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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

FAZENDA ENGENHO EM MATA GRANDE/AL. LOCAL DA MORTE DE ZÉ FERREIRA, PAI DE LAMPIÃO.

Por Geraldo Antônio de Souza Júnior

Localizada entre os municípios alagoanos de Mata Grande e Santa Cruz do Deserto, a Fazenda Engenho foi palco da morte de José Ferreira, pai de Lampião. O ataque à fazenda ocorreu no dia 22 de abril de 1920.


Segundo o pesquisador e escritor Clerisvaldo Chagas, quem matou José Ferreira, pai de Virgolino, foi o volante Benedito Caiçara, intempestivamente, sem saber nem quem ele era, na hora da invasão a casa. 



(Essa versão é sustentada por uma das maiores fontes do cangaço que nos pediu para que não colocasse o seu nome, por motivo de amizade com a família de Caiçara). Por essa digna e insuspeita fonte, confirmada pelo saudoso batedor da tropa de Lucena, Manoel Aquino, homem de bem, que ouvira de seus colegas de farda. Como era um homem de princípios. Lucena recriminou duramente a Caiçara, mas assumiu a morte do senhor José Ferreira, uma vez que se achava responsável pelos atos dos seus comandados.

Existe uma versão que diz que o volante Caiçara fora duramente recriminado pelo comandante, teve sua farda rasgada, levado uma surra e expulso da polícia. A mesma fonte inicial, que tinha fácil acesso a ambos, diz não conhecer essa versão. E que o soldado Caiçara era perverso, mas Lucena gostava muito dele. Depois da polícia, Caiçara passou a ser sacristão do padre Bulhões e não antes. Ainda como volante Benedito matou a pedradas um dos irmãos Porcino (José) ferido, em uma das diligências de Lucena, e que nunca pertencera ao bando. (Ver adiante e no último capítulo, o fim de Caiçara).

Tenente Zé Lucena

Quanto à morte de Luís Fragoso, é sabido por todos, que Lucena não gostava de colecionar prisioneiros. Ladrões em geral, especialmente ladrões de cavalos, assaltantes, desordeiros, perturbadores da ordem pública, muitos foram executados em cova aberta. A ordem para limpar o Sertão já vinha de cima (Autores).

José Ferreira da Silva pai de Lampião

Na morte de José Ferreira não houve combate. Os três filhos mais velhos não estavam presente. O depoimento de João e de Virtuosa são bens claros, explanados por Vera e Amaury. Na versão de Bezerra e Silva, houve forte tiroteio na fazenda Engenho. Além da morte de José, ficou ferido Antônio Ferreira, na perna. Os Ferreiras juntaram-se aos Porcino, conduziram Antônio numa rede e com um grupo de 25 homens, partiram para Pernambuco, pernoitando na vila Mariana. Pela manhã viajaram. Lucena chegou à vila, tachou seus habitantes de coiteiros; os soldados ocuparam as ruas praticando absurdo e o comandante ainda andou seviciando pessoas (...)


Fonte: Texto extraído do Livro “Lampião em Alagoas” de Clerisvaldo Chagas(Páginas 98/99).
Obs: Na época dos acontecimentos existia no local uma casa de taipa que foi substituída por essa de alvenaria que aparece na imagem anexada a essa matéria.
Os: Imagem gentilmente enviada pelo amigo Valdenilton “Nilton” Souza da Silva Johann Goethe)
Geraldo Antônio de Souza Júnior

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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SEMINÁRIO REGIONAL, TRABALHO, AMBIENTE E SAÚDE DA POPULAÇÃO CAMPONESA


Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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domingo, 20 de agosto de 2017

JUNIOR ALMEIDA: A VOLTA DO REI DO CANGAÇO NO FESTIVAL DE INVERNO DE GARANHUNS


Eu fui presenteado com esta obra pelo autor Júnior Almeida, e já iniciei a leitura. Nela, são revelados fatos que aconteceram no "Instituto Nina Rodrigues", e que são fatos gravíssimos. 

Não deixe de adquiri-la, para você saber o que aconteceu com o material genético dos cangaceiros mortos na madrugada de 28 de julho de 1938, lá na Grota de Angico, no Estado de Sergipe, e mais outros assuntos do seu interesse. 

Não deixe para depois, vez que livros escritos sobre "Cangaço" são arrebatados por leitores, escritores e pesquisadores, principalmente pelos colecionadores, e você poderá ficar sem ele.

