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segunda-feira, 26 de junho de 2017

REUNIÃO DA AFLAM NA PRAÇA.

Por: Benedito Vasconcelos Mendes

Sessão da AFLAM - Academia Feminina de Letras e Artes Mossoroense, na qual a Cantora e Acadêmica GORETTI ALVES fez o elogio à sua Patrona. 



A Professora e Acadêmica SUSANA GORETTI LIMA fez a apresentação da nova Acadêmica GORETTI ALVES, com um discurso conciso e de linguagem elegante. 


A referida sessão ocorreu em praça pública, ao lado do Memorial das Artes, na Av. Rio Branco, em Mossoró, fazendo parte das festividades juninas. 

No final dos trabalhos formais da AFLAM, houve uma belíssima apresentação musical, quando Goretti Alves cantou várias canções juninas do repertório da sua Patrona MARINÊS (xaxado, xote e baião).

Benedito Vasconcelos Mendes

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaquiano José Romero de Araújo Cardoso

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LAMPIÃO INCENDEIA AS FAZENDAS DO CORONEL ZÉ PEREIRA E AINDA MANDA AVISAR A POLICIA.


Na tarde do dia 19 de janeiro de 1925, Lampião incendiou a fazenda Olho D’Água em Betânia PE, pertencente ao Coronel José Pereira Lima, de Princesa Izabel PB. Além do incêndio, Lampião matou muito gado no pátio da fazenda, o Sr. Izídio de São Caetano, era o vaqueiro da propriedade. No mesmo dia, Lampião seguiu para incendiar a fazenda Melancia, também do Coronel Zé Pereira. Virgulino e seu bando foram pernoitar na Melancia. Residia na casa da fazenda, o Sr. Davi Firmo de Araújo, conhecido apenas por Firmo. Na manhã seguinte, dia 20 de janeiro de 1925, Lampião levantou cedo, indo sentar-se na cozinha, esperando o café. Fernandinha, esposa de Firmo, vendo-o ali sentado, começou a chorar. Vendo aquele choro, Lampião perguntou: Se ela estava com medo, disse ainda que não chorasse e não tivesse medo, que ele não ofendia a gente de João Araújo (genitor de Fernandinha), que podia ficar tranquila, pois nada do que pertencesse a ela, queimaria. 


Ali só queria queimar o que fosse do Cel. Zé Pereira, o que fosse dela podia retirar da casa. Destemida, Fernandinha disse que, seu choro não era com medo, nem com pena de nada, que ele podia queimar tudo. O choro era porque há dois meses, ele havia matado dois primos seus e estava ali em sua frente. Se ela pudesse, não o veria. Rapidamente respondeu o cangaceiro, que ela tinha razão, e que ele não tinha nenhuma culpa na morte de seus primos, uma vez que, os mesmos morreram na luta, brigando. Assim como seus primos morreram, ele também poderia ter morrido. Os primos a que se referia Fernandinha eram Inocêncio de Souza Nogueira e Olímpio Gomes Jurubeba, que foram mortos no fogo da fazenda Baixas, município de Vila Bela, ocorrido no dia 20 de novembro de 1924.

Lampião determinou a retirada de todos os troços de dentro da casa, ele mesmo ajudando. Também pegou uma enxada e arrastou de dentro de casa para o terreiro, uma grande quantidade de milho debulhado. Mandou Firmo ir a Betânia chamar seu irmão Antônio Araújo (conhecido por Totonho), por ser o gerente das fazendas do Cel. Zé Pereira. Chegando Totonho, em um carro de boi, Lampião o fez ciente de que iria incendiar a fazenda. Tomou o carro de boi e transportou a madeira para incendiar a casa. Lampião ainda pediu o comparecimento do Sr. Alcides Passos, residente em Betânia, para retirar do cercado os seus animais.

Retirados os animais, os cangaceiros botaram fogo na casa e em todas as cercas da fazenda, tudo virou cinza, o prejuízo do Coronel foi total.

