre a resistência das camadas populares contra a oligarquia da cana-de-açúcar... tem um forte sopro épico E ALGUMAS SOLUÇÕES CÊNICAS INVENTIVAS E CONVINCENTES.

Exemplo:

O grupo de homens carrega um ( inexistente) piano pra senhora do engenho. Ela faz com que "o ponham" no chão, e os atores, juntando-se lado a lado, estendem as mãos com os dedos todos juntos como se fossem o teclado, em que ela “toca”, a sonoplastia fazendo o resto. PAPA RABO estava cheia desses achados. O ponto alto era a estação de trem para onde a polícia leva o personagem-título, pondo-se, com ele, no trem. Fernando “construiu” a locomotiva com um ator segurando um círculo com tinta fosforescente ante o rosto, de frente pro público, tendo – em cada lado – uma moça de costas pra ele, soprando talco pras laterais, o som da música sugerindo o da liberação de vapor da maria-fumaça.
Gênio!

W. J. Solha

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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DUAS CHAPAS SE INSCREVERAM PARA A DISPUTA DAS ELEIÇÕES DA ADUERN NO BIÊNIO 2017-2019.


Duas chapas se inscreveram para a disputa das eleições da ADUERN no biênio 2017-2019. Na sexta-feira (21), às 9h a comissão eleitoral divulgará a homologação das candidaturas, após acolhimento de recursos, e dará largada oficial ao período de campanha.

Pela manhã foi registrada a chapa SINDICATO É PRA LUTAR, encabeçada pela professora Rivânia Moura, que é lotada na Faculdade de Serviço Social (FASSO). Os demais membros da chapa são: Alexsandro Donato – Vice-presidente; Márcia Maria Alves – Secretária; Ciclene Alves – Secretária Adjunta; Valdomiro Morais – Tesoureiro; Zacarias Marinho – Tesoureiro Adjunto; Ana Lúcia Gomes – Cultura, esporte e Lazer; Verônica Aragão – adjunta Cultura, esporte e Lazer; Felipe Caetano Oliveira – Diretor Aposentados; Taniamá Vieira – Diretora Adjunta de Aposentados.


Durante a tarde se inscreveu a chapa UNIDOS PELA ADUERN, que terá como candidato à presidência o professor Denys Tavares de Freitas, docente da Faculdade de Direito (FAD). Também compõem a chapa Mademerson Costa – Vice-presidente; Antonia Liria Nogueira – Secretária; Lucirene Lopes – Secretária Adjunta; Janderson Dantas – Tesoureiro; Isac Nogueira- Tesoureiro Adjunto; Leonardo Rolim – Cultura, esporte e Lazer; Isaac Oliveira Filho – adjunto Cultura, esporte e Lazer; Luzinete Cabral – Diretora de Aposentados e Antonio Gomes Diretor adjunto de Aposentados.


Esta é a terceira vez, em 37 anos de história, que a ADUERN terá disputa entre duas ou mais chapas.

Jornalista
Cláudio Palheta Jr.
Telefones Pessoais 
(84) 96147935
(84) 88703982 (preferencial) 
Telefones da ADUERN: 

ADUERN
Av. Prof. Antonio Campos, 06 - Costa e Silva
Cep: 59.625-620
Mossoró / RN
Seção Sindical do Andes-SN
Presidente da ADUERN
Lemuel Rodrigues


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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TENENTE JOÃO BEZERRA E FAMÍLIA.

Por Geraldo Júnior

Antes de identificar os personagens constantes na fotografia abaixo eu quero agradecer ao amigo Paulo Britto filho do Tenente João Bezerra comandante da Força Volante alagoana que em 28 de julho de 1938, atacou e matou Lampião, Maria Bonita e outros nove cangaceiros na Grota do Angico (Porto da Folha/SE). Agradecer pela consideração, apoio e pela concessão do direito de publicar imagens como essa que pertencem ao acervo da família.

Vamos lá...

Na extrema esquerda da fotografia está uma amiga da família (Babá), Dona Cyra Brito esposa do Tenente João Bezerra e uma das defensoras da cidade de Piranhas/AL na ocasião do ataque do cangaceiro Gato (Santílio Barros) à cidade (1936), Dona Valdeci Britto filha do casal Cyra Brito e João Bezerra com sua filha Rosângela nos braços e o célebre Tenente João Bezerra que como disse anteriormente, foi o responsável por dar cabo de Lampião e parte de seu bando em 28 de julho de 1938 na Grota do Angico na época pertencente ao município sergipano de Porto da Folha e atualmente integrado ao município de Poço Redondo/SE.

As duas crianças menores são Rosinete e Alípio Júnior filhos de D. Valdecy Britto.

Fotografia registrada na cidade de Garanhuns/PE entre os anos de 1965 e 1970. Pessoas que fazem parte da história do Nordeste e que merecem todo o nosso respeito.

Meus agradecimentos.
Geraldo Antônio de Souza Júnior (Administrador do Grupo)

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CONVITE ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS POSSE DO ACADÊMICO JOÃO ALMINO EXCELENTÍSSIMO SENHOR ACADÊMICO ELDER HERONILDES DA SILVA. PRESIDENTE DA AMOL - ACADEMIA MOSSOROENSE DE LETRAS


Excelentíssimo Senhor Acadêmico ELDER HERONILDES DA SILVA.
Presidente da AMOL - ACADEMIA MOSSOROENSE DE LETRAS


JOÃO ALMINO tem o prazer de transmitir o convite para sua posse na ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS (Avenida Presidente Wilson 203, Rio de Janeiro, RJ), na 6a. feira, 28 de julho, às 21h. O convite da Academia segue em anexo.