O livro custa 45,00 Reais, e basta clicar no link abaixo e pedir o seu.

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MAIS PONTOS DE VENDA EM CAPOEIRAS

Amigos, nosso trabalho, A VOLTA DO REI DO CANGAÇO, além vendido direto por mim, no MERCADO ALMEIDA JUNIOR E também pode ser encontrado na PAPELARIA AQUARELA, ao lado do Correio, também na PANIFICADORA MODELO, com Ariselmo e Alessilda e no MERCADO POPULAR, de Daniel Claudino Daniel Claudino e Gicele Santos.

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LOCALIZAÇÃO DOS EVENTOS

Por Rubens Antonio

Pontos com principais eventos relacionados ao cangaço, na Bahia, reportados em jornais e relatórios, entre 1928 e 1940. - Localização e distribuição no mapa de minha autoria.

http://cangaconabahia.blogspot.com.br/2017/08/localizacao-dos-eventos.html

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ZÉ DE JULIÃO, HONRADO EX-CANGACEIRO, PRIMEIRO PREFEITO DE FATO ELEITO EM POÇO REDONDO

*Rangel Alves da Costa

Certamente que nos anais da história política de Poço Redondo, consta Artur Moreira de Sá como o primeiro prefeito do município. Com efeito, Seu Artur – assim comumente conhecido - foi o primeiro gestor a assumir os destinos do recém-criado município, desmembrado que fora de Porto da Folha e passando a tomar conta do seu destino a partir da Lei Estadual nº 525-A, de 25 de novembro de 1953.
Mas a versão surgida e que foi tomando sentido de realidade é que Artur Moreira de Sá sequer teve o mesmo número de votos que seu adversário naquela primeira eleição de 03 de outubro de 1954 e disputada contra José Francisco do Nascimento, mais conhecido como Zé de Julião, o ex-cangaceiro Cajazeira do bando de Lampião. Parece uma história atravessada, mas não é não.
Explica-se. O candidato das forças políticas estaduais era Artur Moreira de Sá, oriundo de Porto da Folha. E a primeira estratégia de campanha foi espalhar o boato que Zé de Julião não poderia ser candidato porque era um ex-cabra de Lampião, perigoso e malfeitor, um reles bandido, e ninguém podia aceitar um cangaceiro como prefeito. Mas o ex-cangaceiro não se intimidou e enfrentou as forças do poder. Deu empate: 134 votos para cada candidato. Mais velho, então Artur Moreira acabou sendo proclamado vitorioso.
É neste ponto que a história vira de ponta cabeça. Nos arquivos e atas da justiça eleitoral realmente consta o empate havido entre os dois candidatos. Artur Moreira de Sá com 134 votos e José Francisco do Nascimento também com 134 votos. E o critério de desempate pela idade acabou favorecendo o candidato do Partido Republicano - PR, Seu Artur.
Contudo, não só o pleito havido debaixo de perseguições e abusos teve sua validade contestada por muito tempo, como as próprias pessoas que participaram diretamente daquela eleição – presidentes de mesa, mesários, delegados, etc. – passaram a testemunhar um resultado totalmente diferente. E tais testemunhos apontam, sem quaisquer dúvidas, que o candidato com maior número de votos havia sido Zé de Julião. Quer dizer, o empate foi uma estratégia forjada para dar a vitória ao candidato governista.
Algumas pessoas de Poço Redondo ainda recordam como tudo se deu, ou seja, como o candidato Artur Moreira acabou sendo eleito mesmo tendo sido derrotado nas urnas. E um testemunho dado por Dona Maristela de Sá, que naquele pleito havia trabalhado em seção eleitoral e participado da contagem dos votos, deixa induvidosa tal questão. Com efeito, no recente documentário “Zé de Julião – Muito Além do Cangaço”, de Hermano Penna, a hoje octogenária ex-professora conta tudo sem meias palavras.
Diz Dona Maristela: O candidato eleito foi Zé de Julião. Mas como os governistas, com a conivência da justiça eleitoral, não aceitavam de jeito nenhum o resultado, então resolveram tomar a eleição a todo custo. Então começaram a recontar os votos até que chegasse ao empate. A cada nova contagem, cédulas com votos de Zé de Julião eram derrubadas e escondidas debaixo das solas dos sapatos. Quando chegou ao empate, então se deram por satisfeitos, pois sabiam que o mais velho seria proclamado vitorioso. E o mais velho era Artur. Mas quem teve mais votos foi mesmo Zé de Julião”.
Significa dizer, pois, que, de fato, o primeiro prefeito eleito de Poço Redondo, ou aquele que obteve mais votos na eleição disputada no recém-criado município foi José Francisco do Nascimento, o Zé de Julião, um honrado, amado e admirado ex-cangaceiro do bando de Lampião, esposo da também cangaceira Enedina, e desta desapartado pela morte na fatídica chacina da Gruta do Angico em 1938. Entretanto, como lhe usurparam vergonhosamente a vitória, quem tomou posse por forjado direito foi Artur Moreira de Sá.
Não se pretendeu aqui lançar qualquer negativa ou dúvida sobre Seu Artur como o primeiro prefeito de Poço Redondo. A História assim conta e como tal deve ser considerada. Os fatos demonstram, porém, que sua vitória não se deu nem por maioria de votos nem mesmo por empate. Considerando-se o que por muito tempo foi ressurgindo como uma verdade ocultada e pelo testemunho vivo de Dona Maristela, simplesmente “tomaram na tora” e vitória dada a Zé de Julião pela maioria dos eleitores poço-redondenses de então.
Zé de Julião ganhou, mas não levou, como popularmente se diz. O que, por justiça, não afasta o seu reconhecimento como primeiro prefeito eleito de Poço Redondo.