Depois do incêndio, Lampião mandou por Alcides Passos, um bilhete para o Sargento José Leal, Comandante da força volante de Betânia. No escrito, mandava dizer ao Sargento Leal, que se encontrava na fazenda Melancia, com 35 homens, todos de sangue no olho, incendiando a fazenda do Coronel Zé Pereira, se o Sargento achasse ruim, juntasse seus macacos e fosse para brigar, pois o estava esperando, pois naquele dia estava querendo limpar a ferrugem de seu refle. Recomendou mais, que o Sargento levasse a farinha que o feijão já estava pronto para o almoço. Datou e assinou: Virgulino Ferreira da Silva – Vulgo: Lampião – Governador do Sertão.

Em Betânia, Alcides Passos procurou Severino Pires, para combinarem se entregava ou não o bilhete. Severino foi pela entrega imediata do escrito, pois o Sargento bradava dia e noite que, quem soubesse de Lampião na região e não comunicasse, morria no pau. 

Recebendo o bilhete, o Sargento ficou enfurecido, juntou os pés e disse: 

"- Vou agora mesmo brigar com esse bandido".

Então gritou para macacada, se prepararem para brigar com Lampião. O soldado Luiz Nogueira de Carvalho tentou mostrar ao sargento a desvantagem em atender aquele chamado, pois o mesmo devia ser uma grande cilada de Lampião contra a Força. Disse ainda que, Lampião não era de brincadeira, que o Sargento não o conhecia, por ser do Recife. O Comandante Leal perguntou se o soldado Luiz Nogueira estava com medo. Respondeu que não, apenas sabia que a volta de Lampião era amargosa, se o Sargento estava duvidando que fosse, mas o aconselhava atacar bem as alpercatas, para não ficar enganchadas nas caatingas do Navio e chegar descalço em Betânia.

O Sargento respondeu: 

"- Eu sou é homem e venho do Recife para perseguir, brigar e prender Lampião. 

Vários civis também se dirigiram ao sargento, pedindo que não atendesse ao chamado de Lampião. O Sargento respondeu que era macho e a prova ia dar naquele dia, pois levava um maço de cordas, para amarrar Lampião. Tinha que entrar com o bandido amarrado dentro de Betânia para todo mundo ver. Antes de seguir, o Sargento pôs em liberdade o soldado José Mariano Ferreira (conhecido por Canela de Aço), que estava detido, o qual pegou o fuzil e saiu rua acima e rua abaixo, dizendo que naquele dia ia morrer. Os companheiros pediam que deixasse de ilusão. Respondia que era um pressentimento que estava com ele. Pronto à tropa, quinze praças, número insuficiente para enfrentar Lampião e seu bando, o Sargento deu ordem de marcha, partindo na frente o soldado Manoel Luiz Taveira e alguns companheiros, o Sargento marchou no coice da tropa.

Lampião por sua vez, preparou uma emboscada em forma de quadrado. Tudo pronto, disse: 

“Está bem feito o curral, o boi José Leal chega já, já para se brigar”. 

Naquele momento, Lampião apontou e marcou o lugar que a Força devia estar, isto é, do meio para o fim do quadrado, recomendando aos cabras que, quando a força estivesse ali, ainda não atirassem, deixasse chegar um pouco à frente, para dar tempo aos últimos “macacos” entrar no curral, depois podiam fechar a porteira e fazer a faxina completa. Coincidência com a previsão de Lampião, no lugar que ele marcou, a força encontrou um vaqueiro e parou mesmo, perguntando se não dava notícias dos bandidos. Foi quando um cangaceiro que estava deitado na emboscada levantou a cabeça, sendo visto pelos soldados, que gritaram: 

“Olha os inimigos companheiros!” 

Estas palavras já foram acompanhadas de uma grande descarga de tiros, caindo morto o soldado José Mariano Ferreira (Canela de Aço) e gravemente ferido com as pernas quebradas, o soldado Manoel Luiz Taveira. Por não suportarem a chuva de balas, os soldados desorientados correram deixando os dois companheiros em poder dos inimigos. Dentro de todo sufoco, o soldado Luiz Nogueira não se cansava de gritar, chamando o Sargento Leal com as cordas para amarrar Lampião. Luiz Nogueira olhava para todos os lados, mas não via o Comandante Leal, pois antes de entrar no quadrado do curral, fugiu tão apavorado, que tirou da Fazenda Melancia para Betânia, cerca de três quilômetros, de uma só carreira, sem ter tempo de olhar para trás. O Sargento José Leal chegou a Betânia demostrando sinais de loucura, entrando nas casas pelas portas da frente e saído pelas portas dos fundos, estava muito aflito sem encontrar um lugar para se esconder.