Favor confirmar sua presença em resposta, até o dia 10/07, a este e-mail ou pelos telefones (21) 3974-2569 – 3974-2522, para constar da lista de convidados na entrada da Academia.


Convite pessoal e intransferível para 2 pessoas / Traje passeio completo (terno/blazer com gravata para homens)

Lucia Cristina Deppe da Costa
Secretaria-Geral da ABL
Tel: (21) 2240-1217
luciadeppe@academia.org.br
www.academia.org.br

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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VOLTA SECA (ANTÔNIO DOS SANTOS) UM DOS MAIS PERVERSOS CANGACEIROS QUE SE TEM NOTÍCIA EM TODA A HISTÓRIA DO CANGAÇO.

Por Geraldo Júnior

Filho de Manoel Antônio dos Santos e Arminda Maria dos Santos, nascendo no dia 18 de março de 1918. Era sergipano de Saco Torto, município de Itabaiana/SE. Primeiramente foi apelidado de Antônio da Pinta e depois de Bosta Seca. Juntou-se ao grupo de Lampião nos fins de 1928, quando ele estava reestruturando o bando na Bahia. Foi um dos mais selvagens cangaceiros que se tem notícia. Iniciou sua vida de cangaceiro com apenas onze anos de idade, porque matou um soldado que tinha violentado uma irmã sua (É uma das versões). Gostava de “Pepinar” suas vítimas com a ponta do punhal. Estuprou várias mulheres. Deu cabo, sem qualquer motivo, de uma dezena de sertanejos, sem contar os que caíram sob suas balas em combate.


- Estava no bando de Lampião que, no dia 19 de abril de 1929, visitou o povoado de Poço Redondo/SE. 

- Estava no bando que, no dia 21 de abril, invadiu o Saco do Ribeiro (Ribeirópolis), praticando algumas arruaças, espancamentos e extorsões.

- Participou do combate com a Volante baiana, do Tenente Manoel Campos de Menezes, em Pinhão/SE, em 22 de abril de 1929, onde Lampião e Luiz Pedro ficaram feridos.

- Em 30 de junho de 1929, participa do ataque e incêndio da Estação Ferroviária de Itumirim, município de Jaguarari/BA.

- Ao amanhecer de 04 de julho, sob o comando de Lampião, participou do ataque à Vila de Brejão da Caatinga ou Brejão de Dentro, atualmente município de Campo Formoso/BA, surpreendendo e matando 04 soldados e um cabo sem dar-lhes nenhuma oportunidade de defesa.

- Participou dos ataques aos povoados de Santa Rosa de Lima, município de Jaguarari/BA, e Canoas, município de Senhor do Bonfim/BA, em 27 de setembro de 1929, onde cometeram saques, agressões, extorsões e depredações.

- Em 25 de novembro de 1929, participou das visitas ao distrito de Nossa Senhora das Dores, município de Capela/SE, onde extorquiram comerciantes e populares, depois partindo para Capela/SE, onde permaneceram várias horas na cidade, visitando comerciantes, salão de bilhar e prostíbulo, pagando setenta mil Réis à prostituta que lhe atendeu e extorquiram a quantia de seis Contos de Réis da população.

- Em 27 de novembro de 1929 integrava o grupo que estava na Fazenda Jaramataia, município de Gararu/SE

- Participou do massacre à Queimadas/BA, em 22 de dezembro de 1929. Quando foram mortos sete Soldados do destacamento local.

- Participou do assalto à Mirandela, distrito de Pombal/BA (Atual Ribeira do Pombal/BA), no dia 25 de dezembro de 1929.

- Participou do ataque à Aquidabã/SE em outubro de 1930.

- Participou do ataque à Floresta/PE, em 26 de novembro de 1930, fazendo parte de um grupo de aproximadamente 20 cangaceiros, quando mataram e degolaram vários inimigos de Lampião, extorquiram fazendeiros e praticando depredações.

- Participou do tiroteio na fazenda Umbuzeiro do Touro, município de Paulo Afonso/BA, no dia 24 de abril de 1931, quando morreu o cangaceiro Ponto Fino II (Ezequiel Ferreira). Neste combate a polícia perdeu aproximadamente treze praças, inclusive o Tenente Leonelino Rocha, além de outros seis que foram feridos. 

- Logo após violento combate na Fazenda Maranduba, em Sergipe, no dia 09 de janeiro de 1932, do qual participou, desertou do grupo porque tinha tido uma discussão com Lampião e este havia lhe prometido uma surra. 

Poucos dias depois, no dia 18 de fevereiro, foi capturado, na Fazenda Lagoa da Onça, próximo à Santo Antônio da Glória/BA pelos irmãos Adão e Roxo, juntamente com sua companheira Bidia. Após ter sido julgado por seus crimes, foi condenado a uma pena de 145 anos de prisão. Por causa da sua pouca idade, teve sua pena comutada para trinta anos, dos quais cumpriu vinte. Em 1954, foi perdoado pelo Presidente Getúlio Vargas. Aposentou como funcionário da Rede Ferroviária (Leopoldina). Através de seus depoimentos – ele sempre gostou de dar entrevistas – foram reveladas muitas particularidades dos cangaceiros e muitos segredos do cangaço. Faleceu aos 97 anos de idade de causas naturais na cidade mineira de Leopoldina, onde residia com sua família.

Fonte das informações: Livro Cangaceiros de Lampião de A a Z de Bismarck Martins de Oliveira.
Adendo: Geraldo Antônio de Souza Júnior

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