Escritor
blograngel-sertao.blogspot.com

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A ANTIGA CADEIA VELHA DE POMBAL.

 Por Verneck Abrantes

A antiga Cadeia Velha de Pombal, iniciada em 1816 e concluída em 1859. Hoje denominada "Casa da Cultura Senador Ruy Carneiro", Observamos os detalhes: O Portão de Entrada (com um escudo imperial no alto), no meio, a “Cela de Tortura” (era colocado fogo na parte de baixo e o criminoso ficava na parte de cima e, na angustia de não suportar mais o calor da quentura, contava crimes praticados), nos anos de 1950 um juiz mandou destruir a cela. Na última foto, uma janela com gradeado duplo. Essa cadeia por muitos anos foi considerada a maior e mais segura do sertão paraibano. 


Existe um projeto em andamento para dar uma melhor organização a Cadeia Velha e no que mostra ser hoje um "Museu Municipal".

Verneck Abrantes

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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LAMPIÃO E MARIA BONITA ATRAVESSANDO A CAATINGA


Mais uma obra concluída,e ela chama se LAMPIÃO E MARIA BONITA ATRAVESSANDO A CAATINGA

Ela mede 80x100 e foi pintada a óleo

https://www.facebook.com/610609582322935/photos/a.610627988987761.1073741828.610609582322935/1572551606128723/?type=3&theater

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O CANGAÇO NO VIÉS DA SUBJETIVIDADE

Por Analucia

O movimento chamado cangaço nos mostrou várias vertentes passíveis de análise, mas neste pequeno espaço vamos a um foco de abordagem um tanto subjetiva. Pode-se imaginar a questão da própria autoestima de Lampião, pelo modo de vestir, segundo relatos com adereços brilhantes nas roupagens gerando uma “marca” especial: a do cangaço. É equivalente ao marketing de nosso comércio hoje, ao estabelecer um símbolo ou figura para fixar a imagem da loja ou fábrica. Lampião não somente usou de tal recurso, como encantava seus adeptos a ponto de encarnarem tal imagem, vestindo-se no mesmo padrão do líder cangaceiro, até hoje. Fica assim como que justificado vermos pessoas que condenam Lampião e, no entanto se caracterizam como o Rei do Cangaço. 


Outro aspecto interessante é a vinculação ou dedicação expressa de Virgulino à sua crença religiosa e de forma pública e notória o respeito à Padre Cícero como líder religioso do nordeste. Apesar de práticas abusivas e condenáveis ao invadir uma cidade ou sitio, o líder do cangaço prestava clara crença na fé católica, submetendo-se á figura do Padim com naturalidade e respeito. Ambivalência também de muitos nos nossos dias... Adaptado de Tito: Psicólogo, professor e consultor. Formado na UMC. São Paulo, pós-graduação PUC-SP e UNICAMP.