Do livro: Memórias de um Soldado de Volante
De: João Gomes de Lira

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O FIM DO CANGAÇO, E A MORTE DE LAMPIÃO

Por: Dr.Leandro Cardoso

Na minha opinião há 3 revezes na carreira de Lampião que foram fundamentais para o seu fim:

Lampião e seu banco em Juazeiro do Norte

1) o ataque à Mossoró (no Rio Grande do Norte), que culminou com sua expulsão de Pernambuco;

O cangaceiro Gato

2) o ataque de Gato, Moreno e Corisco a Piranhas, que enfureceu a polícia e o Governo, aumentando em muito a concentração de volantes na região;

O cangaceiro Moreno
3) o Estado Novo em 37, com a retirada do poder dos potentados locais por Getúlio Vargas, o que enfraqueceu o esquema de sustentação de Lampião. 

O cangaceiro Corisco

Percebam que próximo do fim somente pequenos proprietários ficaram mais próximos dele.

Daí para a morte de Lampião foi um pulo.

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domingo, 25 de junho de 2017

A IDEIA DAS CASAS DE FARINHA ENQUANTO HERANÇA DOS INDÍGENAS E AS INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS IMPLEMENTADAS PELO COLONIZADOR PORTUGUÊS

Por Rita de Cássia Rocha (1) - José Romero Araújo Cardoso (2)

Herdamos a ideia da casa de farinha dos índios tapuias, os quais haviam introduzido o produto na alimentação há mais de quatro mil anos antes da chegada do colonizador português.
       
Faz-se necessário ressaltar que o processo de fabricação da farinha de mandioca que nós ainda usamos hoje é bem diferente do que os indígenas usavam, pois era caracterizado pelo primitivismo de sua elaboração.
        
Por exemplo, os povos pré-cabralinos não tinham o ralador, ou catitiu, tendo em vista que não conheciam o ferro, beneficiado através de técnicas metalúrgicas. Os nativos pegavam a mandioca, colocavam dentro d’ água para pubar, depois quando a mandioca estava amolecida eles passavam em uma arupemba, depois colocavam para secar e espremiam aquela massa em um tipiti, pois também não tinham a prensa.
        
Duas inovações tecnológicas os colonizadores portugueses introduziram no processo de produção de farinha. A primeira foi o ralador e o outro foi a prensa. Desenvolveram a prensa para secar a massa da mandioca, tendo em vista que necessitavam de máquina que compactasse de forma mais intensa a manipueira para fazer escorrer todo, ou quase todo, o ácido cianídrico contido na massa de mandioca ralada no catitu.

Rita de Cássia Rocha (1) – Discente do Curso de Licenciatura em Geografia do Campus Central da UERN.

José Romero Araújo Cardoso (2) - Geógrafo (UFPB). Escritor. Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial (UFPB) e em Organização de Arquivos (UFPB). Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (UERN). Membro do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP), da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) e da Associação dos Escritores Mossoroenses (ASCRIM)

 Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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SABINO CANGACEIRO: QUEM FOI O HOMEM QUE ATACOU CAJAZEIRAS

Por Cajazeiras de Amor

Sabino Gomes de Góis, alusivamente conhecido com “Sabino das Abóboras” nasceu na Fazenda Abóbora, localizada na zona rural do município de Serra Talhada/PE, próximo a fronteira com a Paraíba pertencente ao respeitado coronel Marçal Florentino Diniz pai de Marcolino Pereira Diniz. No local eram criadas grandes quantidades de cabeças de gado, havia vastas plantações de algodão, engenho de rapadura e se produziam muitas outras coisas que geravam recursos. Também existem dois riachos, denominados Abóbora e da Lage, que abastecem de forma positiva a gleba.

Sabino era filho da união não oficial entre o coronel Marçal Florentino Diniz e uma cozinheira da propriedade. Consta que ele trabalhou primeiramente como tangedor de gado, o que certamente lhe valeu um bom conhecimento geográfico da região. Valente, Sabino foi designado comissário (uma espécie de representante da lei) na circunvizinhança da fazenda Abóbora.

Para alguns estudiosos do cangaço teria sido Sabino que coordenou a vinda do debilitado Lampião para ser tratado pelos médicos José Lúcio Cordeiro de Lima e Severino Diniz. E que amizade entre o “Lampião” e o filho bastardo de Maçal Diniz, teria nascida na Fazenda Abóbora e se consolidado a ponto deste último se juntar ao “Rei do Cangaço” e seu bando, em uma posição de destaque, no famoso ataque de cinco dias ao Rio Grande do Norte, ocorrido em junho de 1927. Asseguram também que a inserção de Sabino no cangaço se deu em razão do assassinato de um primo legitimo seu de nome Josino Paulo surdo-mudo, morto por Clementino Quelé – conhecido por tamanduá vermelho, nas pilhérias do cangaço.

Entre 1921 e 1922, acompanhou seu meio irmão Marcolino para Cajazeiras. Marcolino Pereira Diniz desfrutava de muito prestígio político. Era presidente de clube social, dono de uma casa comercial e do jornal “O Rebate”. Tinha franca convivência com a elite cajazeirense. Sabino por sua vez era guarda costas de Marcolino e andava ostensivamente armado. Nesta época Sabino passou a realizar nas horas vagas, com um pequeno grupo de homens, pilhagens nas propriedades da região.

Foi através do Cel. Marcolino, que Sabino trouxe para residir na cidade sua mãe Maria Paula – carinhosamente chamada pelas pessoas de Vó e suas quatros filhas: Maria, Geni, Alaíde – Nazinha e Maria de Lourdes – Delouza.

Poucos cangaceiros foram tão cultivados, fora o chefe Lampião, do que Sabino Gomes, cuja presença no cangaço a cultura popular se encarregou de perpetuar, a exemplo da trova divulgada pelas banda do sertão, a qual dizia: “lá vem Sabino mais Lampião, Chapéu quebrado, fuzil na mão”.



https://coisasdecajazeiras.com.br/sabino-cangaceiro-quem-foi-o-homem-que-atacou-cajazeiras/

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INVASÃO E RESISTÊNCIA - OS 90 ANOS DA DERROTA DE LAMPIÃO NO CONFRONTO COM O POVO DE MOSSORÓ –"FRUSTRAÇÃO EM APODI E ATAQUE A GOVERNADOR DIX-SEPT ROSADO"- PARTE VI

Por José de Paiva Rebouças

Concomitante à prisão do coronel Antônio Gurgel, o bando se dividiu em duas facções para correr a região. Uma delas, chefiada por Massilon, foi a Apodi para nova tentativa  de saque, mas dessa vez a história foi diferente. 

Coronel Antônio Gurgel do Amaral - Fonte da imagem: http://honoriodemedeiros.blogspot.com.br/2012/10/os-misterios-do-ataque-de-lampiao_24.html

O bando nem entrou na cidade. O tenente Juventino Cabral montou uma força para a defesa do lugar. Ao perceber os bandidos, policiais e paisanos dispararam uma violenta sequência de tiros. Massilon ficou em desatino e não teve como prosseguir a emboscada. Voltou desapontado com a incursão desastrosa.

Massilon, Lampião e Sabino Gomes - Fonte da imagem: http://blogdocarlossantos.com.br/a-resistencia-de-mossoro-ao-bando-de-lampiao/

A segunda facção tinha duas colunas. A primeira com Jararaca e a segunda. mais atrasada, com Lampião. Ao todo, cerca de 40 homens, além dos reféns. Seguiam em direção ao povoado de São Sebastião.

José Leite de Santana o cangaceiro Jararaca - Fonte da imagem:  
https://br.pinterest.com/pin/483925922444503576/

Passaram em Riacho Preto. Tabuleiro Grande, Ramadinha e Gangorrinha. No sítio Carnaubinha, chegaram à casa de Manoel Pregmácio, parada obrigatória para viajantes e comboios. 

Encontraram um carregamento pertencente a Manoel Alves de Medeiros, desafeto de Sabino. A carga foi queimada. Os bandidos dançaram e beberam aguardente ao redor do fogo.