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10212480954612613&set=gm.1817942041851632&type=3&theater

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SILA_A MEDICINA NO CANGAÇO

Mais uma produção da Aderbalvídeo
https://www.youtube.com/watch?v=FZoWHkQW_us

Publicado em 14 de ago de 2017
Depoimento de Sila, ex cangaceira do grupo de Lampião, mulher do cangaceiro Zé Sereno, contando de quando seu irmão Novo tempo foi baleado e o tratamento feito nas caatingas.
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LAGOA DO MEL POR JOÃO DE SOUSA LIMA

Mais uma produção da Aderbalvídeo
https://www.youtube.com/watch?v=U2W9z7ZLDfE&feature=youtu.be

Publicado em 20 de ago de 2017
O pesquisador e escritor João de Sousa Lima fala sobre o combate na Lagoa do Mel onde a história conta que morreu Ezequiel, irmão de Lampião.
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UM MONUMENTO AOS ALMOCREVES DE OUTRORA

Por José Romero de Araújo Cardoso

Mossoró já foi um dos mais extraordinários pólos de crescimento que o semi-árido nordestino já registrou em sua espacialização geográfica, convergência de boa parte da produção sertaneja dos vizinhos Estados do Ceará e Paraíba, além de sua órbita gravitacional, as cidades circunvizinhas. Algodão, peles, couros e cera de carnaúba, além de sal e gesso, eram exportados pelas inúmeras casas especializadas que eram facilmente encontradas no município, sucessoras da saga comercial do negociante suíço Johannes Ulrick Graff.

A produção sertaneja contava com imprescindíveis agentes econômicos, responsáveis pelo transporte dos bens obtidos com as atividades econômicas do semi-árido. Eram os almocreves de outrora, os tangerinos ou comboieiros, os quais saíam com tropas de burros dos mais distantes lugares, trazendo seus fardos de pele e algodão.

Provinham de todos os recantos do Rio Grande do Norte, da Paraíba e do Ceará. Após dias de exaustivas caminhadas pelas trilhas toscas e de difícil acesso, chegavam cansados, famintos e estropiados em Mossoró, onde escolhiam seus melhores compradores. Em inúmeros casos almocreves, comerciantes e industriais firmavam, além de negócios, laços coesos de amizade e compadrio. Lembremos o exemplo de Argemiro Liberato de Alencar, almocreve paraibano, natural de Pombal, compadre e amigo íntimo do “Coronel” Rodolfo Fernandes, responsável pelo primeiro aviso a Mossoró de que Lampião intuía atacar a cidade em 1927.

Graças aos almocreves, muito da prosperidade desfrutada pela capital do oeste potiguar pôde ser efetivada, sobretudo durante os anos áureos do boom da economia do semi-árido, durante a década de 20 do século passado. O término da guerra urgiu a necessidade de se reconstruir a velha Europa, devastada pelo conflito. Posteriormente, registrou-se a catástrofe da Bolsa de Nova York em 1929, da qual surtiu efeito contundentes sobre a economia da região.

Campina Grande, Estado da Paraíba e Mossoró, Estado do Rio Grande do Norte, rivalizam quanto ao grau de importância dos velhos almocreves para a economia local, em determinada época. A primeira já rendeu seu tributo aos bravos tangerinos dos pretéritos tempos e lucra extraordinariamente com isso. Exemplo maior encontramos no reconhecimento internacional ao grupo Tropeiros da Borborema, oriundos da magnífica composição de Raimundo Yasbek Ásfora e Rosil Cavalcante, imortalizada em esplêndida interpretação de Luiz “Lua” Gonzaga. Monumento em Campina Grande, além de destaque em museu, embora referente ao algodão, denotam a reverência dos paraibanos a um dos mais importante elo da cadeia produtiva da economia sertaneja.

Mossoró, por sua vez, ainda não despertou para a importância de resgatar os almocreves, deixando testemunho, como legado à posteridade, de um marco histórico de uma época em que a fome e a sede imperavam nas estradas poeirentas do sertão, embora não maiores que a obstinação de buscar sobreviver à inclemência das dificuldades naturais e artificiais da hinterlândia.

A terra de Santa Luzia precisa fomentar com urgência esse reparo enquanto tributo de gratidão àqueles que trouxeram tantas riquezas que deram posição de destaque regional, nacional e internacional ao País de Mossoró durante boa parte do século XX, refletindo-se no presente através dos marcos indeléveis no imaginário popular transmitido de geração a geração. Seguir os passos de Campina Grande, imitando sua originalidade e pioneirismo, pode representar futuros investimentos em turismo e cultura, pois a história é um alicerce irremovível na assistência a projetos futuros.