A estação em 2002. Do livro Lampião e a Maria Fumaça, de A. A. Araújo e L .R. Bonfim - http://www.estacoesferroviarias.com.br/rgn/dixsept.htm

Entraram em São Sebastião por volta de onze horas da noite, sem dificuldade Na estação ferroviária, os funcionários se mantinha apostos conforme combinado com João Câmara poucas horas antes.

Aristides de Freitas ligou para o coronel Vicente Sabóia, superintendente da estrada de ferro em Mossoró, e avisou do ataque. Depois fugiu em um trole de ferro sob fogo dos bandidos. 

Deficiente físico, Manoel Pereira não conseguiu escapar, mas foi poupado pelos cangaceiros. De acordo com Sérgio Dantas, Vicente Sabóia retornou o telegrama querendo mais detalhes. Um cangaceiro atendeu com ameças: 

"Vocês vão ver o estrago que nós vamos fazer em Mossoró", teria dito.

Embriagados, os homens não pouparam nem os casebres. Invadiram e depredaram tudo. Saquearam os comércios  de José Ludgero Costa, João de Freitas Oliveira. Adauto Dias Fernandes e Eleutério Mendes. Puseram fogo em um automóvel e em um caminhão estacionados próximos à estrada de ferro.

A destruição só parou quando Massilon se juntou ao grupo. Reclamou com Jararaca e os dois se desentenderam. Coube a Lampião acalmar os ânimos. Partiram em seguida, fazendo parada no sítio Cigana, de Francisco Chagas Lopes. Virgolino mandou um grupo na frente para saber nas redondezas se tinha notícia de alguma volante. Depois seguiu para Passagem de Oiticica, onde iria acampar.

Lampião. Foto pouca usada pelos escritores - http://www.jeansouza.com.br/nordeste/em-4-de-junho-de-1898-nascia-virgulino-ferreira-da-silva-o-cangaceiro-lampiao/

O FIM DA FESTA EM MOSSORÓ

Quando Vicente Sabóia recebeu o aviso do ataque a São Sebastião, o povo de Mossoró estava na residência de Humberto de Aragão Mendes comemorando a vitória do Humaitá Foor-Ball Clube sobre o Ipiranga.

Residência do empresário Humberto de Aragão Mendes - Fonte da foto: https://www.youtube.com/watch?v=7hlk2kvJ_oQ

Ao receberem a notícia, os moradores entraram em pânico. Alguém ponderou que deveria ser boato de gente do Ipiranga para acabar com a festa. Ninguém deu ouvidos.

Os remanescentes do escotismo na cidade de Mossoró, fundaram a 14 de outubro de 1919, no Sítio Cantos, na residência do dr. Pedro Ciarline, pelas 19 horas, à luz de lamparinas, o Humaitá Foor-Ball Clube. - Fonte: futebol em família, de Olismar Medeiros Lima - http://jotamaria-futebolmossoro.blogspot.com.br/2012/04/humaita-mossoro.html

Os sinos das igrejas começaram a tocar e para ampliar o aviso, foram acionadas as sirenas da usina de força e luz e de outras firmas comerciais.

Muitos se dirigiram à sede da Intendência para saber mais informações. Na mesma noite começou a retirada da cidade. A ordem, segundo Sérgio Dantas era fugir. 

Pesquisadores Aderbal Nogueira, Manoel Severo e Sérgio Dantas - Fonte da imagem: http://cariricangaco.blogspot.com.br

AS PRIMEIRAS HORAS DO DIA 13 DE JUNHO DE 1927

Por volta das cinco horas da manhã, Jararaca, Moreno, Colchete e meia dúzia de cangaceiros chegaram em Passagem de Pedras de Oiticica, visivelmente embriagados.  

http://www.revistaencontro.com.br

Sem sinal de volantes, saquearam todas as casas. De lá, foram até o sítio Bom Jesus, hoje bairro de Mossoró, para ver se tinha residência. Nem sinal.

No retorno, prenderam Amadeu Lopes e o prestador de serviços de dedetização Luiz Joaquim Siqueira, o Formiga que seguiam a cavalo para Passagem de  Oiticica. 

No sítio Cigana, o bando comandado por Lampião assaltou Francisco Rosendo. Mas à frente, fez José da Silveira de refém por três contos de réis.