Em um tempo em que os transportes de grande calado, que comportassem o volume da produção, eram escassos ou quase inexistentes, esses agentes econômicos marcaram significativamente o cotidiano das terras semi-áridas, contactando centros civilizados com os mais recônditos rincões esquecidos do vasto mundo das caatingas e dos carrascais.

Homenageá-los significa recuperar parte de nossa memória, se evitando dessa forma que suas lutas e o estoicismo em vencer obstáculos de um sertão tenaz e indomável de outrora caiam no ostracismo imposto pela aculturação que se propaga e faz as gerações atuais e futuras tenderem a esquecer as raízes e os valores das veredas da terra do sol.

José Romero Araújo Cardoso (2) - Geógrafo (UFPB). Escritor. Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial (UFPB) e em Organização de Arquivos (UFPB). Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente (UERN). Membro do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP), da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço (SBEC) e da Associação dos Escritores Mossoroenses (ASCRIM)

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PRIMOROSO DESENHO EM GRAFITE SOBRE PAPEL FEITO PELO DISCENTE, FUTURO GEÓGRAFO, ICARO FERNANDO PEREIRA DE MENEZES, PRESENTEADO AO PROF. MSC. JOSÉ ROMERO ARAÚJO CARDOSO


Primoroso desenho em grafite sobre papel feito pelo discente, futuro geógrafo, Icaro Fernando Pereira de Menezes, presenteado ao Prof. Msc. José Romero Araújo Cardoso, quando da décima segunda à decima sexta aulas da disciplina Geografia Regional do Brasil, realizadas no dia 28 de julho de 2017. Retratando com retoques sublimes um engenho de rapadura, agroindústria que ainda desfruta de grande importância para a economia nordestina, sobretudo nas regiões do Araripe (CE), Ibiapaba (CE), Serra da Baixa Verde (PE) e Brejo de Areia (PB), observamos neste desenho em grafite sobre papel detalhes encantadores que a genialidade de Icaro Fernando efetivou, a exemplo do carro-de-boi, usado para transportar, com especial atenção, a cana-de-açúcar, destinada às moagens, constituindo a matéria-prima principal do processo de fabricação de rapaduras e outros produtos, bem como o animal utilizado para o serviço imprescindível nos engenhos que ainda resistem pelas quebradas de diversas mesorregiões nordestinas. Além da rapadura, geralmente, ainda são produzidos nos engenhos nordestinos o alfenim e o mel.

Existem no Museu do Sertão da Fazenda Rancho Verde, localizado na estrada da Alagoinha, zona rural do Município de Mossoró/RN vários exemplares de engenhos de rapaduras com todos os acessórios expostos à visitação pública, destacando que este importante repositório que reguarda peças fabricadas pela arte utilitária sertaneja, concretizada pela engenharia empírica do homem regional, é fruto da dedicação e zelo do Prof. Dr. Benedito Vasconcelos Mendes, o qual há mais de quarenta anos vem se dedicando à preservação da luta do povo da Civilização da Seca pela sobrevivência perante à inclemência das condições mesológicas apresentadas pelo quadro natural da região.

UERN/FAFIC/DGE - ASCRIM/SBEC/ICOP

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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sábado, 19 de agosto de 2017

O CÃO DO POÇO E MANECA

Clerisvaldo B. Chagas, 18 de agosto de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.718

No meu livro inédito: “O Boi, a Bota e a Batina; história completa de Santana do Ipanema” existe uma página com o mapa do comércio de Santana, década de 1960. Todas as casas comerciais, nomes, proprietários, localização, do espaço Senador Enéas Araújo, Praça Cel. Manoel Rodrigues da Rocha e Largo da Feira. O mapa contém, inclusive, todos os comerciantes e seus lugares no antigo “prédio do meio da rua” e no “sobrado do meio da rua”, demolidos na gestão Ulisses Silva. Na esquina defronte o museu estava à loja de tecidos de meu pai. Do lado de cima, negociava com café, o Maneca (pai da professora Mariluce). Depois o Maneca mudou-se para ser o nosso vizinho de baixo mantendo o seu Café denominado por todos de Bar de Maneca. O vizinho de cima passou a ser o comerciante de tecidos Jaime Chagas que foi vice-prefeito em Santana.
Estátua ao jegue. Foto: (Clerisvaldo B. Chagas).
Maneca fazia um café muito gostoso e ele mesmo dizia que misturava o café AFA de primeira com o de segunda. Todos gostam do café que faço em minha casa, mas não há uma só vez que eu não diga que é o café de Maneca. Gente finíssima e querida por todos, às vezes o proprietário tomava uma ou outra e ninguém notava, a não ser em virtude de algumas ações estranhas. E quando um vereador sentou à mesa e começou a pedir o café por várias vezes, Maneca respondia lá de dentro: “já vai!”. O vereador, enquanto isso ia colocando açúcar do antigo açucareiro de vidro que ficava à mesa, na mão e comendo.  E quando Maneco chegou com o café, entregou a xícara e retirou o açucareiro sem nada dizer. Pensando que Maneca iria trocar o objeto, o vereador perdeu a paciência e indagou: “Maneca, e o açúcar?”. O dono disse: “Você já comeu o açúcar, agora se rebole para misturar”. Já o mestre Alberto Nepomuceno Agra, sentou à mesa e pediu um queijo, duas ou três vezes. Maneca veio de lá, colocou um queijo inteiro de um quilo no prato de Alberto e retirou-se calado. “O que é isso Maneca?”. “Você não pediu um queijo?”.
Trabalhava no bar o garçom, alto, boca grande e bobalhão, apelidado Cão do Poço. O apelido vinha de coisas sobrenaturais que estavam acontecendo no Poço das Trincheiras, lugar de origem do garçom. Cão do Poço dormia no próprio bar. E quando o prefeito Ulisses Silva mandou deixar um monte de pedras para calçamento defronte o salão paroquial, Cão do Poço deve ter feito alguma raiva ao patrão. Quando o garçom pediu o chaveiro para dormir no bar, Maneca passou a chave na porta de ferro e indicou o monte de paralelepípedos da rua, dizendo: “Hoje sua cama é aquela”. Pendurou o chaveiro no cós da calça e foi embora.

Nem um anjo pediu pelo Cão do Poço.
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SEPULTURA DE UM MILITAR QUE COMBATEU A COLUNA.

Por Rubens Antonio

Guia de sepultamento e sepultura, no Cemitério do Campo Santo, em Salvador, de Fernando Miguel Pacheco Chaves, oficial do Exército morto em perseguição à Coluna Invicta, mais conhecida como Coluna Prestes, em 1926, na Bahia.

"A Noite", 9 de julho de 1924


"A Noite", 9 de julho de 1924





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SOBRE UMA POLÍTICA NACIONAL PARA OS FERTILIZANTES

Por Saul Ramos de oliveira*

Os fertilizantes são insumos agrícolas essenciais para uma agricultura produtiva, competitiva e também sustentável. É através da aplicação de fertilizantes que se atinge maior produtividade por área, melhora o desempenho fisiológico das plantas, possibilita o cultivo em solos de baixa fertilidade natural, diminui o aumento da área plantada e consequentemente do desmatamento, etc. Todos esses fatores serão cruciais para o aumento dos lucros dos produtores e da agricultura nacional como um todo.

No entanto, esse importante insumo se mostra como um dos mais caros para os produtores onerando muito os custos de produção. Nas cidades de Sorriso (MT) e em Uberaba (MG), os custos para a produção de soja subiram 17,8% e 8,6%, respectivamente. Sorriso, para se plantar um hectare de soja em abril/2015, foi gasto de R$ 2.045,63 contra R$ 1.737,21 em abril/2014. Em Uberaba foi gasto de R$ 1.955,94/ha em abril/2015 contra R$ 1.800,53/ha em 2014. 

Fertilizantes e defensivos foram os insumos que mais impactaram os custos de produção. Na cidade de Sorriso, o aumento com fertilizantes e defensivos foi de 24,7% e em Uberaba, de 14,5% (1).

Os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontaram que fertilizantes e outros insumos foram responsáveis pelo grande aumento do custo de produção da cultura do milho nas safras de 2015/16. De acordo com os dados, esses insumos corresponderam por: 0,14% do custo de produção em Mato Grosso, 65% no Paraná, 65,72% no Rio Grande do Sul, 72,65% em Mato Grosso do Sul, 73,86% em Goiás, e 79,69% em Minas Gerais (2) .