Assaltaram a choupana de Cícero Secundino e tomaram dinheiro de Pedro Lopes e José Flor. Em Ipueira, invadiram a mercearia de Antônio Vasco, no sítio Canudos, e sequestraram Anacleto de Oliveira Freitas por 500 mil réis. O refém mandou recado ao pai que lhe alcançou pouco adiante com o dinheiro do resgate.

Parte do bando se afastou do grupo maior e seguiu até outros lugares próximos. Em Lagoa de Paus, entraram na casa de João Abdias. Adiante, prenderam os sertanejos Joaquim Germano e Júlio Soares por um conto de réis cada.

Azarias Januário, da fazenda Picada, foi preso por quinhentos mil réis. O agricultor José Geraldo de Oliveira e seu filho também foram presos. Os sertanejos Adolfo Guilherme, Sancho Amaro e Belarmino de Morais foram levados para servirem de escudo humano se houvesse necessidade.

Por volta de sete e meia da manhã, o bando se reunia em Passagem de Oiticica.

Continuaremos amanhã com o título:
"ESTRATÉGIA PARA O ATAQUE"

Fonte: Jornal De Fato
Revista: Contexto Especial
Nº: 8
Páginas: 24 E 25
Ano: 6
Cidade: Mossoró-RN
Editor: José de Paiva Rebouças
E-mail: josedepaivareboucas@gmail.com
Ilustrado por: José Mendes Pereira

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RECORDANDO: I CIRCUITO DE MÚSICA ANTIGA, SETEMBRO DE 1985 (UFA! HÁ QUANTO TEMPO!!!).


Série de concertos-espetáculos envolvendo canto coral, música instrumental, poesia e dança, de 13 a 19 de setembro de 1985, nos vários auditórios do Campus I da UFPB, culminando com apresentações no Teatro Santa Roza em João pessoa, na Catedral de Campina Grande (27/09/1985) e no Teatro Deodoro em Maceió (28/09/1985). Protagonizado pelo Coral Universitário da Paraíba “Gazzi de Sá” (reduzido para atender as especificidades do repertório renascentista), Grupo Anima (oportunamente postarei sobre esse grupo) e Ballet Espaço, contou com a direção geral de Sandra Albano, minha regência e direção musical, e coreografia da saudosa Rosa Cagliani. No ano seguinte, o espetáculo foi apresentado integralmente em Fortaleza (25/07/1986), e parte dele seguiu com o Coral Universitário em turnê por Maceió, Aracaju, São Paulo e Porto Alegre (setembro/1986). As imagens mostram a apresentação no Auditório do CT, o programa das apresentações em Campina Grande e em Maceió, e uma matéria de jornal local. Pena não ter mais fotos deste espetáculo, totalmente inédito na época...

GRUPO ANIMA (Flautas Doces)

CORAL UNIVERSITÁRIO DA PARAÍBA

Sopranos: Edna do Nascimento, Fabiana Feitosa, Fabiola Medeiros, Lindalva Bandin, Lucia Helena Luna, Ruth Ferreira

Contraltos: Fatima DominguesJaira Lucena, Leonor Maia, Soraia Bandeira

Tenores: Dema CamazzoElton Veloso, Marcos Carvalho

Baixos: Maurício Carneiro, Roberto Oliveira, Tião Cordeiro Braga

Regente: Eli-Eri Moura

BALLET ESPAÇO

Ana Cristina S. Silva, Guilherme SchulzeMadeleine De Vasconcelos BragaMauricio Germano, Ricardo Jorge G. Pereira, Rosa Cagliani.





Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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DIREITO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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sábado, 24 de junho de 2017

NOVO LIVRO NA PRAÇA "O PATRIARCA: CRISPIM PEREIRA DE ARAÚJO, IOIÔ MAROTO".


O livro "O Patriarca: Crispim Pereira de Araújo, Ioiô Maroto" de Venício Feitosa Neves será lançado em no próximo dia 4 de setembro as 20h durante o Encontro da Família Pereira em Serra Talhada.

A obra traz um conteúdo bem fundamentado de Genealogia da família Pereira do Pajeú e parte da família Feitosa dos Inhamuns.

Mas vem também, recheado de informações de Cangaço, Coronelismo, História local dos municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, São Francisco, Bom Nome, entre outros) e a tão badalada rixa entre Pereira e Carvalho, no vale do Pajeú.