A Conab também verificou que entre os anos de 2010 a 2016 ocorreram enormes variações dos preços de vários tipos de fertilizantes (2) . Essas variações podem ser explicadas por uma série de fatores como: compra de fertilizantes em escala por grandes produtores, mercado internacional (alta e baixa do dólar), especulação financeira, etc.

Esse cenário causa um impacto extremamente negativo na vida do produtor rural, pois o mesmo fica submetido a essas flutuações, o impedindo de realizar um planejamento agrícola a longo prazo e de saber se irá ter condições financeiras para fertilizar suas plantações.

Esses problemas referentes aos altos preços dos fertilizantes e das irregularidades do mercado prejudicam ainda mais os médios e pequenos produtores.

Sem políticas governamentais efetivas de subsídios para a compra desse insumo, muitos não têm acesso devido aos altos preços. O valor do frete tende a encarecer ainda mais a aquisição de fertilizantes por parte desses produtores.

Estes problemas que tanto prejudicam grandes, médios e pequenos produtores só ocorrem devido à falta de uma política nacional para os fertilizantes. O Brasil não tem soberania sobre suas reservas minerais e nem da comercialização dos fertilizantes. Em média, anualmente, o Brasil gasta cerca de 28 milhões de toneladas de fertilizantes, o problema é que 75% desses fertilizantes são de fonte estrangeira (3).

A perda da soberania nacional diante dos fertilizantes ocorreu na década de 90 com os planos de privatizações do governo Collor, mas nem sempre foi assim. Nas décadas de 40 até início da década de 90 o governo brasileiro teve grande protagonismo da exploração e venda dos fertilizantes, além do setor privado ter sido mais dinâmico e mais competitivo com mais empresas voltadas para esse ramo.

As primeiras empresas privadas desse setor realizavam misturas do tipo NPK através de matérias primas importadas, isso ocorria devido à pequena exploração e a não descobertas de minas nacionais. Contudo, essas importações eram feitas de forma favoráveis através de medidas de cambio. Essa fase ficou conhecida como I Plano Nacional de Fertilizantes (4).

Na década de 70 é criado o II Plano Nacional de Fertilizantes com a intenção de diminuir a dependência externa, se investindo na produção de matérias primas fosfatadas e nitrogenadas, também foi no ano de 1976 que foi criada a Petrobras Fertilizantes S.A (Petrofertil), essa empresa, posteriormente, ainda iria adquirir a Ultrafértil, Fosfertil e a Nitrofertil. Assim, a Petrofertil tinha grande monopólio da exploração e da comercialização dos fertilizantes nacionais. Na década de 80, o governo federal ainda iria lançar um segundo plano nacional de fertilizantes, esse plano tinha como objetivo explorar minas de rochas fosfáticas nos estados de Minas Gerais e São
Paulo (4).

Com o inicio da década de 90 e as políticas neoliberais do governo, o Brasil perdeu a soberania da sua produção de fertilizantes. Em pouco tempo a exploração e venda dos fertilizantes foram ficando cada vez mais monopolizada, atualmente poucas empresas dominam o mercado, entre elas estão grandes grupos multinacionais.

A perda do monopólio estatal dos fertilizantes causou impactos negativos para toda a agricultura nacional, altas e instabilidade nos preços dos fertilizantes, aumento nos custos de produção dos agricultores, menor produção por área, além de impossibilitar agricultores menos capitalizados do acesso a esse importante insumo. A
falta de regulação estatal nesse setor também causou impactos negativos no setor privado.

Antes das privatizações da década 90 havia muitas empresas privadas competindo no setor, aos poucos, pequenas e médias empresas foram sendo absorvidas por multinacionais formando monopólios. Também vale destacar que os insumos importados possuem tarifa zero, além de não pagar ICMS, em contrapartida, os empresários brasileiros são tributados em operações interestaduais variando entre 4 a 8,4% (5).

É necessário que o estado volte a ter a soberania dos fertilizantes, é uma necessidade nacional para o aumento do abastecimento interno dos alimentos e na geração de empregos e renda. Deve-se entender que não se trata de uma coisa qualquer, fertilizantes são insumos estratégicos para a soberania alimentar e da agricultura de qualquer nação. Esses insumos possuem características finitas, isso já é motivo suficiente para o estado ter papel de destaque na sua exploração e em um planejamento estratégico para racionalização e uso.

Atualmente já existe uma corrida mundial por exploração de novas minas para a produção dos fertilizantes. Sem uma gestão planejada dessas minas, uma nação não tem como garantir a produção de seus fertilizantes, sem essa garantia não se poderá fertilizar as culturas agrícolas e aumentar a produtividade para obter soberania alimentar e lucros para a economia nacional.

O Brasil tem pleno potencial para retomar a produção de fertilizante e ter destaque nesse setor. Em nosso território tem boas reservas de rochas fosfáticas e potássicas, com a descoberta do pré-sal será possível aumentar a produção de gás natural e consequentemente a de fertilizantes nitrogenados. Se for adotada uma política nacional poderá diminuir a dependência externa, e quem sabe até com o desenvolvimento das tecnologias e dos investimentos se tornar independente em alguns fertilizantes.

Até este ano o governo federal tem um meta de investimentos com valor de 18,9 bilhões de dólares para produção de fertilizantes com intuito de diminuir a dependência externa, esses esforços ficaram sob responsabilidade, em especial, da Vale Fertilizantes e da Petrobrás (6).

Porém, esses esforços necessitam ser acompanhados de políticas mais abrangentes como a monopolização do setor pelo estado. A Petrobrás já possui Know-how e investimentos nessa área, com isso, seria muito fácil e viável reestruturar a petrofértil Uma parte do mercado poderia ser aberto para o setor privado, no entanto, será necessária uma regulação estatal para impedir a formação de monopólios, isso descentralizaria a produção nacional e também proporcionava concorrência a empresa estatal.

Novas possibilidades mais sustentáveis também podem ser feitas. 

Nesse grande projeto, um setor de investimentos para a produção de fertilizantes orgânicos e organo-minerais também é necessário. Com a grande pecuária que o Brasil tem, grandes quantidades de excrementos podem ser aproveitadas para a fabricação de fertilizantes, além de uma grande biomassa de sua agricultura.

O Brasil já tem quadros técnicos para levar esse projeto adiante e capital de sobra, só basta vontade política e mais nada. A luta por fertilizantes a preços acessíveis é uma luta de todos os agricultores nacionais, cabem aos mesmos se conscientizar desse problema, que por sinal é muito pouco discutido, para exigirem das autoridades soluções rápidas e concretas. Os agricultores também precisam entender que a soberania nacional sobre os fertilizantes e a busca por auto suficiência não se tratam de propostas ‘’esquerdistas’’ e sim de uma necessidade para manter suas próprias lavouras produtivas e lucrativas hoje e no futuro.

* Engenheiro Agrônomo e Mestre em Horticultura Tropical pela UFCG.

REFERÊNCIAS

(1) CEPEA - Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. Custos De Produção Agrícola. Disponível em:http://www.cepea.esalq.usp.br/upload/revista/pdf/0001131001468869744.pdfpdf. Acesso em <04 de Ago de 2017>.
(2) CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento. Compêndio de Estudos Conab v. 1. Brasília: Conab, 2017. Disponível em: https://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/17_05_17_15_41_25_7_compendio_de_estudos_comportamento_dos_precso_dos_insumos_agricolas_milho_e_soja_- _volume_7_2017.pdf . Acesso em <04 de Ago de 2017>.
(3) Correio Braziliensi. Brasil pode aumentar dependência de importação de fertilizantes. Disponível em :
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2014/10/14/internas_econo mia,452479/brasil-pode- aumentar-dependencia- de-importacao- de-fertilizantes.shtml. Acesso em <04 de Ago de 2017>.
(4) Fernandes, Eduardo, Bruna de Almeida Guimarães e Rômulo Ramalho Matheus (2009). “Principais Empresas e Grupos Brasileiros do Setor de Fertilizantes”, BNDES Setorial, Rio de Janeiro, n. 29, p.203-228.
(5) IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração). 2015. AUDIÊNCIA PÚBLICA “Para debater a importância da exploração do potássio para agricultura brasileira. Disponívelem: http://www.ibram.org.br/sites/1300/1382/00006000.pdf . Acesso em <04 de Ago de
2017>.
(6) ESTADÃO. Indústria de adubo do Brasil prevê investir US$18,9 bi até 2017.
Disponível em: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,industria-de- adubo-do-

brasil-preve- investir-us18- 9-bi- ate-2017,125256e . Acesso em <04 de Ago de 2017>.

Enviado pelo professor, escritor, pesquisador do cangaço e gonzaguiano José Romero de Araújo Cardoso

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