O livro tem 710 páginas. 
Você já pode adquirir este lançamento com o Professor Pereira ao preço de R$ 85,00 (com frete incluso) Contato: franpelima@bol.com.br 
fplima1956@gmail.com

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VENDEDORES AMBULANTES /POMBAL DÉCADA DE 1960. O VENDEDOR DE QUEBRA QUEIXO...

 Por Jerdivan Nóbrega de Araújo
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Vendedores Ambulantes /Pombal década de 1960.

O Vendedor de Quebra Queixo.

Outros vendedores de quebra queixo tivemos, mas quero falar de um em particular. Ele não tinha nome: era apenas "O homem do Quebra Queixo". Ou o velho do "Beiço Lascado", por ser portador de lábio leporino ou fenda labial.

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Esse tipo de vendedor foge as memórias dos contemporâneos que moravam nas ruas melhores situadas, face a ser um ambulante das periferias. Oferecia os seus produtos aos tão pobres quanto ele, razão pela qual fazia mais escombo do que venda: garrafa, alumínio e cobre eram as "moedas" correntes por onde ele passava.


Cruzava as ruas da cidade com uma tabuleta de quebra queixo na cabeça, e um saco de garrafas vazias nas costas, ao tempo que gritava:
- Ééééébra eiiiiixoooooo.... óóóóca ô arrafa êa arrafa e lito. Az "meicado" de um e "Ôz uzeiro" (troca por garrafa meia garrafa e litro. Faz mercado de um e de dois Cruzeiros)

A molecada corria atrás do vendedor de quebra queixo com suas garrafas nas mãos para trocar por um "meicado" de doce. 

O que irritava o "Vei do Beiço Lascado" era dizer que seu doce era feito com talo de pé de mamão, o que era uma verdade.

O vendedor de quebra queixo fez parte da nossa infância, e entra no registro das minhas memórias como mais um Homem Invisível das ruas de Pombal.



Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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SÃO JOÃO DIFERENTE

Clerisvaldo B. Chagas, 24 de junho de 2017
Escritor Símbolo de Santana do Ipanema
Crônica 1.688
(Folha Vitória).
Tantas vezes já escrevi sobre o São João que perdi a conta. Mas tenho impressão que o ápice se encontra no livro “O boi, a bota e a batina; história completa de Santana do Ipanema” onde descrevo com detalhes o São João da Rua Antônio Tavares onde quase nasci e fui criado. Ali tem uma rua de fogo em duas alas, desde a Cadeia Velha até chegar ao Bairro São Pedro, inclusive, com vários nomes de moradores da época e os costumes da citada rua ─ a primeira de Santana.
Mas hoje, depois de tantos e tantos anos com o clima modificado, morando em outro lugar, já não posso falar em São João com a qualidade de antes. Aconteceu muita chuva e frieza ontem à noite, não permitindo acender a madeira encharcada, em muitas residências. Na minha rua mesmo ninguém fez fogueira ficando a lenha na calçada com a chuva cortando a noite toda.
Não gosto de sair de casa em véspera de Natal e São João. Mas o não sair de casa ontem significava, agasalho, frio, confinamento. Nenhuma fogueira foi feita na minha pequenina rua e, como se diz por aqui, nem mesmo um pé de pessoa.
Algumas bombas e foguetes foram ouvidos na cidade, mas coisa sem força, assim como forró furando os ares sem lugar preciso.
O tal modernismo vai modificando tudo, mexendo até com o São João. O desmatamento proibido da caatinga reduziu enormemente o número de fogueiras que ficaram reduzidas a meia dúzia de paus. A carestia com a ambição dos que vendem fogueiras, também não permitiu acesso à compra de quem gostaria. Outro fator, sem dúvida, foi o asfaltamento em parte da cidade onde ninguém quis colocar fogo no chão.
E, finalmente, o próprio desestímulo oficial fez reduzir a festa que passou de pujante à sofrida.
Passada a véspera, o dia chegou, nublado e frio. Nem sei se vai dar para acender fogueira hoje ou se as bebidas irão continuar sem manuseio. Afinal, isso aqui não Caruaru e nem Campina Grande.
Garganta fraca não pode gritar: Viva São João!

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Informação: Não foi possível inserir a foto do autor
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